O elenco alvinegro continuará em regime de internato durante esta semana. Nesta segunda-feira a equipe volta, segundo anunciou Mário Sérgio depois do jogo, ao regime de concentração em Águas Mornas.
A comissão técnica tem dois desafios. O primeiro é melhorar a condição física de jogadores que estrearam ontem ou retornaram à equipe depois de uma longa ausência, casos de Alex, Cazumba e Bruno Santos, além de aprimorar a recuperação de Rodrigo Fabri, Fernandes e Roger, que nem estreou ainda. O segundo, e principal, é consertar a bagunça defensiva.
Alex Bruno mostrou qualidade e com o retorno de Bruno Aguiar, o setor deve melhorar, mas há muito o que fazer. Dois dos gols sofridos foram de rebote do goleiro, com Guilherme chegando livre para empurrar para as redes. Num deles, Marquinhos Paraná se projetou completamente sem marcação. No gol de Henrique, ele apareceu livre quase na marca do pênalti na cobrança de um escanteio. Em outro tento, o time nem saiu direito para fazer a linha de impedimento, nem avançou para impedir a troca de passes do Cruzeiro depois da cobrança da falta. São erros que não podem ser cometidos. Mário Sérgio tem a fama de retranqueiro. É hora de fazer jus a ela, consertando essa sucessão de erros.
O ponto positivo foi que o ataque voltou a funcionar. Foi a primeira vez desde a vitória por 3 a 0 sobre o Santos, em 16 de julho, que o time fez três gols num jogo.
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Destaques e decepções
Não me junto ao coro que xinga Ramon. Não é nenhuma maravilha e sua função pode ser cumprida por Rodrigo Fabri com mais qualidade. Mas não fez um mau jogo. Perdeu dois gols claros, é fato, um no início do segundo tempo e outro no fim da partida, mas não foi um desastre. Rendeu mais do que em outras partidas e pode ser útil em determinadas situações. Só que a torcida do Figueira tem um histórico de não gostar de jogadores lentos e meio desligados. Então a má vontade já começa daí.
Bruno Santos foi o grande destaque do Figueira. Fez um golaço. Trombou, lutou, fez e sofreu faltas, roubou bolas. Sua dedicação e entrega foram exemplos que devem ser seguidos pelo restante do elenco.
Dos estreantes, Lima não teve tempo para mostrar alguma coisa. Entrou com o placar adverso e com o time já exausto, física e emocionalmente, pelo esforço feito para reverter o resultado negativo.
O zagueiro Alex mostrou qualidade e o ala Alex Cazumba, também. Este último foi mais tímido, até porque Mário Sérgio deu ampla liberdade para rodar pelo campo todo, sem tantas obrigações defensivas, mas isso é uma coisa que também precisa de treino. Não é tão simples quanto ser um lateral no 4-4-2 ou um ala no 3-5-2.
É impressionante também como Asprilla e Diogo, principalmente este, jogam muito melhor sob o comando de Mário Sérgio. Não sei o que o treinador faz ou diz a eles, mas funciona.
A grande decepção, porém, foi Cleiton Xavier. Entendo quando o jogador não consegue render por conta de especulações e negociações para transferência. Aconteceu isso, por exemplo, com André Santos no Corinthians. Estava comendo a bola, carregando o time nas costas em muitos jogos do campeonato paulista e da Copa do Brasil. Quando começou o bochicho sobre sua transferência para a Europa – o Corinthians mandou tudo quanto é empresário oferecê-lo a clubes do Velho Continente –, perdeu o foco e seu rendimento diminuiu sensivelmente. Com o fim da especulações voltou a jogar bem.
Só que Cleiton Xavier parecer estar longe do Scarpelli. Sua transferência para o Palmeiras/Traffic em 2009 já estaria resolvida, mas seu futebol ainda não voltou. Errou passes e deu gols ao adversário, não fez uma única conclusão a gol, não dividiu. Não jogou nada, em suma.
É um jogador importante, que foi decisivo no campeonato estadual e na melhor fase do Figueira na série A deste ano, só que precisa estar com a cabeça no clube. Se não conseguir, é melhor dar lugar a outro.
A primeira das 13 decisões
Neste domingo, o Figueira faz a primeira de 13 decisões que terá até o final do campeonato. A primeira meta é escapar do rebaixamento. Isto feito, se pensa numa vaga para a Copa Sul-Americana.
É um jogo importante. O adversário é favorito, mas esse é um filme que já vimos no Scarpelli. O time tem técnico novo, reforços que podem estrear, mas o fundamental é uma radical mudança na postura.
Claro que a vitória é muito importante, mas o principal é ver em campo um Figueira renovado, organizado e ambicioso. É hora de reencontrar o espírito, a marca alvinegra na série A. Um time guerreiro, que vende caro qualquer resultado, que se recusa a ser derrotado antes do apito final. O adversário pode até vencer, mas vai ter que ralar muito para conseguir. A partir disso, tudo é possível e quem já freqüentou o Scarpelli em grandes jogos conhece muito bem essa história.
É o reencontro com esta identidade, construída ao longo de sete anos de série A, que o torcedor quer ver neste domingo. É o Cruzeiro, briga pelo título, conta com ex-ídolos alvinegros, mas se bobear vai ser atropelado no Scarpelli.
O time tem que fazer sua parte dentro de campo. A torcida tem que fazer a parte dela nas arquibancadas. É jogo para casa cheia, para marcar também o reencontro da torcida com o time e o ressurgimento do caldeirão do Brasil. Os ventos estão mudando e é hora da virada.
Todos ao Scarpelli.
Palpite para a escalação
Com base no post do Arthur Virgílio no Meu Figueira, vou fazer o que não costumo e arriscar uma escalação para o jogo de domingo, levando também em conta as preferências que Mário Sérgio mostrou ter na sua passagem por aqui no ano passado. Vamos ao time:
Wilson
Renato
Alex Bruno
Asprilla
Peter
Jackson
Diogo
Cleiton Xavier
Alex Cazumba
Wellington Amorim (Edu Sales)
Lima
E você, qual seu palpite?
Cruzeiro escalado
Foi Adilson Batista que inaugurou a prática dos treinos secretos no Figueira, quando de sua passagem pelo clube em 2005 e 2006. O técnico continua adepto do segredo, mas resolveu deixá-lo de lado e confirmar a escalação do Cruzeiro para o jogo de domingo.
A boa notícia é que Adilson não contará com Fabrício, suspenso, e Ramires e Fernandinho machucados. A má notícia é que terá os retornos de Guilherme e Marquinhos Paraná. O time deve ir a campo com Fábio; Jonathan, Thiago Heleno, Espinoza e Carlinhos; Henrique, Paraná, Elicarlos e Vagner; Guilherme e Thiago Ribeiro.
É um time de respeito e, sejamos realistas, favorito para vencer o jogo de domingo. O que não quer dizer muito. O Cruzeiro de Alex e Luxemburgo, campeão brasileiro e da Copa do Brasil em 2003, também era, veio ao Scarpelli e perdeu por 1 a 0 com um gol de orelha do William.
Pode ser a hora de dar outro biquinho no time azulado de Minas Gerais.
Esperança renovada
A movimentação da direção do Figueirense durante esta semana, trocando de técnico e apresentando quatro reforços, renova a esperança de que o time conseguirá sair deste péssimo momento e, no mínimo, assegurar sua permanência na série A de 2009.
As perspectivas de sanar as deficiências da equipe nas laterais, com Peter e Alex Cazumba, na zaga, com Alex, e no ataque, com Lima, são boas. Faltou o meia, infelizmente, mas isso depende do mercado e também da opinião de Mário Sérgio. Por isso, a diretoria do clube anunciou que o ciclo de contratações está encerrado. Como ele gosta de jogar no 3-5-2, é possível que a função seja preenchida por Cleiton Xavier, que também tem a virtude de ter um bom desarme e de recompor rapidamente a marcação.
A chegada dos reforços encorpa o elenco e dá ânimo novo para a torcida em relação ao jogo de domingo, o difícil confronto contra o Cruzeiro. Este blog não sabe se os novos contratados terão condição de jogo para este jogo, mas, de qualquer forma, é hora de começar a reação com o Scarpelli lotado e a torcida empurrando a equipe rumo à vitória.
Como comentamos anteriormente, a hora é de união. Todos juntos para tirar o Figueira do sufoco. Todos ao Scarpelli no domingo.
Consertando o que quebrou
O registro deve ser feito. Em 19 de maio passado, postei o texto Para que consertar, se não quebrou?, comentando a política de futebol da direção do Figueira. A certa altura do post, comento que “a condução do futebol, no entanto, me parece sempre reativa. O clube não se previne, só contrata quando é desesperadamente necessário. O lema parece ser: para que consertar, se não quebrou?”
Pois agora, na bacia das almas, a diretoria do Figueira se movimenta para tirar o time do atoleiro. Ano passado, a situação foi bem mais tranqüila e o time seguiu em frente sem cobrir algumas deficiências, como a lateral-esquerda, posição para a qual só havia André Santos.
Esse ano, a coisa não funcionou. Até contrataram, mas faltou orientação e critério. Agora, correram para consertar o que quebrou. Antes tarde do que nunca, mas alguns ensinamentos devem ficar para o próximo ano – se tudo der certo, o 8º consecutivo na série A – como não depender apenas do treinador para contratar. É preciso ter alguém dentro do departamento de futebol com profundo conhecimento do mercado de jogadores, para minimizar os erros. Também é preciso projetar as dificuldades e deficiências e se antecipar à crise, para não ter que sofrer tanto mais adiante.
Fora de tempo
Nem vou entrar no mérito se o rojão da Gaviões Alvinegros no treino desta quarta-feira foi atirado para cima ou para baixo e que o que aconteceu foi um acidente ou foi proposital.
O principal é que o protesto foi completamente fora de hora. O que não faltou até agora foi momento para protestar. O péssimo futebol apresentado em vários jogos. As derrotas em casa. As diversas goleadas sofridas. Tudo isso era motivo para protestar – sempre sem violência, que fique claro.
Justo no momento em que há a troca de técnico e reforços chegam ao Scarpelli, melhorando as perspectivas da equipe no campeonato, é que a torcida organizada resolve protestar. É difícil de entender o timing (ou a falta de) do pessoal.
Outro fato que precisa ser registrado é que não há porque punir a torcida organizada inteira. Quem atirou o foguete em direção ao campo, intencionalmente ou não, não foram 50 pessoas, não foram cinco, foi um único indíviduo. Se cabe punição é a ele. Não é com medidas cosméticas como a proibição da torcida entrar uniformizada no estádio, o que não impede que seus integrantes estejam lá, que a situação vai melhorar.
Não tem nenhum Adilson dando sopa
A contratação de Mário Sérgio dividiu a torcida. O fato é que qualquer treinador que fosse escolhido não traria unanimidade. Não há nenhum Adilson Batista dando sopa no mercado.
Outros nomes aventados, como Zetti e Renê Simões, ou ainda outros que estão sem clube e já passaram pelo Figueira, como Alexandre Gallo e Vagner Benazzi, dividiriam a torcida da mesma forma que Mário Sérgio.
Como disse o Tainha em seu blog, o time não é tão ruim como o futebol que vem jogando nos últimos jogos. Está na mesma faixa de pelo menos nove ou 10 times da série A, como nós mesmos comentamos aqui diversas vezes. O problema é que a cada derrota, o time fica pior e parece não ter mais solução. Sem confiança, sem organização tática e sem comando, a equipe passa a precisar de mais reforços – aos olhos do torcedor – a cada derrota. O bom jogador vira meia-boca, o mediano fica ruim e o ruim fica péssimo.
A hora, no entanto, é de união. A mudança de técnico e, torcemos, de postura em campo, a promoção de ingresso para o jogo contra o Cruzeiro, a volta da Gaviões Alvinegros uniformizada ao Scarpelli são fatores que podem dar uma nova motivação à equipe e à torcida e marcar uma nova fase.
Depois de tirar o pescoço da guilhotina e salvar o ano com a permanência na série A, será hora de cobrar mudanças profundas na condução do futebol do Figueirense. Agora é hora de remar todos para o mesmo lado.
A sete chaves
O Figueira está à procura de reforços, mas nenhum nome vazou. O prazo para inscrições termina nesta sexta-feira, dia 19. Fala-se em um atacante e um meia. Eu acrescentaria um lateral direito na lista. E um zagueiro, se houvesse algum de qualidade razoável dando sopa.
A prioridade, porém, é a meia. Ramón não é o cara, as presenças de Fernandes e Fabri estão sempre ameaçadas por contusões e Jairo acabou de chegar.
Posso ser criticado, mas não vejo tanta necessidade de mais um atacante. Não porque os atuais sejam excelentes. É simplesmente porque não acredito que o Figueira consiga encontrar alguém com qualidade superior ao que temos à disposição. Além disso, Edu Sales e Wellington Amorim sabem jogar, se reencontrarem o futebol que esqueceram em algum canto do Centro de Treinamento. Tadeu também pode render mais, se o esquema de jogo favorecer suas características.