A se confirmar a informação do site INfoesporte, de que o Figueira deve emprestar Anderson Luís e dispensar Juninho e Rafael Ueta, a avaliação feita pela direção do clube estará muito próxima do que pensa a maioria da torcida. Para a sintonia ficar perfeita, só se Bruno Perone também for negociado com outra equipe.
A questão mais importante, no entanto, é quem vem? O time precisa melhorar a defesa e reforçar o setor de criação, prioritariamente. Com Lucas se firmando na ala direita e Anderson Pico aparentemente disposto a retomar seu bom futebol, a situação nestes setores melhora bastante. O ataque precisa ser reforçado, mas com alguém muito acima do que temos, artigo raro e caro no futebol brasileiro atual.
Roberto Fernandes já comentou as diferenças entre série A e série B. O Figueira, na opinião deste blog, precisa também de mais experiência. De jogadores mais rodados, mas que tenham lenha para queimar. Atletas que, provavelmente, só servirão para a segunda divisão, mas que podem ser fundamentais para o Furacão Alvinegro retornar à elite do futebol brasileiro.
Também é fundamental que as contratações sejam norteadas por uma concepção de equipe. Não adianta sair contratando a granel, atirando para todo lado e ver se tudo se encaixa na sequência. O Figueira vai ter um time de toque de bola, que cadencia o jogo? Vai ser uma equipe que marca forte e sai em velocidade no contra-ataque? Ou opção será por sistema de jogo mais defensivo em que a arma principal para vencer os jogos vai ser a bola parada?
Tudo isso deve ser pesado, levando em conta os jogadores que serão aproveitados do atual elenco e os reforços que estão ao alcance do clube. Tempo para trabalhar, pelo menos, é o que não falta.
Monthly Archives: March 2009
Não esqueçam a bola parada
Faz tempo que o Figueira não tem um bom batedor de faltas. Puxando pela memória, o último que recordo é Michel Bastos, já no longínquo ano de 2005. Chicão e Cleiton Xavier faziam seus golzinhos de falta, mas era algo esporádico.
No futebol atual, no entanto, a bola parada é fundamental. Na série B, então, ainda mais. Marcação forte, jogo truncado, gramados ruins, fazem parte do cardápio da competição. O Figueira precisa então investir num jogador capaz de fazer diferença nas cobranças de falta diretas, nos escanteios e faltas laterais, além de ter um bom repertório de jogadas ensaiadas. Isso pode ser decisivo.
A parceria Marcelinho-Abimael está na memória para não me deixar mentir.
As primeiras mudanças
O Figueira começa a reorganizar a casa para se preparar para a série B. O retorno de Marcos, William Matheus, Edson Galvão, Ricardo e Marquinhos às categorias de base é correto. Podem ser úteis ao Furacão Alvinegro no futuro, mas não nesse momento. A especulação geral é que outros jogadores serão dispensados ou emprestados na próxima semana.
Também era esperado. O elenco tem que ser significativamente alterado e qualificado para disputar a série B em condições de brigar pelo acesso. O laboratório feito no estadual pode ser criticado, custou ao clube o bicampeonato, mas tinha que ser feito e não haveria outro momento para ocorrer.
Sua grande virtude foi não tapar o sol com a peneira. Todos os defeitos ficaram evidentes. Pintado não conseguiu imprimir uma marca, um esquema definido para a equipe, foi substituído, e tudo indica, com sobras, por Roberto Fernandes. O elenco também se revelou insuficiente para se montar um time qualificado e consistente e será reforçado.
E aí que entra o momento decisivo para o futuro do Figueira na temporada. Desde o ano passado, o clube tem errado muito nas contratações. Estes erros não podem se repetir agora. Os novos contratados têm que ser muito bem escolhidos para que o Furacão Alvinegro finalmente volte a ter um time competitivo e à altura de suas tradições.
A hora certa
É muito difícil identificar a hora certa de colocar um atleta oriundo das categorias de base para jogar na equipe principal. Existe um consenso que é melhor lançá-los num time já acertado, em boa fase. Isso, no entanto, não é garantia de que o jovem entre e logo comece a jogar tudo que sabe.
O torcedor muitas vezes esquece que jogador é feito de carne e osso, pensa que cada time tem 11 robozinhos em campo. Jogador, como qualquer um de nós, reage de forma diferente uns dos outros.
Muitos torcedores acham que o melhor técnico é aquele que mantém o elenco em rédea curta, na base da bronca. Não creio que seja o mais adequado. O melhor treinador é aquele que consegue identificar qual a melhor maneira de fazer seu atleta render o máximo. Tem gente que funciona melhor na base da cobrança e da bronca. Outros rendem melhor se forem provocados, desafiados. E há aqueles que precisam de muito apoio, muita conversa, para mostrarem tudo que sabem.
Na hora de lançar um jogador vindo dos juniores também é preciso saber trabalhar tudo isso e uma chance não aproveitada não significa necessariamente que o atleta não possa ser útil mais adiante.
Lucas é um bom exemplo desta situação. Estreou no time profissional em 2007, fez algumas partidas em 2008 e em nenhuma delas mostrou algo digno de nota. Pelo contrário, foi muito deficiente. Se seu julgamento definitivo fosse pelo jogo contra o Joinville, fora de casa, na derrota por 3 a 0 no primeiro turno do estadual deste ano, sua rescisão deveria ter sido assinada no dia seguinte, tal foi o desastre de sua atuação naquela partida.
Quando este blog pedia a saída de Anderson Luís, não era por crer que Lucas fosse melhor, era simplesmente porque já estava mais do que convencido que Anderson não servia.
Pois Lucas, que fez 21 anos na semana passada, para surpresa da grande maioria destes torcedores, inclusive este blogueiro, entrou e tem jogado muito bem. Desde que voltou a iniciar uma partida como titular, o garoto mostrou que estava disposto a fazer de tudo para agarrar a chance. Tanto que Roberto Fernandes o escalou em duas partidas no meio-campo e Lucas fez três gols contra Chapecoense e Criciúma, mostrando frieza e qualidade na hora de finalizar, virtudes raras no futebol brasileiro atual e num jogador jovem.
Lucas não agarrou a chance antes porque não estava pronto. Agora está. Pode oscilar, pode cair de produção, pode calçar um salto 15 e parar de jogar bem, mas tudo isso é o risco da idade. E só tem um jeito de saber se o jogador está pronto: é botando para jogar. Mesmo que isso custe um campeonato.
Para deixar bem claro
A vitória de virada por 5 a 4 sobre o Criciúma, no estádio Orlando Scarpelli, nesta quarta-feira, serviu para deixar bem claro, mais uma vez, que o Figueirense precisa se reforçar muito para fazer uma boa série B.
Um time que tem a ambição de voltar para a série A não pode começar a disputa da segunda divisão correndo o risco de ter um sistema defensivo formado por Bruno Perone, Marcos e William Matheus.
O Criciúma chegou aos 3 a 0 no primeiro tempo porque, além do Figueira ter ido a campo com uma formação completamente desentrosada, a defesa alvinegra cometeu erros individuais grotescos. No primeiro gol, logo a um minuto, Perone conseguiu dominar uma bola de canela e entregá-la de presente para o atacante adversário. No segundo gol, foi a vez de William Matheus não acompanhar o resto da defesa na linha de impedimento e dar condições para o Criciúma ampliar o placar. No terceiro gol, Marcos não conseguiu usar o corpo para barrar o avanço de um jogador de um metro e meio num lance em que a bola estava quase saindo pela linha de fundo.
Tudo indicava que o vexame seria grande.
Aí, também para deixar bem claro, Roberto Fernandes mostrou que pode fazer um grande trabalho no Figueira. Começou a consertar o time ainda no primeiro tempo, com a entrada de Lucas no lugar de Marcos. No intervalo, botou Pedrinho no lugar de Marcelo e deu uma ajeitada geral no ânimo e no posicionamento da equipe.
O resultado foi rápido. O time começou a pressionar o Criciúma e foi a vez da defesa do time do Sul do Estado começar a confessar depois de ser apertada. Aos três minutos, Lucas diminuiu e aos 10, Dieyson fez o segundo. Depois, o péssimo árbitro Iolando Marciano Rodrigues deu um pênalti duvidoso – talvez para compensar o gol de Marcelo anulado erradamente na primeira etapa – e o Furacão Alvinegro empatou a partida com Douglas. O Figueira seguiu em cima e Lucas fez mais um, virando o jogo, aos 22. Em seguida, Marcelinho acertou um pombo sem asa do meio da rua e decretou novo empate, mas no final, Rafael Coelho, que havia entrado no lugar de Douglas, fez um golaço e fechou o placar num raro 5 a 4.
O jogo serviu ainda para deixar bem claro que um time deve ter um bom treinador, precisa estar bem preparado fisicamente, tem que estar bem organizado taticamente, mas que talento continua sendo fundamental. A partir do momento que Roberto Fernandes adicionou qualidade com a entrada de Lucas e Pedrinho e, mais tarde, de Rafael Coelho, as jogadas começaram a sair e o time conseguiu superar seus erros.
O quarto gol foi um bom exemplo. Roger fez um ótimo lançamento para Pedrinho na ponta esquerda. O meia dominou a pelota com grande categoria e cruzou na medida para Lucas finalizar para as redes. Uma boa direção fora de campo e qualidade dentro dele são as receitas óbvias para se fazer um bom time de futebol.
Agora é hora de fazer todas as mudanças necessárias e fundamentais para se ter um elenco bem mais forte para a disputa da série B. Desde a chegada de Roberto Fernandes, o Figueira tem mostrado outra cara. Foram dois empates fora de casa – que poderiam ser vitórias se o time fosse mais experiente e qualificado – e duas vitórias no Scarpelli. Com um bom elenco nas mãos, o técnico tem tudo para fazer o Furacão Alvinegro brigar pelo acesso na série B.
Força, Fernandes
A nota triste desta terça-feira foi a notícia de que o meia Fernandes, há quase um ano sem jogar, vai ter que se submeter a uma nova cirurgia para tentar resolver a grave contusão que a afetou sua coxa.
É uma pena. Fernandes é uma dos maiores jogadores que vi jogar com a camisa do Figueira, um exemplo de atleta e de pessoa. Por mais que a notícia me entristeça, assim como a milhares de alvinegros, ninguém deve estar sentindo mais todo esse drama do que o próprio jogador, privado de fazer o que mais gosta e de ajudar o clube que aprendeu a amar num momento muito difícil.
Num futebol tão carente de ídolos, é fundamental dar todo o apoio a Fernandes. Não sei até onde o jogador terá forças para continuar lutando contra tantas dificuldades, mas se ele estiver disposto a prosseguir na batalha para se recuperar, o clube e a torcida devem dar todo o apoio que ele merece.
Não se trata de caridade, pura e simplesmente. Trata-se de um jogador de qualidade rara, acima da média, e que pode ser muito importante para o Figueira na campanha pelo acesso. Há maneiras de se negociar um contrato em que o salário do jogador esteja vinculado à sua recuperação e produtividade. Recuperado, ele poderá dar muitas alegrias ao torcedor alvinegro.
Enquanto Fernandes não desistir de jogar, eu não desistirei de vê-lo jogar. Força, Fernandes, e volte logo.
Novo site esportivo em SC
O jornalista Arthur Virgílio informa sobre sua nova empreitada, o site INforesporte:
Queremos dividir com todos este momento com uma novidade. Acaba de entrar no ar o site www.infoesporte.com.br. Com seu slogan “Sob todos os ângulos” como indicativo da proposta de sua equipe, o INfoesporte tem como meta se tornar referência de informação e conteúdo sobre o futebol profissional de Florianópolis. Para isso, o portal já nasce com produtos em variadas mídias como vídeos, áudios, blogs e fotos. Tendo a funcionalidade de uma emissora comunicativa, com uma grade de programação definida, o site atualiza e entretêm 24 horas por dia os interessados em acompanhar as principais novidades de Avaí e Figueirense.
Além disso, o site resgata fatos históricos e dá “voz” aos personagens que fazem parte da história destes dois clubes, buscando assim estreitar as relações entre a equipe do site e o seu público. Tudo isso para trazer, em um só ambiente, o necessário para o público manter-se bem informado de maneira rápida, eficiente, completa e prazerosa.
Contando com uma equipe afiada na produção, o INfoesporte possui profissionais especializados no jornalismo esportivo de Florianópolis. Pessoas que têm em seus currículos experiências nos meios impresso, online, televisivo e radiofônico. Todo esse conhecimento sendo colocado em prática diariamente nos produtos que o site oferece e prezando pelos conceitos do jornalismo ético, com a pluralidade da informação. No INfoesporte, a polêmica tem os dois lados da moeda, para desta forma, o internauta tirar sua conclusão e poder interagir, emitindo sua opinião.
Grande abraço e não deixem de conferir.
Para cumprir tabela
O Figueirense faz nesta quarta-feira sua última partida no campeonato catarinense de 2009, que já vai tarde e sem deixar saudades.
Nada motiva muito a ida ao estádio, a não ser o velho costume de estar sempre no Scarpelli quando tem jogo do Figueira. É sempre bom, até quando é ruim. Ver um jogo de futebol também é sempre um jeito divertido de passar o tempo, espairecer e se desligar um pouco dos problemas do dia-a-dia.
Ainda pode-se ter de brinde uma vitória sobre o Criciúma e, quem sabe, festejar mais uma amarelada histórica do time do Sul da Ilha, o que tornaria a noite muito mais agradável e divertida. Quer lugar melhor para comemorar mais um fracasso do rival do que no Scarpelli?
Torcer é só ir na boa?
A máxima de que torcedor brasileiro gosta é de vencer e não de torcer é mais verdadeira a cada dia. Outro dia li num blog que duro era botar 20 mil pessoas no estádio na 25ª rodada da terceira divisão com o teu time na 12ª posição, ou seja, sem ter mais nada o que fazer no campeonato, nem subir, nem cair. E isso acontece. Fora do Brasil. Aqui, muito torcedor adora manifestar seu amor ou sua insatisfação com o time sem botar os pés no estádio.
A torcida do Figueira anda nessa fase. A diretoria não tem ajudado, o time é fraco, a campanha é ruim, o campeonato estadual não anima, mas tem torcedor que depois de passar sete ou oito anos comendo filé mignon desaprendeu a encarar uma carne de pescoço. Aí um monte de gente prefere ficar choramingando e resmungando do que reafirmar seu amor ao clube indo ao estádio.
É uma situação paradoxal. O torcedor brasileiro adora abandonar seu time à própria sorte, quando não se vira contra ele, e adora fazer festa quando o time está jogando o fino. Ora, quando o time está voando, nem precisa de torcida. Atropela os adversários até com portões fechados. Aí quando está mal, seu próprio torcedor é o primeiro a abandoná-lo. Não entendo muito bem isso, mas é a prática corrente em quase todos os estádios brasileiros.
Já ouviu falar num time chamado Huddersfield Town? Está na 14ª posição da terceira divisão da Inglaterra, com 51 pontos em 38 jogos. Faltando oito rodadas para terminar o campeonato, está 13 pontos atrás do sexto colocado, último classificado para o play-off do acesso – lá, os dois primeiros sobem direto e do terceiro ao sexto disputam um mata-mata para definir o terceiro promovido – e 12 pontos à frente do primeiro time da zona do rebaixamento – dos 24 participantes, quatro caem para a quarta divisão. Mesmo assim, o Huddersfield tem a terceira média de público da competição, com 13.390 pagantes por jogo. Só perde para o líder Leicester City e para o quinto colocado, Leeds United, um grande time inglês que quase faliu e tenta voltar a seus dias de glória. Isso sim é comprometimento.
Um comprometimento que a torcida do Figueira também que terá que ter na segunda divisão. A diretoria do clube tem que fazer a sua parte e montar um time capaz de brigar pelo acesso. Mas o torcedor não pode se iludir, pensando que o Furacão Alvinegro vai passear na série B como fez o Corinthians no ano passado.
Aliás, o Figueira vai ter que realizar uma grande proeza, que só os ditos grandes do futebol brasileiro fizeram nos últimos anos. Bater e voltar é tarefa só alcançada por Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Grêmio e Corinthians. O Fortaleza subiu, caiu, subiu de novo, ficou dois anos na série A, caiu outra vez e ainda não voltou. O Sport passou quatro ou cinco anos na segunda divisão. Bahia e Vitória foram bater na série C. O rubro-negro baiano voltou para a série A, mas o tricolor ainda não. O Santa Cruz vai encarar uma série D. O Coritiba amargou dois anos na segundona.
Então, é possível, mas não será fácil. E se o time que tem que jogar muito mais dentro de campo, a torcida tem que mudar radicalmente sua atitude fora dele. Se não, o caminho da volta será bem mais longo e tortuoso.
Hora de qualificar
Faltando apenas uma partida para encerrar a participação do Figueira no campeonato estadual, é hora de avaliar o elenco do Furacão Alvinegro. O próprio técnico Roberto Fernandes afirmou nesta segunda-feira que o grupo formado por 38 jogadores terá que ser reduzido e que há carências em todos os setores.
É evidente que a reformulação terá que ser profunda. O Figueira precisa de zagueiros, laterais, meias e, se possível, um atacante acima da média. Dessa campanha medíocre no estadual, aliada à bagunça tática que era o time antes da chegada de Roberto Fernandes, poucos se salvaram. Wilson, Roger e Lucas foram alguns deles. Outros podem render bem mais quando o time estiver mais bem preparado e organizado.
É hora de qualificar o elenco. Isso será feito com contratações acertadas e não trazendo jogadores em quantidade para ver se algum dá certo.