Boato vira notícia

Como jornalista, aprendi que uma informação só é notícia se for corroborada, seja por documentos, imagens ou por mais de uma fonte. Se não for, não é notícia. Quase sempre há uma conjunção de interesses, muitas vezes opostos, por trás da divulgação de uma informação.

Vemos isso acontecer com freqüência na fábrica de denúncias que virou a imprensa brasileira. Muitas vezes para atingir adversários, principalmente na política, alguém fabrica um dossiê e o repassa à imprensa. Esta, ou porque quer dar o furo, a notícia inédita, antes da concorrência, ou porque a informação vai prejudicar o governo A ou B, a quem ela combate, divulga o que recebeu sem apurar adequadamente a veracidade.

O futebol também se enquadra nesse caso. Há muitos interesses envolvidos, desde causar prejuízo a terceiros até obter promoção pessoal ou vantagem financeira numa negociação.

Assim, a divulgação, por parte do comentarista avaiano Miguel Livramento, de uma possível negociação de Cleiton Xavier na última terça-feira, provocou uma forte reação da direção do Figueirense. O clube negou o fato/boato e condenou a sua veiculação, afirmando que “tradicionalmente às vésperas de momentos importantes e decisivos da vida do clube, o Figueirense é atingido por informações plantadas com o único intuito de conturbar o costumeiro ambiente de tranqüilidade que caracteriza as nossas ações administrativas” (leia a íntegra aqui).

Em sua coluna no jornal Hora de Santa Catarina de hoje, o comentarista continua sustentando que a informação é verdadeira. O mesmo periódico, e também o Diário Catarinense, ambos da RBS, trazem notícias sobre o assunto. Nelas, o fato/boato é negado pelas direções de Figueirense, Palmeiras e Internacional. Segundo o blog do jornalista Rodrigo Faraco, o empresário de Cleiton Xavier também negou (leia aqui).

O argumento de que o clube sempre nega as negociações e algumas delas se concretizam não pode servir de justificativa para divulgar boatos. Estamos nos tempos das raposas felpudas, cobrinhas e outros bichos (o que me faz lembrar aquela música dos Titãs que fala em oncinha pintada, zebrinha listrada e coelhinho peludo…), mas o compromisso com a verdade deve ser assumido por qualquer jornalista.

Há pouco mais de um mês, o clube negou que estaria negociando a contratação de Roque Júnior. O assessor do jogador também negou. Mesmo assim, o boato teve ampla repercussão. O zagueiro não só não veio para o Figueira como foi para o Oriente Médio.

Quando um clube vai contratar um novo técnico, o tiroteio ainda é maior. Dezenas de nomes são citados, na lógica de que um deles vai ser o contratado e assim a informação foi dada em primeira mão por alguém. Só que, na maioria das vezes, o nome anunciado não é um daqueles citados pela imprensa.

Não posso divulgar que o Figueira vai contratar o Ronaldinho Gaúcho só porque alguém me ligou e disse que vai. Tenho quem confirmar a veracidade da informação. Não posso veiculá-la só porque se for verdade, eu dei o furo. O exercício da profissão de jornalista exige responsabilidade. Não divulgar boatos se enquadra nisso.

7.308

Pelas minhas contas, com o jogo do último domingo, o Furacão Alvinegro fechou o campeonato estadual com uma média de 7.308 pagantes por jogo no estádio Orlando Scarpelli. Foram 87.702 ingressos vendidos em 12 partidas em casa.

É, disparada, a melhor média do campeonato. O Avaí ficou em 2º lugar (o que já é um progresso para eles), com média de 5.266 pagantes por jogo. O Criciúma está em quarto lugar, com média de 3.950. Se o jogo do próximo domingo, no Heriberto Hülse, chegar a 17 mil pagantes, a média se elevará para quase 5 mil, suficiente para tirar o terceiro lugar do Joinville (4.212 por partida), mas ainda atrás da dupla da capital.

Registre-se, por justiça, que a média do Criciúma poderia ser melhor, mas o time mandou seus três primeiros jogos em casa fora da cidade: dois em Tubarão e um no Scarpelli, enquanto dava uma meia-sola no gramado do seu estádio.

Registre-se ainda que o melhor público do Criciúma em casa até agora foi contra o Figueira. Quase sete mil pagantes. Agora terão mais um bom lucro com o retorno do único representante catarinense na série A do Brasileiro à cidade.

Uma coisa de cada vez

A torcida do Figueira fez festa no Scarpelli no domingo. Empurrou o time nas horas boas, incentivou nos maus momentos, inclusive cantando o hino do clube por um bom tempo no segundo tempo. Mais do que isso, os torcedores do Furacão estão mostrando que sabem separar as coisas.

O técnico Alexandre Gallo não está agradando a maioria dos torcedores, e com razão. O elenco tem deficiências. O preparo físico parece estar preocupantemente longe do ideal. Só que não é hora de reclamar disso. É hora de dar todo o apoio para o time na briga pelo 15º título.

Muita coisa precisa ser corrigida para o Brasileiro sim. E a diretoria do clube, por suas declarações, parece estar consciente disso. O foco, no entanto, é na decisão do campeonato. Como já postei no blog ao fim do 1º turno, a principal meta do Figueira no campeonato havia sido alcançada ao conquistar a vaga na final e garantir a participação na Copa do Brasil de 2009. O título vai ser a saborosíssima cereja do bolo.

As correções de rota ficam para a próxima segunda-feira.

27 milhões

Dizem por aí que esse é o rombo nas contas do time lá do Sul da Ilha. Só o presidente teria enterrado 5 milhões no buraco que não tem mais fundo. Deve ser a pior relação custo-benefício da história do futebol mundial. Haja bilhete de timemania para tapar esse buraco.

É por isso que a galera alvinegra canta: Fica, Zunino!

Na raça e no coração

Foi assim que o Figueira garantiu a vitória por 1 a 0 no último domingo. O time fez um ótimo primeiro tempo, começou pressionando o Criciúma, fez 1 a 0 antes dos 10 minutos, criou várias outras chances para ampliar o placar e no segundo tempo, diante das circunstâncias (contusões, substituições e desgaste físico), segurou a vitória como pôde.

Decisão é assim: não se joga, se vence, como for preciso. Muita gente, desacostumada a chegar às decisões e muito mais desacostumada a vencê-las, não consegue entender isso.

Em decisão não adianta se atirar 20 vezes dentro da área para cavar pênalti, não adianta botar uma profusão de bolas na trave, não serve para nada chutar 50 bolas por cima do gol.

Em uma decisão é preciso ser forte, eficiente, dedicado. Em decisão, é preciso jogar como time grande para chegar à vitória, É preciso jogar como time pequeno para garanti-la. É simples e óbvio. Mas temos que ser didáticos com quem não está habituado a participar de grandes decisões.

O time foi valente, bravo. A torcida deu um show. Mas quem não foi ao estádio e se guiou no que disseram setores da imprensa de Florianópolis e de Criciúma, deve estar pensando que o Furacão Alvinegro achou um gol no começo do jogo e depois o time do Sul do estado dominou a partida e se não fosse o goleiro Wilson teria virado o jogo.

Não foi nada disso. O Figueirense entrou mordendo, sufocando o Criciúma, que só criou chances, claras sim, por conta de erros individuais da defesa alvinegra. O Furacão, em contrapartida, teve várias oportunidades de ampliar o placar e liquidar a fatura já no primeiro tempo.

No segundo tempo, as saídas de Elton e Asprilla trouxeram prejuízo ao sistema de jogo e à postura do Figueira em campo. O Criciúma controlou o jogo, teve muito mais posse de bola, mas chances mesmo teve duas, com Beto. O Figueira perdeu eficiência no contra-ataque, muito por conta da precipitação na hora do último passe, muito por conta do desgaste físico acentuado de alguns jogadores-chave como Cleiton Xavier e Fernandes. Mesmo assim ainda levou perigo ao gol de Zé Carlos: três vezes em conclusões de Rodrigo Fabri e uma com Fernandes.

Foi um jogo bonito, movimentado, aberto. Os dois times se preocuparam em jogar futebol. Por conta disso, até a arbitragem foi facilitada. Está tudo indefinido. Mas, por conta do regulamento do campeonato, nem que o Figueira desse um sacode de 5 a 0 no Criciúma, a parada estaria resolvida. Agora é garantir o título em Criciúma.

Dessa vez a invenção funcionou

O técnico Alexandre Gallo surpreendeu novamente na escalação ontem. Além de Marquinho na ala-esquerda, escalou César Prates como terceiro zagueiro, Diogo na ala direita, Elton no meio, Edu Salles no ataque e deixou Rodrigo Fabri no banco.

Só que dessa vez, tudo funcionou. O time entrou aceso, ligado, bem postado em campo. Fez um ótimo primeiro tempo, com as chances criadas pelo Criciúma surgindo de erros individuais do Figueira.

No segundo tempo, a coisa complicou um pouco. Elton cansou. Asprilla se contundiu. Fernandes e Cleiton Xavier, principalmente este, chegaram à exaustão. O time já não conseguiu manter a posse de bola, mas soube se defender com bravura.

Gallo acertou nas substituições, mas errou na ordem. Quando Elton pediu para sair, o técnico botou Rodrigo Fabri, abrindo mais o meio, quando o mais adequado era pôr Makelele. Quando Asprilla se contundiu, era hora de Bruno Perone entrar, mas aí Gallo botou Makelele em campo, deixando o time com apenas um zagueiro de ofício (Felipe Santana). Só depois, o treinador trocou Marquinho por Perone, recompondo a defesa. Foram escolhas confusas, mas o time soube segurar o resultado. No momento, é o que importa.

São Wilson

O Furacão Alvinegro tem um baita goleiro. Aliás, a seqüência de grandes goleiros (Edson Bastos, Andrey e Wilson) deve deixar muita gente se mordendo de inveja. No domingo, Wilson mais uma vez mostrou sua qualidade. Na hora que foi exigido fez grandes defesas. É um ótimo goleiro em grande fase. Ouso dizer que está entre os cinco melhores do Brasil.

Vigésima primeira vez

Neste domingo, o Figueira participa de sua 21ª decisão de campeonato estadual. Até agora foram 14 títulos (1932, 1935, 1936, 1937, 1939, 1941, 1972, 1974, 1994, 1999, 2002, 2003, 2004 e 2006) seis vice-campeonatos (1950, 1975, 1979, 1983, 1984 e 1993).

O Furacão Alvinegro venceu, portanto, as últimas seis decisões que disputou. A série foi iniciada justamente com uma conquista sobre o Criciúma, em 1994. O último vice-campeonato também aconteceu em uma decisão contra o time do Sul do estado, em 1993.

Assim como naquele ano, esta decisão, a última perdida pelo Figueira, também terá a segunda partida realizada no Heriberto Hülse. Mau presságio? Não necessariamente. Apesar de, em 1994, ter feito o segundo jogo no Scarpelli, o Furacão venceu o primeiro jogo em Criciúma, por 1 a 0. Voltou de lá com a mão na taça, precisando apenas do empate para ser campeão pela primeira vez desde 1994. Venceu por 2 a 0 e saiu da fila.

Essas foram as duas únicas vezes que os dois times decidiram o campeonato. É hora do tira-teima. O equilíbrio é muito grande, mas acredito no Figueira. A história prova: quando o Alvinegro chega, é difícil segurar.

Time para domingo

Pelo que foi veiculado pela imprensa nesta sexta-feira, o time do Figueira para o primeiro jogo da decisão seria: Wilson; Felipe Santana, Bruno Perone e Asprilla; César Prates, Diogo, Cleiton Xavier, Fernandes, Rodrigo Fabri e Marquinho; Wellington Amorim. Em tese, um 3-6-1, mas, imaginamos, com liberdade para Fabri e Fernandes se juntarem ao ataque.

A princípio não tenho nada contra. O Figueirense perdeu o jeito de jogar no desenrolar do returno, a partir da derrota em Criciúma, depois de enfileirar quatro vitórias consecutivas, apresentando bom futebol. Como analiso a situação a distância, só vendo de perto o desempenho do time nos jogos, espero que essa formação tenha suficientemente testada e treinada durante as duas semanas de preparação que o Furacão Alvinegro teve para a decisão.

É um time técnico e recheado de jogadores capazes de definirem o jogo num lance individual. Marquinho pela esquerda terá que ter um apoio especial, já que não é um bom marcador. Léo Matos não vinha mostrando grande coisa. Talvez César Prates em sua posição de origem possa render mais e o time vai ganhar um apoio mais qualificado e mais veloz pela direita. O retorno de Cleiton Xavier a sua função de segundo homem do meio-campo também pode fazer com que ele volte a render bem, além de fazer o time ganhar uma saída de bola mais qualificada.

Conjecturas somente. Veremos com a bola rolando.