Pé no saco

Quando eu era garoto adorava Copa do Mundo, seleção e cousa e lousa. Hoje, tudo não passa de um grande pé no saco. Perdeu o encanto, a magia. Aliás, tenho comigo que quem torce apaixonadamente por um clube, está pouco se lixando para a seleção do seu país.

Não sei se é porque a idade faz a gente ficar mais ranzinza e seletivo, se é por causa da forma com que a CBF e o eterno Ricardo Teixeira conduzem os negócios da seleção, se é porque quando a Seleção joga, a série A pára, se é porque os jogadores convocados não jogam aqui ou se é um pouco de tudo isso.

Só sei que assisto a um jogo da Seleção como se visse uma partida entre Colorado Rapids e New York Red Bulls pela liga americana de futebol: entre uma zapeada e outra. E se o jogo estiver ruim, aciono o controle remoto sem titubear.

Para piorar, ainda se tem que aturar a extensa e chatíssima cobertura da mídia sobre a seleção. Horas e horas de papo furado sobre quem substitui Adriano, Pato ou Jô? Não sei e não me importa.

E ainda tem a transmissão ao vivo dos treinos de seleção. Não há nada mais chato e sem sentido. Robinho fazendo abdominais. Kaká alongando. Thiago Silva, Elano, Juan e Kleber num bobinho desanimado. Haja saco!

Copa do Mundo é ainda pior. Primeiro porque entupiram a competição com um monte de seleção (a primeira Copa que vi, em 1974, da qual tenho vaga lembrança, tinha 16 seleções, agora são 32) que não deveria estar lá e só está para atender os interesses políticos da cartolagem. Segundo porque a cada quatro anos outro monte de gente que não tem a menor idéia de quem é a bola e quem é a trave resolve entender de futebol e dar pitaco. Haja saco!

Nos jogos do Brasil contra Chile e Bolívia fiz o que de mais sensato havia para fazer: dormi. Contra a Venezuela saí para comprar pão. Quando voltei já estava 3 a 0. Jogo resolvido. Assisti ao resto entre uma zapeada e outra.

Quando tem Figueira na TV garanto que não durmo. E ai de quem pedir para eu ir comprar pão.

André Santos S.A.

Jogador de futebol hoje é quase uma sociedade anônima, cheio de acionistas. A notícia de terça-feira diz que o Figueirense vendeu os 50% dos direitos econômicos de André Santos para uma empresa chamada Turbo Sport. Esta repassou 10% para o Corinthians. O Corinthians, por sua vez diz que foi ele quem comprou os 50% e revendeu 40% para a tal empresa. Antes, o Timão já havia revendido a sua parte para a tal de DIS, do grupo Sonda. André Santos agora tem 22,5% de seus direitos com um, 37,5% com outro e não sei quanto com um terceiro.

Se o Figueirense fez bom negócio? Não faço idéia. O UOL Esporte publica que o jogador afirmou que o Furacão Alvinegro levou R$ 3 milhões para vender os 50% restantes. Como já havia ganhado R$ 1 milhão no início do ano, faturou R$ 4 milhões no total. O Corinthians possivelmente vai vender bem mais caro para a Europa, mas quem vai faturar uma grana firme é a DIS, a Turbo e, quem sabe, a Petisqueira do Manau. Só garanto que não vou me surpreender de forma alguma se André Santos for convocado para o jogo contra Portugal, em novembro.

A tênue fronteira entre público e privado

Que os clubes sempre mamaram nas tetas do Estado, alguns mais outros menos, não é novidade. Aliás, sendo dirigidos pela mesma elite que mama no Estado em outras frentes, seria surpresa se fossem administrados de outro jeito. Alguns fatos recentes, no entanto, chamam a atenção para confirmar que a prática continua viva.

Primeiro foi a Timemania. Os clubes deram o calote em tudo que é imposto e contribuição federal e depois foram suplicar ao Estado por uma loteria para pegar dinheiro do povão para liquidar suas dívidas astronômicas. Foi anunciada como a redenção do futebol brasileiro.

Aqui um parêntese, os clubes vivem na lama e periodicamente encontram algo para redimi-los. Na década de 80 foi o patrocínio nas camisas. Era vetado e sua liberação seria redenção. Não foi. Depois vieram os direitos de transmissão da TV aberta. Era a redenção. Não foi. Aí veio o pay per view. Era a redenção. Não foi. Agora é a Timemania.

Só que a loteria também está começando a fazer água. Logo os clubes vão ter que tirar do bolso para completar o que falta para pagar as dívidas. E aí vai aparecer outro gênio para anunciar uma idéia mirabolante que será a redenção do futebol brasileiro. Boa administração, nem pensar.

Mas não pára por aí. No ano passado, os governos do estado do Rio de Janeiro e federal torraram mais de R$ 300 milhões para fazer um estádio nos cafundós do Judas para sediar uma competição de terceira divisão do esporte mundial, o Pan-Americano. Findos os jogos, entregaram o estádio estalando de novo para o Botafogo por irrisórios R$ 36 mil mensais. Como o Botafogo – dirigido pelo exemplar e ético Bebeto de Freitas, que se alia ao Montenegro, atrasa salários, vota em Ricardo Teixeira, etc. – vive na pendura, logo vai dar calote na mixaria e deixar o estádio cair aos pedaços porque não terá grana para a manutenção.

Roberto Dinamite, que seria a renovação que faltava ao Vasco – cabe lembrar que já disputou eleição para deputado em dobradinha com Eurico Miranda, mesmo sendo de partidos diferentes – anuncia uma parceria com a Eletrobrás que poderia render milhões ao clube. O que a Eletrobrás, uma estatal, vai fazer no futebol e com um só clube? Não tem que ter licitação? A empresa nem tem a desculpa da Petrobrás, que ao menos disputa um mercado com outras concorrentes, para despejar dinheiro a fundo perdido num time de futebol.

Agora, CBF, Flamengo e Fluminense e a IMG – uma empresa estrangeira – anunciam uma parceria para assumirem o Maracanã. Primeiro causa estranheza a CBF estar junto. O que a entidade que organiza as competições nacionais vai fazer ao lado de dois clubes que participam destas competições? Depois como seria essa privatização? Dizem que o Maracanã fecharia por dois anos para fazer mais uma reforma para a Copa de 2014. Será nos moldes de outras privatizações em que o Estado deu a grana para o comprador comprar o que ele, Estado, estava vendendo?

O Figueirense anuncia que construirá seu estádio só com dinheiro privado. É louvável. Mas espero que isso se concretize na prática. Serviria de exemplo de uma nova maneira de fazer futebol no Brasil.

Para manter a batida

No primeiro turno, o Figueirense empatou com o Atlético-MG, venceu o Vasco, empatou com o Palmeiras, venceu o Ipatinga e Santos, obtendo a sua melhor seqüência no campeonato, com 11 pontos ganhos em cinco jogos. Poderia ter conquistado 12 pontos em seis jogos, se não fosse prejudicado pela arbitragem na derrota por 1 a 0 para o Fluminense.

Agora, com o mando de campo invertido, o Figueira repetiu os três primeiros resultados e seu próximo adversário é o Ipatinga no Scarpelli. Depois sai para enfrentar o Santos e recebe o Fluminense. Se conseguir ao menos sete pontos nestas três partidas, o time chega a 40, faltando ainda seis jogos a disputar, ou seja, a permanência na série A fica muito mais próxima.

Os outros ajudam mais uma vez

O único resultado fora do script na 29ª rodada foi a retumbante vitória do Atlético-MG sobre o Flamengo no Maracanã. A secação era contra o Galo, mas é difícil de conter a satisfação vendo o Mengão e seu massacrante oba-oba midiático levando uma bela pimba no Maraca.

Vasco levou o empate no último minuto. Ipatinga e Náutico deram trabalho, mas perderam. A Lusa não saiu do zero em casa contra o Coxa. No duelo entre Atlético-PR e Fluminense, na Baixada, o melhor era o empate, mas se houvesse um vitorioso que fosse o time carioca. Foi.

Na próxima rodada, os adversários diretos terão paradas indigestas. Vasco, Atlético-MG e Náutico têm clássicos regionais, contra rivais em melhor situação – Flamengo, Cruzeiro e Sport, respectivamente – e que vão adorar mandá-los para mais perto do inferno. O Atlético-PR vai a Porto Alegre enfrentar o Internacional, enquanto o Coritiba viaja a Salvador para pegar o Vitória. A Portuguesa, por sua vez, joga em casa, mas contra o líder Grêmio.

É a chance do Figueira abrir mais vantagem sobre os últimos colocados. Uma vitória, além de ampliar a vantagem sobre o Ipatinga, ainda pode distanciar o Furacão Alvinegro da zona de rebaixamento. Isso se os outros ajudarem outra vez. 

Correção (14h19, 13/10): Quem enfrenta o Vitória em Salvador é o Fluminense e não o Coritiba, conforme correção feita pelo Pablo. 

Mário Sérgio no DC

O DC deste domingo publica uma boa entrevista do repórter Luciano Smanioto com o técnico alvinegro Mário Sérgio (clique aqui para ler a íntegra). Três respostas me chamaram a atenção e reproduzo abaixo:

DC – Você sempre se refere ao Figueirense com muito carinho, o que o clube representa na sua carreira de treinador?

Mário Sérgio – Quando eu vim para cá no ano passado, eu estava totalmente afastado e até sem motivação para continuar na profissão. Eles me deram aquela oportunidade, eu vim, fiz um ambiente muito bom aqui, com o pessoal do suporte, a direção, a torcida, enfim, todos. Eu me identifiquei muito com o lugar, com a cidade, que eu acho linda, e com o clube, pela simplicidade das pessoas, sem tanta frescura como foi em outros clubes onde eu trabalhei.

DC – É bom trabalhar assim, com simplicidade?

Mário Sérgio – É o ideal, esse pessoal afetado me incomoda muito. Eu tive muitos problemas de relacionamento em outros clubes por onde eu passei por causa disso, eu não gosto de muita sofisticação, gosto das coisas mais simples.

DC – No ano passado, na sua primeira passagem pelo Figueirense, quando levou o clube à final da Copa do Brasil, você elogiava muito o grupo, dizendo que tinha jogadores aplicados e taticamente inteligentes. O elenco atual tem as mesmas características?

Mário Sérgio – Sim, é igual ao outro. E eu acho que ele está se encorpando cada vez mais em função da identificação comigo, com a torcida, com o envolvimento todo da cidade, de vocês da imprensa, com tudo. Existe uma mobilização, jamais houve um ataque por parte do torcedor, muito pelo contrário, eles deram a maior prova de carinho e respeito a todos nós, e isto está nos dando um crescimento quase que obrigatório.

Torcedor reclama de comentarista da RBS

O blog Furacão Alvinegro reproduz e-mail enviado pelo torcedor João Nascimento Rodrigues, no qual ele reclama do tratamento dado ao Figueira pelo comentarista Renato Semensati, da TV COM e da CBN Diário, veículos da RBS.

Indignação!

Como assíduo leitor dos periódicos, ouvinte e telespectador dos diversos veículos da RBS me sinto no direito de manifestar minha modesta e sincera opinião.

Assistindo o programa da TV Com Esportes da última quarta-feira, dia 8/out, em minha residência, acometido de forte gripe, ao lado de meus familiares, me casou revolta e creio que também a grande nação alvinegra, o comportamento de um dos repórteres daquele programa.

A algumas horas da importante partida do Figueirense com então líder do campeonato brasileiro (Palmeiras), o repórter paulista, Renato Semensati, ao entrevistar uma dirigente do nosso Figueira foi extremamente mal educado, fazendo questão de relembrar os momentos ruins, inerentes a qualquer equipe de futebol, trazendo a tona, com “ar sarcástico”, o resultado do jogo com o Grêmio realizado em Florianópolis nesse ano.

Isso que a senhora que representava o clube no programa que acontecia dentro do Scarpelli estava ali para falar do apoio do Figueirense a uma das campanhas sociais da RBS, a “Mais Livros”.

Acostumado a desmerecer os feitos do Figueirense o forasteiro torcedor do Corinthians “deleta” sempre as grandes jornadas do único representante catarinense na elite do futebol brasileiro.

Esqueceu ele que o Figueirense também já goleou os grandes do futebol nacional? Esqueceu, será, das goleadas com o Internacional (4 a 2 em 2002), Payssandu (6 a 0 em 2003), Flamengo (3 a 0 em 2004), Vasco (5 a 1 em 2005), Palmeiras (6 a 1 em 2006), Internacional (4 a 2 em 2006), Atlético-PR (4 a 1 em 2006), Flamengo (4 a 0 em 2007) e Vasco (4 a 2 em 2008.)

Tenho certeza que esse não é o pensamento da alta direção do Grupo RBS, que tem no Figueirense, clube de sua terra, um dos importantes produtos para seus veículos de comunicação e nos torcedores do clube uma grande massa de clientes.

No mínimo esse menino tem má vontade!

Lastimado, peço que haja por parte de cada um que receber essa manifestação no mínimo uma reflexão.

João Nascimento Rodrigues

Abraão – Florianópolis

Não funcionou como devia

Diante do bom desempenho do Figueira no segundo tempo contra o Vasco, o deslocamento de Marquinho do meio-campo para a ala esquerda parecia ser uma alternativa a ser repetida na partida contra o Palmeiras.

Só que, na avaliação deste blog, a opção teve mais desvantagens do que vantagens. Marquinho não rendeu tudo que podia porque teve que vir muito de trás para as jogadas de ataque. Além disso, Mário Sérgio preferiu soltar Diogo para jogar em cima de Leandro e prender mais o time pela esquerda. Assim, o potencial ofensivo de Marquinho não foi tão bem aproveitado. E se era para ficar mais preso à defesa, o técnico poderia ter mantido Cazumba por ali e deixado Marquinho no meio-campo, onde poderia dar mais qualidade à armação das jogadas de ataque.

Para o jogo contra o Ipatinga, no qual a obrigação de vitória é do Figueirense, que terá que tomar a iniciativa do jogo, Mário Sérgio deve repensar a formação.

Ipatinga é time chato

Na derrota contra o Cruzeiro por 1 a 0 nesta quarta-feira, o Ipatinga confirmou a impressão que já havia passado a este blog em outras ocasiões. É um time chato, daqueles enjoados de se enfrentar. Deu trabalho ao Cruzeiro, botou bola na trave, não deu espaço e só perdeu porque um de seus pontos fracos, o goleiro, falhou mais uma vez e entregou um gol para o adversário.

O Ipatinga não assusta, mas não é mamão com açúcar. O Figueira vai ter que paciência, errar pouco e jogar com o mesmo empenho e concentração dos jogos contra Cruzeiro, Atlético, Vasco e Palmeiras.

Querem moleza?

Não tem coisa mais irritante que desculpa de jogador de clube grande quando não passa pelo dito pequeno. O simpático e leal atacante Kleber, do Palmeiras, soltou algumas dessas pérolas depois do empate com o Figueira na quarta-feira. “Eles jogaram fechados atrás. Comemoraram o empate. Era o jogo da vida deles” e outras baboseiras do tipo.

Volta e meia, jogador do Figueira usa estas desculpas furadas também quando tropeça em times ditos pequenos no campeonato estadual. O que é igualmente irritante.

O que Kleber quer? Que o adversário se arreganhe todo para ele desfilar pelo gramado? Não tem essa, amiguinho. Ninguém vai dar mole. Se o Palmeiras, todo-poderoso e líder, não deu espaço para o Figueira e baixou o sarrafo quando foi preciso, porque o Figueira não faria o mesmo?

Antigamente, até muito mais que hoje, enfrentar um time do porte do Palmeiras era o jogo da vida. Era fato raro, um acontecimento. Ocorria vez ou outra. E mesmo com o adversário de menor porte no cenário nacional comendo grama e suando sangue, o tal time grande geralmente vencia como, quando e por quanto queria.

Agora, além de o confronto acontecer todo ano, o perde-ganha é muito maior. O Figueira já levou quatro do Palmeiras no Scarpelli, mas já enfiou seis. No Parque Antártica, desde que o Furacão Alvinegro voltou para a série A, em 2002, a porcada só ganhou um joguinho. No ano passado, por 2 a 1, com o Figueira jogando com o time reserva por causa das finais da Copa do Brasil. Nos outros quatro jogos lá só deu empate.

Portanto, Kleber, te espelha em teu companheiro de clube, o goleiro Marcos, exemplo de jogador e de caráter, que respeita o adversário, mas não faz média e nem diz besteira.