O resultado não foi tão ruim quanto o futebol apresentado pelo time e a derrota por 3 a 2 para o Sampaio Correa deixa o Figueira em condições de buscar a classificação no jogo da volta, mas a falta de qualquer sinal de evolução é preocupante.
O Furacão Alvinegro continua um amontoado em campo, com buracos na defesa, uma zaga exposta, dois laterais que não produzem nada ofensivamente e comprometem defensivamente, um meio-campo que não marca com eficiência e cria muito pouco e um ataque pouco efetivo, que só tem a seu favor o fato de que o time pouco o ajuda.
Anderson Luís, como era totalmente previsível, não justificou sua volta ao time titular. Pintado novamente mexeu mal. A substituição de Jairo por Rafael Coelho, trocando o 4-4-2 por um 4-3-3 não significou nenhum acréscimo na capacidade de criação e finalização da equipe. Menos mal, que Marcelo mostrou tranqüilidade para marcar seu gol, o segundo do Figueira no jogo, na única jogada em que o deixaram em condições de concluir.
O certo é que o Figueira tem que melhorar muito para dar algum alento ao torcedor. Até agora as perspectivas para 2009 são desanimadoras.
Monthly Archives: February 2009
Rumo ao desconhecido
O confronto desta quarta-feira contra o Sampaio Correia, na estréia do Figueirense na Copa do Brasil 2009, é uma viagem ao desconhecido.
Desconhecido porque o Figueira enfrenta um adversário que anda longe das principais competições nacionais e faz seu primeiro jogo oficial este ano. Da provável escalação do time maranhense (Rodrigo Ramos; Ricardo Feltre, Leandro, Roque e Almir; Marcelo Mendes, Cristiano, Lairson e Válbson; Tico Mineiro e Tiago Miracema), só o veterano Tico Mineiro, que já rodou o país, é um jogador conhecido.
Se pouco sabe do que o adversário é capaz de fazer, desconhecido também é o potencial da própria equipe alvinegra. O jogo desta quarta-feira marca um momento em que o Figueira não pode mais errar e que precisa mostrar que tem condições de obter bons resultados, mostrando um futebol de melhor qualidade.
O jogador, treinador, dirigente e pensador Jorge Valdano, citado no início do blog, lembra que todo grande clube de futebol está sempre perto da crise. No caso do Figueira, que não vive um bom momento, a crise não está a duas semanas. É questão de dias se, a partir deste jogo, o Furacão Alvinegro não conseguir se impor sobre seus adversários.
A Copa do Brasil é uma competição propícia a surpresas e o Figueira já protagonizou uma delas, chegando à final de 2007. Em seu retorno à competição, a expectativa é que a equipe surpreenda outra vez e não que seja vítima de surpresas preparadas por outros.
Bons números contra times do Nordeste
Ultimamente até dá medo de recitar escritas e números positivos e favoráveis ao Figueira. Fazem, porém, parte da história e uma hora a atual fase ruim tem que acabar, o que este blog espera que aconteça logo. Então, pela Copa do Brasil, o Figueira tem bons números quando enfrenta times do Nordeste, sempre passando de fase quando os enfrentou.
As pelejas contra times nordestinos começaram em 2002, primeira vez que o Figueira passou da primeira fase na Copa do Brasil. Naquele ano, o Furacão Alvinegro estreou em João Pessoa, onde venceu por 3 a 1 e eliminou o Botafogo local sem necessidade de jogo de volta. Na fase seguinte, outro adversário do Nordeste: o Vitória (BA). No primeiro confronto, no Scarpelli, vitória alvinegra por 3 a 1. No jogo da volta, no Barradão, 3 a 3 e classificação assegurada.
Em 2003, depois de eliminar o Americano (RJ) na primeira fase, o Figueira enfrentou o Fortaleza. No jogo de ida, em casa, vitória por 2 a 0. Na capital cearense, o Furacão Alvinegro estava sendo eliminado com a derrota por 3 a 0 até que no último lance da partida, Zinho completou para as redes um cruzamento de Márcio Goiano e garantiu a vaga para a terceira etapa da Copa do Brasil.
Em 2007, o último confronto contra times do Nordeste. Pelas quartas-de-final, o Figueira eliminou o Náutico com um empate em Recife por 2 a 2, depois de sair perdendo por 2 a 0 e a vitória por 1 a 0 no Scarpelli.
Uma boa volta e outra nem tanto
O noticiário informa que o técnico Pintado, para a partida contra o Sampaio Correia, deve manter a base do time que venceu a Chapecoense. Seriam duas alterações: Perone no lugar de Marcos na zaga e a volta de Anderson Luís na lateral direita, saindo Lucas. O time completo seria então: Wilson; Anderson Luís, Dieyson, Bruno Perone e Wellington; Roger, Rômulo, Juninho e Jairo; Ricardinho e Schwenck.
Diante da péssima atuação de Marcos contra o Criciúma, o retorno de Bruno Perone é uma boa notícia. Já a volta de Anderson Luís, nem tanto. Contra a Chapecoense, Lucas foi bem. Contra o Criciúma não posso opinar, já que não vi o jogo.
Só que, para este blog, Lucas tem mais capacidade ofensiva que Anderson. Este, por sua vez, tem as mesmas deficiências, para dizer o mínimo, de Lucas na marcação. O Figueira, portanto, não ganha na defesa e perde no ataque. Como A. Luís já mostrou repetidas vezes que não tem condições de jogar no Furacão Alvinegro, mais valia dar confiança e ritmo de jogo para Lucas para ver se o time ganha uma opção melhor para a posição.
Às turras com a imprensa
Tem torcedor que entende que o clube não ganha nada comprando briga com a imprensa. Tem torcedor que pensa que time que está perdendo e jogando mal, tem mais que apanhar quieto e se é prejudicado pela arbitragem e malhado pela crônica, também tem que ficar na muda.
Já eu acredito que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Resultado de campo não serve para justificar o silêncio quando se considera prejudicado. Assim como a imprensa tem o direito de dizer o que bem entende, dentro de certos limites, claro, entre eles o compromisso com a verdade, o clube, ou quem quer que seja, tem o direito de contestar opiniões e notícias que considera injustas ou inverídicas.
Assim, o Figueira divulgou nota contestando a informação divulgada pelo colunista Roberto Alves no Diário Catarinense em que este diz que o meia Pedrinho quer deixar o clube (leia aqui).
Faz parte do jogo e as pessoas deviam se acostumar a isso. É inerente ao ambiente democrático. A imprensa tem que ter liberdade para noticiar e opinar, mas não é intocável, infalível ou inatacável. Jornalistas e jornais também erram.
Além disso, quem se dispõe a externar suas opiniões publicamente, seja de forma profissional ou diletante, está exposto a críticas e contestações. O que o clube não pode fazer é desmentir o indesmentível ou negar o inegável. Se a imprensa obtém uma informação verídica, o clube deve confirmar, porque se não está jogando sua credibilidade como fonte no lixo. Se não for verdade, contesta e desmente. Sem grandes crises por conta disso.
O preço da inexperiência
“Quem não viu o jogo pode até dizer que eu estou maluco, mas se não foi a melhor, foi uma das melhores partidas que a gente fez. Em falhas individuais perdemos a partida”, analisou o goleiro Wilson, um dos três titulares que estiveram em campo.
Graças à NET, não vi o jogo deste domingo. Acompanhei pelo rádio. A análise, desta forma, acaba sendo guiada pela opinião dos outros. Assim, a conclusão, de orelhada, é que o Figueira começou bem o jogo e dominou a partida até sofrer o primeiro gol. Desperdiçou chances, botou bola na trave e teve um gol erradamente anulado. O time, no entanto, se perdeu depois de sofrer dois gols em três minutos, em duas falhas individuais do jovem zagueiro Marcos. No final, os 4 a 1 para o Criciúma ficaram pesados demais para o que foi o jogo.
Ao botar o time reserva para jogar, com oito jogadores vindos das categorias de base, o time fez uma aposta arriscada, como comentamos ontem. A traulitada veio. Agora o time precisa dentro de campo dar o mesmo peso à estréia na Copa do Brasil que a direção do clube deu fora das quatro linhas. Precisa ir a São Luís e trazer uma vitória.
Os comentaristas de resultados
Não tem como não se espantar com os comentários feitos na rádio. O Figueira dava um banho de bola no Criciúma, merecia estar vencendo e só não o estava por conta da arbitragem. São palavras ditas na CBN. Não são minhas. Depois da partida, o Figueira fez um papelão ao escalar um time reserva e o Pintado fez avaliações equivocadas na entrevista coletiva pós-jogo. Outra vez: é a CBN falando, não eu. É uma análise muito simplista para um jogo praticamente decidido em erros individuais, fato comum, aliás, em clássicos e que acontece com qualquer jogador, jovem ou experiente.
Ora, não se pode analisar um jogo sem levar todas as circunstâncias. Não se pode desconsiderar que a arbitragem teve um peso considerável no resultado, por exemplo. O melhor que pode acontecer a um time que decide em casa, está sendo dominado e jogando mal, é fazer um gol. Muda o rumo da partida, dá tranqüilidade e tempo para se arrumar em campo. Se não fosse o erro do bandeirinha, o Figueira sairia em vantagem e aí o Criciúma é que estaria submetido a uma pressão ainda maior. Ficaria muito feio para o time do Sul do estado perder o título do 1º turno, jogando em casa e com o JEC entregando a rapadura em Chapecó.
Como o tal do “se” não joga, foi o Figueira que saiu atrás e, na grande maioria das vezes, isso é fatal para uma equipe tão jovem e inexperiente. Agora o time precisa ter consciência do que significa um bom resultado contra o Sampaio Correia. Uma derrota em São Luís vai elevar a cornetagem, na arquibancada e nos meios de comunicação, a níveis insuportáveis e fazer mais marola nesse começo de ano complicado.
Ao balizar o comentário apenas pelo resultado, o comentarista faz, de forma enviesada, o que condena no torcedor: submete a razão à emoção. Talvez caia bem com boa parte da torcida, que quer ver sangue depois de cada derrota, mas empobrece e restringe a análise ao senso comum, pouco acrescenta a quem lê ou escuta, além de correr sério risco de ser soterrada pelo jogo seguinte.
A prioridade é a série B
Poderia se dizer que faltaram dois pontos para o Figueirense chegar à ultima rodada do primeiro turno com chances de ser o primeiro colocado. Se tivesse vencido, por exemplo, o Atlético de Ibirama em casa, iria a Criciúma com 14 pontos. Precisaria então vencer o jogo e torcer para a Chapecoense derrotar o Joinville no Índio Condá, como acabou acontecendo, para ficar com a vaga para o quadrangular decisivo.
Aprofundando a análise, no entanto, se vê que o time precisa melhorar muito para brigar pelo título. Vê-se também que lentamente a equipe tem melhorado. Sem tempo para treinar, nem na pré-temporada, nem depois do campeonato começar, os ajustes precisam ser feitos na conversa e nos jogos, a forma mais lenta e tortuosa de se acertar um time.
Ajustes que ficam mais demorados quando na última rodada do turno, ainda há jogador estreando – Marcelo, por conta das sempre complicadas transferências internacionais. A seqüência alucinante de jogos, o pouco tempo de preparação e até a precipitação no lançamento de jogadores no time titular complicam ainda mais a confirmação de um padrão de jogo, como as contusões de Pedrinho e Régis comprovam.
Muita gente confunde ponderação com conformismo e, pior, com rabo preso. Para vomitar impropérios, pedir cabeças e xingar Deus e o mundo já tem um monte de gente por aí. Neste blog, a perspectiva vai ser a de sempre querer o Figueira mais forte, melhor e mais vencedor. As críticas serão feitas sempre – elas estão aí, é só procurar – que as considerarmos necessárias, mas procurando manter o equilíbrio e tratar das coisas em perspectiva. Garantimos que não é fácil para um torcedor manter essa linha, mas é a que entendemos mais adequada e produtiva.
Como não temos bola de cristal, daremos com os burros n’água periodicamente. Até porque, como torcedor, a esperança é sempre que o Figueira seja vitorioso, mesmo quando todas as evidências apontem para o lado contrário, e, obviamente, isso interfere na frieza de nosso julgamento.
Assim, o mais justo com o técnico Pintado é aguardar até o final do returno para avaliar detidamente seu trabalho. Se o time nem se classificar para o quadrangular final, terá um intervalo entre 25 de março e 8 de maio para se preparar para a série B. Tempo suficiente para um novo técnico chegar, para reforçar o time e para se preparar para a segunda divisão. Se passar ao quadrangular, é sinal que, pressupõe-se, o futebol e os resultados melhoraram. Ganhar o estadual é muito bom, mas, lembre-se, a prioridade é a série B.
Aposta arriscada
O Figueira faz uma aposta arriscada mandando uma equipe reserva para enfrentar o Criciúma no domingo no Heriberto Hulse, poupando titulares para a partida de quarta-feira contra o Sampaio Correia, em São Luís (MA), pela primeira fase da Copa do Brasil.
Se a estratégia for bem sucedida – isso significa vencer em São Luís, mesmo levando uma traulitada em Criciúma –, a situação fica tranqüila e o Figueira pode concentrar suas baterias para, na seqüência, estrear bem no returno do estadual, contra o Tubarão, fora de casa, no sábado de Carnaval.
Se for mal em Criciúma e também contra o Sampaio, aí o ambiente vai ficar pior e a irritação do torcedor vai aumentar significativamente. É uma aposta arriscada e que pode tumultuar ainda mais esse começo complicado de temporada.
Excesso de jogos
Em post publicado na sexta-feira (clique aqui), opinei que o melhor era manter o mesmo time da vitória contra a Chapecoense. Confesso que limitei meu horizonte ao jogo contra o Criciúma, sem levar em consideração a longa viagem até São Luís e o jogo pela Copa do Brasil.
O problema maior é o calendário mal feito, e que já foi bem pior. A mudança na fórmula do estadual desse ano foi um grande equívoco. Quer dizer, tomaram uma decisão certa no ano passado ao reduzir o número de participantes de 12 para 10. Aí deram dois passos atrás, enfiando um quadrangular com turno e returno, todos contra todos, entre a primeira fase e a decisão do campeonato.
Assim, os times que chegarem à decisão irão fazer 26 jogos em 106 dias (uma partida a cada quatro dias em média). Para efeito de comparação, os finalistas do campeonato paulista farão 23 jogos. E o estadual de lá tem o dobro de participantes do daqui. Isso mesmo, 20 times. Times demais, por sinal.
Se tivessem mantido a fórmula do ano passado (campeão do turno contra campeão do returno), os finalistas de Santa Catarina fariam 20 jogos. Seis datas a menos e mais tempo para preparação. Se tivessem feito uma semifinal em vez de um quadrangular, seriam 22 partidas. E os torcedores seriam poupados de ver os finalistas se enfrentarem seis vezes durante o campeonato.
Muita gente defende fervorosamente os estaduais. Aposto que muitos deles não vão ao estádio com regularidade. Eu, que vou a todos os jogos no Scarpelli, considero que são times demais, jogos demais e futebol de menos.
Não sou contra o campeonato estadual, mas creio que a competição em SC deveria ter, estourando, oito participantes. Se fosse para ser rigoroso, seriam seis (Figueirense, Avaí, Criciúma e Joinville e mais dois que viriam de uma grande divisão de acesso disputado durante o resto do ano). Um campeonato vapt-vapt, com bom tempo de preparação, praticamente só com clássicos e grandes jogos. Aí sim, daria gosto de ver.