Em determinadas situações no futebol, quanto menos uma coisa acontece mais ela tem chance de acontecer. É o caso dos tabus. Fazia 20 anos que o Figueira não perdia um Clássico no Scarpelli válido por campeonato estadual e fazia nove anos que não perdia um Clássico em seu estádio por qualquer competição.
Apesar da enorme supremacia alvinegra nos últimos oito ou nove anos, este jogo ainda é um Clássico. Assim, uma hora a derrota viria. Nenhum carnaval dura para sempre. Até aí, doloroso, mas normal.
O problema é como a derrota veio. Pelo terceiro jogo seguido, o Figueirense foi dominado por amplos períodos da partida. Pela terceira vez consecutiva, o time abdicou completamente de controlar o jogo e se limitou à ligação direta entre defesa e ataque. Pela terceira partida seguida, a equipe jogou muito mal.
A expulsão de Elton aos 15 minutos do 1º tempo dificulta, e até atenua, a crítica sobre o comportamento do time no jogo de hoje. É uma situação atípica e durante os mais de 70 minutos em que esteve com um jogador a menos, o time foi guerreiro e aguerrido, mas o risco de derrota é sempre muito grande quando uma equipe de futebol se limita a rifar a bola e, conseqüentemente, oferece sua posse para o adversário durante quase o jogo todo.
Mesmo sem criar grandes chances e sem exercer grande pressão sobre a defesa alvinegra, o Avaí mantinha a posse de bola e em algum momento isso ia cobrar seu preço para o Alvinegro. É quase matemático.
Agora se trata de juntar os cacos e usar os três últimos jogos do turno para recuperar o moral do time e somar pontos. A situação é parecida com o turno, com o Alvinegro praticamente fora da briga, mas é difícil que a amarelada de Avaí e, principalmente, Criciúma, se repita agora.