Desfalques contra o Santos

Para enfrentar o Santos nesta quarta-feira, no estádio Orlando Scarpelli, o Figueirense tem um desfalque certo: o zagueiro Bruno Aguiar, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Para a vaga dele, no entanto, há reposição. PC Gusmão pode voltar com Bruno Peroni, que entrou bem nos jogos contra o Atlético-MG e Vasco, ou fazer a estréia de Renato, vindo do Ipatinga.

Outro jogador pode, no entanto, desfalcar a equipe. O lateral esquerdo Leandro Soares sentiu uma contusão na coxa, saiu no intervalo do jogo em Minas Gerais e é dúvida para a partida desta quarta-feira. Aí o problema é maior.

Nesta terça-feira, o Figueirense apresenta oficialmente o lateral-esquerdo Diego, ex-Vasco, que já vem treinando no clube desde a semana passada. Creio, no entanto, ser muito difícil contar com ele para a partida contra o Santos. Provavelmente não reunirá condições físicas e de documentação para fazer sua estréia.

Assim, a alternativa mais lógica seria William Matheus, zagueiro canhoto que já entrou improvisado na lateral. Mesmo que Leandro não venha repetindo a boa atuação que teve na estréia contra o Sport, o Figueirense perde muito nessa substituição. Isso porque contará com dois laterais – uma posição vital para reforçar o poder ofensivo de uma equipe – que não apóiam com qualidade e desenvoltura.

Como o Figueira precisa jogar para vencer, a perda é grande. Como resolver isso?

Impunidade de volta

Num país em que a polícia só pode algemar quem não pode pagar advogado caro e não tem acesso direto ao Supremo Tribunal Federal, não surpreende que a Justiça Desportiva volta atrás numa das medidas mais acertadas dos últimos tempos.

O assunto passou quase despercebido dos noticiários, mas no dia 10 de julho, o STJD acabou com a punição que determinava que os times deveriam jogar de portões fechados quando sua torcida arremessasse objetos ou promovesse invasões a campo.

Agora a punição passa a ser jogar a, no mínimo, 100 km de sua cidade. Isso beneficia diretamente os grandes clubes brasileiros. O argumento para suspender a pena anterior é pífia. O procurador-geral do STJD, Paulo Schmidt, considerou que a perda de mando de campo e os portões fechados configuravam dupla punição. Ora, era muito simples e já vinha sendo praticado. O time joga em seu estádio, mas de portões fechados.

Agora, volta à farra anterior. Se o Flamengo for punido, vai jogar em Volta Redonda, Juiz de Fora, Brasília ou em alguma cidade do Nordeste. Se um grande time da capital paulista for apenado, vai jogar no interior, em São José do Rio Preto, Presidente Prudente ou Ribeirão Preto. Dependendo do adversário e da situação do grande na tabela, provavelmente o jogo terá mais público do que teria em seu estádio.

A punição estava funcionando e a torcida estava se educando. Agora está liberado de novo. Para beneficiar alguns poucos afortunados. Como é de costume.

Passo a passo

Não gosto muito de projeções de até onde o time pode chegar. Para mim, a melhor maneira de lidar com a competição é encarar um jogo por vez. Esse negócio de ficar planejando “aqui ganhamos três pontos, ali um, acolá mais três” é muito bonito no papel, mas só serve, na prática, para botar mais pressão sobre o grupo de jogadores.

De concreto, podemos afirmar, com toda a obviedade possível, que estamos em 8º lugar, a quatro jogos sem perder, na zona da Sul-Americana, e vivendo um bom momento. No mais é pensar no Santos e buscar a vitória.

É outra fase

A gente tem certeza que a fase é boa quando o time vence mesmo jogando mal. Foi o que o Figueirense fez em Ipatinga neste domingo. Não repetiu as boas atuações contra Atlético-MG, Vasco e Palmeiras, mas fez o suficiente para não sofrer gol pela primeira vez desde a quarta rodada (zero a zero com o Goiás no Scarpelli) e sair de Minas Gerais com sua primeira vitória fora de casa.

Prejudicado, em parte, pelo péssimo gramado do Ipatingão, o Furacão Alvinegro não conseguiu botar a bola no chão e fez um jogo feio, contra um adversário que, escalado com três zagueiros, três volantes no meio e um volante improvisado na lateral direita, mostrou pouco poder de fogo.

Num campeonato difícil e longo, no entanto, não dá para cobrar um nível de excelência a cada jogo, o jogo todo. O time voltou a ser aplicado, determinado e conseguiu superar outra vez suas próprias limitações. O sistema defensivo começou mostrando problemas nas bolas pelo alto, mas depois se acertou e fez mais uma atuação segura.

O fundamental no jogo deste domingo foi contabilizar três pontos, subir na tabela, confirmar a nova fase e encaminhar um grande jogo contra o Santos na quarta-feira.

Bola no chão

Mesmo com a seqüência de bons resultados, O Figueira ainda precisa botar mais a bola no chão. Não há necessidade de rifar tanto a pelota e devolvê-la ao adversário tão rápido. Muitas vezes, o time leva sufoco desnecessariamente por conta da ansiedade que toma conta da defesa para se livrar do perigo. O pasto do Ipatingão certamente prejudicou o toque de bola, mas esse é um defeito do time que PC Gusmão deve trabalhar para corrigir.

As chances mais claras do jogo, principalmente no segundo tempo, foram do Furacão Alvinegro, mas a situação poderia ter sido bem mais tranqüila se não houvesse tanta afobação para se livrar da bola.

Dupla que destoa

Dois jogadores destoam dos demais no 11 titular do Figueira. Anderson Luís, não por falta de esforço, por sua falta de qualidade técnica, e Edu Sales, que já mostrou qualidade, mas anda numa fase ruim. Até Diogo, que estava numa maré péssima, subiu de produção, mas os dois acima não se acertam.

Dois pesos, duas medidas, duas divisões

É incrível como parte da imprensa esportiva de Florianópolis analisa o desempenho do Figueira com um rigor inaudito, enquanto o time do Sul da Ilha é sempre visto com complacência. O time do Figueira é limitado, jogou feio, o adversário é ruim. Mesmo nas grandes atuações, há sempre um mas, um porém, enquanto os tropeços do outro lado são sempre minimizados. São dois pesos e duas medidas. Ah, e duas divisões, A e B, muito diferentes entre elas.

Ipatinga não é galinha morta

Apesar de estar na zona do rebaixamento e de não vencer há seis rodadas, o Ipatinga não é cachorro morto. A equipe mineira vem de bons jogos contra o Vasco, São Paulo e Cruzeiro. Nos dois últimos, principalmente, a vitória não veio por conta da ansiedade e da falta de pontaria do time do interior de Minas Gerais.

A comparação feita no início do campeonato entre Ipatinga e América de Natal não procede. O time do Vale do Aço é candidato ao rebaixamento, mas não é tão fraco como foi a equipe potiguar na série A do ano passado.

O Figueirense tem totais condições de trazer três pontos de Ipatinga, mas vai ter que ralar em busca da vitória. O time deve ser o mesmo do jogo contra o Palmeiras, mas, na opinião deste blog, Edu Sales pode ceder lugar para Ricardinho. Edu está numa péssima fase e precisa reencontrar o futebol que mostrou quando chegou ao Scarpelli.

Retranca é isso aí

Para jogar contra o 16º colocado na classificação da série B, ali na beirinha da zona de rebaixamento, o incensado técnico Silas, do Avaí, montou uma retranca colossal. Três zagueiros, dois volantes e um solitário atacante para enfrentar o limitado e desarrumado Criciúma.

No segundo tempo, tirou um zagueiro e botou mais um atacante. O suficiente para abrir o placar. Só que como diz aquele treinador: o medo de perder tira a vontade de ganhar. Foi só fazer o gol e Silas botou todo o time atrás de novo, sofrendo o empate do time do Sul do estado.

Dois pontinhos preciosos jogados pelo ralo na disputa por uma vaga na série A. Mas como foi com Silas e o Avaí, a repercussão será mínima. Nada de fazer marola para atrapalhar a enésima tentativa do time azulino de subir de divisão.

O problema é que o objetivo pode esbarrar na falta de experiência do treinador e nas amareladas típicas do time do Sul da Ilha. Martini entregou a rapadura outra vez e o jogador mais sujo do futebol catarinense, Marquinhos, especialista em provocar torcida adversária, puxar cabelo e bater por trás de adversários, se escondeu do jogo.

E ainda tinha maluco tentando compará-los com Wilson e Cleiton Xavier. É outro nível, outra divisão. Chega a ser sacrilégio.