O São Paulo desse ano continua tão sem imaginação quanto do ano passado. Só que o time de 2007, que conquistou o bicampeonato, tinha uma defesa quase intransponível. Era marcação forte, bola parada, gol a favor e acabou o jogo. Agora não, o time toma gol quase todo jogo. E aí não tem falta lateral, escanteio e cruzamento que dê jeito.
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É só para atrapalhar
Ao ler a matéria do Diário Catarinense deste domingo (clique aqui) sobre a Copa 2014 em Florianópolis e o projeto de novo estádio do Avaí, cheguei a uma conclusão: é só para atrapalhar.O projeto é inconsistente, superficial, feito nas coxas, para ficar no popular.
O argumento apresentado pelo presidente avaiano, João Nilson Zunino, chega a ser ridículo de tão pueril que é. Segundo ele, a grande vantagem do estádio na Ressacada é a proximidade com o aeroporto.
Parece até que as seleções envolvidas na peleja e seus respectivos torcedores, por causa dessa magnífica vantagem comparativa, desembarcariam momentos antes do jogo no aeroporto Hercílio Luz e seguiriam direto para o estádio. Teríamos então o maior engarrafamento de aeronaves da história da aviação mundial.
Sem falar no grandioso impacto econômico para a cidade. Milhares de pessoas desceriam no aeroporto e iriam direto para o estádio. Terminada a partida, pegariam o caminho de volta até o aeroporto e zarpariam para outro destino. Nada de hotéis cheios, praias lotadas, shoppings movimentados, restaurantes atulhados. Só ganhariam com o evento, as lanchonetes do aeroporto, os vendedores de churrasquinho de gato e o bar do Chapecó.
Alguém tem avisar ao Zunino que Copa do Mundo é outra coisa. Não é um jogo de série B contra o Coritiba, Grêmio ou Corinthians.
É só para atrapalhar II
O que faria então um presidente de clube expor argumentos tão ridículos e apresentar um projeto capenga fora do prazo estipulado pela organização da Copa do Mundo? Simples, atrapalhar a execução do projeto do maior rival. Um projeto consistente, realista, viável economicamente e bem planejado. E o detalhe mais importante: sem dinheiro público.
Segundo o DC, o próprio coordenador da candidatura catarinense da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Joceli de Souza, afirmou que a possibilidade do Avaí sediar um jogo de Copa do Mundo “tende a zero”. Quem sabe, disse ele, a Ressacada sirva para receber treinos da Seleção Argentina. Já é um feito e tanto…
Ou para arrancar algum
Há outra possibilidade para a apresentação do pífio projeto. Como dissemos acima, o estádio do Figueira não prevê o uso de dinheiro público para a sua construção. Os poderes públicos só terão que investir na infra-estrutura urbana, em obras que beneficiarão toda a cidade e por muito além da realização da Copa do Mundo.
Só que viver sem dinheiro público é coisa que o Avaí não sabe fazer. Só tem um estádio porque o governo do estado deu a área de presente. A última reforma, quando construíram o “puxadinho” da arquibancada central também se deve à grana dos cofres estaduais.
Fazendo barulho na mídia e apresentando projetos vazios, eles podem botar água no chope do Figueira. Se não conseguirem, podem ganhar mais uns caraminguás, como prêmio de consolação, para murar o CT (um campo de futebol, é isso a que ele se resume no momento) ou jogar mais umas telhas por cima das arquibancadas.
Novo estádio: recursos estão garantidos
De fonte segura, este blog pode informar que os recursos necessários para a construção do novo estádio do Figueirense já estão alocados.
A empresa responsável pela obra também está encarregada de construir a nova arena de um grande clube brasileiro.
Além destes dois estádios, a empresa tem planos para construir mais duas arenas: uma no Nordeste e outra em outro estado da Região Sudeste.
As arenas terão padrão Fifa e capacidade em torno de 40 a 45 mil pessoas, todas acomodadas em cadeiras numeradas.
Achatou
A rodada deste domingo achatou a diferença entre o topo e a base da tábua de classificação. Os seis últimos colocados venceram seus jogos, coisa rara de acontecer, e embolaram tudo.
A diferença entre o último classificado para a Taça Libertadores (Vitória, 4º lugar, 23 pontos) e o primeiro da zona de rebaixamento (Goiás, 17º lugar, 14 pontos) é de somente nove pontos. Se o Palmeiras tivesse vencido o Verdão do Centro-Oeste, por exemplo, essa diferença teria sido ampliada para 12 pontos.
A diferença, portanto, é muito apertada. Há 14 times separados por apenas nove pontos. O bololô é tamanho que há cinco equipes empatadas com 15 pontos.
O Figueirense perdeu apenas uma posição na rodada, caindo de 7º para 8º, mas viu sua diferença para o quatro colocado subir de dois para quatro pontos. Assim, o jogo contra o Grêmio ganha ainda mais importância.
Depois do Grêmio (de quem o Figueira não perde há seis jogos, um empate e cinco vitórias consecutivas), o Furacão Alvinegro pega o Atlético-PR fora (time mediano e de quem o Figueira nunca perdeu em Curitiba) e o São Paulo em casa (reagindo mas sem mostrar tanto futebol assim, além de não contar com Alex Silva e, principalmente, Hernanes, a partir da próxima rodada). Três paradas duríssimas, mas todos possíveis de se conquistar os três pontos.
Arbitragem européia
Agora virou moda dizer que o fulano fez uma arbitragem ao estilo europeu porque deixou o jogo correr. Parece até que na Europa, os caras não apitam faltas e deixam o pau comer.
Ora se é falta, é falta, e tem que ser assinalada. Ocorre que lá, nem tudo é falta e aqui tudo é falta. Tivemos um exemplo típico no Maracanã. O juizão caseiro apitou umas 50 faltas para o Fluminense perto da área alvinegra. Muitas delas inexistentes. Aí depois somos obrigados a ler em sites do Rio de Janeiro que o Figueira abusou da violência.
Claro que da ripada que Thiago Silva deu em Marquinho no início do jogo e do chega pra lá seguido de uma tentativa de chutar a cara do cara caído que Thiago Neves deu em Leandro Carvalho no segundo tempo, ninguém fala. Os dois, obviamente, nem cartão levaram.
Mas estou saindo do foco. A questão é que esse papo de arbitragem européia é uma grande bobagem. Jogadores, torcedores e muitos comentaristas brasileiros é que se habituaram a acreditar que qualquer contato é falta.
Tem uns analistas, adoradores dos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça, que vociferam contra o excesso de falta sem cogitar a possibilidade da arbitragem exagerar na marcação das infrações justamente para parar o jogo o tempo todo e tirar o seu da reta ou para fazer sua média com o time da casa.
Aliás, estes mesmos analistas têm uma saudade imensa do futebol de 30 ou 40 anos atrás. Como se naquele tempo só craques povoassem nossos gramados, o pau não comesse e não houvesse zagueiro carniceiro e volante botocudo.
Para eles, essas duas figuras são invenções do futebol moderno. Garrincha e Pelé, por exemplo, quase não apanhavam. Seus marcadores só iam na bola e ainda aplaudiam quando eram genialmente driblados. É só ver alguns lances de Brasil e Portugal na Copa do Mundo de 1996 para ver como Pelé foi caçado em campo. Ou então conferir lances de Brasil e Argentina pela Copa de 1978 e ver a carnificina que foi, com os dois times baixando a botina o tempo todo, para perceber que isso é uma grande bobagem.
Esses mesmos analistas adoram ungir Telê Santana ao trono de treinador que só queria que seu time jogasse futebol. Telê foi um grande técnico, sem dúvida, mas escalou Elzo e Alemão na seleção de 1986, Ronaldão de zagueiro e Dinho e Pintado de volantes no São Paulo bicampeão mundial no início dos anos 90. E quem escala jogadores desse estilo não quer deixar o adversário jogar, na bola e na pancada.
Virou futevôlei
Na última terça-feira, na Ressacada, no jogo contra o Gama, o meia avaiano Odair deu uma senhora cortada, digna de Giba em dia bom, e o juizão deixou passar, não marcando pênalti contra o time da casa.
Neste sábado, foi a vez do atacante Washington, do Fluminense, incorporar Ricardinho (ou Marcelinho) e surpreender o bloqueio do goleiro Wilson ao dar uma largadinha típica dos melhores levantadores do Brasil. Na sobra, Thiago Neves empurrou para o gol vazio, dando a vitória ao time carioca por um a zero aos 40 minutos do segundo tempo.
Virou futevôlei e ninguém nos avisou.
Além do uso da mão para definir a jogada, os lances apresentam outra similaridade. Os dois beneficiaram o time da casa. A tal da nova safra da arbitragem brasileira repete o velho vício das anteriores. Arbitragens caseiras, olhando o distintivo antes de decidir para que lado marcar.
O mesmo espírito caseiro que fez o árbitro deste sábado – Ricardo Marques Ribeiro (MG) – apitar carradas de faltas nas proximidades da área alvinegra, distribuindo a carrada correspondente de cartões amarelos, e não usar o mesmo critério quando a jogada era próxima da meta tricolor.
Com esse espírito, é justo afirmar que se o lance de possível pênalti em Rafael Coelho, que ele acertou em não assinalar, fosse protagonizado por jogador do Fluminense, o árbitro não teria dúvidas em marcar. E se a “largadinha” de Washington fosse criação de um atleta do Furacão Alvinegro, ele apitaria com todas as forças de seus pulmões.
Há coisas que nunca mudam no futebol brasileiro.
Mesmo empenho, mesma pegada, menos qualidade
Depois de um início titubeante, em que foi salvo duas vezes pela trave e uma por mais um milagre de Wilson, o Figueira dominou os nervos, se organizou em campo e não deu mais espaços para o Fluminense.
Nesse aspecto, as ausências de Cleiton Xavier, Magal e Diogo não foram sentidas. Defensivamente, o time fez mais uma exibição segura e iria para o terceiro jogo consecutivo sem sofrer gol, se não fosse por obra e graça de sua senhoria, o árbitro. Na hora da criação, no entanto, Magal e Cleiton fizeram muita falta.
Leandro Carvalho e Jackson se esforçaram muito para cumprir sua principal função: impedir o time adversário de jogar. Rodrigo Fabri também correu um bocado, marcou, fez falta, ocupou espaços, mas não conseguiu fazer a transição para o ataque como Cleiton e Magal estão fazendo.
Com isso, o time não conseguiu levar grandes perigos ao gol de Ricardo Berna. O comentarista do PPV, André Lofredo, insistiu durante o 2º tempo todo que o Figueira se limitou a defender e veio atrás de somente um ponto. Não é verdade.
O Furacão Alvinegro tinha sim uma proposta de forte marcação – se ele prestar atenção verá que o time tem jogado assim também no Scarpelli, embora seja, obviamente, mais ousado na hora de atacar – mas não se limita a isso.
Neste sábado, o Figueirense não abdicou de atacar. Não conseguiu, isso sim, agredir com a mesma eficiência dos jogos anteriores por conta dos desfalques que teve na partida. Desperdiçou muitos contra-ataques por erros de passe, mas mesmo assim tentou prender a bola no ataque e envolver o Fluminense. Só faltou mais entrosamento e qualidade para fazer com que isso resultasse em chances mais claras de gol.
Um pedido a Rafael Coelho
Rafael Coelho, jovem atacante vindo da base alvinegro ainda visto com desconfiança, não sem razão, pela torcida, teve tudo para se consagrar. Num espaço diminuto de campo, quase saindo pela linha de fundo, deixou o zagueirão sem pai nem mãe. Em seguida, conseguiu se livrar do goleiro. Poderia ter optado por empurrar a bola para dentro e fazer um golaço no Maracanã, mas preferiu dobrar os joelhos.
Num primeiro momento deu nítida impressão de pênalti. Nas repetições com diferentes ângulos de câmera, ficou claro que o goleiro Ricardo Berna não tocou no avante alvinegro. Se fosse para o Fluminense, o árbitro caseiro daria, mas isso não anula o fato de Rafael ter optado pela velha mania dos atacantes brasileiros, cavar a falta em vez de prosseguir na jogada.
Um pedido singelo, Rafael. Não caia na vala comum. Se queres mesmo mostrar tua capacidade e talento, opte sempre por finalizar a jogada. Se alguém te der um rapa, aí é outra história e cabe ao árbitro coibir.Se você conseguir manter o nível da atuação que teve contra o Fluminense nas próximas vezes em que entrar em campo, logo será a melhor opção de ataque do Figueira, mas para isso tem que jogar e não cair.