Tudo indica que a tarefa de reerguer o time do Figueirense está muito acima da capacidade do técnico Pintado. A despeito de todas as dificuldades deste início de pré-temporada, já elencadas pelo blog (pré-temporada curta, contratações insuficientes e/ou feitas com o campeonato em andamento, contusões de jogadores importantes), o treinador parece não ter condições de dar um padrão mínimo de jogo e de ter a força, a experiência e a qualidade que o momento vivido pelo Figueira exige.
A equipe não dá sinais de evolução. Ou joga de forma razoavelmente organizada, mas estática e apática, como fez no primeiro tempo do empate em zero a zero com o Brusque ou joga de forma atabalhoada, bagunçada e desesperada, como fez no segundo tempo. Não há equilíbrio, não há meio termo. E isso é fatal para um time de futebol.
O Figueira começou o campeonato como um bando em campo e fez sua 12ª partida na temporada como um bando em campo. Com exceção da estréia, extremamente facilitada pelo indigência técnica do Atlético Tubarão, e dos 12 minutos iniciais do clássico contra o Avaí, até o gol de Ricardinho Bruno Perone (correção feita às 14h06), quase nada se aproveita.
Como é difícil de acreditar que o Figueira tenha um time pior que o do Brusque, do Atlético de Ibirama, da Chapecoense ou do Metropolitano, mesmo estando abaixo do que é necessário para vencer o campeonato e fazer uma boa série B, tanta desorganização e falta de opções de jogo só podem ser debitadas na conta do treinador.
O título deste post faz referência a outro (clique aqui), publicado quando da contratação de Pintado. Naquela ocasião este blog dizia: “É uma situação altamente paradoxal. Mesmo que opere o milagre e o Figueira se mantenha na primeira divisão, isso não credencia Pintado a ser o comandante para 2009. Porque o trabalho que precisa ser feito agora é muito diferente da empreitada para a temporada seguinte. O momento exige muito mais um trabalho de motivação e conversa – o ‘vamo lá, porra’ que já comentamos neste blog – do que outra coisa. Já o planejamento para a temporada 2009 tem que ser centrado em conhecimento de mercado, capacidade de formar um elenco equilibrado, de definir uma proposta de jogo, de transmitir aos jogadores essa proposta e treiná-los para executá-la”.
Em outro post, de 15 de fevereiro (clique aqui), comentamos que o mais justo seria aguardar o fim do turno para avaliar definitivamente o trabalho de Pintado. Só que estamos indo para terceira rodada do returno e o técnico não mostrou nenhum dos cinco quesitos listados no parágrafo anterior. Como o Figueira, a esta altura, já está virtualmente fora do quadrangular da segunda fase, pois é inimaginável que consiga fazer os pontos necessários para se classificar jogando o que está jogando, é melhor antecipar o processo e trocar de treinador.
Se o objetivo principal da temporada é a série B, é melhor iniciar desde já o trabalho de um técnico capaz de comandar o Furacão Alvinegro na difícil tarefa de retornar à série A. Pintado mostrou que não é esse cara. É melhor mudar e começar já a acertar a equipe para a grande empreitada de 2009. Se o trabalho surtir efeito antes do esperado, a classificação para o quadrangular pode vir de brinde. Se não, pelo menos haverá tempo para se preparar um time que jogue coletivamente, que mostre padrão de jogo, que tenha força física e mental para superar as dificuldades e que comece bem a segunda divisão do brasileiro.
Do jeito que está, 2009 será ainda mais amargo do que 2008.