Bamo, Bandinho, bamo, Leon

O tal artilheiro do Brasil, o homem de cinco milhões de euros, perde toneladas de gols na cara do goleiro. É impressionante. O atacante é bom para fazer gols em galinhas mortas, mas quando o time depende dele para conseguir um bom resultado, dá-lhe perder chance no último segundo de jogo.

Para piorar, Marquinhos Santos, o jogador mais sujo do futebol catarinense, aprontou mais uma das suas. Agora um ridículo puxão de cabelo do adversário o mandou para o chuveiro mais cedo. Só faltou beliscão e unhada para virar uma mulher brigando.

História pela metade

A Traffic resolveu estender seus tentáculos para o empresariamento de jogadores e contratou atletas às pencas. Oficialmente, a empresa de J. Hawila, ex-repórter da TV Globo, tem parcerias com Palmeiras, Ituano e Avaí. Isso não a impede de colocar jogadores em outros clubes.

Em janeiro, a Traffic comprou o zagueiro Henrique do Coritiba, por R$ 5 milhões, e o colocou no Palmeiras. No fim de junho, vendeu o jogador – não sem antes ter uma convocação para a Seleção Brasileira para valorizar o produto – para o Barcelona por € 10 milhões (cerca de R$ 25 milhões). A parte do Palmeiras? 20% do lucro da Traffic com a transação, ou seja, R$ 4 milhões. Além disso, o time paulistano não teve nenhum poder de decisão sobre a saída ou a permanência de Henrique.

O trato é simples. A Traffic compra, paga o valor da multa rescisória ao clube de origem e vende a hora que quiser. O Palmeiras paga os salários e fica com 20% do lucro das transações. Se é assim com o Verdão, um dos maiores clubes do Brasil, porque seria diferente com o Avaí?

É por isso que a história contada pelo presidente João Nilson Zunino nos últimos dias está pela metade. Ao bater no peito para dizer que jogadores com Válber (R$ 13 milhões de multa rescisória) e Vandinho (€ 5 milhões) só saem do Avaí se os interessados pagarem o que está previsto em contrato, Zunino está vendendo um peixe que não pode entregar.

É claro que os jogadores estão registrados pelo Avaí. É lógico que os contratos estipulam multas rescisórias. É de conhecimento público que a Fifa só permite que clubes detenham passes de jogadores. Mas também é evidente que lá no fundo da gaveta repousam aditivos contratuais que garantem à Traffic negociar os jogadores pelos quais pagou a hora que bem entender e pelo preço que quiser.

Para piorar, se os jogadores avaianos acreditarem no discurso de Zunino vão entrar em depressão. Com os valores pedidos, não vai aparecer nenhum interessado e eles vão se aposentar no Avaí. E isso ninguém quer ou merece.

Grupo mais encorpado

O Figueirense apresentou nesta quarta-feira mais dois novos contratados: o volante Jackson e o zagueiro Renato, que estavam no Ipatinga depois de disputarem o campeonato paulista pelo Guaratinguetá.

Com a contratação dos dois, além do volante Leandro Carvalho, apresentado na terça, o Furacão Alvinegro oferece mais opções para o técnico PC Gusmão e fortalece o setor mais carente do elenco.

A equipe ainda precisa de ajustes, mas finalmente o sistema defensivo, o mais problemático neste início de brasileiro, é reforçado. Agora é ver o que os novos contratados são capazes de fazer.

O Vasco vem aí

O jogo contra o Vasco tem uma característica especial. Será a primeiro do time cruzmaltino sem Eurico Miranda, destronado por Roberto Dinamite. O Figueira não tem nada com isso e tem que partir para cima contra um adversário que sempre lhe dá trabalho – a única vitória do Furacão Alvinegro neste confronto foi aquele inesquecível 5 a 1 com três gols de Edmundo em 2005.

O técnico Antonio Lopes anuncia um time com Morais, Edmundo, Leandro Amaral e Jean. É um quarteto que pode dar trabalho no ataque, mas que não marca ninguém. É disso que o Figueira pode se aproveitar para conseguir uma vitória muito importante.

Cinco mil e cinco

Como é amargo o gosto de um título perdido em casa. Como é bom ver nosso algoz passar pela mesma desilusão que passamos.

Nesta quarta-feira, a LDU liquidou o Fluminense nos pênaltis e merecidamente conquistou a América. Não tinha os melhores jogadores, nem o elenco mais estelar, mas como time foi o que se mostrou melhor nesta Taça Libertadores. Mais organizado, melhor treinado, com melhor desempenho coletivo.

O Fluminense, a despeito da boçalidade de Renato Gaúcho, sempre pareceu mais um amontoado de jogadores talentosos do que um time de verdade. Foi quase suficiente para ganhar a Libertadores. Quase. É duro chegar tão perto e ficar tão longe ao mesmo tempo.

Agora, ostentando a lanterna do Brasileiro, o time de Renato está a cinco mil quilômetros e cinco metros da próxima Libertadores (clique aqui para entender). Seus concorrentes, já fizeram uma boa parte do percurso. Vai ter que correr atrás.

Igual a outros dez

O Figueirense já está sendo cotado por vários setores da mídia nacional como um dos sérios candidatos ao rebaixamento. Até aí, tudo bem. Primeiro, porque faz parte do costume (leia aqui). Segundo, porque, de fato, o Figueira não mostrou qualidade, regularidade e força para brigar por outra coisa que não contra o descenso.

Só que isso não é privilégio do Furacão Alvinegro. Uns dez times, por baixo, que disputam a série A, não mostraram qualidade para fazer diferente do que o Figueira e eles próprios vêm fazendo. Atlético-MG, Coritiba, Atlético-PR, Vasco, Botafogo, Internacional, Ipatinga, Fluminense, Santos e Goiás, por exemplo.

Claro que alguns destes podem estar simplesmente passando por um mau momento, como Fluminense e Inter, por razões diferentes, mas com elencos capazes de tirá-los da parte debaixo da tabela. Outros, como Santos, têm dinheiro para reforçar o elenco e sair da zona de rebaixamento. Outros ainda, como Lusa, Vitória e Náutico tiveram bons começos, além do que se esperava deles, mas sobre estes paira a dúvida de até onde irá seus fôlegos. O Sport, por sua vez, é uma grande incógnita, tem elenco, embora recheado de boleiros, para fazer melhor, mas tem que se preocupar com a duração da ressaca pela conquista da Copa do Brasil.

O Figueirense, portanto, está, por enquanto, no bolo debaixo, ao lado de vários clubes que precisam pensar em reforços, qualificação técnica, melhor organização tática, jogar mais, enfim, do que vêm jogando.

De certo mesmo é que times como Cruzeiro, Flamengo, São Paulo e Palmeiras vão lutar pelo título – o Grêmio está bem, mas não é um time no mesmo nível destes quatro. Mas será mesmo que podemos afirmar que isso é certo? Vem por aí a famigerada janela, que já deveria se chamar guilhotina, e esses times podem ser radicalmente mudados até agosto.

De certo mesmo, agora para terminar de fato, é que ainda é muito cedo para fazer previsões. Estamos entrando numa fase crucial do campeonato. Serão 11 rodadas entre 5 de julho e 10 de agosto, com jogos nos meios de semana, sábados e domingos. A partir daí é que teremos claro o que cada time vai fazer na competição. Por enquanto, é tudo palpite.

Leandro Carvalho

O Figueira apresentou nesta terça o volante Leandro Carvalho, ex-Botafogo, que estava no Itumbiara (GO) e foi indicado por PC Gusmão. Conheço o nome, mas não recordo de seu futebol. Isso quer dizer que nem é muito bom, nem muito ruim. Se for melhor do que temos no elenco, o que não é difícil, já será um progresso.

Rubro-negro explica situação do Flamengo

Como resposta ao post Concorrência muito desleal (clique aqui), Eduardo Moura, flamenguista, visitante do assíduo do blog e, ouso dizer, simpatizante do Figueira, mandou uma nota detalhando a situação financeira do Flamengo e o esforço que o clube vem fazendo para sair do atoleiro. Vamos a ela:

Ao contrário do que muitos dizem, o Flamengo não vive mais um caos financeiro. Desde a saída de Edmundo Santos Silva em setembro de 2002, o clube passou a tratar com seriedade a questão das dívidas. Costurou um acordo com o TRT/RJ pelo qual, desde setembro de 2003, deposita religiosamente 15% de tudo que o clube arrecada para quitar passivos em troca de não ter mais suas fontes de receita penhoradas. Botafogo e Fluminense também fizeram o acordo, que hoje já é copiado por Grêmio e Atlético MG. A diferença aqui no Rio é que o Flamengo foi o único que cumpriu com tudo, recebendo uma placa um certificado de bom pagador do TRT/RJ após quitar R$ 50 milhões de dívidas em meia-década. Fluminense e Botafogo usaram mil artifícios para burlar o pagamento. Uma pouca vergonha.

Enquanto o Flamengo pagou mais de R$ 50 milhões, o Botafogo criou uma tal de Cia. Botafogo, por onde recebe patrocínios e cotas de TV. Com isso , mais de 80% da receita do clube não passa pelo Botafogo , fica na tal empresa. Um absurdo! Resultado: o clube está sendo excluído do acordo e as penhoras voltarão.

O Fluminense paga apenas 20% da sua folha. O resto é via Unimed , com contrato de imagem assinado diretamente com a empresa médica. Com isso, os R$ 15 milhões / ano que a Unimed paga ao tricolor não sofrem penhora de15%, que descontaria R$ 3 milhões por ano. Outro absurdo

O Flamengo encerrou 2007 com dívidas totais de R$ 233 milhões. Muito? Claro, mas se levarmos em conta que o São Paulo, o queridinho da imprensa, reconhece um passivo de R$ 95 milhões em seu balanço , vemos que o dragão é mais manso que pensávamos, até porque R$ 190 milhões são de dívidas fiscais.

O Flamengo teve uma receita total de R$ 90 milhões em 2007. Para 2008, sem a venda de um único jogador, serão R$ 107 milhões de faturamento. A dívida do clube é totalmente compatível com suas receitas, até porque 81% dela é fiscal. O total das dívidas trabalhistas e cíveis de hoje no Flamengo, chegam a R$ 43 milhões. Em função do enorme esforço feito nos últimos cinco anos, a diretoria espera pagar todo o passivo não fiscal até março de 2011.

O Flamengo projeta encerrar 2008 com dívidas não fiscais de R$ 30 milhões e um passivo fiscal de R$ 183 milhões, um total de R$ 213 milhões.