Sem Ramon, de preferência

Cleiton Xavier continua fora e Magal também desfalca o Figueira no jogo contra o Santos, no sábado, na Vila Belmiro. A boa notícia é o retorno de Alex à zaga. Sua ausência foi bastante sentida no jogo contra o Ipatinga.

Para o meio, no meu modesto pitaco, uma coisa certa é o retorno de Marquinho ao setor, inclusive mais adiantado, com mais liberdade para avançar, escalando Cazumba para a ala esquerda.

Se Mário Sérgio quiser reforçar mais a marcação que escale Jackson e Gomes ao lado de Marquinho. Ou então promova a estréia de Roger, um jogador de bom passe e de boa qualidade técnica. Nem vou insistir com Rodrigo Fabri, que não tem se ajudado quando entra, porque Mário Sérgio dificilmente vá escalar um meio-campo com Marquinho e Fabri juntos.

Seja qual seja a formação que não inclua Ramon. Ele pode até ter alguma qualidade, mas não a mostrou no Figueirense.

Alegria esfuziante

É impressionante com tem gente da imprensa esportiva de Florianópolis em estado de êxtase quase histérico com a possibilidade do Avaí conseguir o acesso à série A.

Depois querem me convencer que esse papo de imparcialidade e isenção é sério.

Que tal quebrar mais um tabu?

A fase não é das mais esplendorosas, mas da última vez que o Figueira jogou fora de casa conseguiu quebrar o tabu de não vencer o Vasco no Rio de Janeiro.

Contra o Santos, a situação é ainda pior. Jogando como visitante, o Figueira perdeu todas. Nunca arrancou um pontinho sequer fora de seus domínios. No Scarpelli, a situação se inverte. Desde que voltou à série A, em 2002, o Figueira venceu todas contra o Peixe em casa, mas quando sai é uma desgraça.

É uma boa hora de arrancar ao menos um pontinho. Se vencer ainda melhor, porque ultrapassa o adversário na classificação.

Fernandes 2009

O médico Sérgio Parucker confirmou nesta terça-feira que Fernandes não joga mais esse ano (leia aqui). O meia sofreu sua pior contusão desde o problema que teve no ombro quando chegou ao Figueira em 1999.

Muitos torcedores questionam a utilidade de ser Fernandes no elenco, pesando o custo-benefício de se investir num jogador que sofre com contusões constantes. Respeito a opinião, mas creio que Fernandes ainda pode ser útil ao clube.

Não se trata apenas de saudosismo de quem viu Fernandes jogar muita bola no Furacão Alvinegro ou de reconhecimento a um jogador que já comprovou seu amor ao clube. Trata-se de acreditar que com a preparação adequada, Fernandes pode proporcionar muitas alegrias à torcida.

Fernandes tem apenas 30 anos. Livre das lesões e bem preparado pode jogar futebol por um bom tempo. O Figueirense tem tradição de recuperar jogadores que se encontravam no desvio e quase com a carreira encerrada. Com a temporada 2008 encerrada prematuramente para Fernandes, é a oportunidade de se fazer a preparação adequada para tê-lo em plenas condições em 2009.

Não é questão de caridade ou de fazer uma aposta altamente arriscada. O clube pode acertar um contrato de risco com Fernandes, como já fez com outros jogadores. Um salário fixo mais baixo e prêmios por produtividade e desempenho.

Um jogador da qualidade de Fernandes não se encontra na esquina. Que tenha tanta identificação com o clube muito menos. É por isso que o Figueira deve apostar mais uma vez no jogador.

Há berros e berros

Leandro Pedro Vuaden errou e prejudicou o Fluminense no jogo contra o Vitória. Isso é pacífico e já foi admitido pelo próprio árbitro. Impressionante e pouco usual, no entanto, foi a velocidade com que a comissão de arbitragem o afastou da escala. O Figueirense foi prejudicados por vários árbitros neste campeonato e nenhum deles foi para a geladeira. Pelo contrário, estavam todos lépidos e fagueiros apitando na rodada seguinte.

Mais impressionante ainda é ver o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, correr atrás do trio de arbitragem depois do jogo e bradar em alto e bom som que se Vuaden sonha em virar juiz da Fifa pode esquecer porque ele, Horcades, é da comissão médica da entidade e não vai deixar. Registre-se: o dirigente do time carioca é da comissão da Fifa porque é médico e cupincha de Ricardo Teixeira.

Também é impressionante ver o atacante Washington esbravejar contra o árbitro e o bandeira, cerrar os punhos, fazer cara de choro, se atirar no gramado e socar o chão e não levar nem amarelo pelo teatro todo. Mas é assim que funciona o futebol brasileiro. Há berros e berros.

Compromisso com a verdade

Sempre que posso, leio o blog do jornalista Marcos Castiel, no ClicRBS, e muitas vezes ele faz afirmações pertinentes e interessantes. Castiel, no entanto, tem, volta e meia, tendência a brigar com os fatos seja para forçar a polêmica, seja para fabricar certos mitos.

De sábado para cá, dois posts de Castiel se aproveitam desse artifício para chegar a conclusões equivocadas e polêmicas. O primeiro foi Figueira, só eles te amam com fervor, publicado logo depois da partida contra o Ipatinga. O texto falava do pequeno público que foi ao Scarpelli e soltava a pérola: “Dizem as gozações alvinegras que a torcida avaiana usa pijama. Na Série B, com chuva e frio, não baixa de sete mil pagantes na Ressacada. Pelo menos neste sábado o pijama mudou de cor”.

Pois este blog teve a paciência de consultar os dados de todos os borderôs dos jogos do Avaí em casa nesta série B no site da CBF. Os públicos pagantes foram:

Avaí 0×0 ABC – Público: 4.354

Avaí 1×1 Santo André – Público: 3.390

Avaí 4×1 Vila Nova – Público: 4.357

Avaí 2×1 Ceará – Público: 6.279

Avaí 1×0 Juventude – Público: 6.201

Avaí 2×0 Gama – Público: 6.224

Avaí 5×1 CRB – Público: 6.122

Avaí 3×1 Bragantino – Público: 4.720

Avaí 1×1 Corinthians – Público: 11.221

Avaí 3×1 Paraná – Público: 4.786

Avaí 3×0 Barueri – Público: 7.170

Avaí 2×1 Fortaleza – Público: 4.012

Avaí 1×1 América – Público: 6.720

Avaí 4×1 Bahia – Público: 6.326

Avaí 3×0 Criciúma – Público: 8.108


Média: 5.999

Fonte: Dados oficiais da CBF (Clique em súmulas e depois em “B” – de “Borderô” – no lado direito da partida em questão)
 

Como se vê nos números acima, somente três em 15 jogos na Ressacada tiveram público superior a 7 mil pagantes. A tal Bombonera avaiana funciona a meia-bomba. Até o momento, o time do Sul da Ilha supera a média do Criciúma, por exemplo, por pouco mais de 200 pagantes. E o Tigre joga somente para evitar o rebaixamento.

É claro que a tendência é de aumentar a média. Como é público e notório, avaiano é arroz de festa. Agora começa a aparecer torcedor que botou os pés na Ressacada pela última vez na final do estadual de 1999, ou no quadrangular final da série C de 1998 ou ainda na decisão do campeonato catarinense de 1988.

A torcida do Figueira está devendo? Sim, claro. Precisa voltar aos velhos tempos. Mesmo assim, a média em 14 jogos, sem contar o empate com o Ipatinga, é de 8.929 pagantes, muito superior a de Avaí e Criciúma.

Querer questionar a fidelidade da torcida alvinegra, provada e comprovada ao longo de toda a sua história, e para isso esquecer dos fatos e dos números, não é correto, não é jornalismo.

Compromisso com a verdade II

Não satisfeito com as ilações sem conexão com os fatos expostas acima, Castiel volta à carga nesta segunda-feira. No post “Fenômeno estranho assola o Scarpelli” transfere a responsabilidade pela má campanha para a torcida alvinegra. 
 
Torcida é muito bom, ajuda. Gostaria que o Figueira tivesse 19 mil pagantes por partida. Só que torcida não ganha jogo. Se ganhasse, Corinthians e Flamengo disputariam palmo a palmo todo campeonato que disputam. Aliás, nem precisariam botar jogadores profissionais em campo. Bastaria fazer um concurso ou sorteio e escalar 11 torcedores para jogar pelo time.
O componente emocional é importante e o apoio pode dar confiança extra para os jogadores, só que pesa muito mais a qualidade do elenco, a características dos atletas, a formação tática, o estilo de jogo imposto pelo treinador. 

 
Quando Mário Sérgio comenta que o time tem mais facilidade em vencer fora de casa, não está dizendo nenhum absurdo. Está escorado nos números da campanha. O Figueira tem a pior campanha em casa, junto com o Fluminense, com 44,44% de aproveitamento. Em contrapartida, tem a nona melhor campanha como visitante, com 31,11% dos pontos disputados. À frente dele, times com desempenhos muito superiores no global (Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Coritiba, Botafogo e Goiás – este com o mesmo aproveitamento do Furacão Alvinegro).

De fato, não é uma situação confortável. Se a campanha em seus domínios fosse melhor ou semelhante a de anos anteriores, o Figueira estaria nas cabeças, mas “se” não joga. E não é por falta de vontade da torcida.

O pacote completo

Quando se contrata Mário Sérgio como técnico, se adquire o pacote completo, suas virtudes e defeitos. O técnico é muito dedicado em trabalhar para anular os pontos fortes do adversário, mas não tem a mesma clarividência para preparar o time para explorar os pontos fracos do oponente e vencer o jogo.

Em teoria, a escalação do time para o início do jogo era uma boa escolha. Era ofensiva, com Bruno Santos, Tadeu, Ramon e Lima. Privilegiava ainda a força física e a boa estatura para disputar o jogo pelo alto, já que a partida seria disputada debaixo de muita água e depois de quase 48 horas de chuvas ininterruptas sobre Florianópolis. Aliás, o jogo acabou há mais de três horas e continua chovendo.

Só que ao armar seus times, Mário Sérgio não leva em conta um fator que ainda é decisivo em jogos de futebol: o talento individual. Por mais que o jogo esteja nivelado por baixo, por mais que a obediência tática e o preparo físico sejam fundamentais para o bom desempenho de um time, ainda é o talento individual que faz a diferença.

Tanto é que o gol do Figueira, logo aos 12 minutos, saiu de uma bela jogada individual de Marquinho, que foi ao fundo cruzar para a conclusão de Tadeu depois da ajeitada de Ramon de cabeça e da furada de Lima.

Àquela altura o gramado ainda não estava tão castigado pela chuva inclemente, mas mesmo assim, as melhores jogadas durante todo o jogo continuaram saindo dos pés de Marquinho, driblando lama, poças d’água e adversários.

Só que Marquinho foi desperdiçado quase durante todo o jogo na ala esquerda, com um time que passou a partida toda jogando na base do chutão. No primeiro tempo, com mais método e organização. No segundo tempo, se retraindo demais, muito por culpa de Mário Sérgio, e se mostrando nervoso além da conta para segurar um jogo que deveria estar sob controle.

No intervalo, Mário Sérgio desperdiçou a chance de melhorar o time. Ramon e Lima jogando juntos é muito castigo para quem teve coragem de ir ao estádio debaixo de tanta água para ver um jogo que já se antevia tecnicamente ruim. Brigam com a bola, desperdiçam boas jogadas, não arrumam o lance para os companheiros, não armam, não concluem e não marcam.

Mário Sérgio viu isso e os tirou nos vestiários. Só que aí vem o retranquismo exacerbado. Não precisava ser ousado, bastava trocá-los pelo volante Jackson, como fez, e Rodrigo Fabri. Ou então, ser um pouco mais conservador e botar Jackson e Alex Cazumba, passando Marquinho para o meio-campo.

Não, Mário Sérgio tinha que passar a chave quádrupla, a tranca, o pega-ladrão e ligar o alarme para fechar completamente a defesa. Tinha que botar mais um zagueiro (Bruno Aguiar) além do cabeça-de-área. Tudo para defender o 1 a 0.

Assim, o Ipatinga veio para cima. Sem qualidade, sem organização, sem talento. Só que o Figueirense acirrou sua tendência para chutar pra todo lado e, desse modo, permitiu ao Ipatinga rondar a área quase o tempo todo.

O time ficou com uma formação improvável. Jackson de ala direito, Bruno Aguiar, Perone e Asprilla na zaga, Marquinho na esquerda; com Gomes, Magal e Diogo num meio absolutamente desprovido de talento e capacidade de criação. Quando atacava apenas três ou quatro jogadores se aventuravam nas imediações da área do Ipatinga. O resto ficava na altura do meio-campo.

Mesmo assim o time ainda criou chances de gol. Quase todas em jogadas de Marquinho. Gomes perdeu um gol na cara do goleiro. Tadeu passou da bola num cruzamento de Marquinho. Este mesmo enfileirou três ou quatro adversários para bater da entrada da área para concluir com a perna ruim, a direita. Um muito possível pênalti não foi marcado em Bruno Santos.

E aí o castigo veio da forma mais dolorosa possível, sofrendo o gol de empate aos 48 minutos do segundo tempo. Injusto? Não. O Figueirense abdicou do direito de ditar o ritmo do jogo. Quando isso acontece, os imprevistos também ocorrem.

Assim, três pontos praticamente certos foram reduzidos a um. O resultado será tão mais ruim quão pontuarem os adversários na luta contra o rebaixamento. O Atlético-PR já perdeu do Inter neste sábado. Vasco, Náutico, Portuguesa e Fluminense têm jogos difíceis no domingo. Se perderem, pelo menos o Figueira aumenta sua vantagem em um ponto.

Os desfalques e as alternativas

Dois jogadores importantes são dúvida para o importante jogo de sábado contra o Ipatinga. O zagueiro Alex e o meia Cleiton Xavier sentiram contusões, não treinaram nesta quinta-feira e podem desfalcar o Figueira.

São peças importantes para o esquema alvinegro. Alex arrumou a defesa alvinegra e Cleiton subiu de produção, depois de jogos muito ruins, com a chegada de Mário Sérgio.

Alternativas não faltam. Até porque um elenco com quase 40 jogadores tem gente de sobra. A questão é saber se as alternativas que Mário Sérgio escolher vão conseguir manter minimamente a qualidade pelos dois possíveis desfalques.

Para a defesa, o técnico pode recuar Gomes, estrear Renato, promover o retorno de Bruno Aguiar, ou, a pior de todas, escalar Rafael Lima. Para a vaga de Cleiton, pode fazer Marquinho retornar ao meio, com Cazumba na ala esquerda. Pode ainda manter Marquinho na ala e botar Ramon ou Rodrigo Fabri ou promover a estréia de Roger.

Para não fugir da raia, dou meu pitaco. Gomes ou Bruno Aguiar na zaga, Marquinho volta ao meio e Cazumba assume a ala, mesmo que Cleiton Xavier jogue. Se Cleiton não puder jogar, bota Rodrigo Fabri no lugar dele.

É jogo em que o Figueira é que vai ter que tomar a iniciativa. Ficar fechado atrás esperando o Ipatinga errar não vai funcionar, até porque provavelmente será o time mineiro a usar esta tática. O Furacão Alvinegro é que vai ter que forçar o erro do adversário. Claro que não dá para se arreganhar todo na defesa como fez o Vasco em São Januário, mas será preciso ter poder ofensivo para vencer o jogo.

O Furacão Alvinegro vai ter que abafar a saída de bola e pressionar o Ipatinga em seu campo. Assim, Rodrigo Fabri pode jogar mais adiantado seja para tentar finalizar em jogada individual seja para acionar os atacantes. Marquinho no meio também pode abastecer melhor o ataque.

Um bom exemplo foi a seleção chilena no jogo contra a Argentina na última quarta-feira. Jogou num 3-4-3 e mesmo assim amassou os “hermanos” até fazer um a zero. Sem a bola, todo mundo marcava. Quando recuperava a pelota, ia para cima. É o que o Figueira tem que fazer no sábado.

A volta da bombona

Nos funestos tempos de série C, os jogadores do Figueira, há meses sem ver a cor dos salários, colocavam bombonas de água mineral (vazias, naturalmente) perto das catracas do Scarpelli para arrecadar um troco entre os torcedores. O pessoal, solidário, depositava moedas, cédulas, o que pudesse. No fim do jogo, os jogadores contavam a grana e dividiam para pelo menos fazer o mercado.

Pois agora a torcida avaiana criou a “bombona da elite”. Estão arrecadando uns caraminguás para dar para os jogadores em caso de acesso à série A. O amadorismo e o improviso estão entranhados no time da Sul da Ilha, mesmo quando eles conseguem fazer um time razoável.

Quanto tanto um time desse conseguirá se manter na série A?