Como ninguém é de ferro, este blogueiro também está reduzindo o ritmo neste final de ano. Vamos à praia, curtir um descanso. Até o final de janeiro, é possível que este blog seja atualizado com menos freqüência. Vai depender da intensidade do sol, da correta temperatura da cerveja e de quão intensa seja a vontade de ficar de papo pro ar.
Vamos recarregar as pilhas, porque 2009 promete. A todos um Feliz Ano Novo. No dia 19 de janeiro, nos encontramos no Scarpelli para ver a estréia do Figueira no campeonato catarinense. Aquele abraço.
Monthly Archives: December 2008
Esclarecimento: o Ricardo certo
No dia de Natal, o velho Pacheco, meu pai, leitor assíduo do BID e conhecedor profundo das transferências e registros de jogadores, me informou que o Figueira tinha três jogadores oriundos das categorias de base com o nome de Ricardo.
O que está subindo dos juniores para o elenco principal, é Ricardo Dzioba de Lima, nascido em 1989. O que deveria estar se transferindo para o Palmeiras B seria Ricardo dos Santos do Nascimento, nascido em 1987, e que no ano passado já havia sido emprestado ao São Luiz, de Ijuí (RS).
Logo depois, o assessor de comunicação do Figueirense, Gustavo Neves, deu uma pausa em sua merecida folga para me enviar e-mail, informando a mesma coisa, que o Ricardo que está indo para o Palmeiras B é outro e não o que está subindo para o time principal.
O esclarecimento, portanto, está feito. O Ricardo que eu considero de muito bom potencial iniciará a pré-temporada com o grupo principal do Furacão Alvinegro e terá a oportunidade de mostrar suas qualidades para a torcida em 2009.
Um que chega e mais um que sai?
O Figueira anunciou a contratação do meio-campista Juninho, que estava na Eslovênia (leia aqui). Paralelamente, o site Globo Esporte informa que o Palmeiras B contratou três jogadores, entre eles o volante Ricardo, do Furacão Alvinegro. A única discrepância é que o site da Globo diz que o volante tem 21 anos, enquanto o site do Figueira anuncia que ele tem 19.
Estranhamente, o Furacão Alvinegro anunciou recentemente (leia aqui), que Ricardo estava entre os 13 jogadores vindo dos juniores que começariam o ano incorporados ao grupo profissional. O Globo Esporte que os contratados pelo Palmeiras B serão submetidos a um período de avaliação e depois podem ser promovidos ao time principal.
È preciso confirmar oficialmente a transação. Seria mais um jogador que o Figueira negocia sem sequer ter passado pelo time principal, como ocorreu ano passado com o zagueiro Raphael e o ala Massari, emprestados ao Porto. Não é uma política que me agrada. Virou senso comum no futebol que o jogador também tem que dar retorno financeiro ao clube. Mesmo considerando a premissa verdadeira, antes deveria dar retorno em termos de qualidade, com bom futebol e uma boa passagem pelo time principal, ajudando em vitórias, boas campanhas, títulos.
Quanto a Juninho, este blog não pode dizer nada. Simplesmente não conhece o jogador. Currículo é fundamental em outras atividades profissionais, mas não garante muito no futebol. Em 2008, tivemos exemplos cabais. Vários jogadores contratados tinham extensos currículos e não acrescentaram muito coisa ao Figueira.
O fundamental é que quem está contratado conheça bem o jogador que está trazendo. O desempenho dentro de campo e o comportamento fora. Esperamos que Juninho se encaixe nesses requisitos.
Três mariolas e dois litros de mel coado
Não deve ser fácil segurar jogador assediado por times que vão disputar a série A, Copa do Brasil e/ou Libertadores. É o caso agora do interesse de Fluminense e Grêmio por Marquinho e Diogo, respectivamente.
Os dois jogadores, muito compreensivelmente, devem estar muito interessados em uma transferência. É mais grana, mais projeção e, talvez, uma transferência posterior ainda mais vantajosa para o exterior.
O problema é que o Figueira não parece fazer muita força para segurar seus principais jogadores. A impressão que passa para a torcida que é só chegar com três mariolas e dois litros de mel coado e levar quem quiser.
O time precisa de grana, precisa negociar jogador. Isso se entende. O problema é que a reposição não é tão tranqüila, tão fácil. Um time do porte do Figueira ou descobre jogadores desconhecidos, mas de bom potencial, ou os revela na base. Só que não é tão simples assim revelá-los ou descobri-los na mesma velocidade com que são negociados. O rebaixamento comprova o fato. Saíram Chicão, André Santos e Felipe Santana em 2008 e não houve quem os substituísse com 20% da qualidade.
Para quem acredita que a diretoria do Figueira sempre teve essa política, é bom saber que nem sempre foi assim. A virada na política ocorreu no fim de 2005. O time foi desmontado e Adilson Batista comandou a reformulação, com jogadores mais jovens e mais baratos. Em 2006, a política funcionou muito bem. Em 2007, funcionou razoavelmente bem. Em 2008, foi um desastre, embora se tenha gastado muito mais do que nos anos anteriores.
Antes disso, jogadores como Cléber, Márcio Goiano, Carlos Alberto, Paulo Sérgio, Edson Bastos e outros foram mantidos de uma temporada para outra, mesmo valorizados por boas campanhas. Isso, obviamente, não saiu de graça. O clube desembolsou para mantê-los.
A partir do final de 2006, o clube não pareceu mais fazer esforço algum para manter seus principais jogadores. A única exceção que me recordo foi a de Chicão, que recebeu proposta do exterior no meio do ano de 2007, e teve seu contrato estendido e renovado. Só que seis meses depois foi negociado com o Corinthians.
Então se Marquinho e Diogo serão negociados, até se entende, embora, pessoalmente, acredito que o clube deveria fazer um esforço maior para manter Marquinho. Este fará muito mais falta que Diogo. Mas é preciso mostrar que os negócios vão trazer algo de positivo para o time. A troca por jogadores de Grêmio e Fluminense poderia ser uma saída. Há bons valores que podem ser muito úteis para o Figueira (Uendel, Somália, Jonas. Faça sua lista). O time perde de um lado, mas ganha de outro, com jogadores que chegam. Desde que, a avaliação dos que pudessem vir fosse muito bem feita. O que não dá para aceitar passivamente é que entre dinheiro, saía jogador e o resultado dentro de campo seja pífio como o de 2008.
Duas grandes notícias
Nesta sexta-feira, a direção do Figueirense anunciou a renovação do contrato do goleiro Wilson e do meia Fernandes. São duas grandes notícias. São dois jogadores de qualidade, completamente identificados com o clube e que têm um grande carinho de boa parte da torcida.
Wilson escapou ileso do bombardeio que o sistema defensivo do Furacão Alvinegro lhe proporcionou durante o campeonato brasileiro. Foi o goleiro mais vazado da competição, mas saiu ileso perante a torcida.
A maior manifestação de reconhecimento e carinho da torcida se deu no jogo contra o Grêmio. O time perdia de sete, os torcedores gremistas começaram a o chamar de frangueiro e a os alvinegros responderam gritando: “Wilson, Wilson”. Não poderia haver um reconhecimento maior a um goleiro. Naquela noite desastrosa, a torcida ainda se animar para gritar seu nome materializou a empatia que há entre o jogador e a torcida.
A empatia de Fernandes com a torcida é igualmente grande. Há dez anos no clube, o meia já demonstrou por inúmeras vezes seu grande amor pelo Figueira. Sua vibração ao vencer o último clássico, na Ressacada, fortaleceu ainda mais essa ligação.
Fernandes, no entanto, tem sofrido com seguidas contusões. Depois de abril deste ano, não jogou mais. O próprio jogador já falou que esse tempo parado serviu para identificar problemas que lhe vinham impedindo de ter uma boa seqüência de jogos.
Se o trabalho de recuperação foi bem feito, o meia pode desempenhar com maestria o mesmo papel de condutor da equipe que desempenhou na campanha de acesso à série A, em 2001.
O preço do amor
Cada vez que a mídia de Floripa canta em prosa e verso o amor de Marquinhos, o Sujo, pelo Avaí, o presidente do clube tem que botar a mão no bolso.
Agora, começou a novela de renovação de contrato. Depois de quadruplicar seu salário durante a temporada, além de embolsar gordíssimas luvas, o meia que bate até na sombra, estica o desfecho o máximo que pode. É sempre “está quase fechado. Faltam alguns detalhes” e por aí vai. Até o minuto final, o homem vai cobrar caro pelo amor que diz sentir.
Sempre a maior e mais fiel
Tem avaiano reclamando da minha “parcialidade”. Esqueceram que o blog é na condição de torcedor, como o nome e o distintivo do Figueira aí em cima denunciam. Também reclamam que a média de público desse ano não pode ser comparada porque a do Furacão Alvinegro foi “aditivada” pela presença de torcida visitante em vários jogos. Claro, que eles esquecem que o acesso avaiano era algo esperado por 30 anos, ou seja, nem para testemunhar algo que acontece uma vez na vida e outra na morte, a torcida do time do Sul da Ilha consegue superar a alvinegra.
Pois vamos a números em que os dois times estiveram submetidos às mesmas condições de temperatura e pressão. Os dados abaixo, da FCF, coletados pelo blog História da Torcida, se referem à Copa João Havelange de 2000 e à série B de 2001.
Nas duas competições, os dois times estavam na mesma chave na primeira fase. Em 2000, os dois se classificaram para a segunda fase e ambos foram eliminados no primeiro mata-mata. Em 2001, os dois chegaram ao quadrangular final e os dois tinham chances de subir até a última rodada.
Vamos aos números:
Média de público – 2000
Figueirense: 7.150
Avaí: 6.089
Média de público – 2001
Figueirense: 8.321
Avaí: 4.947
Agora, os avaianos vão precisar encontrar outra desculpa. Pode ser o acesso à Ressacada, o vento sul, a concorrência com a novela…
Qual o peso da torcida?
Torcida não ganha jogo. Isso é fato. Se não fosse, o Figueira ganharia o campeonato catarinense todo ano e o brasileirão seria um eterno revezamento entre Flamengo e Corinthians.
Mas qual o real peso da torcida no resultado de um clube? Ninguém me tira da cabeça, que a torcida do Atlético-PR foi um dos principais motivos, se não o maior, para o time de Curitiba escapar do rebaixamento. E olha que os torcedores atleticanos tinham milhões de motivos para trucidar a direção do clube. Tem uma das maiores estruturas do país, fatura uma grana alta e mesmo assim fez um timezinho mequetrefe que brigou contra o rebaixamento o campeonato inteiro.
Só que a certa altura, os caras resolveram empurrar o time para cima. Lotaram o estádio, não pararam de gritar e o resultado foi o que se viu.
Outro exemplo. A torcida do Grêmio e a escrita de “Imortal”. Não tenho nenhuma simpatia pelo tricolor dos pampas. No entanto, desde que o time gaúcho voltou da segunda divisão, a torcida abraçou a equipe de tal forma que as campanhas na série A tem sido superiores ao que se poderia esperar diante da qualidade do elenco.
Sim, você pode apresentar dezenas de exemplos na direção contrária aos que eu citei. Nada me tira da cabeça, porém, que a torcida pode ser aquela diferença que falta para um time não ser rebaixado pelo saldo de gol. ´
A culpa pela má campanha é da torcida? Claro que não, mas um time sofre muito mais quando cinco mil de seus próprios torcedores vaiam e xingam a cada passe errado do que quando 50 mil adeptos de outro time o fazem.
Meu comentário se deve ao entendimento de que a torcida terá um papel decisivo numa grande campanha em 2009. A diretoria do clube precisa fazer a sua parte, mas cabe à torcida deixar o mau humor em casa e ajudar o time a vencer.
Teremos um time exuberante e altamente qualificado no ano que vem? Não. Se tudo for bem feito, teremos um time competitivo e lutador, que é o que dá para fazer no futebol brasileiro de hoje, ainda mais na série B.
Então, mãos à obra. É o ano da torcida do Figueira mostrar a força e a paixão de outros tempos.
Demissão surpreendente
A demissão do técnico dos juniores, Rogério Micale, anunciada nesta quinta-feira, foi uma grande surpresa. Campeão da Copa São Paulo de Juniores, responsável pela revelação de vários jogadores, Micale era tido como o grande nome das categorias de base alvinegras.
Se Micale era mesmo tão importante para o trabalho de base, a justificativa de “readequação” de custos não serve. Outros cortes poderiam ser feitos em vez de dispensar o técnico. Ou ele não era, ou se avalia que, tão importante ou outros motivos, ainda não explicados, levaram o clube a tomar a decisão.
Bombonera a meia-bomba
Os números finais das séries A e B revelam que a média de público do Figueira foi de 9.003 pagantes em 19 jogos. A do Avaí, no mesmo número de partidas, foi de 6.863. 800 pagantes a mais que a média do Criciúma (6.060), que foi rebaixado para a série C.
A campanha do Figueira nunca animou a torcida. A do Avaí foi boa e o time despontou desde cedo como candidato ao acesso. Mesmo assim, a diferença foi de mais de 2 mil pagantes por jogo a favor do Furacão Alvinegro.
Essa história de torcida é um exemplo acabado da diferença de tratamento que a mídia local dá a Avaí e Figueirense. Num jogo com 10 mil pessoas no Scarpelli, o público é considerado “decepcionante”. Se seis mil avaianos vão à Ressacada, o estádio “quase lotou”. Detalhe: a capacidade lá é de 13 mil pessoas.
Se querem fazer média com a torcida avaiana, tudo bem, mas podiam escolher outras maneiras. De preferência, uma que não seja desmentida pelos números. E podiam lembrar-se sempre: se a torcida alvinegra mudar de canal, desligar o rádio ou não visitar o site, a audiência cai mais de 60%.