Sem essa de que vai entregar o jogo

Por conta desse calendário apertado, volta e meia um clube decide usar time misto num jogo e é criticado por isso. Logo vem o papo de que vai entregar o resultado. Acontece que, nesse aspecto, cada clube tem sim que cuidar de seus próprios interesses.

É bom lembrar que o Figueira já foi acusado de querer entregar resultado. Daquela vez o prejudicado seria o Criciúma. Em 2007, o Furacão Alvinegro decidiu usar um time misto na última rodada do primeiro turno do estadual, justamente porque tinha jogo da Copa do Brasil no meio de semana.

O adversário era o Juventus, de Jaraguá do Sul, que vinha atropelando. Do Sul do estado veio um berreiro danado contra a decisão do Figueira. Moral da história: a garotada do Alvinegro ganhou do Juventus de virada e deu a taça de bandeja para o Criciúma.

A situação é diferente, claro. O Criciúma joga em casa e é um dos grandes de Santa Catarina. Só que ninguém ganha de véspera. Além disso, o “Tigre” só não tem amarelado em jogos decisivos quando enfrenta um amarelão ainda maior, o Avaí. Perdeu as finais de 2007 e 2008, ambas em casa, para Chapecoense e Figueirense, respectivamente. Pode perder outra, quando tem a faca e o queijo na mão. E aí vai ficar muito feio.

Hora de repetir a equipe

Com exceção de Jairo, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Pintado conta com todos os jogadores que iniciaram a partida contra a Chapecoense na última quarta-feira. Terá um problema para achar um meia para entrar no lugar de Jairo, mas contará com o reforço de Marcelo Macedo, que teve sua situação regularizada e cujo nome constou do BID desta quinta-feira.

Para este blog, é um bom momento para repetir a escalação que começou a partida contra a Chapecoense, mesmo que jogadores como Schwenck e Juninho não tenham jogado bem. É hora, no entanto, de tentar ganhar um pouco mais de conjunto e de fazer o time ganhar mais confiança.

Na defesa, por exemplo, sem Rafael Lima e Régis, contundidos, o único que pode voltar ao time seria Peroni. Só que ele volta da Itália no sábado, sendo um risco desnecessário botá-lo para jogar depois de uma semana sem treinar e de uma longa viagem. No momento, portanto, Wilson, Lucas, Dieyson e Wellington seria os titulares do setor. Marcos deve ser mantido para completar a dupla de zaga.

No meio, só a ausência de Jairo, que, sem Pedrinho e Fernandes, é o titular da posição. Roger e Rômulo serão titulares absolutos. Na terceira posição do meio-campo ninguém se firmou: Schmoller, Edson Galvão, Juninho e Ueta não conseguiram mostrar ainda bom futebol. Como Juninho jogou as últimas duas partidas, o melhor seria deixá-lo para ver se a seqüência de jogos faz seu desempenho melhorar.

Para o lugar de Jairo, Pintado pode escalar Edson Galvão e adiantar Juninho, para ver se ganha mais poder de marcação. Pode ainda escalar Ueta na função, para ver se, sem tanta obrigação defensiva, ele rende melhor, ou ainda dar moral para Talheti e permitir que ele comece uma partida para avaliar seu desempenho.

No ataque, mais uma chance para a dupla Schwenck e Ricardinho. Oscilam muito, mas também precisam de mais jogo para render mais. Rafael Coelho precisa ficar no banco mais um tempinho para ver se bota a “cabeça no local”, como dizia um ex-presidente avaiano. Marcelo também pode ser uma ótima opção para o segundo tempo.

Os tempos, o risco e o alcance

A média de idade dos 14 jogadores que o Figueira utilizou na vitória contra a Chapecoense foi de 22,2 anos. O mais velho era Schwenck, com 30 anos, e os mais jovens, Marcos e Talheti com 19. Até os vindos de fora são novos. Wellington e Roger tem 23 anos e Rômulo, 22. Wilson, que vai para o terceiro ano como titular do Figueira tem apenas 25 anos, recém-completados, idade baixa para um goleiro.

Muita gente reclama que estadual não é laboratório. É sim e se der para ganhá-lo assim, ótimo, se não fica para o ano que vem. É só fazer uma retrospectiva. Em 2006, o Figueira foi campeão, mas usou durante o estadual jogadores com Édson, Henrique e Soares. Em 2007, passou longe do título, mas revelou Felipe Santana e Diogo. Isso para ficar em tempos recentes.

Um clube que investe cerca de 150 mil reais por mês nas categorias de base, tem que botar a garotada para jogar. O problema é que no ano passado esse trabalho foi represado. Muito dos jogadores que poderiam ser testados durante 2008, não tiveram chance e agora o trabalho que deveria ter sido feito com mais calma, precisa ser acelerado.

É uma situação complexa e contraditória. Por um lado, o torcedor tem muito pouca paciência com os jovens vindos da base, embora a intolerância já tenha sido muito maior no passado. O torcedor, muitas vezes, não perdoa erro de atleta que ele não conhece e é tolerante com aqueles jogadores mais rodados, esperando por vários jogos que eles repitam a qualquer momento suas boas atuações em outros clubes.

Só que são justamente os jovens vindos da base que aprendem a gostar mais do clube. Estão ali há muito tempo, sonham com uma chance, freqüentam o Scarpelli para ver o time principal jogar e desejam que a torcida faça aquela festa toda para eles também. Talvez também por isso, somada à inexperiência, a camisa pese mais para alguns, que precisam de mais tempo e paciência para mostrar suas qualidades.

Quando o Figueira não revelava ninguém, ou melhor, quando revelava alguém mais por conta das probabilidades e estatísticas (de 100 que passam um acaba sendo bom jogador) do que por um trabalho profissional e metódico, seus dirigentes eram considerados torcedores apaixonados pelo clube. Naquela época, havia lei do passe para segurar o jogador no clube. O Figueira era apenas mais um participante da terceira divisão e seus jogadores não chamavam a atenção de quase ninguém.

Agora que mais e mais o futebol é negócio, que os jogadores têm mais liberdade para decidir o seu destino, que os atletas revelados ou projetados nacionalmente pelo Furacão Alvinegro chamam a atenção de grandes clubes do Brasil e de fora, aí todo mundo só está nessa pela grana. O torcedor precisa também decidir o que quer da vida.

Seria muito fácil montar um time para vencer o estadual. Bastava trazer treinadores como Mauro Ovelha, Abel Ribeiro ou Agenor Piccinin, montar um elenco cheio de “puta velha”, com perdão da expressão, e ir para as cabeças. O risco seria menor, mas o alcance também. Voltaríamos a ficar restritos às fronteiras do estado, já que esse mesmo time não teria fôlego para ir mais longe. Alguém quer voltar para esses tempos?

Espírito de equipe

O Figueirense ainda está longe de se tornar uma equipe confiável, que tenha padrão tático e jogue de forma coletiva e estável. Na sofrida vitória contra a Chapecoense por 3 a 2, ao menos o espírito solidário e guerreiro fundamental para formar um bom time de futebol esteve presente e foi o principal responsável pela vitória.

Os jogadores lutaram, não desistiram, não se abateram por ceder o empate duas vezes em falhas individuais, apoiaram-se uns aos outros e conseguiram arrancar uma vitória contra um dos bons times deste campeonato catarinense, muito comemorada por todos ao final do jogo.

O Furacão Alvinegro começou mal a partida. A Chapecoense conseguia dominar as ações e teve duas chances claríssimas de abrir o placar. Na primeira, num lance bizarro, com o gol aberto, o atacante do time do Oeste conseguiu acertar a bola em um companheiro de equipe. Em outro, o jogador da Chapecoense chutou para fora uma oportunidade imperdível.

O Figueira estava confuso, intranqüilo na defesa e no meio-campo e errando passes demais. Depois do mau começo, no entanto, o time se assentou um pouco melhor em campo. Jairo, encarregado de encostar nos atacantes, tinha errado tudo até então, começou a entrar no jogo. Meteu uma bola açucarada para Ricardinho desperdiçar uma grande chance cara-a-cara com o goleiro. Em seguida, em outra jogada bem tramada, Jairo recebeu a assistência de Schwenck, bateu no canto e Nivaldo salvou com a ponta dos dedos. Na terceira chance não teve jeito. Ricardinho rolou para Jairo, que deu um belo passe de calcanhar para a conclusão de Juninho na gaveta do goleiro do Verdão do Oeste.

E se o Figueira mereceu sofrer gol no começo do jogo, foi tomar o primeiro e o segundo quando controlava o jogo. Em dois erros individuais. No primeiro, logo no início do segundo tempo, Dieyson se atrapalhou com o quique da bola no gramado molhado e acabou permitindo o passe para o atacante da Chapecoense empatar a partida. No segundo, Talheti recuou uma bola nos pés do avante adversário. Wilson ainda conseguiu salvar o gol na primeira conclusão, mas na segunda não teve jeito. 2 a 2.

Já no fim do jogo, foi a vez da zaga da Chapecoense brindar o Figueira com um pênalti desnecessário. Ricardinho bateu e decretou a vitória por 3 a 2. Um resultado justo num jogo de altos e baixos do time alvinegro.

Pintado, Pintado

É difícil avaliar um técnico na situação de Pintado. Chegou no ano passado com uma missão impossível e quase conseguiu tirar o time do rebaixamento. Começou 2009 com um elenco completamente novo, com vários jogadores contratados e outros 13 promovidos da base. Teve 10 dias de pré-temporada e depois passou a jogar domingo-quarta-domingo, sem tempo para treinamento. Além disso, jogadores saíram e chegaram depois do campeonato ter começado e alguns que seriam importantes para a equipe (Régis, Pedrinho e Rafael Lima) se contundiram.

Então, este blogueiro se impacienta, mas até entende a falta de padrão de jogo. O que mais me incomoda são as substituições durante a partida. No clássico, Pintado tirou Ricardinho, que estava bem, e deixou Rafael Coelho, que estava mal, em campo. Em Itajaí, colocou mais um atacante quando o time era pressionado e aí este atacante teve que virar assessor de lateral para segurar a pressão do Marcílio Dias. Nesta quarta-feira, Jairo começou o jogo muito mal, mas terminou bem o primeiro tempo. Aí Pintado se precipita e tira Jairo no intervalo, o substituindo por Talheti, que entrou muito mal no jogo, queimando uma substituição antes da hora.

Outra discordância que tenho foi no fato de ter deixado Roger mais preso, como primeiro volante, e liberar mais Rômulo para sair para o jogo. Para mim, deveria ser o contrário.

Mesmo que perca para o Criciúma no domingo, no Heriberto Hulse, resultado normal em qualquer circunstância, o Figueira terminará o returno no bolo, na briga por uma das quatro vagas para a segunda fase do campeonato. Mesmo sem jogar um futebol convincente e ter um desempenho linear, o time mostra algumas qualidades individuais e não perde há cinco jogos. Somado ao espírito guerreiro mostrado na vitória sobre a Chapecoense, estes fatores podem ajudar o time a jogar melhor e Pintado a trabalhar com mais calma.

Talheti unplugged

Talvez seja o peso de ser apontado como a grande promessa da base alvinegra, mas Talheti está sentindo a responsabilidade. Talvez precise ser mais bem trabalhado para poder ter estrutura emocional para enfrentar a tarefa de ser um dos principais jogadores do elenco alvinegro. Hoje entrou desligado, fora de sintonia e quase teve que enfrentar a barra de ser responsabilizado por o Figueira não sair de campo com a vitória.

Os jogadores amadurecem em tempos diferentes. É possível que Talheti precise de mais tempo para fazer um trabalho para adquirir mais força física e conseguir resistir ao jogo de choque. Também é preciso trabalhar melhor sua cabeça para que a ansiedade e o nervosismo não apaguem o seu talento.

Os outros garotos

Dieyson falhou no primeiro gol da Chapecoense, mas não se deixou abater e logo depois teve força e perspicácia para desarmar um jogador adversário que preparava para concluir quase na risca da pequena área. Fez outra boa atuação, no balanço geral. Seu companheiro de zaga, o estreante Marcos, não comprometeu. Os dois mostraram uma virtude que andava rara na defesa alvinegra: a capacidade de antecipação.

Se antecipar não é uma mera questão de força física e velocidade. Requer principalmente tempo de bola e boa leitura de jogo. É muito cedo para qualquer juízo definitivo, mas os dois parecem ser jogadores que podem compor bem o elenco de zagueiros do Figueira.

Já o lateral Lucas foi uma surpresa positiva. Não havia gostado das poucas vezes que o vi em campo. Nesta quarta-feira, mostrou mais qualidade e personalidade. Fez jogadas de fundo de campo, fechou para o meio e concluiu com a perna esquerda e não comprometeu defensivamente. Substituiu Anderson Luís com sobras e merece ser mantido na equipe.

Ainda não estão em crise?

Este blog espera sinceramente que o crédito por ter subido de divisão depois de 30 anos de espera não se acabe até o Avaí ser rebaixado para a série B no final do ano.

É curioso ouvir até de torcedores alvinegros que o Figueira não convence e o time deles está “em evolução”. O Avaí não ganha há cinco jogos. Manteve o técnico e a base do ano passado. Teve mais tempo de preparação antes do campeonato começar. Os jogadores já conhecem o sistema de jogo. O treinador já conhece os jogadores. O time, no entanto, leva tunda quando joga mal (levou quatro de Criciúma e do Atlético de Ibirama) e quando joga supostamente bem, fica no tico-tico-no-fubá, com muito toquinho de um lado para o outro, mas gol e vitória que são bons, nada. O único representante de Santa Catarina na série A está em sétimo entre 10 participantes e pode terminar o turno no máximo em quarto, se os resultados da última rodada ajudarem.

O time do Figueira, ainda em formação, é uma incógnita. A capacidade do técnico Pintado também é. Só que se tem alguém que pode usar todas as justificativas para explicar as dificuldades do momento é o Furacão Alvinegro. O Avaí, pelo momento que vive, não encontra nem na ruindade de Arlindo Maracanã justificativa para resultados tão pífios.

No Scarpelli, testemunhava-se uma situação esquizofrênica. Enquanto Balduíno e Paulo Branchi, na rádio Guarujá, consideravam que o time melhorou depois de um mau começo de jogo e merecia a vitória, Roberto Alves descascava o verbo na CBN. O time é ruim, a diretoria não vai investir, as perspectivas são péssimas, dizia ele. Logo ele, que elogiou tanto a Chapecoense quando esta foi derrotada injustamente na Ressacada, sendo prejudicada inclusive pela arbitragem, criticava o Figueira sem dó nem piedade, coisa que não falta na hora de analisar o Avaí. Se a situação fosse o inverso, o pau já tinha cantado para cima do Figueira. Aliás, o pau sempre canta para cima do Figueira, ganhando ou perdendo. 

Está na hora de avaliar com mais frieza e objetividade a influência da mídia no comportamento da torcida. Como o que dizem os tais formadores de opinião afeta os humores do torcedor. Quem quiser que se habilite para a tarefa.

Oitavo jogo, sétima formação

Na partida desta quarta-feira, no estádio Orlando Scarpelli, contra a Chapecoense, o técnico Pintado escala a sétima formação diferente em oito jogos. Marcos substitui Perone, liberado para viajar para a Itália, na zaga. Cogita-se ainda a estréia de Rômulo na cabeça de área e a entrada de Lucas na vaga de Anderson Luís.

Somente nas duas primeiras rodadas, o Figueira repetiu o time de um jogo para o outro. O 4-3-3 que funcionou bem na goleada sobre o Atlético Tubarão por 4 a 0, não deu resultado, no entanto, na derrota para o Brusque por 1 a 0 e foi desfeito logo no intervalo.

A formação, aliás, foi um dos erros de Pintado. Foi eficiente para jogar em casa e golear um dos times mais limitados do campeonato, que vinha fechado para explorar o contra-ataque. Contra um time de melhor qualidade, num campo de dimensões reduzidas, onde o jogo de choque prevalece o tempo todo, enfrentaria muitas dificuldades, como de fato enfrentou. Além de abrir demais um time que passou o ano anterior sofrendo por falta de proteção à defesa.

Nem todas as mudanças podem ser debitadas ao técnico do Figueira. Régis e Pedrinho seriam titulares se não estivessem contundidos. Rômulo é um reforço que promete qualificar o meio-campo e a pegada defensiva. Além disso, as suspensões, normais em qualquer competição, e o desgaste decorrente de jogo atrás de jogo depois de uma pré-temporada curta demais, também marcariam presença.

Inegavelmente, no entanto, tantas mudanças atrasam o entrosamento do time e a construção de um padrão de jogo definido e equilibrado. Mais uma vez iremos ao Scarpelli sem saber o que esperar ao certo do time.

A fase de testes terá que chegar ao fim e tudo indica que será no domingo, quando termina o primeiro turno. Depois disso é passar o facão no elenco, que tem 40 jogadores no momento, e buscar reforços para as posições carentes. Não há nada que proíba que o Figueira termine o estadual com um time pronto para a série B. Não há porque ter que passar de novo pelo perrengue de montar o time com o campeonato em andamento.

Nem Pollyana aguenta

Ao ouvir a entrevista do superintendente de futebol do Figueira, Marcos Baricala, o Baré, na Rádio Guarujá no final da tarde da segunda-feira, um filme antigo me veio à cabeça. E ele não tem final feliz.

Baré disse que não é o melhor momento para contratações porque há poucas opções no mercado e o Figueira não pode errar. Até aí tudo bem. O melhor momento, segundo ele, seria ao final dos campeonatos estaduais. Correto também.

O problema é que a conversa lembra o andamento da temporada passada. No começo do ano é complicado contratar porque o mercado está aquecido, já que os clubes estão montando seus elencos para os estaduais. Aí tudo fica inflacionado. Aí quando terminam os estaduais, os times estão se reorganizando para o Brasileiro e também é complicado porque os jogadores que se destacaram nos certames regionais estão muito valorizados.

Só que aí tem outro problema. Com a temporada em andamento também é complicado contratar porque os bons jogadores já estão empregados e tirá-los de seus times é difícil porque tem que pagar multa rescisória e cousa e lousa. Ou então contratar atletas que estão parados há muito tempo e vão precisar de um longo período de preparação para terem condições de atuar.

Para completar, no final da temporada também é difícil contratar porque os jogadores em fim de contrato que se destacaram durante o ano estão fazendo leilão e no ano passado ainda havia o complicador adicional do Figueira estar brigando para não cair, portanto não tinha certeza do tamanho da receita para 2009.

Diante dessas considerações, é surpreendente que o Furacão Alvinegro tenha conseguido formar bons times por 10 anos seguidos, se manter na série A por sete anos consecutivos, ganhar seis campeonatos estaduais neste período, etc. Nunca é o melhor momento para contratar, pelo que estão dizendo agora, então como conseguiram encontrar bons jogadores nos anos anteriores e agora é esse parto a fórceps?

E olha que não sou aquele torcedor analista de currículo, que acha que bom jogador é aquele já passou por trocentos clubes, sendo, de preferência, meia dúzia de grandes. Para mim, pode vir jogador da base, do Águia de Marabá, do Flamengo ou do Real Madrid. O que interessa é que resolva o problema dentro de campo.

O difícil mesmo é consertar o carro com ele em movimento. O mais grave não é liberar Perone para viajar à Itália nesse momento. Analisando friamente, ele sai numa hora em que o prejuízo pode ser menor, já que o time está virtualmente fora da disputa do primeiro turno.

O problema é ter contratado somente um zagueiro (Régis) e liberado outro (Bruno Aguiar) para o setor mais problemático do time no ano passado. Dieyson é uma grata surpresa, mas precisa de um companheiro de zaga. De preferência, mais experiente que ele. Sozinho ele não vai dar conta.

Até agora, o Figueira não mostrou, dentro ou fora de campo, que as coisas mudaram e que 2008 não vai se repetir. Está difícil ouvir falar em planejamento quando o time não tem zagueiro para botar em campo e tem 11 atacantes no elenco. Quando Anderson Luís prossegue impávido na lateral direita e para a outra ala o time só dispõe de um jogador, Wellington. Houve um tempo em que Triguinho brigava por uma vaga no time com Filipe. Que Filipe brigava por uma vaga no time com André Santos. Agora para achar um ala mais ou menos é uma novela. Dois então… Até o nefando Paulo Sérgio tinha concorrência na posição (César Prates, Pedro, Bruno Ribeiro, etc.).

O problema é ouvir o mote: temos que ir com calma, não podemos errar. Esperar meses por uma contratação e ver, na prática, que erraram!

Antes de ser blogueiro, na mera condição de torcedor sempre procurei analisar as coisas com um mínimo de equilíbrio. Sempre procurei passar longe do chavão “ganhou, é tudo craque; perdeu, ninguém presta”. Ultimamente, no entanto, está difícil bancar a Pollyana e fazer o jogo do contente.