O melhor do jogo deste domingo contra o Marcílio Dias, em Itajaí, foi, inegavelmente, a vitória por 1 a 0. Antes de tudo, o Figueira precisava interromper a seqüência de jogos sem vencer e acalmar o ambiente. A derrota ensina muita coisa, mas, no futebol, tem hora que é melhor corrigir erros depois de ganhar.
O Figueira começou a partida na mesma toada dos jogos anteriores fora de casa. Muito chutão para frente e, como conseqüência, mais posse de bola e controle da partida pelo adversário. Quando botou a bola no chão pela primeira vez, trocando passes com rapidez, construiu a jogada que culminou no pênalti em Schwenck. Depois disso, o time melhorou e criou outras chances de ampliar o placar, mas da metade do primeiro tempo em diante, a equipe voltou a rifar a bola e a deixar o Marcílio Dias pressionar.
No segundo tempo, o Marcílio criou muito mais chances, principalmente nos primeiros minutos, mas foi incompetente para chegar ao empate. Se durante a primeira etapa o Figueira conseguiu, por um bom período, chegar mais junto na marcação, fazer mais desarmes e se defender com mais tranqüilidade, na parte final do jogo, com as substituições feitas pelo time de Itajaí, o Furacão Alvinegro deu muito espaço nas costas de Wellington. Sempre sobrava alguém entre ele e Bruno Perone, sem haver a cobertura adequada. Foi dali que saíram as melhores jogadas do Marcílio.
A fumaça de bom futebol se refere aos momentos em que o Figueira encaixou melhor a marcação e às várias chances que conseguiu criar durante a partida. Mesmo muito pressionado e dando espaços para o Marcílio Dias construir jogadas, o Furacão Alvinegro conseguiu responder à pressão criando chances claras de gol, algumas delas interrompidas por impedimentos cavernosos assinalados erradamente pelo bandeirinha. Ainda longe do ideal, mas muito melhor que as bisonhas apresentações fora de casa contra Joinville e Brusque.
É muito simplismo, no entanto, atribuir a vitória somente à falta de qualidade do Marcílio Dias. É um time tão limitado quanto Atlético de Ibirama, Brusque e Metropolitano, por exemplo. Se os marcilistas estavam com a pontaria descalibrada, Schwenck também desperdiçou a chance de fazer 2 a 0 antes dos 15 minutos do 1º tempo, o que poderia o time de Itajaí perder o rumo de vez. Além disso, o Figueira tinha vários desfalques e começava o jogo com uma formação que nunca havia jogado junto.
Apesar das substituições difíceis de entender de Pintado, como a troca de Juninho por Franklin. Apesar de alguns jogadores que ou não têm condições de vestir a camisa do Figueira ou ainda não disseram a que vieram, o Figueira lentamente melhora. O crescimento precisa continuar na próxima partida, contra a Chapecoense no Scarpelli.
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Árbitro caseiro
No fim do primeiro tempo, o jogador do Figueira entrou firme mas na bola, fez o desarme, os jogadores do Marcílio reclamaram, a torcida berrou e mesmo assim o árbitro Edmundo Alves do Nascimento corretamente não assinalou falta. Logo depois outro lance igual, mais um desarme, mais reclamação, mais berreiro e o juiz acertou novamente. No terceiro lance, no entanto, ele não resistiu à pressão e apitou falta nas proximidades da área alvinegra.
O mesmo se repetiu com o pênalti a favor do Marcílio aos 46 do segundo tempo. Depois de dois ou três lances de cai-cai na área, Edmundo não se conteve e assinalou a falta capital num lance em que o próprio atacante do Marcílio se levantava para prosseguir. Menos mal que Wilson mostrou sua qualidade e evitou o empate.
Edmundo também foi caseiro na aplicação dos cartões. Roger levou cartão num lance em que sofreu falta e o árbitro, além de inverter a infração, o advertiu com o amarelo. Anderson Luís também levou amarelo numa jogada em que desarmou limpamente o adversário.
Para completar, os bandeiras também trabalharam para o time casa. Assinalaram impedimentos inexistentes contra o Figueira e deixaram passar impedimentos do ataque do Marcílio. Nada muito fora do ordinário no futebol catarinense, onde, na maioria das vezes, os árbitros são muito corajosos quando apitam na capital, com a torcida longe do gramado e com 100 policiais para lhe garantir a segurança, mas dançam conforme a música nos estádios do interior.
Complicado só no nome
Assim como é prematuro queimar um jogador também é encher a bola dele depois de apenas um jogo e meio, mas Dieyson está aparecendo como uma boa opção para a defesa alvinegra. Que consiga manter o bom nível de suas duas atuações iniciais.
NET faz venda casada?
Sou assinante da TV a cabo NET há mais de 15 anos. Só passei a comprar o PPV da série A do Brasileiro em 2002, quando o Figueira subiu para a primeira divisão. Mantive o hábito religiosamente até o ano passado, quando adquiri o pacote série A + campeonato catarinense.
Minha primeira surpresa foi constatar que a NET renovou minha subscrição do pacote para 2009 sem me consultar. Primeiro fui tomado pela dúvida. A fatura é confusa e, em janeiro, fiquei sem saber se ainda estava pagando – o vencimento é no dia 10 de cada mês – o ano passado ou se já estava pagando este ano. Como o sinal do PPV do campeonato estadual esteve liberado até agora e a fatura que vence em 10 de fevereiro repetia a cobrança, ficou mais fácil para minha mente lenta somar dois mais dois e concluir que eu já estava pagando pela temporada em curso.
Minha segunda surpresa foi entrar no site da NET e constatar que não há um pacote que venda somente a série B e o estadual junto ou os dois separadamente. Você pode comprar a série A e um campeonato estadual. Pode comprar a série A e dois estaduais. Pode adquirir as séries A e B e um ou dois estaduais, mas não pode comprar só a segunda divisão e o catarinense.
Resolvi fazer tudo então por telefone, até porque tinha que resolver outras pendências. Pensei que o site poderia estar dando um “migué” e o pacote que eu queria (série B + campeonato catarinense) estar sendo vendido somente para aqueles que pedirem expressamente por ele.
Aí a venda casada se confirmou. Para poder ver a série B, eu tenho que comprar a série A. Só que a primeira divisão não me interessa. O que me interessa é ver o Figueira jogar. E neste ano, o Furacão joga a série B.
Não, não é possível, informa o atendente. É possível comprar então só o catarinense? Não. Qual a saída que encontrei? Cancelar tudo. Fico sem o PPV do estadual e quando começar a série B, verei o que a NET oferece.
Não é uma estratégia muito inteligente da NET. No campeonato estadual, há concorrência atualmente. A Record transmite os jogos. E provavelmente irá transmitir todos os jogos do Figueira fora de casa, ou quase todos. As partidas no Scarpelli, assisto no estádio. Meu prejuízo será mínimo. Além de servir de protesto pelo fato de para ter o que quero, eu ter que comprar – e pagar por – o que não quero.
A operadora, a RBS e os clubes catarinenses vão ficar sem meu dinheiro esse ano.
Só a série B
Em minha modesta opinião, o torcedor do Figueira que tem condições financeiras para tanto deveria só comprar o PPV do série B. Tanto para não dar dinheiro para quem não interessa e/ou merece quanto para firmar uma posição e reforçar a importância do Furacão Alvinegro no mercado do futebol.
É bom lembrar que o Figueira foi o 14º em pesquisa realizada para verificar a paixão clubística dos compradores do PPV (confira aqui), à frente de times com torcidas maiores. Isso tem um peso que deve ser respeitado, mas para tanto depende do comportamento do torcedor alvinegro.
Os contrastes da campanha
A campanha é ruim e o sistema defensivo do Figueira não inspira confiança. O time, no entanto, tem a melhor defesa do campeonato, com seis gols sofridos, junto com a do Atlético de Ibirama. Além disso, metade destes gols foi sofrida em único jogo, a derrota por 3 a 0 para o Joinville.
Em contrapartida, o time tem o segundo pior ataque do campeonato, com seis gols marcados, superior somente ao do Atlético Tubarão, que assinalou quatro gols. Só que destes seis gols, quatro foram marcados na goleada sobre o próprio Atlético, na primeira rodada. Nos cinco jogos seguintes, o Figueira marcou somente dois gols, nos empates por 1 a 1 com Avaí e Atlético de Ibirama.
Mais curioso que isso só o Atlético de Tubarão que marcou todos os seus gols na vitória sobre o Metropolitano por 4 a 3. Nas outras cinco partidas que fez passou em branco.
Os números, no entanto, comprovam: o Figueira está se defendendo melhor, mas não está jogando melhor. Ainda falta muito para o time encontrar o equilíbrio e a eficiência necessários para obter uma sequência de bons resultados.
Planejamento descalibrado
Na reunião da direção do clube com os blogueiros alvinegros (clique aqui), o presidente Norton Boppré informou que o Figueira estava encontrando dificuldades para contratar zagueiros, que havia poucos bons nomes disponíveis no mercado.
Isso pode ser traduzido como dificuldade de encontrar jogadores de boa qualidade dentro do que o Figueira se dispõe ou tem condições de pagar. Como essa era a principal deficiência do clube no ano passado, fica difícil entender a quantidade de atacantes que o Furacão Alvinegro tem em seu elenco, enquanto falta qualidade na cozinha.
Para piorar, agora falta também quantidade. Bruno Aguiar foi liberado. Rafael Lima e Régis estão contundidos. Assim, o Figueira vai para Itajaí enfrentar o Marcílio Dias no domingo apenas com Dieyson – ex-junior que entrou muito bem no clássico – e Bruno Perone. Não tem zagueiro para botar na suplência.
Assim, Pintado vai ter que mexer no time de novo. Não quero precipitar a estréia de Rômulo, mas gostaria de vê-lo jogar em vez de Rafael Ueta. Digo isso porque a provável escalação para o jogo de domingo tem Wilson; Anderson Luiz, Dieyson, Perone e Wellington; Roger, Edson Galvão, Ueta e Talheti; Ricardinho e Schwenck.
Pedrinho sentiu a coxa e a extensão da lesão ainda não foi confirmada. No ataque, Pintado faz no jogo seguinte o que deveria ter feito no clássico: deixar Ricardinho no time e tirar Rafael Coelho.
O Figueira costuma se dar bem quando joga em Itajaí. Será que mantém a tradição mesmo com tantos problemas?
Entre mortos e feridos…
… salvaram-se todos. É o saldo do Clássico desta quinta-feira. O Figueira teve 12 minutos de bom futebol no início do jogo, até fazer um a zero, teve raça, vontade e superação. Faltou técnica e organização tática. O empate não afunda o time na crise, mas também não dá a confiança e o ânimo para sair da fase ruim. É um lusco fusco perigoso.
O melhor momento do Figueira foi o início da partida, quando, jogando a bola para Ricardinho, o time levou perigo para o Avaí em várias oportunidades até abrir o placar aos 12 minutos com Bruno Perone, de cabeça, depois de uma cobrança de escanteio. Depois disso, o time cedeu espaço e campo ao Avaí e foi pressionado, sem conseguir sair no contra-ataque. Mesmo assim, manteve a vantagem até o final do primeiro tempo.
No segundo, tomou o gol de empate logo aos cinco minutos, sofreu mais um pouco, mas subiu de produção depois da saída de Marquinhos, o Sujo. A partir daí teve chance de sair com a vitória, num gol perdido por Pedrinho, num gol anulado de Rafael Coelho e num pênalti não marcado em Pedrinho.
O Figueira, no entanto, está muito longe de ter um padrão de jogo consistente. O time continua abusando do chutão. A marcação ainda não está boa, apesar de Roger ter melhorado o setor. O time depende quase exclusivamente de jogadas individuais e falta jogo coletivo, jogadas trabalhadas, triangulações, tabelas e aproximações. E aí entra o treinador, cujo trabalho precisa ser avaliado.
Pintado está devendo
Até o momento me abstive de comentar o trabalho do técnico. Quando Pintado chegou, no ano passado, manifestei minhas dúvidas se ele era o nome certo para tentar salvar o time do rebaixamento e se ficasse para 2009, se era o cara para comandar a reformulação do elenco e o trabalho de pré-temporada.
Isso porque no ano passado, faltando três jogos para terminar o campeonato, o trabalho possível era de motivação, de recuperação psicológica. Pintado conseguiu três improváveis vitórias e agora tem que provar que é capaz de organizar um time desde o início do ano.
Como o tempo de preparação foi muito curto, com jogadores ainda chegando – Rômulo foi apresentado na segunda-feira –, não seria justo analisar o trabalho dele nestas circunstâncias. Só que depois de seis rodadas, mesmo com tantas mexidas, o time poderia estar mostrando um padrão melhor. A entrada de Ueta hoje, por exemplo, não se justifica e menos ainda a saída de Ricardinho no segundo tempo, o único que conseguia criar no ataque alvinegro. E não é a primeira vez que Pintado erra a mão nas substituições.
Ainda é cedo, em minha opinião, para dizer que Pintado não serve. Se, no entanto, o time não melhorar seu padrão de jogo nestes três últimos jogos do primeiro turno, é de se pensar em outro treinador.
Roger e Perone
Roger está se firmando como o grande jogador do meio-campo do Figueira neste início de campeonato. Marca razoavelmente bem, tem bom porte físico, sabe jogar com a bola no pé. Para mim, vai subir ainda mais de produção quando encontrar melhor companhia para jogar a seu lado e quando passar a jogar como segundo volante. Com um cabeça-de-área plantado à frente da zaga, que deve ser Rômulo, vai ter mais liberdade para sair jogando e vai render ainda mais.
Já Perone é um caso à parte. Só jogou porque Régis sentiu a panturrilha. De novo, entretanto, fez um grande jogo, como havia feito em sua estréia, na vitória por 3 a 0 no clássico do ano passado na Ressacada. A constatação é simples. Se Perone jogasse todo jogo como joga quando enfrenta o Avaí seria um zagueiro bem melhor.