Primeiro é focar na atitude. Entrar em campo como se o resultado não fizesse a menor diferença. Se o adversário começar o jogo aparentando ter a mesma postura, então o time tem que abdicar completamente do ataque, recuar sem motivo algum e começar a errar passes curtos e fáceis na saída de bola, para facilitar a vida dos avantes adversários.
Só isso, no entanto, pode não bastar. Também é fundamental desperdiçar as ralas chances de gol que cria, chutando por cima do travessão. Rafael Coelho aos 15 minutos do primeiro tempo na cara de Harlei, quando o placar ainda estava zero a zero, mostrou que aprendeu a lição.
Como o placar insiste em não sair do zero, nada melhor que dar uma cochilada no finzinho do primeiro tempo, deixando o centroavante do outro time livre na cara do goleiro. 1 a 0 contra.
Havia, porém, tempo para a reação. Aí tem que continuar mirando a arquibancada na hora de concluir em gol. Cleiton Xavier, Ramón e Rafael Coelho desperdiçaram o empate assim.
Mas o adversário continua fazendo força para entregar a rapadura e tem um jogador bestamente expulso depois de tomar bestamente um cartão amarelo na primeira etapa. É hora do treinador “botar o time para frente”.
O que significa isso? Superpovoar a equipe de atacantes que se marcam uns aos outros e facilitam a vida da defesa adversária. Como há sempre um risco de uma bola espirrada, um bico ao acaso, sobrar para algum desses tantos atacantes, o time tem que colaborar rodando burocraticamente a bola de um lado para o outro na altura da intermediária de ataque, como um escriturário aguarda o fim do expediente fingindo que está fazendo alguma coisa.
Essa bola de um lado para o outro tem que ser passada, de preferência, pelo chão, para que o outro time tenha mais chance de roubá-la e fazer o contra-ataque que vai encerrar o jogo mais cedo. Aí é preciso tomar um gol de pelada e ter um jogador bestamente expulso.
Pronto. A missão está cumprida. Não há mais risco de ganhar o jogo.