Moderação ativada

Por motivos óbvios, estou ativando a moderação dos comentários. Os anônimos secadores e mal educados terão que cantar em outra freguesia.

Aos alvinegros que desejam deixar seus comentários, peço paciência que eles serão liberados o mais rápido possível.

A terceira e última decisão

O Figueira fez duas decisões e venceu ambas (Náutico e Botafogo). Neste domingo faz a terceira e última, contra o Internacional, no Scarpelli, num jogo em que, mais uma vez, só a vitória interessa.

E não só a vitória interessa, mas tropeços ou do Náutico ou do Atlético-PR. A tarefa é hercúlea, mas cabe aos jogadores e à torcida que vai lotar no estádio se dedicarem de corpo e alma à busca do resultado positivo.

O que acontecerá nos outros jogos ninguém sabe. Que a sorte nos sorria e garanta o Figueira pelo oitavo ano consecutivo na série A.

Escândalo na rodada final

Wagner Tardelli não será o árbitro do jogo entre São Paulo x Goiás. Alguém estaria o vendendo sem ele saber. É isso que se sabe até agora. Quem o estava vendendo, por quanto e para quem ainda não foi revelado. A CBF sorteou o baiano Jaílson Macedo para o lugar de Tardelli. Macedo fez uma péssima arbitragem na partida entre Grêmio e Figueirense. O São Paulo já aproveitou a confusão para fazer uma baita pressão no juiz. Isso vai dar um bocado de pano para manga.

Marquinho tem feito a diferença

Boas notícias circulam por aí. Os ingressos para o jogo contra o Inter estão quase esgotados. Cleiton Xavier joga. O avante santista Kleber Pereira teve sua pena reduzida e enfrenta o Náutico. São fatos que animam os torcedores alvinegros.

As opiniões sobre o Inter usar time titular, reserva ou misto, no entanto, divergem. É melhor enfrentar jogadores de ressaca depois da festa, mesmo mais qualificados? É melhor enfrentar reservas, que mesmo mais motivados, não têm tanta qualidade quanto os titulares? Só tendo bola de cristal para saber.

O fundamental é ver como o time do Furacão Alvinegro vai entrar em campo, como a torcida vai manifestar seu apoio, o clima no Scarpelli, etc. Nesse sentido, a presença de Cleiton Xavier é importante. É o capitão da equipe, tem qualidade e, mesmo não jogando tão bem ultimamente, é importante para o time.

Só que destaco outro jogador, que tem sido fundamental para o Figueira no campeonato: Marquinho. Segundo a coluna de Dassler Marques no site Trivela (clique aqui), o meia alvinegro é o vice-líder em assistências. Deu 10 passes para gol ao longo da competição, só perdendo para Júlio César, do Goiás, e Patrício, da Portuguesa.

Nem é necessário fazer muito esforço para lembrar disso. Contra o Botafogo, Marquinho deu passes para o primeiro e o terceiro gols. Contra o Náutico, foi o responsável pela cobrança de bolas paradas que originaram três gols. Fez o gol alvinegro contra o Grêmio. O gol de Tadeu contra o Ipatinga surgiu de uma bela jogada sua pela ponta-esquerda. Mesmo com a campanha ruim do Figueira, o meia tem despertado interesse de outras equipes. Segundo o UOL Esporte, o jogador interessa ao Fluminense (clique aqui).

Assim, o esquema de Pintado para o jogo de domingo tem que permitir que Marquinho tenha liberdade para se aproximar dos atacantes alvinegros. Ele pode fazer a diferença.

Que diferença faz?

O Internacional não jogou bem, mas ganhou a Copa Sul-Americana? Que reflexo isso terá para o jogo de domingo contra o Figueira? É bom ou ruim?

É muito provável que os titulares ganhem férias a partir desta quinta-feira e o Inter venha com um time misto. É muito provável também que os torcedores colorados apareçam em maior número no Scarpelli, mesmo com um time reserva, animados pela conquista.

É claro que enfrentar Náutico – um adversário do mesmo nível –, Botafogo e Inter – dois adversários com a cabeça já longe do campeonato brasileiro –, facilitaram as coisas para o Figueira. Mas não há nada fácil para o Furacão Alvinegro e mais ainda para esse time atual especificamente.

Seja qual for o time que o Inter bote em campo, a parada será dura. O Figueirense vai ter que lidar com seus próprios nervos e limitações, que não são poucas. Duas vitórias importantíssimas e nas circunstâncias que aconteceram serviram para aumentar a confiança dos jogadores e da própria torcida, mas mesmo assim não vai ser fácil.

Quem for ao Scarpelli no domingo vai ter que se preparar para ter paciência e dar todo o seu apoio ao time. O espírito tem que ser o mesmo que os torcedores mostraram no jogo contra o Náutico. Mesmo com todas as dificuldades que tiveram que ser superadas naquele jogo, a torcida não abandonou o time por um segundo sequer. É isso que precisa acontecer novamente na partida do próximo final de semana.

Bizarrice no Bezerrão

No post Impunidade de volta, de 15 de julho, este blog comentou que era um retrocesso o fim da punição que determinava que os times deveriam jogar de portões fechados em caso de distúrbios causados por suas torcidas. O imbróglio gerado pela transferência do jogo Goiás x São Paulo para Brasília comprova a afirmação.

A CBF, neste caso, tirou até o direito do Goiás escolher onde jogar, já que a nova determinação se limita a proibir que o mando seja estabelecido em cidades a menos de 100 km da sede do clube, no caso, Goiânia. Na ocasião, “o procurador-geral do STJD, Paulo Schmidt, considerou que a perda de mando de campo e os portões fechados configuravam dupla punição. Ora, era muito simples e já vinha sendo praticado. O time joga em seu estádio, mas de portões fechados”, comentávamos naquele post.

A transferência para Brasília beneficia o São Paulo, adversário do Goiás. É praticamente uma inversão de mando de campo, como bem lembrou Mauro Cezar Pereira, comentarista da ESPN Brasil. Se a partida fosse para Uberlândia, por exemplo, também seria.

O Goiás estrila e bota o preço do ingresso nas alturas porque a administração do Bezerrão está enfiando a faca no aluguel do estádio, além da capacidade ser inferior a 20 mil pessoas, tornando a situação ainda mais bizarra.

Se a punição dos portões fechados fosse mantida, não aconteceria toda essa confusão. É triste ver um jogo que decide o campeonato sem torcida? Sim. Mas é o único jeito de não prejudicar terceiros e beneficiar segundos. Além disso, é a melhor maneira dos torcedores aprenderem a não se envolver em arruaças e do clube tomar as medidas cabíveis para afastar os arruaceiros dos estádios.

Sobre malas e mistos

Virou tema candente nos bate-bocas esportivos. Aqui e acolá se condena as malas que incentivam times desinteressados e o uso de times mistos ou reservas por times mais desinteressados ainda.

É claro que a ética transcende as circunstâncias. Se depender exclusivamente das circunstâncias, não é ética. E princípios devem ser louvados e respeitados. Só que nem tudo é preto no branco, puro bem contra puro mal.

É oportuno que o incentivo financeiro dado por um terceiro interessado venha à baila, mas a discussão deve ser tão velha quanto o futebol. A mala deve ter aparecido no futebol um minuto depois que o time C percebeu que dependia da vitória do time A sobre o time B para ganhar uma posição acima na tábua de classificação.

A imprensa esportiva debate o tema como se a remuneração fosse definida em reuniões entre o presidente de um clube e o presidente de outro, enquanto, na prática, tudo deve se resolver nos bastidores. A diretoria de um clube pode pedir para alguém que não a integra fazer contato com jogadores do outro time. Ou, como é mais comum, e não há como impedir, 20 torcedores abonados fazem uma vaquinha, casam 10 mil reais de cada um, pedem para um jogador do seu clube fazer contato com um conhecido que joga no outro time e combinar o incentivo.

Como os jogadores vêem isso? Os que vão receber, só querem a grana – e quem não iria querer? Se vão me pagar mais para fazer o que eu já sou pago para fazer, qual o problema? Os do time que será beneficiado pelo resultado alheio podem até ficar na bronca se estiverem com os salários atrasados. Mesmo assim podem ser simplesmente pragmáticos. Se o time emissário da mala for rebaixado, ou não se classificar para a Libertadores ou não for campeão, aí que fica mais difícil receber o que estiver em atraso. Então podem encarar como um esforço adicional da direção do clube a iniciativa de remeter a grana. “Os caras estão fazendo de tudo para a gente alcançar o ‘objetivo’”.

O time deve utilizar o que tem melhor à disposição durante todo o campeonato, para não prejudicar ou beneficiar ninguém. É outro princípio corretíssimo. Só que o futebol não está solto no éter. O primeiro problema, gravíssimo, é o calendário.

A temporada para o Figueira, por exemplo, termina no dia 7 de dezembro. Os jogadores entram de férias no dia 8. O primeiro jogo do estadual de 2009 está marcado para 18 de janeiro. Com 30 dias de férias, os atletas retornam em 7 de janeiro e, na prática, terão uma semana de pré-temporada até estrear no campeonato catarinense. É uma insanidade.

Se a situação do clube já estivesse resolvida, rebaixado ou livre do risco de cair, valeria a pena utilizar o time inteiro até o fim do campeonato? Não seria mais produtivo dispensar quem não interessa, dar férias para quem ficar e ter mais tempo para se preparar e começar 2009 bem?

O calendário do futebol brasileiro já melhorou bastante diante do que era, mas ainda tem muito problemas. As rodadas iniciais da Libertadores e da Copa do Brasil são fracionadas e estendidas por um longo período para a TV ter o que mostrar. Depois, quando o bicho começa a pegar, os jogos acontecem toda semana. Para piorar, as duas competições são espremidas no primeiro semestre, quando seria mais lógico durarem o ano todo.

Portanto, a busca pelo ideal é louvável, tanto quanto a busca pelas condições que permitam que este ideal fique mais próximo. 

Montanha russa

A vida de um torcedor alvinegro

O time perde cinco jogos seguidos, sendo o último uma goleada de 5 a 0 para o Sport. Não tem jeito. Vamos cair.

PC Gusmão é mandado embora depois da quinta derrota consecutiva. Tem jeito. Não vamos cair.

O novo técnico é Mário Sérgio. Não tem jeito. Vamos cair.

O Figueira ganha do Vasco em São Januário por 4 a 2. Tem jeito. Não vamos cair.

O time joga debaixo de um dilúvio contra o Ipatinga em casa e toma o gol de empate no último minuto. No jogo seguinte, apagão para atrasar o início do jogo, ventania contra e gol do Flu antes dos 10 minutos. Não tem jeito. Vamos cair.

O Furacão Alvinegro vai a Porto Alegre enfrentar o então líder Grêmio, joga bem, arranca um empate e por pouco não vence o jogo. Tem jeito. Não vamos cair.

Outra chuvarada antes da retomada do jogo contra o Flu. O Figueira martela, mas não consegue empatar. Não tem jeito. Vamos cair.

O próximo adversário é o Atlético Paranaense. Em casa. Tem jeito. Não vamos cair.

O time joga mal pra burro, toma dois gols de bola parada e perde do Atlético. Não tem jeito. Vamos cair.

Derrota mais que esperada para o São Paulo no Morumbi. Mário Sérgio não é mais o técnico. Tem jeito. Não vamos cair.

Pintado é o novo técnico. Não tem jeito. Vamos cair.

O Figueira precisa de três vitórias seguidas para ter chance de não ser rebaixado. Só conseguimos isso três ou quatro vezes na história do campeonato brasileiro da primeira divisão. Não é esse time que irá igualar o feito. Não tem jeito. Vamos cair.

Os próximos adversários são Náutico, Botafogo e Inter. Tem jeito. Não vamos cair.

Mais um jogo debaixo de chuva no Scarpelli. O Náutico faz um a zero com um minuto de jogo. Não tem jeito. Vamos cair.

O time reage. Vira em menos de 10 minutos. Toma o empate. Faz o terceiro no fim do primeiro tempo. Tem jeito. Não vamos cair.

O Náutico empata outra vez. Rodrigo Fabri é expulso três minutos depois de entrar em campo. Não tem jeito. Vamos cair.

37 minutos do segundo tempo. Escanteio para a área. Bruno Peroni faz um gol de cabeça/ombro/coxa/joelho em que a bola bate na trave e na cabeça do goleiro antes de entrar. Tem jeito. Não vamos cair.

O Figueira joga muito mal contra o Botafogo. O Vasco faz um a zero no Coxa. A Lusa vira para cima do Sport. Não tem jeito. Vamos cair.

Zarate cabeceia para o chão. Wilson se estica todo e toca com a ponta dos dedos na bola, que sobe, bate no travessão e volta para as mãos do goleiro. O Atlético-PR faz um a zero no Náutico em Recife. O time consegue ir para o intervalo no Engenhão sem perder, mesmo jogando um futebol digno de segunda divisão. Tem jeito. Não vamos cair.

Pintado ressuscita Jairo e tira Rafael Coelho. Deixa Tadeu e Leandro Carvalho em campo. Não tem jeito. Vamos cair.

O Figueira começa a jogar bola e pára de dar moleza para o Botafogo. Faz 2 a 0 em quatro minutos. Tem jeito. Não vamos cair.

O Botafogo desconta. O Náutico empata. Não tem jeito. Vamos cair.

O Figueira faz o terceiro e liquida o jogo. Continuamos vivos. Tem jeito. Não vamos cair.

O Náutico vira. O Santos empata. Não tem jeito. Vamos cair.

O Náutico joga fora contra o Santos. O Atlético-PR pega um Flamengo ainda com chances de Libertadores. Tadeu e Diogo fizeram gol em dois jogos seguidos. Se até isso aconteceu, algo de bom está guardado para nós. Tem jeito. O Figueira não cai.

Que o final seja feliz depois de tanto sofrimento. Que às 19 horas de domingo estejamos comemorando a permanência na série A de todos os jeitos possíveis e imagináveis. Eu acredito!