Em primeiro lugar, para ficar bem claro e evitar mal entendido, é preciso afirmar que o Figueira está enfrentando um momento difícil por sua própria responsabilidade, fruto dos erros que cometeu durante a temporada. É preciso ser igualmente justo e reconhecer que o Avaí vive um bom momento por seus próprios méritos.
Isso posto, também é verdade que a junção destes dois momentos tem servido para o Figueira ser espezinhado, provocado, avacalhado, atacado e vilipendiado como há muito não se via. Há muita gente, pelos mais variados motivos, que quer ver o Figueira de joelhos.
É uma mistura de recalque, ódio, inveja e oportunismo que de tanto tempo armazenada agora vaza com violência. E aí o tiroteio é incessante.
A situação piorou a partir do momento em que o Avaí ficou muito próximo de garantir o acesso, na terça-feira passada. O dia era todo, justificadamente, avaiano. Só o time da Sul da Ilha jogava, a mobilização era grande (óbvio, não há torcida mais arroz de festa que a avaiana) e os meios de comunicação poderiam dedicar horas e horas de sua programação ao jogo. Tudo muito correto. Nenhum retoque a fazer.
O problema é que antes, durante e depois da festa que era só deles, a quantidade de cutucadas e provocações dirigidas ao Figueirense e a sua torcida ultrapassou qualquer limite do razoável. E não falo da torcida avaiana, não. Essa depois de uma década comendo poeira e sendo humilhada tem mais é que comemorar e tirar o atraso.
Lamentável é o comportamento de parte da mídia de Florianópolis. Já pela manhã, pelos microfones da CBN Diário, o comentarista avaiano Miguel Livramento cuspia marimbondos falando até da final do campeonato catarinense de 1999! Como dizem os americanos, get over it, my friend!
Depois do jogo, foi a vez do presidente Zunino soltar o verbo reclamando do Fica! por não ter coragem de peitar os avaianos que berravam Fora!. Ah, e as intermináveis cutucadas: “a festa foi ordeira. A torcida avaiana é exemplar. Não invade campo”. Está certo. Não invade campo. Só apedreja e mata. Só joga bomba e aleija. Só incendeia cadeiras e derruba alambrado no campo do rival. Então, amigos, cabeça de vento tem em todo lugar, só que as invasões de campo da torcida do Figueira não feriram ninguém e o maior prejudicado foi o próprio clube. E registre-se com toda a justiça: a torcida do Furacão Alvinegro aprendeu a lição.
Em seguida veio o forrobodó da bandeira na entrada da ponte. Engraçado que quando a bandeira alvinegra foi içada ali, a chiadeira foi imensa. “Um desrespeito aos avaianos. A cidade é de todos, não é só do Figueira”. Um barulho ensurdecedor até tirarem a bandeira e nunca mais a erguerem de novo no local. Mas agora, como é o Avaí, tem que botar. Ué? E o desrespeito aos alvinegros? A cidade não era de todos e não só de uma parte? Não. Agora pode.
Mas o bombardeio não estava completo. A bola da vez é querer por querer que o Figueira, enquanto clube, parabenize oficialmente o Avaí pelo acesso. Só que o Figueirense não é serviço diplomático, governo, organismo internacional ou comitê de relações públicas. Parabeniza se e quando quiser. Não tem obrigação legal, moral ou política de fazer isso.
O Avaí teve a elegância de parabenizar o Figueira quando este subiu para a série A? Teve o desprendimento de saudar os seis títulos estaduais conquistados pelo Alvinegro em 10 anos? Fez um pronunciamento reconhecendo o feito do rival quando este se tornou o mais vezes campeão de Santa Catarina? Felicitou o adversário quando este se tornou o maior vencedor de clássicos? Congratulou o Furacão por se classificar duas vezes para a Copa Sul-Americana? Mandou um telegrama quando o Figueirense chegou em 7º lugar na série A, melhor classificação de um time catarinense na história da competição? Emitiu nota de apoio quando seu rival representou Santa Catarina na final da Copa do Brasil? Publicou anúncio pago nos jornais quando o Figueira conquistou a Copa São Paulo de Juniores, feito nunca antes alcançado por um clube que não fosse do eixo mais poderoso do futebol brasileiro (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul)?
A resposta é não para todas as perguntas. Então vamos parar com a palhaçada. Comemorem o feito avaiano e deixem o Figueira em paz.
Mas só um aviso do velho filósofo: o que não nos mata, nos torna mais fortes. O Figueira já passou por situações muito piores. Um tiro só não vai derrubá-lo.
Monthly Archives: November 2008
Sem querer, querendo
O São Paulo vai trabalhando para condicionar a arbitragem para o jogo de domingo. Já mandou o recado que está de olho na atuação do gaúcho Carlos Eugênio Simon. Justamente por ser gaúcho como seu adversário mais direto na luta pelo título: o Grêmio.
Nas entrevistas aos meios de comunicação, os jogadores exaltam o profissionalismo de Simon e ressaltam que o fato de ser gaúcho não influenciará sua atuação. Sem querer, querendo, o São Paulo bota pressão e lança suspeita sobre a isenção do árbitro.
O Tricolor do Morumbi é mestre na arte de reclamar e pressionar os árbitros como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Outros times, quando reclamam, são tachados de chorões. O São Paulo não. É quase como se o time paulista fosse tão correto, tão ético, que suas reclamações fossem um libelo à justeza e à transparência do jogo.
Bem que Simon poderia fazer justiça de fato e devolver um dos dois pênaltis que foram “sonegados” do Figueira no jogo no Scarpelli. Naquela ocasião, ninguém no vestiário do São Paulo reclamou da arbitragem depois da partida.
É um progresso
Mário Sérgio, segundo o noticiário de rádio, mudou o ataque. Treinou nesta quinta-feira com Lima e Rafael Coelho. Tirar Tadeu é um progresso, já tirar Bruno Santos nem tanto, embora ele tenha feito uma partida muito ruim contra o Atlético-PR.
O certo é que o técnico precisa encontrar alternativas não só para suprir os desfalques, mas para dar mais qualidade à equipe e mais alento ao torcedor. Alento de que o time tem condições de se recuperar e garantir a permanência na série A. E para isso é preciso mudar.
Três vitórias
Nos comentários do post Pontos sonegados, o visitante assíduo JB Martins reproduz texto do blog Wagner Alvinegro (ô, Wagner tira aquele azul medonho do cabeçalho do blog…) intitulado Mas… ainda não caímos no qual o blogueiro enumera razões e projeções para explicar que é possível se manter na série A.
Isso me chamou a atenção para uma coisa. Na seqüência de jogos desde a partida contra o Vasco (última e única vitória de Mário Sérgio no comando do Figueira) não pegamos nenhum time de sangue doce no campeonato, fato que já ocorreu com nossos adversários diretos.
Claro que o Furacão Alvinegro está na situação atual porque cavou o buraco e se meteu dentro, por seus próprios erros e limitações, mas também é fato que a seqüência de jogos era para lá de complicada. Não houve respiro: Vasco, Palmeiras, Ipatinga, Santos, Fluminense, Grêmio e Atlético-PR. Times de oito ou oitenta, ou brigando para ganhar o campeonato ou para não cair.
Faltam quatro jogos. O próximo é contra o líder São Paulo, adversário complicadíssimo, e Náutico, outro que briga para não cair. A conta é que são necessárias três vitórias para escapar do rebaixamento. Uma derrota no Morumbi é o mais provável. O jogo contra o Náutico seria então de vida ou morte. Uma vitória deixaria o Figueira ainda respirando.
Depois, o Furacão Alvinegro teria finalmente duas partidas contra times que já não querem mais nada no campeonato. O Botafogo, não sobe nem desce, atormentado por problemas internos e salários atrasados, e o Inter, completamente concentrado na Copa Sul-Americana. Seriam mais duas vitórias bem possíveis e a garantia de permanência na série A em 2009.
Pode ser viagem, negação deste blogueiro? Pode. Mas se temos ainda no que nos agarrar para ter esperança na salvação, iremos nos agarrar. Pensar em série B, só quando for fato consumado.
Falta de coragem
Os avaianos, de fato, não conseguem se esquecer de nós. Além de secar, comprar PPV da série A e ir ao Scarpelli torcer para outros 19 times da primeira divisão, até na hora de festejar seus parcos e esparsos triunfos, eles gastam metade do tempo falando e pensando no Figueira.
O eterno presidente João Nilson Zunino, no auge da festa, concentrou todas as suas baterias contra a torcida alvinegra. Segundo ele, a torcida do Figueira foi deselegante e antiética ao usar faixas e cartazes com o “Fica, Zunino”.
Ora, além de ser uma justa homenagem ao excelente trabalho realizado por ele à frente do Avaí, era uma resposta bem humorada às faixas e à campanha “Fora, Zunino” organizada por torcedores avaianos (veja as fotos no blog dos Sofredores).
Seria mais corajoso e coerente, Zunino voltar suas reclamações para a torcida avaiana que pediu sua cabeça anos a fio. Mas como coragem e coerência são artigos em falta pelas bandas da Ressacada, o negócio é se queixar da torcida do Figueira.
Mais bizarro ainda foi ler o técnico Silas comparando Marquinhos, o Sujo, com Moisés, aquele da Bíblia, na missão de levar os eleitos à Terra Prometida. Ora, se Moisés fosse parar a cada quilômetro da travessia para pedir um agradinho de Deus contra as tentações do capeta, ou o trajeto demoraria o triplo do tempo ou Deus o fulminaria com um raio. Mas como diz o guru deles, Miguelinho, “o papel aceita tudo”.
Pontos sonegados
O Globo Esporte repetiu o levantamento feito por Mauro Betting e concluiu que o Figueira teve seis pontos subtraídos por erros de arbitragem, sonegados – termo usado pelo jornal O Estado de S. Paulo – como aqueles pênaltis contra o São Paulo na partida do primeiro turno.
Corrigindo a tabela sem os erros que prejudicaram o Furacão Alvinegro, o Figueirense estaria na 14ª posição, com 41 pontos, três a mais que o primeiro da zona de rebaixamento, a Portuguesa.
Faço aqui o mero registro. Desde que voltou à série A, o Figueira sabe que não pode contar com a isenção das arbitragens para fazer boas campanhas. Já foi prejudicado em outros anos e mesmo assim conseguiu, no mínimo, se manter na primeira divisão. Se algo pode ser feito, é cobrando da CBF uma melhor preparação da arbitragem, em que a politicagem e o favorecimento aos grandes não influam decisivamente na carreira dos apitadores.
Aqui ninguém é avaiano para ficar choramingando por conta de erros de arbitragem. Se o Figueira cair, é porque mereceu. Nada de ficar transferindo responsabilidade por seus próprios erros para engambelar a torcida.
Saudações aos avaianos
O blog Furacão Alvinegro parabeniza os avaianos pelo retorno à primeira divisão do campeonato brasileiro depois de 30 anos de ausência e sete anos depois do Figueira ter conseguido o mesmo feito.
A única previsão que é possível fazer neste momento é que o Avaí não repetirá sua última participação no campeonato nacional, ou seja, não chegará em 90º lugar.
Só termina quando acaba
O jogo estava terminando. Um amigo meu diz: Não dá mais. Vamos embora. Retruquei: só termina quando acaba. O Figueira precisava vencer. O árbitro Dalmo Bozzano olha o relógio – ele não dava acréscimo porque dizia que não recebia hora extra –, Zé Melo recebe a bola pela esquerda, cruza, Caçapava chuta mascado, a bola vai pererecando e entra no cantinho. Figueira 1 a 0 no Marcílio Dias. Figueira classificado. Delírio no Scarpelli.
Já contei essa história aqui e a relembro porque o momento é apropriado. Só termina quando acaba. A magnitude da empreitada atual é muito maior do que uma vitória simples contra o Marcílio, mas enquanto a matemática não jogar a última pá de cal, é preciso ter esperança, por menor que seja o fiapo dela.
Por isso me recuso, por enquanto, a fazer balanço do ano, especular perspectivas para 2009, cobrar mudanças de rumo, embora ande matutando bastante a respeito de tudo isso. A avaliação fica para depois de 7 de dezembro ou para quando o destino estiver matematicamente selado. Até lá, vamos continuar alimentando aquele fiapo de esperança.
Desfalques para domingo
Se o Figueira tivesse vencido o Atlético-PR, ter limpado os cartões durante a partida para ter todo mundo à disposição a partir do jogo contra o Náutico seria uma boa. O que viesse no jogo contra o São Paulo seria lucro e ter o time completo seria mais importante na seqüência.
Como não venceu o Atlético, precisa somar ponto contra o São Paulo, parada para lá de complicada. Cinco jogadores estão fora da partida. Alex Bruno e Alex Cazumba, pois o contrato de empréstimo com o time paulista não permite escalá-los, e Bruno Perone, Leandro Carvalho e Marquinho, suspensos pelo terceiro cartão amarelo.
Alex Bruno e Marquinho são os jogadores que efetivamente vão fazer falta. Cazumba pode ser uma ausência sentida não pelo que está jogando, mas porque será substituído provavelmente por William Matheus, um zagueiro como lateral.
Mário Sérgio poderia aproveitar a situação para rever seus conceitos e procurar alternativas no elenco. Não adianta só dizer que ele escala o que tem de melhor. O que ele pensa ter de melhor não está rendendo o suficiente. Tem jogador no elenco que sequer estreou no campeonato e outros foram postos completamente de lado.
O jogo contra o São Paulo pode, ao menos, servir para ver como alguns deles se comportam e ter mais opções para o que será, de fato, a última carroça: a partida contra o Náutico.
Então, Mário Sérgio, faça algo de diferente. A hora é essa.
Torcedores travestidos
Foram tantos anos vivendo à sombra do Figueira, se comportando como a torcida arco-íris, buscando alguma satisfação quando outros times conseguiam fazer o que seu não conseguia – derrotar o Furacão Alvinegro – que tem muito avaiano ainda de boca torta pelo hábito do cachimbo.
Digo isso porque vejo comentários em vários sites e blogs descendo a lenha na direção do Figueira que não parecem textos de alvinegros de fato. É coisa de gente que quer botar lenha na fogueira para ver o circo pegar fogo mais depressa. Se a torcida alvinegra entrar na pilha e demolir o Scarpelli a pontapés, melhor ainda.
Estão na deles. A internet é um instrumento magnífico, que permite uma interação inédita, mas também é o lugar perfeito para canalhas e covardes se esconderem no anonimato.
De qualquer forma, eles têm mais é que aproveitar. Se confirmarem sua história, o brilho será fugaz. É só lembrar: a última grande fase deles durou dois breves anos (1997 e 1998). Depois disso, passaram 10 anos apanhando de relho.