Cada vez mais difícil

Ao perder para o Atlético Paranaense no sábado, o Figueira complicou-se ainda mais no campeonato. Faltam quatro rodadas e, teoricamente, o time só depende de si, precisando vencer três partidas.

É difícil acreditar, no entanto, que um time que, no returno, conseguiu apenas duas vitórias em 15 jogos, obtenha três triunfos em quatro confrontos. É possível, mas não é provável. Entramos agora no momento de esperar por um quase milagre.

O problema é que o time do Figueira somou uma dificuldade quase intransponível às suas reconhecidas limitações técnicas: a incapacidade de lidar com a forte pressão emocional de obter as vitórias que precisa para reagir no campeonato.

O jogo de sábado foi o exemplo acabado desta situação. O time entrou nervoso, ansioso e, paradoxalmente, só foi jogar melhor depois de tomar o primeiro gol. Antes disso, auxiliado em boa parte pela armação tática de Mário Sérgio, a equipe não conseguiu concatenar uma única jogada ofensiva.

Depois, botou a bola no chão, mas aí a falta de qualidade nas conclusões, somada à absoluta falta de tranqüilidade na hora de empurrar a bola para as redes, inviabilizou a reação.

A quem acredita, resta rezar. A todos resta ir a campo no jogo contra o Náutico. Por outro lado, a longa agonia que este segundo turno – cabe lembrar: o Figueira terminou o 1º turno em 11º lugar e com a vitória sobre a Portuguesa na primeira rodada do turno chegou ao 9º lugar – se transformou para o Figueirense, tem a única e triste vantagem de preparar o espírito de todo mundo para o pior.

Enquanto a matemática não fechar, é torcer, tendo consciência que a situação está cada vez mais difícil.

Ortodoxia improdutiva

A carreira de Mário Sérgio é marcada pela ciclotimia e, principalmente, pela ortodoxia. O técnico é mais ortodoxo que bula de remédio, como diria o Analista de Bagé. Tem uma concepção de futebol e não abre mão dela. Seria uma virtude, se os resultados fossem positivos, mas como não são, passa a ser simplesmente teimosia pouco inteligente.

Se os resultados não são os esperados, é preciso rever conceitos, o que Mário Sérgio não faz. No sábado, o time precisava vencer, mas o técnico tem uma dificuldade atávica de armar a equipe para buscar a vitória.

A escalação inicial não era das piores, com Cazumba na ala, Marquinho no meio e a volta de Alex à zaga. Mário Sérgio repetiu, no entanto, a mesma forma de jogar do time do ano passado quando precisava pressionar o adversário. O técnico adianta sete jogadores para além da intermediária defensiva do adversário, abre um zagueiro pela esquerda, outro pela direita e deixa o terceiro pelo meio.

Com a concentração de tantos jogadores num espaço tão pequeno de campo, a vida do adversário é facilitada. No ano passado, ainda havia jogadores capazes de tirar um coelho da cartola aqui e ali. Chicão tinha boa saída de bola. André Santos era capaz de abrir defesas em jogadas individuais. Vitor Simões era um bom finalizador.

Agora, o time precisava de mais força coletiva do que depender de individualidades, além de necessitar de uma grande força emocional para enfrentar a pressão. Mário Sérgio não conseguiu fazer nem uma coisa nem outra.

Assim, o Figueira não tinha como furar o bloqueio atleticano e ainda dava grande campo para os contra-ataques adversários. Até sofrer o primeiro gol, o Figueirense viveu de bolas esticadas para o ataque sem levar perigo algum. Depois, curiosamente, botou a bola no chão. E aí Cleiton, Marquinho, Cazumba, apareceram mais. O time criou chances claras mas não chegou ao empate.

No segundo tempo, Mário Sérgio teve que enfrentar uma armadilha criada por ele mesmo. A escalação do banco de reservas lhe dava pouquíssimas opções para virar o jogo. Parece que o técnico foi acometido de um otimismo irrefreável ao definir os reservas. Ao listar Gustavo, Anderson Luís, Rafael Lima, William Matheus, Leandro Carvalho, Ramon e Rafael Coelho para o banco, Mário Sérgio devia ter a crença que o time titular fatalmente conseguiria abrir vantagem sobre o Atlético-PR e depois seria apenas administrar o resultado.

Ao sair perdendo, Mário Sérgio estava de mãos atadas. Como opção real só Rafael Coelho – jogador preterido pelo técnico que teria que assumir a condição de salvador da pátria – e Ramon que não se mostrou até agora opção para coisa alguma.

Mesmo assim, tentou. Tirou Peroni e botou Rafael Coelho. Jogar com três atacantes no desespero poucas vezes dá resultados, pelo menos que eu lembre. Posicionou o time num 4-3-3, mas estranhamente recuou Gomes para a zaga e posicionou Alex Bruno como lateral direito.

O Atlético-PR recuou ainda mais e o time rodou mais a bola e criou mais algumas chances. Mas aí veio o segundo gol e a vaca foi definitivamente para o brejo.

No balanço de perdas e danos, o Figueira perdeu o jogo na bola parada. Fruto de treino, de mais qualidade técnica e/ou de mais confiança, o Atlético-PR aproveitou duas chances em cobrança de faltas e venceu a partida.

Enquanto isso, o Figueira, com um time tão limitado tecnicamente, mas com vários jogadores altos e fortes, não consegue aproveitar os vários escanteios e faltas laterais a seu favor. Não parece haver treino, controle psicológico ou qualidade técnica para levar perigo ao adversário. Parece que o time se limita a jogar a bola no bolo e ver o que acontece.

É muito pouco para quem precisa vencer.

Por que não trocar de técnico?

Já expus a idéia neste blog. Como última e desesperada tentativa de reagir, o Figueira poderia trocar de técnico para os quatro jogos que faltam. Pior que está não vai ficar.

Poderia trazer um treinador para tentar a improvável reação e, independente do resultado, ajudar a organizar a temporada 2009 ou poderia definir Rogério Micale, dos juniores, como interino, dar uma sacudida geral e ver o que acontece.

Como diz o ditado, “a quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta”. 

Comentários ofensivos

Tem um cidadão que detesta o Figueira e/ou este blog que desde sábado pela manhã está postando sistematicamente comentários ofensivos e de baixo nível. Os xingamentos já foram retirados.

Este blog não faz moderação prévia dos comentários, mas terá que adotar a medida se mais gente ressentida, covarde (já que não se identifica) e de inteligência bovina insista em baixar o nível.

Vitórias para inspirar

Grandes vitórias sobre o Atlético-PR, em Curitiba e no Scarpelli. Tem goleada, gols de Fernandes, Michel Bastos fazendo gol olímpico batendo escanteio pela esquerda com a canhota. Tem de tudo.

Para lembrar a todos que o Figueira é grande.

A gente se vê no Scarpelli.

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Para acabar com a inhaca

Wilson; Alex, Bruno Perone, Asprilla, Diogo, Gomes, Marquinho, Cleiton Xavier, Alex Cazumba, Tadeu e Bruno Santos. Este deve ser o time do Figueira para o confronto contra o Atlético-PR neste sábado.

Tão importante quanto isso é saber da previsão do tempo. A Epagri/Ciram prevê “nebulosidade variável e chuva isolada” para a tarde/noite de sábado, com ventos médios de 15 km/h e rajadas de 30 km/h. Nada, a princípio, que atrapalhe.

É lotar o Scarpelli e apoiar o time rumo à vitória. Quando a maré é boa, todo mundo vai no embalo. Torcer fica fácil e prazeroso. Numa hora como essa é que todos têm que tirar algo mais do fundo da alma e do coração.

Sabemos que os últimos 10 anos nos deixaram mal acostumados. Faz tempo que não vivemos uma fase tão ruim. Mas é hora de se concentrar nos 90 minutos de jogo. Não importa o que veio antes, não interessa o que virá depois. Importa estar no Scarpelli, fazer a sua parte e finalmente ser recompensado com a vitória.

É o momento de comprovar o que diz o hino: Figueira, eu te amo com fervor.

Tem que ser agora

Se tem um time na série A sobre o qual o Figueira está acostumado a levar vantagem na série A é o Atlético Paranaense. São seis vitórias, oito empates e apenas uma derrota (veja os resultados no site Furacão Alvinegro).

Mesmo assim, as duas torcidas têm uma relação cordial, fato destacado pelo site Furacão.com, que está conclamando os atleticanos a invadirem a nossa praia. A matéria principal do site, além de convocar os torcedores, destaca essa convivência pacífica: “Vale ainda lembrar o que foi escrito pelo torcedor e colunista da Furacao.com Marcel Costa, que já foi ao estádio catarinense várias vezes: ‘ o torcedor do Figueirense é receptivo, mantém uma boa relação conosco e é comum andarmos misturados aos torcedores locais nas proximidades do estádio, sem nenhum problema. Quando estive lá pela primeira vez em 2002, na vitória por 2×0 na extinta Copa Sul-Minas, cheguei a ir na sede da torcida local, onde dentro do bar, vários atleticanos e torcedores do Figueirense confraternizavam. Inclusive a repulsa por Avaí e Coritiba é recíproca. Nos anos seguintes a recepção sempre foi a mesma, incluindo no ano passado quando conseguimos um histórico 6×3 na abertura do Brasileirão…’ .

O colunista destaca a única vitória do Atlético Paranaense sobre o Figueira em campeonatos brasileiros. Aquele jogo teve várias circunstâncias especiais. Era abertura da competição e naquele momento, o Figueira estava completamente voltado para as fases decisivas da Copa do Brasil.

Agora é diferente. Apesar de saber que avaiano secador vai ter que secar de longe, ou, se for ao estádio, disfarçado, o jogo é fundamental para os dois times. O Furacão Alvinegro vai ter que ganhar na bola, no grito e em número.

Se eles planejam uma invasão, e serão bem recebidos, a torcida alvinegra tem que comparecer em número ainda maior. A diretoria do Figueira fez sua parte, baixando ainda mais o preço dos ingressos para quem comprar na promoção (leia aqui).

É hora de dar todo o apoio que o time precisa para se recuperar no campeonato. A hora é agora. Tem que ser agora. O caldeirão do Scarpelli vai voltar a funcionar.

E o time para sábado?

Não sei se Mário Sérgio tem muito para inventar para o jogo de sábado, embora tenha passado pelo Atlético e conheça o elenco adversário.

Também não sei se é hora de inventar. Nesse ano conturbado e de campanha complicada, tem até jogador que foi contratado e não estreou (Renato, Roger, Peter) ou que fez uma ou duas partidas e sumiu (Jairo, Diego).

Então, considerando o que Mário Sérgio tem utilizado com mais freqüência e os jogadores que têm à disposição, qual seria a melhor formação?

Wilson; Alex Bruno, Bruno Peroni e Asprilla; Diogo, Cleiton Xavier, Gomes, Marquinho e Cazumba; Bruno Santos e Tadeu. De preferência tomando a iniciativa do jogo, liberando Marquinho e Cleiton para encostarem no ataque e Diogo e Cazumba para chegarem ao fundo de campo.

De preferência sem dilúvio, sem ventania e que a fortuna volte a sorrir ao Figueira.

Velho costume avaiano

O Avaí está prestes a conquistar um de seus maiores feitos em sua pífia história em competições nacionais, mas os costumes continuam os mesmos.

Durante a semana, nosso eterno e preferido presidente João Nilson Zunino (não, não será por um ano de sucesso que esqueceremos da infindável quantidade de fracassos com que ele alegrou a torcida alvinegra nos últimos tempos) já foi para a mídia chorar pelo apoio (ou seja, dinheiro a fundo perdido) do governo do estado.

Zunino quer fazer mais um puxadinho na Ressacada – o anterior também foi bancado pelo governo do estado – para ampliar a capacidade do estádio, hoje inferior à exigência para disputar a série A. Para isso, quer mais uma vez mamar nos cofres de Santa Catarina.

Ao ClicRBS, Zunino choramingou: Nós queremos fazer e vamos pedir ajuda à iniciativa privada, já que, lamentavelmente, temos constantes negativas do governo na liberação (de verbas). Mas eu acredito que o governador Luiz Henrique terá sensibilidade nessa questão.

O estádio velho, e, conseqüentemente, o atual, foram doados pelo governo do estado. A última reforma foi bancada pelos cofres públicos. Agora, Zunino quer mais. É a longa história da relação incestuosa entre poder público e Avaí se repetindo. E para eles, isso é absolutamente normal.

Sugiro então mais. Além de bancar a reforma do estádio – quem sabe já uma arena para Copa 2014 toda patrocinada pelo dinheiro público –, o governo estadual deveria também repassar a grana para o Avaí fazer uma grande série A. Um milhãozinho da Celesc, outro milhãozinho da Casan, mais quinhentinho da Ciasc, outra quina da SC Gás e para fechar mais um troco do Banco do Brasil, em memória ao quase finado Besc.

É por uma causa justa. Vamos lá, libera a grana aí, Luís Henrique…

Só falta um tsunami

Quando o torcedor alvinegro comenta que o Figueira está lutando contra tudo e contra todos, não acreditaria que até as forças da natureza estão trabalhando contra a permanência do Furacão Alvinegro na série A.

Primeiro foi as 40 e poucas horas de chuva ininterrupta na partida contra o Ipatinga. Depois foi a ventania e a queda de luz contra o Fluminense.

Nesta quarta-feira, depois de um dia maravilhoso, com muito sol e calor, a partir das 18 horas o céu desabou sobre Florianópolis. Foi um aguaceiro para Noé nenhum botar defeito. E aí a vantagem foi toda de quem só precisava se defender para conservar o placar.

Porque até nisso, o Figueira não está sendo afortunado. Vento tem lado, chuva não. No jogo da quarta-feira, o time teve que começar a partida contra o vento. Só que no segundo tempo, o vento seria a favor. Nesta quarta, não. A chuva jogou o tempo todo contra.

A essa altura, no entanto, só se pode contar com o espírito de luta, a garra e o apoio incondicional. É a união de todos estes fatores, e, quem sabe, sem tanta água e vento para atrapalhar, que fará o Figueira permanecer na série A em 2009.