Os torcedores alvinegros aguardam com ansiedade a entrevista coletiva marcada para a tarde desta quinta-feira pelos presidentes do Figueira, Norton Boppré, e da Figueirense Participações, Paulo Prisco Paraíso. A expectativa é que sejam anunciados os planos para a temporada 2009.
Alguns fatos estão confirmados e outros nem tanto. Anderson Barros, gerente de futebol, sai. João Batista Abelha, hoje na coordenação das categorias de base, assumiria a vaga. A informação foi dada pelo técnico Pintado durante a semana. Já o blog Gigante Alvinegro diz que não é bem assim. Abelha vai para o futebol profissional, mas para trabalhar com mais alguém que será contratado.
A direção do Figueira caminha sob gelo fino. A insatisfação da torcida é grande, embora a reação ao rebaixamento tenha sido civilizada e silenciosa. Só que os torcedores aguardam sinais claros de grandes mudanças, de que o Furacão Alvinegro vai retomar o caminho das grandes conquistas.
O nome de Abelha não agrada. Já passou pelo futebol profissional e não deixou saudades. Foi em 2005, quando o clube teve um primeiro semestre muito ruim e fez um péssimo primeiro turno de campeonato brasileiro. Já faz parte da estrutura diretiva atual do clube. Não sinaliza com mudança alguma.
Sempre se corre o risco, por outro lado, de jogadas de marketing que ressuscitem a velha política de “mudar para deixar tudo como está”, tão comum no Brasil. Mas o sinal de que mudanças vão acontecer passa pela contratação de um profissional qualificado para dirigir o departamento de futebol profissional.
Ninguém espera contratações de impacto, medidas mirabolantes e anúncios bombásticos. A expectativa é que o Figueira recupere o olho clínico para contratar bons jogadores dentro de sua realidade financeira. Sejam atletas experientes momentaneamente no desvio, mas com condições e desejo de recuperar a carreira, sejam atletas jovens e desconhecidos, mas com bom potencial. Este olho clínico se perdeu em 2008, quando o clube dependeu demais dos treinadores e errou demais na hora de contratar. E precisa ser retomado para que o torcedor alvinegro volte a sorrir.
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As coisas são o que são
Geralmente, as coisas são o que são. Um bom número de pessoas, no entanto, custa a acreditar nesta simplicidade das coisas. Há sempre espaço para aqueles que vêem chifre em cabeça de cavalo e encontram teorias conspiratórias para tudo.
Quando eu estava saindo do Scarpelli depois do jogo de domingo, um senhor idoso passa por mim e vocifera: “O Figueira vendeu a vaga. O Figueira vendeu a vaga”. Outros atribuem a queda a uma obscura negociata envolvendo a construção do novo estádio e a Copa de 2014. Outros questionam o interesse da diretoria em permanecer na primeira divisão, porque estaria saindo muito caro e eles “só pensam na grana”.
A realidade, no entanto, é muito mais simples. O Figueira caiu porque foi incompetente e errou além do normal durante o ano. Assim como, em anos anteriores, acertou bem mais do que errou, fez bons times e, conseqüentemente, boas campanhas. É simples assim.
O êxito nem sempre corresponde ao esforço empreendido. Se todo mundo fizesse tudo exatamente igual e igualmente certo, o campeonato terminaria com 20 times empatados em primeiro lugar. Nem tudo dá certo sempre. E isto independe das intenções. O resultado pode ser difícil de aceitar, mas isso não significa que haja alguma malvadeza ou canalhice que o justifique.
Vão sublocar o que não é deles?
Acompanhando o noticiário a respeito do projeto de construção de um novo estádio para o Avaí, me surgiu uma dúvida. Não sou advogado, então aceito esclarecimentos de quem entende do assunto. O Avaí vai sublocar o que não lhe pertence?
Pergunto por que toda área onde está o estádio atual e o “moderno” CT avaiano é, na verdade, do governo do Estado de Santa Catarina, cedida, em regime de comodato, ao Avaí. É por isso que nenhuma parte do terreno pode ser penhorado como garantia de pagamento de dívidas. É por isso que se um dia o Avaí acabar, tudo volta ao seu proprietário de origem, o Estado.
No Diário Catarinense desta quarta-feira, o presidente do Conselho Deliberativo do time do Sul da Ilha afirma: “O investimento será 100% da empresa, que vai explorar o espaço por um determinado tempo. Esse tempo também será discutido pelo Conselho”. Segundo o jornal, a construtora quer o tempo corresponda a 30 anos (leia aqui o que o Gigante Alvinegro divulgou a respeito da empresa).
Minha dúvida é se é legal ceder a terceiros algo que lhe foi cedido pelo Estado. Quem souber responder, deixe seu comentário.
Clube chapa branca
Certas coisas não mudam no Brasil. Por que uma estatal vai injetar dinheiro num time de futebol? É o que está acontecendo com o Vasco, prestes a assinar um contrato de R$ 14 milhões anuais com a Eletrobrás. Vale a pena ler o texto do jornalista Marcelo Damato a respeito do assunto.
Foi o conjunto da obra
Depois do rebaixamento consumado, cada torcedor tem sua opinião sobre o jogo que decretou a queda. “Foi tomar aquele gol de empate do Ipatinga aos 48 minutos do segundo tempo”, diz um. “Foi perder para o Fluminense em casa”, fala outro. “Foi perder para o Atlético-PR”, emenda alguém. “Foi perder aquele monte de gols contra o Grêmio no Olímpico”, lembra mais outro. É natural. Afinal, o Furacão Alvinegro caiu para a série B no saldo de gols.
Numa campanha que termina com o rebaixamento o que não falta é resultado ruim para fazer diferença no final. Se o juizão marca aqueles dois pênaltis no jogo contra o São Paulo no Scarpelli. Se não tivéssemos sofrido tantas goleadas. A lista de “se” é grande.
Num campeonato por pontos corridos, porém, é sempre o conjunto da obra que faz diferença. Do campeão ao último colocado, todos têm resultados negativos para se lamentar. Óbvio que com intensidade muito diferente.
No caso do Figueirense, dois fatos chamam a atenção do blog. O primeiro, mais decisivo porque se repetiu durante todo o campeonato, foi o pífio desempenho no Scarpelli. Foram 19 jogos, com sete vitórias, cinco empates e sete derrotas. Foram 26 pontos conquistados em 57 possíveis. É o segundo pior desempenho dos 20 participantes. E só não foi o pior porque o Vasco perdeu do Vitória na última rodada em São Januário, terminando a competição com 25 pontos ganhos em seus domínios.
A situação fica mais contrastante porque o desempenho do Figueira fora do Scarpelli não foi ruim. O time teve a nona melhor campanha jogando como visitante, empatado com Coritiba e Fluminense, os três com 18 pontos ganhos (quatro vitórias, seis empates e nove derrotas).
Esta campanha é, por exemplo, exatamente igual ao desempenho fora do Scarpelli em 2007. Naquele ano também foram quatro vitórias, seis empates e nove derrotas. A diferença, por um lado, é que isso significou, no geral, apenas a 13ª melhor campanha fora de casa. Por outro lado, em 2007, o Figueira venceu 10 jogos, empatou cinco e perdeu quatro quando jogou em Florianópolis. O décimo melhor desempenho entre os participantes.
Campanha no Scarpelli muito parecida com a de 2006, quando o time ganhou nove, empatou sete e perdeu três jogos em seus domínios. O diferencial daquele ano, quando o Furacão Alvinegro teve a melhor participação de um clube catarinense na história do campeonato brasileiro, com o 7º lugar, foi o desempenho fora de casa. Foi o sexto melhor, com seis vitórias, cinco empates e oito derrotas.
Em 2008, o fator casa teve mais peso na série A. Mesmo assim essa competição se caracteriza por ter uma influência menor desse componente. Os estádios e gramados são melhores, quase todos os times estão habituados a jogar com torcida contra, têm qualidade e ambição para jogar para vencer mesmo fora de casa e a grande maioria tem apoio de sua torcida mesmo quando jogam como visitantes.
Na série B, o mando de campo pesa muito mais. Basta lembrar 2001. Naquele ano, quando subiu à série A com o vice-campeonato, o Figueira fez 17 jogos no Scarpelli ao longo da competição. Venceu 14, empatou dois e perdeu somente um.
A chave para uma grande campanha em 2009 passa por voltar a mandar em seu terreiro. Dentro de campo com um time competitivo, qualificado e capaz de dobrar as retrancas adversárias. Nas arquibancadas, com uma torcida inflamada e apaixonada que faça o caldeirão do Estreito voltar a tremer.
Segundo turno tenebroso
O outro fato que se destaca foi a campanha horrorosa do segundo turno. Na primeira perna do campeonato, mesmo com tanta dificuldade nos jogos em casa, o Figueira fez 25 pontos em 19 jogos e terminou o turno em 11º lugar. Isso jogando nove vezes como mandante e 10 vezes como visitante.
No segundo turno, com o mando invertido (10 em casa e nove fora), o time só somou 19 pontos. Registre-se: os últimos três jogos com Pintado salvaram a campanha na parte final do campeonato da vergonha completa, com as três vitórias consecutivas e 100% de aproveitamento. Antes disso, foram pífios 10 pontos em 16 partidas.
Lições, portanto, são o que não falta. Para 2009, muita coisa tem que mudar.
Pintado: uma boa surpresa
No post Pintado é o cara?, escrito logo que ele foi anunciado como o novo técnico do Figueira, este blog disse que “não há nada no currículo de Pintado que o credencie nem a operar o milagre de evitar o rebaixamento, nem para ser um dos principais responsáveis pela reformulação de elenco que o clube precisa fazer para 2009”. Pois no primeiro teste, Pintado passou com honras. Não evitou o rebaixamento, mas alcançou a meta quase impossível de vencer três partidas seguidas com um time que estava aos pedaços. Além da injeção de ânimo, o técnico conseguiu a proeza de fazer o sistema ofensivo funcionar. Em três jogos, o Figueira marcou 10 gols, o que foi fundamental para obter as três vitórias.
Já a defesa não tinha muito jeito. É muito mais por falta de qualidade do que por outra coisa. O time tomou cinco gols em três jogos, média alta, simplesmente porque faltam zagueiros e volantes de qualidade para fazer o sistema defensivo funcionar razoavelmente. Agora é ver se Pintado é capaz de fazer um bom trabalho auxiliando na montagem do elenco para 2009 e na preparação para o início da temporada, com o campeonato catarinense e a Copa do Brasil no primeiro semestre. Esperamos que ele nos surpreenda positivamente outra vez.
Voltaremos!
Foi bonita a festa, pá, fiquei contente, e ainda guardo, renitente, um velho cravo para mim. É o que nos lembra Chico Buarque e suas palavras valem para este final de noite de domingo, 7 de setembro de 2008.
Nas três últimas rodadas desta série A o Figueira voltou a ser Figueira. Um time que não se entrega, não se rende, aliado a uma torcida que acredita, que apóia, que transforma o Scarpelli num caldeirão.
Este reencontro com sua própria essência, com sua personalidade, com a história que construiu ao longo do tempo, veio tarde demais para salvar o Figueira do rebaixamento. Pode, no entanto, lançar as bases para a recuperação a partir de 2009.
O que se viu neste domingo no Scarpelli é o que define o Figueirense. Uma torcida apaixonada, capaz de encher o estádio ao menor sinal de que é possível virar o jogo. Um time que não teme adversário algum, que supera as adversidades e suas próprias limitações em busca da vitória.
É esse o resgate que precisa ser feito para 2009. Essa relação especial e única em Santa Catarina entre clube e torcida e que não pode jamais se perder. É claro que tudo passa por grandes mudanças internas, pela correção cirúrgica de todo o longo catálogo de erros cometidos durante o ano, mas o Figueira não pode perder a sua essência e isto passa por uma relação próxima e apaixonada entre clube e torcida.
Por uma série de razões, essa relação se tornou mais fria e distante ao longo dos últimos anos. É quase um contra-senso já que foram anos vitoriosos, mas o fato é que ocorreu e precisa mudar. Cabe á diretoria do clube comandar essa retomada, a partir de uma avaliação desapaixonada de todos os erros que cometeu em 2008 e do que precisa ser feito para recolocar o clube no caminho das vitórias.
De nossa parte, a confiança e a esperança que a passagem do Figueira pela série B será breve. Voltaremos!
2009: o ano de uma nova virada
Em 1998, o Figueira vivia uma de suas maiores crises de sua história. No inferno da série C, o clube praticamente não tinha elenco, devia para Deus e o mundo e sua torcida não tinha nenhum motivo para se orgulhar. Para piorar, o rival vivia um momento muito melhor e acabava de subir para a série B.
Nos últimos dias de dezembro daquele ano vários outdoors começaram a pipocar pela cidade. 1999: o ano da virada, estava escrito e ao lado do distintivo do Figueira. E a virada veio. Em 1999 mesmo, com o título estadual. Em 2001 com o acesso para a série A depois de 23 anos de ausência. Com muitos títulos, grandes campanhas e grandes times depois.
Depois de um grande desastre, que venha a reação. As bases hoje para a recuperação parecem muito mais sólidas. Não será preciso começar do zero. Boa parte do caminho já foi trilhado. Basta encontrar o desvio errado que se pegou e retomar a caminhada. Assim, 2009 será o ano de uma nova virada.
Teremos tempo para avaliar todos os erros e problemas. Agora é hora de esfriar a cabeça e lembrar que o Figueira é grande. Verga, mas não quebra.
O retrato da campanha
É muito simplismo resumir uma campanha ruim a um lance ou fato isolado. O primeiro gol do Inter, no entanto, simboliza o que foi o campeonato brasileiro para o Figueira.
Um jogador adversário entra livre na área, finaliza bem, Wilson faz um milagre e evita o gol, a bola sobra para outro jogador adversário, também livre, empurrar a bola para o fundo das redes.
Considerando que caímos pela quantidade industrial de gols sofridos durante o campeonato, esse lance, que se repetiu ad nauseum, retrata fielmente a soma de todos os erros.