Como perder um jogo imperdível

Primeiro é focar na atitude. Entrar em campo como se o resultado não fizesse a menor diferença. Se o adversário começar o jogo aparentando ter a mesma postura, então o time tem que abdicar completamente do ataque, recuar sem motivo algum e começar a errar passes curtos e fáceis na saída de bola, para facilitar a vida dos avantes adversários.

Só isso, no entanto, pode não bastar. Também é fundamental desperdiçar as ralas chances de gol que cria, chutando por cima do travessão. Rafael Coelho aos 15 minutos do primeiro tempo na cara de Harlei, quando o placar ainda estava zero a zero, mostrou que aprendeu a lição.

Como o placar insiste em não sair do zero, nada melhor que dar uma cochilada no finzinho do primeiro tempo, deixando o centroavante do outro time livre na cara do goleiro. 1 a 0 contra.

Havia, porém, tempo para a reação. Aí tem que continuar mirando a arquibancada na hora de concluir em gol. Cleiton Xavier, Ramón e Rafael Coelho desperdiçaram o empate assim.

Mas o adversário continua fazendo força para entregar a rapadura e tem um jogador bestamente expulso depois de tomar bestamente um cartão amarelo na primeira etapa. É hora do treinador “botar o time para frente”. 

O que significa isso? Superpovoar a equipe de atacantes que se marcam uns aos outros e facilitam a vida da defesa adversária. Como há sempre um risco de uma bola espirrada, um bico ao acaso, sobrar para algum desses tantos atacantes, o time tem que colaborar rodando burocraticamente a bola de um lado para o outro na altura da intermediária de ataque, como um escriturário aguarda o fim do expediente fingindo que está fazendo alguma coisa.

Essa bola de um lado para o outro tem que ser passada, de preferência, pelo chão, para que o outro time tenha mais chance de roubá-la e fazer o contra-ataque que vai encerrar o jogo mais cedo. Aí é preciso tomar um gol de pelada e ter um jogador bestamente expulso.

Pronto. A missão está cumprida. Não há mais risco de ganhar o jogo.

Hora de agir

Não adianta passar o enésimo pito no grupo de jogadores antes do treino de segunda-feira. É preciso agir. A situação do Figueira não é desesperadora ainda, mas o futebol apresentado pela equipe é.

Este blog não tem a receita. Dispensas, contratações, mudança de técnico, alterações no comando de futebol ou tudo isso.

Quem dirige o clube é que está suficientemente a par da situação, em todos os seus detalhes e nuances. Muita coisa errada foi feita este ano, mas ainda há tempo para consertar. Só não pode demorar demais.

Uma vitória para evitar a crise

O Goiás é freguês de PC Gusmão em 2008 e tem quatro desfalques e uma dúvida para o jogo contra o Figueira neste sábado no Serra Dourada. É moleza então? Não. Atualmente, para o Figueirense nenhum adversário é.

Campeão goiano pelo Itumbiara, PC enfrentou o time esmeraldino três vezes e venceu as três. Além disso, o Goiás no contará com o volante Fernando, o lateral-esquerdo Julio Cesar, o meia Paulo Baier e o zagueiro Paulo Henrique. Romerito, por sua vez, é dúvida.

Os dois times têm campanhas parecidas. São irregulares, não inspiram confiança e uma derrota neste sábado pode os deixar perigosamente próximos da zona de rebaixamento.

PC Gusmão conhece bem o time goiano. O Figueira precisa da vitória. Para tanto, precisa mostrar mais organização do que no jogo contra o Vitória e mais vontade do que no jogo contra o Coritiba.

Está na hora de voltar a vencer.

Um jogo inesquecível contra o Goiás

Em 2003, o Figueira começou mal a série A, assim como tinha feito na volta à primeira divisão no ano anterior. A primeira vitória no campeonato só veio na oitava rodada, um 3 a 0 sobre o São Caetano no Orlando Scarpelli. Por conta disso, Vagner Benazzi foi demitido na 13ª rodada depois de perder para o Criciúma, no Sul do estado.

Para o lugar dele veio Artur Neto. O time continuou oscilando. O técnico foi demitido e substituído por Luiz Carlos Ferreira. Este apesar de receber o apelido de “maluco beleza”, consertou a equipe, principalmente quando foi buscar o meia Fernandinho no time B.

Só que Ferreira, um dos reis do acesso que povoam o interior paulista, se mandou depois de receber um convite polpudo de algum time da série B. Para seu lugar, Dorival Junior, então gerente de futebol, foi efetivado.

Junior manteve a equipe e manteve o Furacão Alvinegro pelo meio da tabela. Nas rodadas finais, a meta era se classificar para a Copa Sul-Americana pela primeira vez na história do clube. Só que o time precisava vencer quase todos os seus jogos.

Depois de vender caro a derrota para o futuro campeão Cruzeiro – 1 a 0 no Mineirão, com um pênalti em Fernandinho não marcado no final do jogo, o time não podia mais desperdiçar pontos. Goleou o Paysandu por 6 a 0 em Floripa. Empatou com o Paraná fora (1 a 1). Venceu dois jogos seguidos em casa: 2 a 1 no Juventude e 3 a 2 no Internacional. A derrota para o Vasco por 1 a 0 em São Januário na rodada seguinte, no entanto, botou tudo a perder.

Na 45ª e penúltima rodada – o campeonato tinha 24 equipes –, o Figueira foi à Goiânia precisando da vitória para continuar na briga pela Sul-Americana. O Goiás vinha de uma recuperação fantástica sob o comando do técnico Cuca. De lanterna por boa parte do 1º turno, a equipe se recuperou em grande estilo.

Naquela tarde no Serra Dourada, porém, não viu a cor da bola. Depois de um primeiro tempo equilibrado, o Figueira liquidou o jogo sem apelação. Fernandinho fez 1 a 0 aos 11 minutos da segunda etapa. Danilo Santos ampliou aos 33 e ele mesmo fechou o caixão esmeraldino aos 46. Placar final: 3 a 0 para o Figueira.

Na última rodada, uma simples vitória levava o Figueira para a Copa Sul-Americana. A classificação veio depois de bater o Guarani por 2 a 0 no estádio Orlando Scarpelli.

Que os eflúvios daqueles 3 a 0 iluminem o Furacão Alvinegro neste sábado.

Um caminhão de dúvidas

O Figueirense viajou para Goiânia, onde historicamente não costuma se dar bem, com um caminhão de dúvidas.

PC Gusmão testou várias formações e não definiu qual será o time titular para o jogo de sábado contra o Goiás.

Asprilla ou Bruno Perone na zaga, Rodrigo Fabri ou Magal no meio-campo, Wellington Amorim ou Fabri no ataque.

O discurso é sobre a necessidade imediata de recuperação, mas o que se verá em campo, tanto na escalação quanto no espírito dos jogadores, ainda é uma incógnita.

O Goiás é um adversário direto na briga tanto por uma vaga na Sul-Americana quanto contra o rebaixamento. O que ninguém quer ver é aquela pasmaceira preguiçosa do jogo contra o Coritiba. O time precisa jogar no limite de suas forças a cada partida. Se não, a derrota é certa.

Desfalques que nunca estrearam

Este blog não sabe se o fato traduz infortúnio ou incompetência, mas diversos jogadores que foram contratados há um bom tempo ainda não vestiram a camisa do Figueira.

Na zaga, Thiago Prado chegou em abril ou maio para se recuperar de uma lesão, assinou contrato, se lesionou mais umas duas ou três vezes e até hoje não jogou.

O zagueiro Renato veio do Ipatinga em junho. Machucou o joelho foi para uma cirurgia e também não entrou em campo.

Roger e Jairo chegaram em julho. Também não estrearam. Apesar deste blog considerar Roger um bom reforço, a forma com que ele se apresentou no Scarpelli indica que ele deve acrescentar qualidade ao time só em 2009.

Há ainda os casos de Fernandes e Carlinhos, que não são reforços, mas se machucaram ainda durante o campeonato estadual e até agora não jogaram no campeonato brasileiro.

O departamento médico do Figueirense é reconhecidamente competente. A preparação física voltou a ser boa depois da volta de Hudson Coutinho à função. Só que a urucubaca e a política de contratar jogador parado por longo tempo estão cobrando seu preço.

Quase não é certo

O Avaí dá toda pinta de que realmente vai subir esse ano. O time está bem ajustado e a concorrência é ruim de lascar. Para se ter uma idéia da qualidade da série B, Vila Nova de Max, Túlio “Vovô” Maravilha, Alex Oliveira e Caíco, e Santo André do interminável Marcelinho Carioca e do highlander Fernando com seus 40 anos de idade, também estariam na primeira divisão se o campeonato terminasse agora.

A RBS, que torce como quase ninguém para que o acesso realmente ocorra, estampou no seu site nesta quinta-feira que o time do Sul da Ilha tem 90% de chances de subir, segundo os matemáticos.

Ora, eles deveriam saber que probabilidade não é fato. Ainda mais quando se trata de Avaí. Quais seriam as chances do time azulino não perder por dois gols de diferença para o Fortaleza naquela tarde no Castelão? 75%? E quais seriam as possibilidades do Avaí não entregar a rapadura depois de estar vencendo a Chapecoense por 2 a 0 aos 25 minutos do segundo tempo na Ressacada? 99,9999999998%? E o que diria a estatística sobre uma vitória sobre o Criciúma em casa? 70%?

Em se tratando de Avaí, 90% de chances faltando 17 jogos para terminar o campeonato não quer dizer muito. É tempo suficiente para botarem os pés pelas mãos e voltarem à mediocridade habitual.

A hora do equilíbrio

PC Gusmão escalou o time mais próximo do que ele tem de melhor. A escalação agradou a torcida. O resultado não. Foi um primeiro tempo aberto, com os ataques levando nítida vantagem sobre as defesas. Só que o Vitória foi mais eficiente e saiu com a vantagem antes do intervalo.

O técnico alvinegro cometeu, no entanto, dois erros graves. O primeiro foi deixar Magal fora do jogo. O segundo se desdobra em duas partes. A primeira foi escalar Diogo. A segunda foi não substituí-lo no intervalo, tirando Léo Matos e matando os avanços pela ala direita, coisa que funcionou nos primeiros 45 minutos.

A verdade é que passadas 22 rodadas do campeonato, o Figueirense ainda não tem um time. Aquela formação que PC Gusmão utilizou, com sucesso, em seus primeiros jogos, não funciona mais. A nova ainda precisa ser construída.

E nessa hora é preciso ter equilíbrio. Equilíbrio para não trocar quatro ou cinco jogadores por jogo e sim aproveitar a semana sem jogos para treinar e entrosar essa nova formação. Como este blog já comentou, o único reparo na escalação do jogo de sábado é a entrada de Diogo. A despeito do que o próprio PC Gusmão afirmou, corroborado por parte da imprensa esportiva de Florianópolis, Diogo continua numa fase muito ruim. Parece cansado e dispersivo. Como técnica nunca foi seu forte, sem estar na ponta dos cascos atrapalha bem mais que ajuda. No ataque, ninguém mostrou regularidade suficiente para ser titular absoluto. No mais, não há o que inventar.

Então é hora de dar ritmo de jogo para Diego, Jackson e Rodrigo Fabri. Passar confiança para Léo Matos e Bruno Peroni. Buscar o equilíbrio entre atacar e defender. Posicionar o time para não deixar a defesa tão exposta. Trabalhar o equilíbrio emocional para que o time não se desespere e não queira cada um resolver sozinho, como aconteceu no segundo tempo contra o Vitória.

A situação, obviamente, preocupa. O time não passa confiança. É possível melhorar, mas com muita dedicação e esforço.

Fora de sintonia

O Figueirense tomou um a zero antes dos três minutos de jogo. Foi para frente e criou várias chances, ma mesma medida em que concedeu imensos espaços para o Vitória contra-atacar. Depois do empate, teve duas chances cristalinas, a primeira com Bruno Aguiar, num bate-rebate dentro da área em que a defesa do Vitória em cima da linha. Outra em que Rafael Coelho entrou livre pela esquerda, mas inexplicavelmente refugou na hora da concluir, tentando puxar a bola para o pé direito até perdê-la.

Quatro jogadores entraram em campo completamente fora de sintonia. A dupla de ataque, Rafael e Wellington Amorim, Diogo e Cleiton Xavier.

Os dois estavam dispersivos e com medo de chutar em gol. Diogo deixou imensos espaços para o lateral esquerdo do Vitória atacar. Léo Matos, que PC faz fechar como terceiro zagueiro quando o adversário ataca pelo lado oposto, pagou o pato pela inoperância de Diogo. Foi sacado no intervalo e assim PC Gusmão matou uma alternativa que funcionou no primeiro tempo: os avanços pelo lado direito.

Já Cleiton Xavier é um caso à parte. Nas últimas partidas, a cada jogo faz sua pior apresentação com a camisa do Figueirense. No sábado não acertou um passe, uma conclusão, nada. Estava dispersivo e desinteressado. PC acertou ao substituí-lo. Ninguém pode ter vaga cativa no time sem não estiver disposto a jogar.

Incompetência alheia

Tem time fazendo mais força pra cair do que o Figueira. Mesmo com a derrota em casa, o Furacão Alvinegro perdeu apenas uma posição na tabela e mesmo assim no saldo de gols.

Só que não dá para contar com a incompetência alheia o tempo todo. Se não fizer sua parte em campo, vai ficar difícil não descer a ladeira