A exemplo do que fez na estréia do técnico, o Figueira voltou a jogar como um time na terceira partida sob o comando de Roberto Fernandes. Apesar de ter mexido bastante na formação do time no empate em 2 a 2 com a Chapecoense, no Índio Condá, neste domingo, o treinador está fazendo o básico quando se assume a direção de um time em má fase. Conserta a cozinha, evita dar espaço para o adversário, trabalha para primeiro não sofrer gol e busca forçar o erro do oponente.
O Figueira não foi brilhante tecnicamente, até porque, no momento, não dispõe de jogadores para isso, mas foi aguerrido, organizado e não dava espaços para a Chapecoense até que Roberto Fernandes resolveu mexer no time. Schmoller estava fazendo um bom jogo e ajudava a bloquear a principal jogada ofensiva do Verdão do Oeste: os avanços do lateral direito Thoni. Rafael Ueta entrou em seu lugar e, coincidência ou não, o time de Chapecó chegou ao empate em duas jogadas por aquele setor.
Foi o segundo jogo fora de casa sob o comando de Roberto Fernandes, a segunda boa exibição e a segunda vez que o time saiu na frente, mas não soube segurar a vantagem. Contra o Marcílio, no Scarpelli, a vitória veio, mas Wilson teve que trabalhar muito mais do que na Ressacada e em Chapecó porque o time teve que tomar a iniciativa da partida, evidenciando suas limitações técnicas e dando campo para o contra-ataque adversário.
Mesmo com pouco tempo de trabalho, o Figueira de Roberto Fernandes começa a ter uma feição de time, coisa que nunca teve com Pintado. O treinador, no entanto, não pode fazer milagres e, com a bola no pé, é preciso ter qualidade para jogar, virtude que ainda falta ao Furacão Alvinegro e que só será solucionada com o retorno de alguns jogadores contundidos e, principalmente, com boas contratações.
Na próxima quarta-feira, o Figueira faz seu último jogo pelo campeonato catarinense. Aí terá tempo para se preparar para o confronto com a Ponte Preta pela Copa do Brasil e para a série B. Acabou, portanto, a fase de testes. Agora, iremos ao que de fato interessa.
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Outra arbitragem ruim
O jogo era pegado, tenso, mas o árbitro Jeferson Schmidt levava a partida sem grandes problemas. Só que aí teve que botar os pés pelas mãos e estragar sua arbitragem e interferir diretamente no andamento da partida.
Tudo por causa de um lance. Bruno Perone e Bruno Cazarini se embolaram na área, o atacante chapecoense pediu pênalti e Schmidt não só não marcou a penalidade, como deu falta do avante e aplicou o segundo cartão amarelo e consequentemente o vermelho para Cazarini. Não era para tanto. Não foi pênalti, mas foi um lance de jogo.
O árbitro deve ter percebido o erro e a partir daí passou o tempo todo tentando compensá-lo. Fez isso da pior forma possível. Num lance pela ponta esquerda, o atacante da Chapecoense driblou Bruno Octávio, entrava livre na área e Schmidt parou o lance, inventou uma falta e expulsou o jogador alvinegro. Erros demais para um lance só. Realmente, é difícil ver uma boa arbitragem em Santa Catarina.
Cenário ideal
O Avaí tem a faca e o queijo na mão e depende só de si para chegar ao quadrangular semifinal do campeonato. Cenário perfeito para mais uma tradicional e clássica amarelada avaiana. É só perder para o Metropolitano em Blumenau e o JEC entregar a rapadura para a Chapecoense que o time do Sul da Ilha emenda o 12º segundo ano consecutivo na fila. Será muito divertido se isso acontecer.
O exemplo está no Scarpelli mesmo
Com o campeonato catarinense terminando para o Figueira, é hora de pensar exclusivamente na série B. E o Furacão Alvinegro não precisa ir longe para saber o que fazer para garantir o acesso, basta retroceder no tempo e lembrar-se dos passos dados em 2001, quando a equipe sagrou-se vice-campeã da segunda divisão.
Naquele ano, o Figueirense também fez um campeonato estadual ruim. A fórmula era igual a de 2009 e o Figueira se classificou para o quadrangular semifinal. Nesta fase, no entanto, terminou em último lugar, somando apenas cinco pontos e ficando atrás de Joinville, Criciúma e Tubarão.
Para a série B, no entanto, tudo mudou. O clube firmou uma parceria com a CSR e fez um acordo com Atlético-PR e Vitória (BA), trazendo jogadores das duas equipes. Assim, o Figueira montou um elenco forte e equilibrado para a disputa da segunda divisão. A medida é fundamental para garantir uma boa campanha num campeonato longo.
Embora tivesse uma fórmula diferente dos pontos corridos que o Furacão Alvinegro vai encarar em 2009, a série B de 2001 também foi um campeonato longo. Na primeira fase eram dois grupos de 14 times, com quatro de cada chave passando para a fase seguinte. Os oito classificados disputaram um mata-mata, com o Figueira eliminando o Náutico. Os quatro sobreviventes jogaram entre si em turno e returno, com os dois primeiros garantindo o acesso. No total, foram 34 jogos. Em 2009, serão 38.
Em 2001, o Figueira trocou o técnico Gilmar Leis por Vagner Benazzi logo no começo da série B. Iniciou a competição com os goleiros Márcio Angonese e Gustavo e trouxe o veterano César, ex-Palmeiras, para a reta final. Para as laterais tinha André Ceará (ex-JEC), Marcel (Vitória), Vanin (Atlético-PR) e Renato Peixe. Este último não emplacou. André e Marcel tiveram lesões sérias e o Figueira terminou a competição com o volante Simplício tapando buraco nas duas alas.
Para a zaga, o Figueira tinha Márcio Goiano, Pedro Paulo, Fransérgio e Gilberto. Os três primeiros eram do mesmo nível. Para a cabeça de área, o time contava com Jeovânio, China, Simplício e Léo Mineiro, além de Gilberto, limitadíssimo, mas que quebrava o galho naquela posição. Para as meias, os destaques eram William, Marcelinho e Fernandes.
O poderio do ataque também era impressionante. Genilson, Felipe (aquele mesmo, ex-Náutico), Dão, Gilson Batata e Abimael eram as boas opções para o setor. Note bem, a quinta opção para formar a dupla titular acabou sendo decisiva nos jogos finais. Felipe sofreu uma contusão muscular séria. Dão quebrou a perna num Clássico na Ressacada. Gilson Batata disputou as partidas finais a meio-pau. Assim, Abimael entrou contra o Avaí, no Sul da Ilha, contra o Caxias na última rodada e escreveu seu nome na história.
Então, a rota já foi trilhada, embora não seja fácil. O Figueira vai ter que qualificar bem o seu elenco, a exemplo do que fez em 2001, para brigar o acesso. A torcida vai ter que jogar junto, como fez naquele ano. A receita é conhecida e se o Furacão Alvinegro segui-la a festa no final do ano será grande.
Quer saber? Tanto faz
Sempre torço por vitória quando o Figueira entra em campo. O jogo deste domingo, no entanto, contra a Chapecoense, no Índio Condá, é um caso raro em que não vou lamentar a derrota. Vencer é bom. Perder pode atrapalhar certos times por aí. Tanto faz, portanto.
Pagando pela incompetência alheia
Uma brincadeira pueril, tola mesma, fez o mundo se abater sobre o Figueirense. E grande parte da repercussão se deve à RBS. O maior conglomerado de comunicação do Sul do País (TV, jornal, rádio, site) conseguiu a proeza de fazer uma matéria responsabilizando o técnico Roberto Fernandes pela idéia de “punir” o meia Jairo por seu mau desempenho num treino, fazendo-o usar um vestido no treino seguinte, sem se dar o trabalho de fazer ao suposto autor do “castigo” uma singela e básica pergunta: a idéia foi sua, Roberto?
Com base na infeliz e mal apurada matéria (clique aqui para ler o texto e ver o vídeo), a notícia se multiplicou em proporções geométricas e varreu o planeta. E aí, como a leviandade e a vontade de aparecer tomaram conta do mundo, apareceu gente de tudo que é lado para dar seu pitaco e querer até acusar o Figueirense de assédio moral. Advogado, jornalista, treinador, torcedor fanático do Avaí. Todo mundo foi ouvido sobre a inusitada punição e o estranho método de trabalho do técnico Roberto Fernandes.
Tudo baseado na falsa premissa de que foi ele quem ordenou o castigo. Não era nada disso. Foi uma brincadeira entre os jogadores, depois do tradicional rachão e que acontece em quase todos os clubes de futebol do mundo, de Kiev à Patagônia. Se tem alguém que teria carradas de razão em processar alguém por danos à imagem, este alguém seria Roberto Fernandes contra a RBS.
É preciso entender o contexto de toda a história. O Figueirense vive um dos piores momentos dos últimos 10 anos. O time caiu para a segunda divisão no final de 2008, ao mesmo tempo viu seu principal rival subir para a série A, e em 2009 a equipe alvinegra ainda não se acertou. Faz um campeonato estadual muito ruim, está fora da disputa pelo bicampeonato e demitiu o técnico Pintado.
Roberto Fernandes assumiu como técnico três dias antes de um Clássico com o Avaí. Apontado como o melhor time de Santa Catarina no momento, o rival era tido e havido como favorito absoluto e entre seus torcedores a esperança de vitória, e por goleada, era muito grande.
Pois o Figueirense fez um grande jogo na Ressacada no último domingo. Foi melhor por boa parte do jogo, saiu na frente no placar e só tomou o empate aos 40 minutos do segundo tempo num lance irregular, no qual o jogador avaiano estava impedido ao fazer o gol.
O desempenho no Clássico mudou o astral no estádio Orlando Scarpelli e desanuviou um ambiente que andava muito pesado, com os jogadores submetidos a uma grande pressão por conta do mau futebol e dos péssimos resultados deste começo de ano. Foi uma brincadeira boba? Foi. Foi de mau gosto? Pode ser. Mas não passa disso. Assunto encerrado.
Por conta da péssima cobertura da RBS, no entanto, o caso tomou proporções assustadoras e inesperadas. Quero acreditar que foi incompetência e não má-fé. Neste mundo globalizado, no entanto, onde o “copia e cola” impera e a informação se propaga à velocidade da luz, o cuidado ao fechar uma matéria deve ser redobrado. A preocupação deveria ser fazer bom jornalismo, mas, infelizmente, é com o entretenimento, em fazer matérias leves, divertidas e engraçadinhas.
Deu no que deu e o Figueirense, que já tem sua cota própria de problemas a resolver, pagou pela incompetência alheia.
O tamanho da encrenca
Desfalcado de peças importantes para o time, como Roger, Wellington e Régis – e o fato de Wellington serem importantes para o time dá a medida certa da escassez de boas opções -, o Figueira penou um bocado para derrotar o virtualmente rebaixado Marcílio Dias. Aliás, se o adversário não fosse o Marinheiro e se o goleiro do Figueira não fosse o Wilson, a derrota alvinegra era certa.
O time vai ter que se reforçar muito se quiser brigar pelo acesso à série A. Um meio-campo com Rômulo, Roger, Bruno Octávio e Pedrinho, por exemplo, tem tudo para ser de razoável para bom. Com Juninho, Rafael Ueta e Jairo é sofrível, ruim mesmo. Não marca, não desarma e não arma.
A zaga, se fosse tratada com todo rigor, teria que ser formada por quatro novos jogadores. Régis é o único capaz de ser titular, se tiver condições físicas. Dieyson pode ser utilizado em determinadas ocasiões para pegar experiência e Bruno Perone tem as graves deficiências que todos conhecem.
Davidson, descontado o fato de fazer sua estréia, foi bem na defesa e mal no ataque. Não pareceu ser o lateral que o Figueira precisa, embora qualquer juízo possa ser precipitado por se tratar de apenas uma partida.
O time corre muito, mas corre errado e cansa antes da hora. Se afoba demais, erra passes em demasia. Muito pode ser debitado na conta da ansiedade, mas boa parte se deve à falta de qualidade.
A vitória afastou qualquer possibilidade de rebaixamento e como a classificação para o quadrangular da segunda fase depende de um milagre de proporções bíblicas, os dois últimos jogos vão ser amistosos de luxo, nos quais o time pode render um pouco mais por estar livre de qualquer pressão e Roberto Fernandes poderá observar outros jogadores.
Depois de ver o time fazer 18 jogos na temporada, no entanto, fica evidente que a mudança para a série B terá que ser muito grande.
Muito barulho por nada
A brincadeira dos jogadores no treino do Figueira antes do jogo de quinta-feira rendeu pano para manga. Na minha opinião, anda faltando bom humor para um monte de gente. E ignorância sobre as regras do bom jornalismo para muitas outras. Um monte de gente caiu de pau em cima do técnico Roberto Fernandes, sem perguntar antes de quem foi a idéia.
Tudo isso é vontade de debulhar pancada em cima do Figueirense?
O jogo pelo jogo
Em termos de competição, o jogo desta quinta-feira contra o Marcílio Dias, no Scarpelli, tem poucos atrativos, a não ser eliminar de vez as remotas possibilidades de rebaixamento que ainda possam pairar sobre o Figueira. Nesse sentido, uma vitória acaba com a ameaça.
O jogo vale mais por ser a estréia de Roberto Fernandes no comando técnico em casa. Também vale pela estréia do lateral direito Davidson, que entra com o mérito inicial de nos poupar de Anderson Luís mais uma vez.
Vale ainda para ver como o time se comporta sob o comando do novo técnico tendo a responsabilidade de vencer no Scarpelli. Roberto Fernandes disse nesta quarta-feira, que a cada jogo que resta neste estadual, deve fazer três ou quatro alterações para observar o elenco.
Nesta partida, as substituições são fruto da necessidade. Marcelo, que seria o substituto de Rafael Coelho, está suspenso, assim como Roger e Lucas. Régis será poupado. Assim, o treinador retorna para o 4-4-2, Davidson estreando na lateral direita, a zaga formada por Dieyson e Perone e a meia podendo ser ocupada por Rafael Ueta ou Talheti.
É uma boa oportunidade de se ver se o time continua mostrando o mesmo espírito competitivo e a mesma regularidade apresentadas no Clássico de domingo passado. Já será um avanço com relação ao que a equipe mostrou até agora no campeonato.
Ponte Preta é a adversária na Copa do Brasil
Com a goleada por 6 a 1 sobre o Vilhena (RO), a Ponte Preta, que já havia vencido a partida de ida por 2 a 1, garantiu a classificação e será a adversária do Figueirense na segunda fase da Copa do Brasil.
Roberto Fernandes terá praticamente três semanas, no mínimo, para preparar o time para o confronto. Poderá contar como jogadores que se recuperam de contusão, como Pedrinho, além de preparar melhor a equipe física e taticamente.
Será um bom teste, já que a Ponte Preta está na série B e o desempenho do Figueira diante deste adversário poderá servir de referência para a campanha na segunda divisão.