Se não subir, vai falir

Se o time do Sul da Ilha não subir esse ano, sentindo o gostinho de pelo menos um aninho na elite do futebol brasileiro depois de 30 anos de ausência, provavelmente decretará falência. E junto vai levar um monte de torcedor junto.

Porque não deve ser fácil para o bolso pagar ingresso na Ressacada e no Scarpelli, comprar PPV das séries A e B, comprar camisa de pelo menos sete ou oito times da primeira divisão.

Aliás, se um dos principais adversários na luta pelo acesso tem Carlinhos e Valença na zaga, Max no gol, Alex Oliveira e Caíco no meio e Túlio Maravilha e Vando no ataque, se o time do Sul da Ilha não subir esse ano, pode fechar o futebol e alugar o estádio para a Igreja Universal, porque estão no ramo errado.

Figueira pára o Palmeiras

O Figueirense parou o Palmeiras, somou mais um ponto na tabela e tirou o time paulista da liderança. Ficou de bom tamanho pelo que as equipes demonstraram no jogo desta quarta-feira no estádio Orlando Scarpelli.

O Figueira foi bravo, aplicado e procurou a vitória, num jogo equilibrado em que as defesas levaram vantagem sobre os ataques.

A vitória não veio, mas o Furacão Alvinegro comprovou que é de fato outro time, sob o comando de Mário Sérgio. Um pouco mais de tranqüilidade na hora de trabalhar a jogada nas imediações da área adversária e no momento de concluir, poderiam ter trazido a vitória, mas o empate – da maneira como o time se comportou – eleva o astral e encaminha boas perspectivas para os próximos jogos.

O Palmeiras deu o tom da partida logo no começo. Com menos de um minuto, Asprilla arrancou do campo de defesa, escapou de um rapa violento de um atacante do Palmeiras, mas não escapou da trombada do meio-campista. Falta. O artifício foi usado o jogo todo para parar o contra-ataque alvinegro. Depois, mais para o final do jogo, foi o árbitro que se encarregou de parar os contragolpes do Figueira.

Gaciba pára o Figueira

Depois do jogo, Vanderlei Luxemburgo praticou o seu habitual chororô contra a arbitragem de Leonardo Gaciba. Usou os supostamente frios números para justificar o argumento de que o árbitro teve dois pesos e duas medidas. Segundo Luxa, o Figueirense cometeu 39 faltas e só levou dois amarelos, enquanto o Palmeiras cometeu apenas 21 faltas e levou cinco amarelos. Questionou ainda o fato de um árbitro gaúcho ser escalado para jogos do seu time, já que o Grêmio é rival direto na briga pelo título.

Pois Gaciba é sim gaúcho, mas pelo jeito é colorado. Não expulsou Kleber, depois deste dar uma cotovelada violenta em Asprilla, que ficou zonzo por uns bons cinco minutos. Não expulsou Léo Lima, que entrou para rachar Alex Bruno. O fato de não ter pegado como queria não pode justificar o leve amarelo que Lima levou.

Para fechar, o árbitro gaúcho simplesmente não deixou o Figueirense jogar depois dos 30 minutos do segundo tempo. Toda dividida, toda roubada de bola do Figueira na defesa, Gaciba marcava falta. No final do jogo, o Furacão Alvinegro não passou do meio-campo porque o juiz não deixou.

Luxemburgo ainda reclamou do fato de Alex Bruno não ter sido expulso apesar de ter cometido nove faltas durante a partida. Ora, Alex levou amarelo numa falta que não cometeu. E em vários lances, no agarra-agarra constante que é jogar contra o atacante Kleber, Gaciba poderia marcar falta de qualquer um dos dois. Optou, quase sempre, por assinalar infração de Alex.

PM vai dar tratamento diferenciado?

A torcida porcina se anuncia em grande número no estádio Orlando Scarpelli nesta quarta-feira. A pergunta é: a Polícia Militar vai dar outra vez tratamento diferenciado aos visitantes? Vai deixar rolar a farra dos sinalizadores, dos rojões, do papel higiênico e da invasão de campo ou vai fazer seu serviço e não permitir que os torcedores esverdeados façam o que os alvinegros também não podem fazer?

Mário Sérgio repete time do 2º tempo contra o Vasco

Em sua segunda passagem pelo Figueirense, Mário Sérgio deixa o segredo de lado. Para o jogo desta quarta-feira contra o Palmeiras, outra vez o técnico confirmou o time com antecedência.

Na prática, Mário Sérgio repete a formação do segundo tempo contra o Vasco, quando a equipe liquidou o jogo em menos de 15 minutos ao fazer três gols e chegar aos 4 a 0. Gomes entra na vaga ocupada por Leandro Carvalho na fase final daquela partida, enquanto Marquinho é deslocado do meio-campo para a ala esquerda, no lugar de Alex Cazumba.

É claro que o jogo é outro, o adversário é muito mais qualificado, está em ótima fase e a partida é no Scarpelli, mas no segundo tempo contra o Vasco essa formação funcionou muito bem. Sufocou o time carioca em seu campo, fez três gols, criou outras três grandes chances com Tadeu, Marquinho e Cleiton Xavier e se não tivesse tirado o pé do acelerador poderia ter feito mais dois ou três gols.

Apesar da fama de professor Pardal que lhe acompanha, dessa vez Mário Sérgio não inventa. Há a preocupação da torcida com o rendimento de Marquinho na ala esquerda, posição em que não foi bem no início do ano. Só que Mário Sérgio, que já havia dado ampla liberdade para Cazumba no jogo contra o Cruzeiro, anunciou que quer que Marquinho jogue como André Santos fazia sob seu comando no ano passado. Ou seja, vai ter liberdade para girar pelo campo todo. Isso, é claro, exige um bem preparado esquema de cobertura, mas pode liberar o jogador para render mais na criação e conclusão de jogadas ofensivas.

Por outro lado, o time não irá jogar com quatro zagueiros (Perone, Alex, Asprilla e Gomes), pois Gomes também joga como volante. Assim, ele vai compor o meio-campo ao lado de Magal e Cleiton Xavier, liberando mais estes dois e ficando mais preso à marcação. Aliás, entre ele e Leandro Carvalho, a escolha deste blog também recai sobre Gomes.

Nas contas deste escriba, estavam computados um pontinho contra o Vasco e mais um contra o Palmeiras. O empate no jogo desta quarta-feira não é mau negócio se na seqüência vier uma vitória contra o Ipatinga, também no Scarpelli. Nove pontos nesses três jogos seriam o céu. O Furacão Alvinegro chegaria a 38 pontos e ficaria bem mais longe da ameaça de rebaixamento e bem mais próximo da Sul-Americana. Mas para isso terá que ralar muito no jogo desta quarta-feira, com casa cheia e apoio total da massa alvinegra.

Jogo para encher o Scarpelli

Este blog gostaria de propor um acordo com Vanderlei Luxemburgo. Em 2003, ele veio ao estádio Orlando Scarpelli, perdeu e foi campeão brasileiro com o Cruzeiro. Em 2004, Luxa veio ao Scarpelli com o Santos, perdeu e foi campeão brasileiro. Nada como manter a escrita: perder nesta quarta-feira para o Furacão Alvinegro e na seqüência botar mais um título nacional do currículo.

Deixando a brincadeira de lado, é jogo para casa cheia. A torcida que deu magníficas demonstrações de amor ao clube enchendo o Scarpelli nos jogos contra o Grêmio e o Flamengo, sem que a campanha naquele momento desse muitas esperanças de bons resultados, tem agora ainda mais motivo para lotar a casa alvinegra.

O adversário é difícil, mas está na hora do Figueira honrar a escrita de infernizar a vida dos grandes. O Furacão Alvinegro ainda não cometeu um daqueles seus grandes crimes neste campeonato. Pois é esta a hora. Casa cheia para tirar definitivamente a nhaca do corpo e celebrar uma grande vitória.

Luxemburgo no Scarpelli

O retrospecto de Vanderlei Luxemburgo no Scarpelli em campeonato brasileiro é tenebroso. Que continue assim.

Confira:

18/09/2002 – Figueirense 3 x 1 Cruzeiro

05/07/2003 – Figueirense 1 x 0 Cruzeiro

28/04/2004 – Figueirense 2×1 Santos

12/07/2006 – Figueirense 2×1 Santos

21/10/2007 – Figueirense 1×0 Santos

Apetite renovado

A principal virtude do Figueira na vitória contra o Vasco foi ter a organização tática, o propósito e o desejo de vencer o jogo.

É claro que o Vasco é um time limitado, pressionado e que para este jogo foi muito mal armado por Renato Gaúcho. Só que dessa vez, o Figueirense soube se aproveitar disso tudo para vencer o jogo e aí o mérito deve ser dado a Mário Sérgio.

Fazia tempo que isso não acontecia. Para ficar em exemplos recentes, o Figueirense enfrentou Goiás e Sport fora de casa e perdeu inapelavelmente. E nenhum destes adversários mostrou, naquelas partidas, futebol tão superior para justificar vitórias tão folgadas.

Foi o Figueirense que se apresentou de tal forma desorganizado taticamente, desmotivado e apático que propiciou àqueles adversários deitarem e rolarem sem fazer muita força.

Contra o Vasco isso não aconteceu. Mário Sérgio preparou o time para suportar a pressão inicial, para se defender bem desde o campo de ataque, mas também para botar a bola no chão e explorar os amplos espaços oferecidos pelo time da Colina.

O time esteve atento e bem organizado. Só relaxou, o que não deveria ter acontecido, depois de fazer o quarto gol e liquidar a partida.

O grande Tainha questionou o fato do time tomar dois gols de cabeça se a presença de Bruno Peroni servia justamente para evitar isso. Nesse caso, temos que recorrer ao velho filósofo do futebol Junior Baiano, que dizia: “eu não posso marcar oito adversários”.

É muito comum a torcida culpar a zaga quando um time sofre muitos gols, ainda mais de cabeça. Só que são apenas dois, ou no caso do Figueira, três zagueiros. Para a marcação nas bolas paradas funcionar todo mundo precisa pegar o seu. A zaga, sozinha, não dá conta do serviço.

Peroni, que se atrapalhou em algumas saídas de bola, esteve bem na marcação. Estava encarregado de marcar Alan Kardec e, tirando o começo de jogo em que o Vasco armou um abafa contra o Figueira, cumpriu à risca a determinação.

A marcação de Leandro Amaral nos lances de bola parada cabia a Diogo e no lance do primeiro gol, o jogador alvinegro cochilou, deixando o atacante vascaíno subir livre.

No segundo gol, a bisonha “assistência” de Tadeu matou a defesa inteira. O time estava bem posicionado na cobrança do escanteio e se Tadeu rebate a bola normalmente, o lance não daria em nada.

Contra o Palmeiras é óbvio que o buraco é mais em cima. O Porco é um time muito melhor que o Vasco. Só que agora, finalmente, o Figueira tem um jeito de time. Com superação e aplicação, pode aprontar uma boa para o líder do campeonato.

Pra sair dessa maré

Uma vitória magnífica e incontestável para fazer o Figueira sair definitivamente da maré ruim em que se encontrava. Esse foi o significado dos 4 a 2 sobre o Vasco em São Januário neste sábado. Um resultado indiscutível e fundamental para fazer o Furacão Alvinegro ficar mais distante do risco de rebaixamento. Depois de um início com muita pressão do Vasco, o Figueira botou a cabeça no lugar, assentou a marcação e equilibrou o jogo. Este blog questionou a escalação de Mário Sérgio (clique aqui), mas tem que dar o braço a torcer. O esquema funcionou à perfeição. O Figueirense soube se defender e não jogou no contra-ataque, já que não dispunha de atacantes de velocidade. Optou por pressionar a saída de bola do Vasco, de um lado, e por botar a bola no chão e evoluir para o campo de ataque com mais cadência e menos rapidez, de outro. Até por isso, o índice de acerto de passes subiu e o time conseguiu controlar mais o jogo, principalmente após abrir o placar, num belo gol de Marquinho, depois justamente de uma jogada bem tramada e do belo passe de Diogo. No início do segundo tempo, quando se imaginava que o Vasco armaria outra blitz como no começo do jogo para tentar virar o placar, foi a vez de o Furacão Alvinegro massacrar o time de São Januário. Com um gol de Asprilla a um minuto e meio e mais dois antes dos 15 minutos da segunda etapa o Figueira liquidou a peleja. Depois o time desacelerou e para não perder o costume tomou dois gols bobos. Mas dessa vez reencontrou a vitória, abriu vantagem para o resto da turma e elevou o astral para o jogo contra o Palmeiras.