Todo carnaval tem seu fim

Em determinadas situações no futebol, quanto menos uma coisa acontece mais ela tem chance de acontecer. É o caso dos tabus. Fazia 20 anos que o Figueira não perdia um Clássico no Scarpelli válido por campeonato estadual e fazia nove anos que não perdia um Clássico em seu estádio por qualquer competição.

Apesar da enorme supremacia alvinegra nos últimos oito ou nove anos, este jogo ainda é um Clássico. Assim, uma hora a derrota viria. Nenhum carnaval dura para sempre. Até aí, doloroso, mas normal.

O problema é como a derrota veio. Pelo terceiro jogo seguido, o Figueirense foi dominado por amplos períodos da partida. Pela terceira vez consecutiva, o time abdicou completamente de controlar o jogo e se limitou à ligação direta entre defesa e ataque. Pela terceira partida seguida, a equipe jogou muito mal.

A expulsão de Elton aos 15 minutos do 1º tempo dificulta, e até atenua, a crítica sobre o comportamento do time no jogo de hoje. É uma situação atípica e durante os mais de 70 minutos em que esteve com um jogador a menos, o time foi guerreiro e aguerrido, mas o risco de derrota é sempre muito grande quando uma equipe de futebol se limita a rifar a bola e, conseqüentemente, oferece sua posse para o adversário durante quase o jogo todo.

Mesmo sem criar grandes chances e sem exercer grande pressão sobre a defesa alvinegra, o Avaí mantinha a posse de bola e em algum momento isso ia cobrar seu preço para o Alvinegro. É quase matemático.

Agora se trata de juntar os cacos e usar os três últimos jogos do turno para recuperar o moral do time e somar pontos. A situação é parecida com o turno, com o Alvinegro praticamente fora da briga, mas é difícil que a amarelada de Avaí e, principalmente, Criciúma, se repita agora.

A responsabilidade de Gallo na derrota

Ficou muito fácil enfrentar o Furacão Alvinegro. É adiantar a marcação e marcar a saída de bola do Figueira para o time entrar em parafuso. O elenco tem lacunas sérias. Falta um zagueiro mais técnico, um lateral esquerdo e um bom volante, mas já era tempo do técnico Alexandre Gallo encontrar antídotos para os venenos adversários. Mesmo com deficiências, o Figueirense tem o melhor grupo de jogadores do campeonato.

Se o time é marcado em seu campo, tem que ter alternativas para sair com o goleiro e posicionamento para disputar a bola pelo alto e ganhar o rebote onde quer que seja. Se for marcado em seu campo, pode oferecer o mesmo tipo de problema para o adversário.

Se não o faz, preferindo uma marcação mais recuada, para ter campo para sair em velocidade no contra-ataque, precisa ter um sistema de marcação que efetivamente recupere a bola e organização e qualidade técnica para organizar esse contra-ataque com a bola no chão em toques rápidos e não somente em esticões para os atacantes.

Numa coisa, Gallo e Adilson Batista são parecidos: os dois adoram inventar. Só que as invenções de professor Pardal de Adilson geralmente funcionam, enquanto as de Gallo não. Lançar Elton no jogo de domingo, por exemplo, foi uma temeridade. O jogador tem qualidade e pode ser muito útil ao time, mas não fazia uma partida oficial há sete ou oito meses. Chegou ao Figueira em janeiro e passou esse tempo todo até agora se recuperando de contusões musculares. Estrear depois dessa longa inatividade num Clássico era um risco muito grande e sua expulsão aos 15 minutos de jogo foi uma prova disso.

Gallo sempre opta por formações mais defensivas, sem que isso se traduza num time bem postado e com uma defesa segura. O 3-6-1 usado hoje já foi utilizado em outras partidas e não me recordo de ter funcionado em nenhuma delas. No domingo era para começar com o feijão com arroz tradicional. Três zagueiros, César Prates de volta à lateral esquerda, um meio-campo com Diogo, Cleiton Xavier e Rodrigo Fabri, um ataque com Wellington Amorim e Tuta. Depois, podia mexer de acordo com a necessidade.

Durante o jogo, as primeiras substituições de Gallo foram para reforçar a defesa. Marquinhos entrou no lugar de Fabri porque podia recompor a marcação com mais eficiência e fechar o lado esquerdo. Edu Salles substituiu Bruno Peroni não para jogar como atacante, mas para fechar o meio pela direita e acompanhar os avanços do lateral-esquerdo adversário. Bruno Santos entrou na vaga de Wellington Amorim e foi uma mera troca de um atacante cansado por outro descansado. Tudo isso permitiu que gradativamente o treinador do Avaí botasse seu time mais para frente.

Outro erro foi não utilizar jogadores experientes como Fernandes e Tuta, acostumados a grandes jogos, nem que fosse por um pequeno período da partida. Eles poderiam ter feito a diferença.

A responsabilidade de Gallo na derrota – II

Os posicionamentos de Diogo e Cleiton Xavier estão com problemas. Diogo não guarda posição na cabeça de área. Vive avançando para armar o jogo, carregando a bola ou não, sem ter qualidade técnica para isso. Tem que se guardar para a marcação e, em determinados momentos, se lançar em velocidade para fazer os cruzamentos pela direita do ataque, coisa que já mostrou que sabe fazer. No mais, é correr atrás dos outros e quando recuperar a bola passar para quem estiver mais perto.

Já Cleiton Xavier, a despeito de ter sido o melhor jogador do campeonato no 1º turno e ter marcado vários gols, sendo um dos artilheiros do time, não é meia atacante, é segundo volante. Anda jogando avançado demais e aí o time se ressente de sua ausência na organização da saída de bola da defesa.

Outra coisa que precisa ser analisada é a responsabilidade de Gallo no descontrole emocional da equipe. É inconcebível que um jogador como Elton, que apesar de jovem já teve passagens por Grêmio, Santos e futebol espanhol, caia tão infantilmente nas provocações de Marquinhos, apesar deste ser o jogador mais desleal do campeonato.

É inadmissível que Asprilla se mostre tão descontrolado durante todo o jogo, merecendo ser expulso ainda no primeiro tempo, o que não aconteceu porque o árbitro – que também economizou cartões para o Avaí – pipocou depois de ter expulsado Elton.

Não se pode aceitar que o time se esqueça de jogar bola para ficar reclamando e pressionando o árbitro o tempo todo. As arbitragens catarinenses são ruins e neste segundo turno, por motivos óbvios, na dúvida é sempre contra o Figueira. Mas isso já era sabido e a solução é jogar mais bola e não querer ganhar no grito.

Até porque esta não é a característica do Figueira nos últimos anos. O time não ficava se preocupando com o árbitro e, às vezes, até pecava pela omissão quando o adversário pressionava o juiz. Só que assim, também não se abalava tanto quando se sentia prejudicado e mantinha os nervos sob controle.

Saber ganhar e saber perder

Quando o Avaí perde, o que é hábito, a culpa é da arbitragem, do Delfim, da RBS, da chuva, do vento, do papa, do primo do Badanha, do complô intergaláctico.
Quando vence, seus jogadores provocam a torcida adversária e criam uma confusão generalizada dentro do campo. Deve ser a falta de intimidade com as grandes vitórias. Mas de 20 em 20 anos elas acontecem e eles têm direito de comemorar.

Marquinhos, o sujo

Ele era juvenil do Figueirense e obteve sua liberação por conta da falsificação de uma assinatura. Foi para o Avaí e foi cantado em verso e prosa como grande craque. Rodou por aí sem mostrar nada demais, apenas sendo mais uma peça do esquema Juan Figger de engorda de jogadores.

Quando perde a bola no ataque, invariavelmente apela para as faltas. Agrediu um jogador do Figueira no final do clássico na Ressacada na frente do bandeirinha e nada aconteceu. Foi expulso há quase um mês por uma entrada criminosa no joelho de um jogador do Marcílio Dias e até agora não foi julgado. Vários atletas adversários têm a marca de seu cotovelo em seus rostos. Disse depois de um jogo que o campeonato estava armado para o Figueirense e ficou por isso mesmo. Pressiona a arbitragem e chega a dizer o que ela tem que fazer como ocorreu na última quarta-feira em Joinville. Depois de vencer um jogo, faz gestos obscenos para a torcida adversária, como aconteceu no domingo no Scarpelli. É o jogador mais desleal do campeonato, bem ao gosto da torcida avaiana, adoradora de figuras como César Silva, Régis, Alex Rossi e Milton Maluco.

Quem manda é a torcida do Figueira

Mais de 16 mil pagantes no Scarpelli no jogo de domingo, recorde do campeonato. É a maior torcida de Santa Catarina, que incentivou o time durante todo o jogo mesmo diante da adversidade e do mau futebol apresentado pela equipe.

Quase ninguém arredou pé do estádio antes do apito final, diferente de outra que larga o time aos 30 minutos do segundo tempo quando a coisa vai mal. A torcida do Figueira é incomparável.

Além do Dadá, nenhum árbitro serve

Considerando que eles não ganham um campeonato há 10 anos.

Considerando que o Figueira abriu 15 vitórias de vantagem nos confrontos diretos.

Considerando que de 2000 para cá, eles chegaram entre os quatro melhores do campeonato estadual umas duas ou três vezes.

Considerando que eles não ganham um Clássico no Scarpelli desde 1999.

Considerando que eles não ganham um Clássico no Scarpelli válido pelo campeonato estadual desde 1988.

Considerando que eles estão em desvantagem nos confrontos diretos até na Ressacada, o salão de festas alvinegro.

Considerando que eles perderam os quatro últimos clássicos, sofrendo 11 gols e marcando um.

Considerando que de 2001 para cá só ganharam o Clássico duas vezes.

Está explicado por que nenhum árbitro serve, a não ser o Dadá, que expulsou dois do JEC na última quarta-feira, mostrando um rigor que o levaria à crucificação se fosse utilizado contra o Avaí.

Cada um escolhe com qual peneira deseja tapar o sol.

Branco pode, azul escuro pode, azul calcinha não

Segue a coletânea de bizarrices para a presença da torcida visitante no Clássico deste domingo no Scarpelli. Corrigindo o que este blog comentou em post anterior, os avaianos podem trajar branco e/ou azul escuro. Só o azul celeste, também conhecido como azul calcinha, não pode.

Será que os policiais que trabalharão na entrada da torcida visitante estarão munidos de uma paleta de cores e tons? Um estilista de moda será chamado para dirimir as dúvidas e resolver os casos omissos?

Esta edição do campeonato catarinense não está encontrando paralelo na história…

Frankenstein travestido

A resolução da FCF, proibindo a reserva de espaço e a presença da torcida visitante uniformizada é um monstrengo inexeqüível. A prova disso já veio no jogo entre Figueira e Criciúma, no domingo passado, quando foi reservado o mesmo espaço de sempre – sem bar e sem banheiro, diga-se de passagem – para a torcida alvinegra no Heriberto Hülse, mesmo sem usar a camisa do clube.

Agora a diretoria do Furacão anuncia que vai destinar 1.900 ingressos para a torcida avaiana no mesmo lugar de sempre, à direita das sociais. É o que reza o bom senso, diante do surrealismo da resolução da FCF.

O bizarro, no entanto, não poderia ficar de fora. De acordo com os acertos feitos entre FCF e Polícia Militar, os avaianos, além de não puderem usar a camisa do clube, também não poderão trajar roupas azuis e/ou brancas. Que raio de diferença isso faz, se eles vão ter lugar próprio no estádio e uma cota de ingressos?

Desse imbróglio todo, duas coisas chamam a atenção. A primeira é como o Avaí e sua torcida nunca são punidos pelos “erros” que cometem. O time não perdeu mando de campo por causa da arruaça em Criciúma, sua torcida poderá ver o Clássico no Scarpelli, Marquinhos Santos não foi julgado ainda.

A segunda coisa é mais uma dúvida: qual o risco da torcida avaiana botar fogo novamente nas cadeiras do estádio?

A Federação quer final?

Avaliando a atuação do novato árbitro Audilian Richard Sagaz, que debutava no campeonato estadual da primeira divisão, me pergunto se a FCF não quer uma final de campeonato, se realmente interessa à entidade que o Figueira vença o returno.

Ele não teve influência decisiva no placar e acertou nos cartões aplicados aos jogadores alvinegros, inclusive no vermelho dado à Makelele, mas errou um bocado contra o Furacão.

Primeiro não teve o mesmo rigor na aplicação dos cartões aos atletas tubaronenses. O que eles bateram por trás e deram de bordoadas nos tornozelos alvinegros foi uma grandeza e na maioria das vezes sequer foram advertidos.

Depois não deu um pênalti em Edu Salles e anulou um gol legal, com prestimosa colaboração do auxiliar, do mesmo jogador.

Depois de uma arbitragem dessas, a gente tem que ficar com a pulga atrás da orelha.