Qual é a da PM?

Creio que a Polícia Militar já está trabalhando para fortalecer a candidatura de Florianópolis a sede da Copa do Mundo de 2014 e está tratando os visitantes como carinho, deferência e atenção.

Só isso explica a diferença de tratamento da PM para a torcida do Figueira e as torcidas visitantes. A Gaviões Alvinegros está proibida de freqüentar o Scarpelli uniformizada até o jogo contra o Cruzeiro. Sinalizadores não podiam. Liberaram neste jogo. Papel higiênico está proibido desde quando torcedores avaianos (sempre eles) o usaram para atear fogo nas cadeiras do estádio depois de verem seu time levar a enésima biaba do Figueira.

Só que agora a proibição só vale para a torcida alvinegra. A torcida do Coritiba veio aqui, fez a maior arruaça e só a Gaviões foi punida. Os gremistas usaram sinalizadores, papel picado, papel higiênico e o escambau.

O ápice das regalias aconteceu neste jogo contra o Flamengo. Sinalizadores e papéis liberados no começo do jogo. Bombas estouradas no segundo tempo. Aliás, aqueles torcedores avaianos que tentaram matar Seu Ivo em Criciúma já estão podendo freqüentar estádios? Que raios de revista a PM está fazendo na torcida visitante?

Para finalizar, um torcedor invade placidamente o gramado do Scarpelli. É seguro pelo zagueiro alvinegro Gomes e pelo quarto árbitro Jeferson Schmidt, enquanto os policiais apreciam a cena despreocupadamente.

Qual é a da PM, afinal?

Panaca com crise de identidade

Voltava para casa depois do jogo, quando vejo, pelas alturas do Pantanal, um debilóide desfilando pela rua com a camisa do Avaí e uma bandeira do Flamengo.

Se eles subirem para a série A, vai ter muito avaiano com crise de identidade. Quero vê-los desfraldar a bandeira rubro-negra quando o Avaí for ao Maracanã e os marrentos comentaristas cariocas falaram: “Avaí? Que time é esse? Nunca ouvi falar”. No que o repórter responde: “É de Flori-anópolis. O time do Guga…”

Depois do jogo, quando o Avaí levar a biaba esperada, quero vê-los desfraldando a bandeira rubro-negra enquanto lêem e ouvem que o Flamengo derrotou o “fraco Avaí” sem dificuldades. Que o Avaí é o novo América de Natal, o novo Ipatinga.

A farinha de mandioca cria mesmo gente tola.

Rádio de província

É irritante o espaço que as rádios de Florianópolis dão ao time e aos torcedores visitantes quando são de São Paulo, Rio de Janeiro ou Rio Grande do Sul. Não creio que haja similar no Brasil.

É babação de ovo de repórteres, narradores e comentaristas, lembrando histórias de 1900 e lá vai fumaça. É repórter destacado para acompanhar todos os passos dos torcedores visitantes e ouvi-los a cada cinco minutos. São longas entrevistas com dirigentes antes dos jogos.

Depois de sete anos na série A, com sovas regulares do Figueira em times paulistas, cariocas e gaúchos, esse provincianismo todo já devia ter passado. Mas parece que aqui esquecem que quem garante a audiência que lhes permite vender publicidade e sobreviver é a torcida da casa. 

A torcida visitante, seja ela do Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo ou da Costeira, que sintonize a rádio Globo, a Gaúcha ou a Jovem Pan para ouvir a cobertura voltada para seu clube.

Paciência, coragem e indulgência

Eu descobrira depois do jogo com o Swindon que a fidelidade, ao menos em termos futebolísticos, não era uma escolha moral como a bravura ou a bondade; era mais como uma verruga ou uma corcunda, uma coisa que você tinha que aturar.

Nem o casamento é tão rígido: ninguém flagra um torcedor do Arsenal indo escondido a Tottenham para uma farra extraconjugal, e embora o divórcio seja uma possibilidade (você pode simplesmente parar de torcer se a coisa ficar ruim demais), arranjar um novo caso é algo fora de cogitação.

Durante os últimos 23 anos, muitas vezes vi-me esquadrinhando as letrinhas miúdas do meu contrato procurando uma saída, mas não há. Cada derrota humilhante (Swindon, Tranmere, York, Walsall, Rotherham, Wrexham) tem de ser tolerada com paciência, coragem e indulgência; simplesmente não há nada que possa ser feito, e a consciência disso pode deixar você louco de frustração.

Febre de bola

O trecho acima foi tirado do livro Febre de Bola, do jornalista e escritor inglês Nick Hornby, fanático torcedor do Arsenal. O livro conta toda a história da paixão e da obsessão do autor pela equipe de Londres.

Quando começou freqüentar os estádios e ir a todos os jogos, o time era conhecido como Boring Arsenal, algo como Aborrecido – ou Chato – Arsenal. Praticava um futebol feio e na vitória ou na derrota não encantava. A maioria de seus jogos terminava no zero a zero ou no um a zero contra ou a favor.

Este blog recomenda Febre de Bola. Para quem ama futebol é diversão garantida.

O divórcio está longe de acontecer

Para o autor deste blog, ao menos, ainda não é hora de “dar um tempo” ou entrar com os papéis da separação. A situação não é boa, mas já esteve muito pior. Um tiro só não vai nos derrubar.

E nesta quarta-feira, contra o Flamengo, estaremos lá. Para mim, é inconcebível não estar, por vontade própria, no Scarpelli quando o Figueira joga. Lá é meu lugar.

Para quem já viu o time cair para a segunda divisão do campeonato estadual, passar 20 anos sem título, fazer jogos bisonhos contra Concórdia ou Caçadorense e passou muito tempo convivendo com o fato de que a perspectiva de melhora era um sonho quase impossível, a má fase atual é brincadeira de criança.

Todos ao Scarpelli. Não há nada a perder. Uma vitória significa festa e gozação em cima dos rubro-negros da Costeira. Uma derrota representa cartão vermelho para PC Gusmão e a esperança de dias melhores pela frente.

Eu estarei no Scarpelli nesta noite e você?

O que importa é vencer

Em outros tempos, este blog afirmaria que a partida desta quarta-feira, contra o Flamengo, é o tipo de jogo que o Figueira adora vencer.

O time está mal, perdeu os últimos três confrontos, é visto com desconfiança, a perspectiva é de casa cheio, de presença de centenas de flamenguistas da Costeira, inclusive, a cobertura da mídia será grande, etc. Todos os ingredientes que costumam fazer o Furacão Alvinegro soprar mais forte.

Quer um exemplo? O jogo contra este mesmo Flamengo no estádio Orlando Scarpelli no ano passado. Primeiro jogo depois perda da final da Copa do Brasil, ressaca ainda batendo forte. Pois o Figueira atropelou o rubro-negro. 4 a 0 e só não foi mais porque o time pisou no freio depois de fazer o quarto gol.

Diante, no entanto, das circunstâncias atuais, é difícil fazer qualquer prognóstico. Até um empatezinho pode ficar de bom tamanho. Não que o Flamengo seja um time fora do comum. É uma boa equipe, uma das melhores que o clube carioca montou nos últimos anos. Nada, porém, que chegue a assustar. O problema é mesmo o Figueira. O time não se acerta e parece estar aceitando passivamente qualquer derrota.

Pois quarta-feira é dia de fazer algo mais, se doar mais, correr mais, vibrar mais, deixar o coração no gramado. Este time precisa provar para a torcida e, principalmente, para si mesmo, que pode ir além do triste e desenxabido desempenho que apresenta no momento.

É preciso jogar com raça e entrega, mas ter inteligência. Nada se atirar desordenadamente para cima do Flamengo, nada deixar espaços na defesa, nada de buscar o gol a qualquer preço. O time precisa estar atento os 90 minutos. Precisa marcar forte. Precisa ser solidário e objetivo. Precisa, além de inteligência, ter apetite pela vitória.

Não importa que ela venha no primeiro ou no último minuto. Não importa que seja um magro e sofrido meio a zero, conseguido na bacia das almas. O que importa é vencer. O resto se conserta depois.

Não é solução

Deve haver no mercado opções melhores que Caíco para resolver o problema do meio-campo do Figueirense. O jogador, que já tem 34 anos, não é titular absoluto no Vila Nova. Transformar o Furacão Alvinegro em filial do Itumbiara não vai resolver o problema.

Felizmente o clube goiano quer 200 mil reais para liberar Caíco. É muita grana para um jogador veterano. O departamento de futebol do Figueira tem que botar a cabeça para funcionar e trazer alguém que realmente venha a acrescentar qualidade ao elenco.

Afogado em números

Se mantiver o aproveitamento atual dentro (54,55%) e fora (27,78%) de casa nos oito jogos que tem a cumprir no Scarpelli e nos sete como visitante, o Figueira termina o campeonato com 47 pontos. Se mantém na série A raspando, mas se mantém.

Mas se melhorar um pouco, o sofrimento vai ser menor e ninguém vai reclamar.

Hora de se ajudar

Depois de vencer a Portuguesa na 20ª rodada, o Figueirense chegou ao 9º lugar e abriu sete pontos de vantagem para a zona de rebaixamento.

Passadas três rodadas sem ganhar mais um ponto sequer, o Figueira caiu para o 13º lugar, mas a diferença para o primeiro colocado do rebaixamento só diminuiu dois pontos. A vantagem agora é de cinco.

Na rodada passada, nenhum time classificado abaixo do Figueira venceu. Dois que estão à frente, mas podem perder a posição em caso de vitória alvinegra, também não ganharam: Inter e Atlético-MG.

Em resumo, o time é limitado, mas está no mesmo bololô de outros nove ou 10. Nesse bolo, vai pesar o comprometimento, a dedicação e até um pouco do imponderável, mas o Figueira tem condições de se recuperar, se voltar a mostrar o mesmo futebol que apresentou quando da chegada de PC Gusmão. Não era nada muito empolgante, mas suficiente para evitar seqüências ruins como a atual.