Figueira continua vivo

Em mais um jogo para testar o sistema cardiovascular de seu torcedor, o Figueira alcançou seu principal objetivo: chegar vivo na última rodada do campeonato. É, o Furacão Alvinegro se recusa a morrer. Para fazê-lo cair vão ter que matá-lo bem matado.

Cada um pode botar os dois últimos resultados na conta de quem quiser. Do sobrenatural, do divino, da tradição, da camisa. Porque, durante as duas, o Figueira esteve bem próximo do precipício um bocado de vezes.

Se o jogo contra o Náutico foi aquela epopéia que todos viram, o primeiro tempo contra o Botafogo foi algo assustador. O time simplesmente não jogou e deixou o time carioca jogar como bem queria. Cada jogador do Figueira parecia ter entrado em campo com uma corrente de duas toneladas amarradas em cada perna. Quando tinha a bola, rifava ou errava o passe. Quando não tinha, não achava a marcação. O Furacão Alvinegro merecia ser goleado no primeiro tempo. Não foi porque, por um lado, os atacantes do Botafogo têm uma pontaria medonha e, por outro, porque Wilson é um Goleiraço. Sim, com G maiúsculo.

Mas o Figueira não foi goleado e Pintado pôde consertar as coisas no vestiário. Os jogadores encontraram a chave do cadeado e se livraram das correntes. Além disso, a entrada de Jairo deu outra vida ao meio-campo. Marquinho e Cleiton tiveram com quem jogar. O time passou a marcar melhor e a conseguir concatenar as jogadas no campo de ataque. E aí teve outra qualidade que o Botafogo não mostrou: foi fatal nas finalizações.

Fez o primeiro, fez o segundo, deu a tradicional bobeira que permitiu ao Botafogo diminuir a diferença, fez o terceiro e poderia ter feito o quarto numa jogada magnífica de Marquinho.

Agora é lotar o Scarpelli no próximo domingo. O Figueira não depende só de si, mas time e torcida têm que fazer a sua parte. É vencer e ver o que acontece. Para quem era dado como morto antes do jogo contra o Náutico, a situação já melhorou bastante.

É hoje o dia

Contra o Botafogo, neste domingo, no Engenhão, o Figueira joga mais uma cartada decisiva em sua luta para permanecer vivo no campeonato brasileiro da série A.

O Furacão Alvinegro esteve ameaçado pelo rebaixamento outras vezes, já se salvou perto do fim, mas a situação agora é diferente.

Nas outras ocasiões, notadamente em 2002 e 2005, o time começou muito mal o campeonato, mas se recuperou na parte final da competição. Desta vez, mesmo sem brilho e com vários resultados muito ruins, o time terminou o primeiro turno em 11º lugar. Foi justamente na etapa final do campeonato que começou a descer a ladeira.

Felizmente o time estancou a queda com a vitória contra o Náutico. Mas essa foi só a primeira parte da tarefa. Para seguir vivendo, o Figueira precisa de mais uma vitória neste domingo. Precisa vencer o Botafogo no Rio de Janeiro, como fez em outras ocasiões, para ganhar fôlego para decidir tudo na última rodada.

Contra o Náutico, Pintado teve apenas dois dias para trabalhar e conseguiu injetar ânimo suficiente na equipe para fazê-la lutar pela vitória até o último minuto. Depois daquele triunfo épico, o técnico teve mais nove dias para trabalhar. Que o time mostre evolução e mantenha a chama acesa. Aquele espírito da partida passada que vai ser decisivo rumo à oitava participação consecutiva na primeira divisão do campeonato brasileiro.

Ioiô

O Criciúma, o time-gangorra, obtém o sexto rebaixamento em sua história. É especialista no assunto. Que seja o único catarinense rebaixado em competições nacionais em 2008.

Empenho e organização

Em entrevista ao Diário Catarinense (clique aqui), o técnico Pintado destaca a mudança no astral do grupo de jogadores depois da vitória sobre o Náutico. “O que a gente conseguiu, e isso para mim tem um valor muito especial, foi fazer estes atletas terem o brilho nos olhos outra vez, saberem que era possível vencer”, comenta o treinador.

Pintado elogia o desempenho ofensivo do time, ressalta que o time precisa de vitórias e por isso vai correr riscos, mas que não pode se desorganizar e cometer tantos erros defensivos.

A avaliação é correta. Contra o Náutico, o time fez quatro gols e o grande ponto foi positivo que a bola parada voltou a funcionar. Três gols nasceram de cruzamentos para área em escanteios e faltas, ajudados, claro, pelo também deficiente sistema defensivo do adversário. Mas, dessa vez, o Figueirense soube aproveitar os erros alheios, o que não vinha ocorrendo em outras partidas.

Contra o Botafogo, o que se espera ver é o mesmo empenho e dedicação do jogo contra o Náutico, mas com um time mais organizado, consciente e com maior controle emocional. Pintado sinaliza com a manutenção da maior parte da equipe que jogou contra o Náutico, mas sinaliza com algumas mudanças. O técnico, no entanto, só divulgará a escalação um pouco antes do início da partida.

Rodrigo Fabri fora

Muito torcedor comemora a punição de dois jogos a Rodrigo Fabri pela expulsão no jogo contra o Náutico. É certo que o meia foi mais uma aposta que não deu certo, mas considerei a pena excessiva. Também é difícil entender os critérios do STJD. No mesmo dia, o tribunal absolveu o zagueiro André Luís, do Botafogo, com extensa folha corrida.

No caso de Fabri foi uma falta mais forte, para matar o contra-ataque adversário e, depois do lance, o árbitro titubeou, botou a mão no bolso para dar o amarelo, mudou de idéia e puxou o vermelho. Nem isso serviu para absolver Fabri.

Também não entendo muito bem porque toda expulsão tem que ser julgada pelo STJD. Fabri ainda foi expulso direto, mas há casos em que o jogador toma o primeiro amarelo, depois o segundo, o que sinaliza que foram faltas sem tanta violência, e mesmo assim vai a julgamento. Creio que o tribunal deveria se restringir a agressões, verbais ou físicas, e a situações que fogem da rotina do futebol. Só isso serviria para aliviar um bocado a pauta do STJD.

Apoio às vítimas da chuva

Muito legal o trabalho que o Figueira vem realizando na arrecadação e entrega de doações às vítimas da tragédia que se abateu sobre Santa Catarina. Na quinta-feira, o clube, através do Instituto Figueirense de Assistência Social (Ifas), enviou um caminhão com 3 mil litros de água, oito toneladas de alimentos e 8 mil fraldas descartáveis. Na sexta, mais 5 mil litros de água, 35 colchões, 500 camisetas, além de doações de torcedores. 
 

Sempre varzeano

O time sobe para a série A, mas o espírito continua varzeano. Para o jogo contra o São Caetano, a Federação Catarinense de Futebol vai dar o troféu João Nilson Zunino se o Avaí ganhar o jogo.

Isso lembra aqueles festivais de futebol de antigamente na várzea, com uma batelada de jogo um atrás do outro e que o vencedor de cada partida levava uma taça.

A diferença é que na várzea, quem ganhava, levava. Na Ressacada amanhã a taça só vale para o Avaí. Se o São Caetano meter uma piaba no time azulejento sai de mãos abanando.

Malas voadoras

Virou tema de debate. Tem mala voando para todo lado. Interessante é que comentam muito as supostas malas que os times que brigam contra o rebaixamento estariam despachando, mas pouco se falou do empenho e da dedicação que o Vitória mostrou ao derrotar o Grêmio, um resultado que jogou o título do campeonato no colo do São Paulo.

Outra história que surgiu é que o Vasco ofereceu R$ 40 mil para o Botafogo derrotar o Figueira. A quantia não parece grande coisa diante das cifras que o futebol movimenta atualmente. Além disso, os problemas que o Furacão Alvinegro enfrenta no campeonato se devem mais às próprias limitações e defeitos do que aos adversários.

Claro que estes três adversários finais do Figueira – Náutico, Botafogo e Inter – permitem sonhar com vitórias. Se fossem outros, mais qualificados e, principalmente no caso do Inter, com ambições maiores no campeonato, a situação ficaria bem mais complicada.

Mas estes dois que faltam, assim como foi contra o Náutico, tornam as vitórias mais possíveis. O time, no entanto, tem que mostrar, além da garra e da entrega do jogo passado, mais organização tática e menos erros no posicionamento defensivo.

O adversário da vez é o Botafogo e é nele que o Figueira precisa se concentrar. O time carioca tem a volta de alguns jogadores importantes, mas pode ter o desfalque de outros. Independente da postura botafoguense, cabe ao Furacão Alvinegro impor o ritmo do jogo e buscar a vitória que lhe permitirá continuar vivo no campeonato.

O pênalti que não foi

No post Comoção Nacional comentei que não era má vontade minha, mas não tinha conseguido enxergar o pênalti tão reclamado em Diego Tardelli, na partida Cruzeiro e Flamengo no domingo passado.

Nesta quinta-feira, a ESPN Brasil resgatou a imagem – não sei porque demorou tanto – por trás do gol que deixa claro que o zagueiro Léo Fortunato não toca em Tardelli. Clique 
aqui e tire suas conclusões.

Procurado pelo comentarista Mauro César Pereira, da própria ESPN do B, Kleber Leite, dirigente do Flamengo, se recusou a falar. Simon, aquele que sabe a quem deve agradar, erra muito, mas nesse caso está coberto de razão.