A diretoria do Figueira tem duas medidas fundamentais a tomar para a seqüência do campeonato brasileiro. Uma depois da outra. A primeira é disponibilizar quantos ônibus forem necessários para levar torcedores para o jogo contra o Botafogo no Engenhão.
A segunda depende do resultado desta partida, mas a negociação já pode ser aberta com o Internacional. Trata-se de garantir a presença de Cleiton Xavier contra o Colorado gaúcho. Ele pode estar acertado com o Palmeiras, pode não estar jogando tudo que pode, mas continua sendo decisivo para o bom desempenho da equipe.
Monthly Archives: November 2008
Vem coisa boa por aí?
Nos últimos tempos, sempre que o Náutico cruza com o Figueira vem coisa boa na seqüência.
Em 2001, foi o mata-mata que antecedeu o quadrangular final da série B. Depois de perder o primeiro jogo em Recife por 2 a 1, o Figueira entrou em campo precisando da vitória em uma sexta-feira chuvosa. Estádio cheio, torcida dando um show, o time sofreu mas venceu por 2 a 1 e dali partiu para garantir o acesso à série A.
Em 2007, os dois times se enfrentaram nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Nos Aflitos, o Figueira foi buscar o empate depois de sair perdendo por 2 a 0. No Scarpelli, o time fez 1 a 0 no começo do jogo e depois sofreu muito para manter o resultado. Depois da classificação, o time rumou para a final da Copa do Brasil.
Agora, os dois se cruzaram em outro momento decisivo. De novo, com chuva. De novo, um jogo dramático, épico, sofrido. Nova vitória alvinegra. Que mais coisa boa venha depois.
10 anos em 90 minutos
Contra o Náutico, nesta quinta-feira, o Figueira joga o que construiu nos últimos 10 anos em 90 minutos. A derrota significa o rebaixamento, a vitória a continuidade da luta pela permanência na primeira divisão.
Desde 1999, o Figueira vive seu período mais vitorioso. Sempre em ritmo ascendente, o clube ampliou seu patrimônio, investiu nas categorias de base, ganhou seis títulos estaduais, chegou e permaneceu na série A por sete anos, disputou uma final da Copa do Brasil, obteve grandes conquistas e grandes vitórias.
Durante esse período teve que superar percalços e obstáculos. Não viveu um permanente mar de rosas. O ritmo, no entanto, foi, como já dissemos, sempre ascendente. É certo, porém, que o clube poderá viver, caso seja rebaixado, o mais duro teste para o modelo de administração iniciado em 1999.
Cair para segundona significa prejuízo moral, técnico e financeiro. Significa ter que reformular o trabalho e enfrentar dificuldades que não estão postas quando se disputa a série A.
Assim, o jogo contra o Náutico adquire todos estes contornos dramáticos. O rebaixamento não é o fim de tudo, o fim do mundo, mas é um grande baque e crava uma grande interrogação sobre o futuro do Furacão Alvinegro.
É nessa hora que o time mais precisa de seu torcedor. Pode não ser justo, afinal quem é sócio, vai a todos os jogos e dá seu apoio permanente e incondicional ao clube, não merece viver uma situação dessas, mas é o futebol. Um vence, quatro caem. Quem ama o Figueira tem o compromisso e a obrigação de ir ao Scarpelli nesta noite e fazer sua parte rumo à vitória. A gente se encontra lá.
Vencer, vencer, vencer
O time mais testado durante o primeiro dia de treinamentos comandado por Pintado não agrada muito (Wilson; Bruno Perone, Alex e Gomes; Anderson Luís, Diogo, Marquinho, Cleiton Xavier e William Matheus; Tadeu e Rafael Coelho), mas o discurso do técnico nas entrevistas agradou.
Evitar o rebaixamento é difícil, mas é possível; o time tem condições de sair dessa; vencer o Náutico também é difícil, mas não é um bicho de sete cabeças; o jogo é casa, o melhor lugar para resolver os problemas. Esse é um resumo do que Pintado falou durante esta terça.
O principal é que o foco total tem que ser para o jogo contra o Náutico. Sem uma vitória nesta partida, tudo vai por água abaixo. Depois de vencer na quinta, se pensa no Botafogo, o adversário seguinte.
Muita pressão sobre os jogadores? Sim, mas é inevitável. A situação é crítica e os jogadores precisam dar uma resposta em campo. Vão precisar de todo o apoio das arquibancadas, mas cabe a eles serem os atores principais dessa virada.
Vencer, vencer, vencer diz o hino do Figueira. É com esse espírito que todos que forem ao Scarpelli devem estar imbuídos. Da diretoria ao técnico, do goleiro ao ponta-esquerda, da turma dos camarotes ao torcedor do alambrado.
Vencer para continuar vivo. Vencer para adiar a queda. Vencer para seguir lutando.
Vencer, vencer, vencer.
O espírito para quinta-feira
Tomo a liberdade de reproduzir o comentário que o torcedor Edinho Felício escreveu no post Pintado é o cara? Acredito que ele retrata bem o espírito que o Figueira precisa para vencer o Náutico na quinta-feira:
Estarei no Scarpelli nesta quinta-feira às 20h30, juntamente com meu pai e meu irmão, e todo alvinegro que se preza deveria fazer o mesmo.
Enfrentaremos 200 km na ida e na volta. Alguns amigos me questionam:”o Figueira já está rebaixado, o que tu vai fazer lá?” Pra todos eu respondo: “Paixão não se explica, estou junto do meu Figueira nas horas boas e nas horas ruins e não é agora, na hora que ele mais precisa da minha torcida que eu vou lhe virar as costas”. Já tive muitas alegrias e também decepções com o futebol, mas isso é o futebol, alegria e tristeza, paixão e amor, fidelidade incondicional ao meu manto, isso é o Figueirense Futebol Clube.
Não vamos fazer igual a certos torcedores que só agora que o time está passando por uma boa fase começaram a aparecer, antes nem falavam de futebol e agora estão querendo nos zoar.
Figueira eu te amo!
Pintado é o cara?
Não há nada no currículo de Pintado, novo técnico do Figueira, que o credencie nem a operar o milagre de evitar o rebaixamento, nem para ser um dos principais responsáveis pela reformulação de elenco que o clube precisa fazer para 2009.
O pior é que ele só conquistará a confiança da torcida se conseguir operar o milagre da salvação. Logicamente, não é justo medir a capacidade de um técnico por três jogos que, na prática, se resumem a um. Se não ganhar a primeira partida no comando do Figueira, contra o Náutico na quinta-feira, o rebaixamento estará assegurado. E para vencer, Pintado terá dois dias de trabalho.
É uma situação altamente paradoxal. Mesmo que opere o milagre e o Figueira se mantenha na primeira divisão, isso não credencia Pintado a ser o comandante para 2009. Porque o trabalho que precisa ser feito agora é muito diferente da empreitada para a temporada seguinte.
O momento exige muito mais um trabalho de motivação e conversa – o “vamo lá, porra” que já comentamos neste blog – do que outra coisa. Já o planejamento para a temporada 2009 tem que ser centrado em conhecimento de mercado, capacidade de formar um elenco equilibrado, de definir uma proposta de jogo, de transmitir aos jogadores essa proposta e treiná-los para executá-la.
Como torcedor quero que tudo dê certo, que Pintado evite o rebaixamento e que faça um grande trabalho em 2009. No momento não consigo acreditar que nenhuma das duas hipóteses seja possível. Como torcedor, no entanto, estarei no Scarpelli na quinta-feira, dando meu apoio. É o que precisa ser feito por enquanto.
Pode ser tarde demais
A derrota contra o São Paulo era esperada. Como previsto, o Figueira precisa vencer as três partidas que faltam para terminar o campeonato. Mesmo assim, pode não ser suficiente para escapar do rebaixamento, já que dos times da ponta de baixo da tabela, Santos, Fluminense, Náutico e Atlético Paranaense venceram.
Antes do jogo contra o Grêmio, levantei a possibilidade aqui no blog de trocar de técnico para tentar dar um último gás para reagir no campeonato. Repeti o questionamento depois da derrota para o Atlético-PR. Agora, depois de perder para o São Paulo, a diretoria anuncia a saída de Mário Sérgio. Pode ser tarde demais.
É desespero, mas antes tarde do que depois das chances não existirem mais. Nessa hora, é melhor não errar por omissão. A situação é crítica, as chances são pequenas, mas ainda existem. Então não é hora de desistir.
Não sei se vão arrumar um interino para tapar buraco, se vão contratar alguém já com vistas ao ano que vem, independente do desfecho do campeonato, ou se vão arrumar alguém bom de conversa para tentar juntar os pedaços do elenco e na motivação fazer o time reagir.
Certo é que se o rebaixamento for confirmado, não se pode reclamar da sorte. Se em anos anteriores, a diretoria do Figueirense conseguia fazer as correções de rumo necessárias para manter o navio na rota certa, esse ano, cada emenda saiu pior que o soneto.
Que a troca de técnico, esse último e desesperado tiro, dê certo. O Figueirense tem que fazer sua parte no que resta do campeonato. Ao menos para se despedir em grande estilo.
Comentários ligeiros
- Havíamos comentado que a estratégia para cometer um crime no Morumbi dependia fundamentalmente da capacidade de não sofrer gols. Isso durou menos de nove minutos, quando Borges se antecipou à Asprilla e abriu o placar. Depois foi a vez de Gomes não alcançar a bola cruzada e deixar Borges livre para fazer o segundo.
- Curiosa e estranhamente, o São Paulo parecia nervoso, louco para se complicar no jogo. A zaga com Rodrigo, Anderson e Miranda (que está numa fase horrorosa) trombava entre si, se atrapalhava e fazia bobagem nas raras vezes que o Figueira conseguia concatenar uma jogada. Pode ser relaxamento por considerar o jogo resolvido? Até pode, mas o São Paulo, principalmente treinado por Muricy, não costuma dar sopa para o azar e neste domingo, deu. Se tivesse pela frente um time um pouco mais qualificado e com os nervosos mais assentados, teria se complicado no campeonato.
- Mário Sérgio de novo inovou. No jogo contra o Atlético-PR, em casa, contra um adversário direto na briga contra o rebaixamento, escalou o banco com somente um atacante. Para enfrentar o São Paulo, no Morumbi, empilhou quatro jogadores de frente entre os reservas. E ninguém para o meio-campo. Qual foi o critério, não se sabe.
- Infeliz foi também a saída de Roger. Não sei se sentiu o ritmo da partida, mas mesmo sem jogar há muito tempo, mostrou mais qualidade técnica que os outros. Ele, por exemplo, fez o lançamento para Rafael Coelho no lance do gol do Figueira. Veja bem, um lançamento, não um chutão desesperado para frente. Mário Sérgio preferiu insistir com o Diogo, entrando com Anderson Luís na ala direita. Diogo vive uma fase muito ruim.
- Rafael Lima foi o melhor da defesa. Gomes errou. Asprilla errou. Rafael não cometeu erros e tentou botar a bola no chão quando possível. Já Lima, no ataque, só serviu para mostrar que Tadeu é mais útil que ele.
- O jogo estava 2 a 1 e Mário Sérgio resolve apelar outra vez para os três atacantes. Decide trocar William Matheus por Bruno Santos. No momento que Bruno entra em campo, ninguém vai para a posição de Matheus. Joilson encontrar uma avenida à sua frente e faz o cruzamento para Hugo fazer o terceiro e liquidar o jogo.
- Carlos Eugênio Simon conduziu o jogo com tranqüilidade e cuidado. Cuidado para não amarelar o time do São Paulo, que tinha seis jogadores pendurados. Hugo deu uma entrada criminosa em Rafael Coelho e nem falta Simon marcou. Rodrigo deu uma entrada assassina em Asprilla e só foi advertido com o amarelo. Efeito da pressão exercida pelo Tricolor do Morumbi antes do jogo ou só a experiência de quem sabe muito bem a quem agradar?
A volta dos mortos vivos
O que tem de zumbi avaiano saindo das catacumbas para aporrinhar é uma grandeza. Sabe aquele cara que nunca discutiu futebol contigo? Que você nem imaginava que torcesse por algum time, quanto mais o Avaí? Pois agora, estão todos zanzando por aí, achando-se no direito de tirar uma casquinha. Até nos comentários deste blog começaram a botar as asinhas de fora.
A venda de camisas do Avaí não deve passar do milhar por ano. Aparece gente com camisa de 10 anos atrás, sete anos atrás, cinco anos atrás. Todas novinhas, porque pelo jeito, avaiano compra uma camisa por década e a guarda no fundo do armário, esperando aqueles 15 minutos de alegria que eles têm a cada 10 anos para abandonar as profundezas e vir à luz do sol.
E, claro, reaparecem depois de muito tempo nos subterrâneos, com a velha empáfia de quem se considera paladino da moral e dos bons costumes. Ganharam título por W.O., tentaram tirar a vaga do Figueira no Brasileiro de 1973 no canetaço, ganharam dois estádios de presente do poder público e agora querem mais uns milhões a fundo perdido para reformar a Ressacada, mas são umas vestais. A reserva moral do futebol brasileiro. Só quem não conhece, compra.
Ainda mais complicado
As vitórias de Fluminense e Náutico, principalmente a do último, neste sábado, complicaram ainda mais a situação do Figueira. Em caso de derrota para o São Paulo neste domingo e triunfo do Atlético-PR sobre o Vitória, o Furacão Alvinegro ficará a cinco pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento (Náutico, Flu e Santos, que também joga neste domingo).
É muito difícil acreditar que o Figueira consiga trazer um bom resultado de São Paulo – e a essa altura, só a vitória é bom resultado. A equipe vai ter que trabalhar muito para evitar que o time paulista abra o placar. Além de suas deficiências técnicas, o Furacão Alvinegro já mostrou que lhe falta forças para reverter placares desfavoráveis.
Assim, vai ter que ser um jogo de muita aplicação tática, muita força, empenho e dedicação. O São Paulo não é um time criativo. Tem jogadores de boa técnica e usa muito bem a bola parada, mas sofre contra uma defesa bem postada. O Figueira ainda tem que ter condições de levar perigo à meta tricolor e aproveitar as chances que criar.
É uma tarefa hercúlea para o atual momento do Figueira, mas ninguém perde de véspera. Uma hora teremos que ganhar do São Paulo no Morumbi. E não existiria momento mais perfeito que esse para cometer tal crime.