Show das torcidas

As duas torcidas que compareceram à Arena da Baixada não mereciam um espetáculo tão ruim. A torcida alvinegra compareceu surpreendentemente em bom número, principalmente depois da traulitada sofrida no Scarpelli. E a do Atlético deu seu show costumeiro.

Aliás, se há uma torcida que tem todo o direito de reclamar de seu time é a massa atleticana. Aderiu à campanha de sócios e já são mais de 18 mil. O clube teve um superávit de mais de R$ 37 milhões no ano passado. Já ganhou campeonato brasileiro, além de ter sido vice e ter chegado a uma final de Libertadores. Tem um ótimo estádio e grandes ambições no cenário nacional. Com tudo isso, conseguem montar um time limitadíssimo.

Mesmo reclamando da política franciscana adotada pela direção do Furacão Alvinegro é só checar os números para ver que o time disputa uma concorrência desleal na luta para ascender no futebol brasileiro. O Atlético não. Tem muito mais dinheiro e muito mais estrutura. Mesmo assim monta um time fraquíssimo como o atual.

A hora da recuperação

A expectativa é que o Figueira que entre em campo neste domingo na Arena da Baixada, em Curitiba, seja o time dos seis primeiros jogos de PC Gusmão no comando e não a equipe que protagonizou o desastroso segundo tempo do jogo contra o Grêmio. É hora de buscar a recuperação, fato que já aconteceu em circunstâncias iguais ou piores neste campeonato.

Já ando até com medo de recitar estatísticas, principalmente as favoráveis, mas faz parte do negócio. A vantagem amplamente positiva do Furacão Alvinegro sobre o Atlético-PR conta que o Figueirense nunca foi derrotado em Curitiba. A única derrota ocorreu no ano passado, por 6 a 3, no Scarpelli, na primeira rodada da série A, no momento em que o Figueira estava completamente concentrado nas finais da Copa do Brasil.

O técnico PC Gusmão promove duas alterações. Leandro Carvalho entra na vaga de Magal, suspenso, e William Matheus assume a lateral esquerda no lugar de Leandro Soares. Preferia a estréia de Diego. William é um zagueiro improvisado na ala. Não apóia com qualidade, mas marca melhor que Leandro e sua escalação tem toda a pinta de PC Gusmão optar pelas duas linhas de quatro, prendendo mais os laterais e dando mais liberdade aos homens de meio-campo.

Uma boa proteção à zaga, velocidade nos contra-ataques, acerto nos passes, concentração no jogo, tranqüilidade e apetite pela vitória é o que se espera. É preciso apagar logo a péssima impressão deixada no jogo da quinta-feira passada. Nada melhor que isso comece contra o Atlético-PR.

Avaí vai ficar rico

O noticiário informa que o Flamengo está contratando o atacante avaiano Vandinho. Como foi cantado em verso e prosa que o megacraque só deixaria a Ressacada pelos 13 milhões de euros da multa rescisória, conclui-se que o time do Sul da Ilha vai botar a mão numa bufunfa e tanto. Dinheiro para alegrar os credores, afastar os oficiais de justiça, suspender as penhoras e até para reforçar ainda mais o time.

Agora, como diz o diminuto comentarista avaiano, conta outra pro bonequinho aqui…

Quando desarruma é para arrebentar

Quando o Figueirense perde o prumo, é para não esquecer mais. Foi o que aconteceu no jogo da última quarta-feira na goleada sofrida para o Grêmio. Depois de sofrer o terceiro gol no início do 2º tempo, o time desandou de tal forma que foi o que se viu, uma surra com direito a uma sucessão de gols de pelada, com os atacantes aparecendo sozinhos à frente do solitário e indefeso Wilson.

Só sei que o Figueira tem sido de uma infelicidade gigantesca contra os primeiros colocados do campeonato. Tomou 5 a 0 do Flamengo, 4 a 0 do Vitória, 3 a 0 do Cruzeiro e agora 7 a 1 do Grêmio. Esses times são ou estão melhores que o Furacão Alvinegro, mas não tão melhores para ganhar do jeito que ganharam. De bom, só o empate com o Palmeiras por 1 a 1 no Parque Antártica.

Só o desastre de ontem pode ser debitado na conta de PC Gusmão. Em seus seis jogos anteriores, o time treinado por ele tomou no máximo um gol por partida e sofreu apenas uma derrota, para o Fluminense, nas circunstâncias que todos já conhecemos.

Ontem, no entanto, o time relembrou os piores momentos de Gallo e Macuglia. Uma pane geral, nervosismo, bagunça tática, erros individuais grotescos e cada um querendo resolver o problema por conta própria, diante de um Grêmio muito bem postado na defesa.

A catástrofe de ontem me fez lembrar um treinador europeu que, depois de seu time perder de 9 a 1, não encontrou nada melhor para dizer do que “é melhor perder uma de nove do que nove de um”.

Pois é, é melhor perder uma de sete do que sete de um. Serve de consolo?

Quanto vai na conta do PC?

Tento não fazer o papel de engenheiro de obra pronta, de comentarista de resultado. PC Gusmão escalou o time sem maiores surpresas e invenções. A entrada de Rafael Coelho na vaga de Wellington Amorim não foi responsável pelo resultado. Amorim voltava de contusão e antes não vinha jogando bem. Rafael até teve boa atuação no 1º tempo. Depois entrou na pilha do time todo, tentando resolver o jogo sozinho. O resto da equipe era o mesmo que fez bons jogos nas partidas anteriores.

Seu erro maior talvez tenha sido não ter relacionado Jackson para o banco. Alex Júnio não era uma boa escolha para os suplentes? Não, mas diante das ausências de Edu Sales, Bruno Santos, Rodrigo Fabri e Fernandes, não restava outro atacante.

PC Gusmão não seguiu a máxima que o folclore do futebol consagrou: “arrecua os arfes para evitar a catasfe”. Está sendo criticado por ter aberto ainda mais o time com suas substituições. Eu, particularmente, não tiraria Magal do jogo, mas as duas primeiras substituições não foram para escancarar o time. Leandro Carvalho na vaga de Diogo, um volante por outro, e Ramon na vaga de Magal, um meia na vaga de um segundo volante, sendo que, neste caso, Cleiton Xavier poderia ser recuado para fazer a função de Magal. A terceira substituição sim, abriu mais o time, quando tirou Anderson Luís e botou Wellington Amorim, no momento em que já estava 4 a 1 para o Grêmio.

Treinador, no entanto, vive sempre no limite machadiano do “preso por ter cão, preso por não ter cão”. Se fecha o time – arrecuando os arfes – para evitar uma goleada maior, pode ser criticado por ter se conformado com a derrota cedo demais. Se abre o time para tentar diminuir a diferença, corre o risco de perder de mais. PC arriscou e pagou o preço.

O que fazer agora?

PC Gusmão vai ter que fazer uma opção. Jogadores como Asprilla, numa noite especialmente tenebrosa, Diogo e Leandro Soares, foram muito mal no jogo de quarta-feira. É hora de trocá-los ou de dar confiança a eles?

Asprilla, apesar de todas as suas limitações, e de já ter mostrado outras vezes que se for apertado, confessa, vinha fazendo uma boa dupla com Bruno Aguiar, ainda mais porque a proteção à zaga melhorou muito com a chegada do treinador, à exceção do jogo de ontem. Há outro problema, Thiago Prado e Renato, que seriam opções para a posição, estão machucados. Sobra só Bruno Perone, que também costuma dar suas pixotadas. Por outro lado, Diogo e Leandro Soares estão mal. Jackson e Diego podem adicionar qualidade ao time.

O principal para o jogo de domingo é recuperar a parte psicológica. Depois avaliar se vale a pena fazer as mudanças. O time precisa recuperar o espírito e a organização que foram sua marca até o jogo contra o Fluminense para trazer um bom resultado de Curitiba.

Três coisas boas

Ao menos três momentos se salvaram no desastre de quarta-feira.

O primeiro foi a boa presença do público. Mais de 12 mil alvinegros foram ao Scarpelli.

O segundo foi a torcida, a parte que teimou ficar no estádio até o fim, gritar o nome de Wilson depois que a torcida gremista começou a chamá-lo de frangueiro. A esta altura já estava 7 a 1 e Wilson tinha falhado no segundo gol do Grêmio. Que reconhecimento maior um goleiro pode ter?

A terceira foi a entrevista de Cleiton Xavier depois do jogo. Perguntado por um repórter de uma emissora gaúcha sobre a razão porque ele não voltou para o Inter, Cleiton foi claro e direto. Disse que fez questão de ficar no Figueira, pelo carinho que tem pelo clube, pela forma como é bem tratado pelo Figueirense e sua torcida e por causa dos amigos que fez na cidade. Junto com Wilson e Fernandes, ele é o jogador do elenco atual mais identificado com o clube e sua torcida e isso tem que ser reconhecido e apreciado.

Em busca da sexta vitória

Inegavelmente, as vitórias contra os vizinhos gaúchos são as mais saborosas. Rivalidade histórica à flor da pele, jogo tenso e casa cheia são os ingredientes de uma partida sempre especial. E se os vizinhos têm resultados e uma projeção muito maior do que os catarinenses no futebol nacional, isso torna cada vitória alvinegra ainda mais saborosa. Nesta quinta-feira à noite, no Orlando Scarpelli, não será diferente quando o Figueira entrar em campo para enfrentar o Grêmio.

E de vitórias sobre o adversário desta noite o torcedor alvinegro não tem do que reclamar. Como costumam dizer os gaúchos, o Figueira é a “touca” do Grêmio. Nos últimos seis confrontos, o Figueira ganhou cinco, os últimos cinco, de forma consecutiva. A última vitória gremista ocorreu em Porto Alegre, em 4 de outubro de 2003. 3 a 1 para o tricolor dos pampas.

Desde então, passando inclusive a temporada de 2005 na segundona, o Grêmio não sabe o que é ganhar do Furacão Alvinegro. Em 2004, 2 a 2 no Olímpico pelo primeiro turno da série A. Depois disso veio a seqüência de vitórias: 2 a 0 (Scarpelli, 2004), 2 a 0 (Scarpelli, 2006), 2 a 1 (Olímpico, 2006), 1 a 0 (Scarpelli, 2007), 2 a 1 (Olímpico, 2007).

São sempre jogos encardidos, duros, disputados. O Grêmio faz ótima campanha, e como o Figueira, faz da força coletiva e da aplicação tática suas principais armas.

Que a touca continue e que o Furacão Alvinegro conquiste mais uma vitória, que, como sempre, terá um sabor especial.

Virou futevôlei mesmo

Pois o Avaí finalmente lançou uma tendência no futebol nacional. Depois da sensacional cortada de Odair no jogo contra o Gama, ignorada pela arbitragem, foi a vez de Washington repetir a iniciativa no jogo contra o Figueira no sábado passado no Maracanã (leia post a respeito).

Nesta quarta-feira foi a vez do time do Flamengo adotar a jogada como alternativa ofensiva. E deu bons resultados. No primeiro gol rubro-negro, Ronaldo Angelim mergulhou em direção a bola e tascou o braço nela. No segundo gol, Diego Tardelli só deu um tapinha para desviar sua trajetória, na seqüência do bate-rebate, Ibson empurrou para as redes da Portuguesa.

O árbitro da peleja? Evandro Roman. Ele, que já havia sido agraciado com um post neste blog depois da péssima arbitragem no jogo contra o Atlético Mineiro (clique aqui), aprontou mais uma das suas. Não satisfeito com os gols incorretamente validados, ainda marcou três pênaltis no jogo, mandou voltar cobrança, fez o diabo, como de costume.

Praga de alvinegro pega

No domingo passado, contra o Coritiba, César Prates fez um gol contra. Nesta quarta, no jogo diante do Botafogo, cometeu um pênalti aos 30 segundos de jogo. No segundo tempo, foi expulso.

Praga de alvinegro pega, amiguinho.