Figueira sempre

Dois bons motivos para ir ao Scarpelli nesta quarta, no jogo contra o Metropolitano, são as ausências de Bruno Perone e Anderson Luís.

Wellington volta à lateral esquerda e na zaga, o técnico interino Abelha está entre Dieyson e Roger. Duas opções melhores do que Perone.

Uma vitória antes de um Clássico é sempre bom. Com vantagem de deixar o time mais tranqüilo na classificação geral. A classificação para o quadrangular final seria praticamente um milagre, mas está na hora do Figueira começar uma seqüência positiva, mostrando mais organização tática e um futebol de melhor qualidade.

A desmotivação da torcida é evidente e é bem possível que o Scarpelli veja um de seus piores públicos dos últimos 10 anos. Este blog até entende, mas lamenta. Mesmo com tantos problemas, dificuldades e erros, a torcida do Figueira está se rendendo muito facilmente às adversidades. É muito choramingo para seis meses de efetiva má fase, mas isso é assunto para outro dia, outro post.

A situação é incômoda, desagradável, desconfortável, preocupante e quanto antes a má fase passar melhor. Para quem, no entanto, já esteve no Scarpelli junto com outras 300 testemunhas, debaixo de um temporal medonho, para ver um empate em zero a zero com o Concórdia, pela palpitante Copa Santa Catarina, o momento atual é café pequeno. E muito menos é motivo para deixar de ir ao estádio.

Quem é Figueira, é Figueira sempre. Para este blog esta frase vale. E para você?

Você nunca caminhará sozinho

“You’’ll never walk alone”. Está no escudo do Liverpool e ecoa por seu estádio. A música grava por Gerry & The Pacemakers, Elvis Presley e muitos outros serve para reafirmar o amor pelo time e a esperança que dias melhores virão.


Confira a letra original e a tradução: 

You’’ll never walk alone
When you walk
Through a storm
Hold your head, up high
And don’t be afraid, of the dark
‘Coz at the end of the storm
Is a golden sky
And the sweet silver song
Of the lark

Walk on, through the wind
Walk on, through the rain
Though your dreams be tossed
And blown

Walk on, walk on
With hope, in your heart
And you’ll never walk alone
You’ll never walk alone

Alone

Walk on, walk on
With hope in your hearts
You’ll never walk, alone

Tradução
Você nunca caminhará sozinho
 

Quando você atravessar uma tempestade
Mantenha seu queixo erguido
E não tema o escuro
No final da tempestade
Está um céu dourado
E o doce e prateado canto de uma cotovia

Caminhe através do vento
Caminhe através da chuva
Mesmo que seus sonhos sejam atirados e assoprados
Caminhe, caminhe com esperança no seu coração
E você nunca caminhará sozinho
Você nunca caminhará sozinho

O problema é a execução, não o projeto

Edson Bastos, Paulo Sérgio, Chicão, Cléber e André Santos; Rodrigo Souto, Henrique, Marquinhos Paraná e Cleiton Xavier; Soares e Edmundo.

Muita gente reclama muito do tal projeto do Figueira. Muita gente acha que a diretoria do Figueira está demorando porque não encontrou o técnico que se encaixa no tal perfil. Traduzindo: submisso e que aceita trabalhar com jogadores de baixo custo e que possam dar retorno.

O problema não está no projeto, mas na execução. E quando o resultado dá errado, o que era virtude vira defeito. Adilson Batista é hoje um ícone para a torcida alvinegra e se sujeitou a trabalhar dentro dos limites do tal planejamento (até porque é meio óbvio: que clube/empresa/instituição vai contratar alguém que se opõe frontalmente a suas diretrizes?). Renovou um time cheio de jogadores mais caros (Cléber, Edmundo, Bilu e outros) por um time bom e bem mais barato.

A escalação exposta no primeiro parágrafo é o exemplo da tal política, no que ela teve de melhor. É um time que qualquer torcedor do Figueira teria gosto de ver jogar, composto por jogadores vindos da base (Edson Bastos, André Santos, Henrique e Soares), veteranos sem mercado (Cléber e Edmundo), atletas desconhecidos que vieram de clubes menores ou sem destaque em sua agremiação anterior (Paulo Sérgio, Chicão e Marquinhos Paraná) e jovens sem espaço em suas equipes de origem (Rodrigo Souto e Cleiton Xavier).

Adotando os mesmos critérios, poderíamos escalar mais um ou dois bons times, bem melhores do que o atual. E aí, não basta botar tudo de bom na conta do técnico e tudo de ruim na conta da direção do clube. A engrenagem toda funcionou. O problema é que a engrenagem toda não está funcionando agora. A máquina engripou.

Um dos problemas é que o Figueira passou a se desfazer dos bons jogadores mais rápido do que foi capaz de repô-los. O clube terminou 2007, quando jogava no 3-5-2, com uma linha defensiva formada por Ruy Cabeção, Felipe Santana, Chicão, Edson e André Santos. Todos eles foram embora no começo de 2008. Até hoje o sistema defensivo é o problema mais grave do Furacão Alvinegro. Simplesmente porque não é tão fácil repor com qualidade até inferior, mas próxima, cinco bons jogadores.

O clube vai precisar aprender a negociar com mais parcimônia. Vende um para segurar dois. O que se ganha com tantas transações num curto período pode custar caro demais ali adiante, como o rebaixamento ensinou.

Por outro lado, é necessário fazer uma análise cuidadosa dos motivos por que tantos jogadores, das mais variadas idades, origens e qualidade não deram e não estão dando certo no clube. Por que se insiste tanto com jogadores que já provaram que não têm condições para jogar no Figueira? Por que não se dá mais chances a outros, que parecem ser mais talentosos e capazes? Por que os contratados para suprir tais deficiências também não emplacam?

De fora, podemos apenas especular. Quem está lá dentro é que tem condições de encontrar resposta para estas perguntas.

Está passando da hora


Tem uma história que diz você, ao se defrontar com um animal feroz, deve sair de fininho, andando “nem tão rápido que pareça medo, nem tão devagar que pareça provocação”. A contratação do novo técnico do Figueira está entrando no momento limite entre o muito rápido e o devagar demais.

É certo que, pelo postou, meio sorrateiramente em seu 
site, o Figueira chegou bem perto de fechar com Vinícius Eutrópio, que preferiu aceitar o convite pra ser auxiliar técnico de Carlos Alberto Parreira no Fluminense. É certo também que andou sondando Renê Simões.

A ida de Vinícius para o tricolor das Laranjeiras resolveu um problema para o Furacão Alvinegro. Para este blog, não era o nome indicado para o momento, a despeito de ter tido uma boa passagem pelo clube como jogador. Foi volante e capitão do time campeão da Copa Santa Catarina de 1996, que conquistou a vaga para a Copa do Brasil numa decisão contra a Chapecoense, então campeã estadual, e chegou ao terceiro lugar da série C, não subindo para a segunda divisão por muito pouco.

Só que a situação atual exige um treinador mais experiente e rodado. Não necessariamente um veterano, mas alguém com mais quilometragem, para lidar com toda a pressão e exigência que vai recair sobre seus ombros.

Este blog comentou que não haveria porque fazer tudo de afogadilho (clique aqui), mas não se pode demorar demais. Com a instabilidade que caracteriza a profissão de técnico no país, os nomes especulados entram e saem das listas com uma velocidade impressionante. Renê Simões perdeu o emprego neste intervalo. Pintado já saiu do Figueira e assumiu o Mirassol. Sérgio Soares acaba de sair da Ponte Preta. Roberto Fernandes deixou de ser técnico do Náutico.

A demora acaba criando expectativas exageradas. Como o Figueira não vai trazer nenhum Felipão, qualquer outro que vier vai ter forte dose de contestação.

Seria bom, portanto, resolver a parada antes do jogo de quarta-feira. Não para que o novo técnico já assuma o time nesta partida, mas para que seja apresentada, veja o time de perto e tenha tempo para começar seu trabalho com vistas ao Clássico de domingo.

Balada do lado sem luz

É um esforço hercúleo ver algum progresso no time do Figueira. Já estamos em março e não há ainda esboço de time e de padrão de jogo. Mesmo quando começa um pouquinho mais organizado, quando toma a iniciativa do jogo – como fez em Ibirama e não fazia faz tempo – a equipe paga por seus próprios e crônicos erros.

Até agora a temporada 2009 serviu para confirmar algumas dúvidas e sedimentar velhas certezas. A primeira dúvida que virou certeza foi que Pintado não tinha condições de comandar a reformulação da equipe. As velhas crenças são que Anderson Luís e Bruno Perone não têm condições de jogarem no Figueirense.

De Anderson Luís, este blog já falou à exaustão. Já sobre Perone a pergunta que não quer calar é: quantos gols o Figueira ainda vai tomar por conta das falhas deste zagueiro? O gol do Atlético saiu de duas falhas bisonhas. Primeiro foi chutar para longe e deu um bico para cima, para a marca do pênalti de sua própria área. O resto da turma conseguiu afastar o perigo, a bola foi para o meio e aí Perone levou mais um drible vexaminoso e na sequencia a bola foi parar no fundo das redes.

É incrível. De Keirrison a Tico Mineiro, passando por Maurício e Lourival “Rambo”, todo mundo deita e rola em cima do zagueirão alvinegro. Botem Dieyson, recuem Roger, façam qualquer coisa, enquanto não contratam alguém para a posição. Não há esquema que resista a tanta limitação técnica.

Enquanto isso, vamos no embalo de Gilberto Gil: “Hoje eu canto a balada do lado sem luz, subterrâneos gelados do eterno esperar(…) Ouça aquele que vive do lado sem luz, o meu canto é a confirmação da promessa que diz que haverá esperança enquanto houver um canto mais feliz”.

O que sobrou para o Figueira

Depois da derrota para o Atlético, em Ibirama, a briga pelo bicampeonato foi para o brejo. Agora, resta ao Figueira trazer o novo técnico e trabalhar para chegar à série B com um time mais ajustado, para ser reforçado na medida certa. Além disso, precisa vencer, pelo menos, Metropolitano e Marcílio Dias em casa para afastar de vez qualquer possibilidade de rebaixamento no campeonato estadual – o que seria ridículo e trágico.

Por fim, a terceira meta do Figueira é atrapalhar o Avaí e tirá-lo da parada a exemplo do que o Furacão Alvinegro já fez em outras temporadas. Fazer festa na Ressacada, o parque de diversões alvinegro, sempre tem um sabor especial.

TV sem som

Passei boa parte do jogo, com a TV sem som. É um suplício, uma tortura, um martírio ouvir Márcio Martins e Flávio Roberto. Nem se escalassem dois dos mais azedos e secadores representantes da torcida alvinegra seria tão insuportável.

Márcio Martins erra o nome do todos os jogadores de todos os times em todos os jogos. Ao menos nisso é democrático e igualitário. Quando se mete a opinar, no entanto, consegue ainda ser pior. Já Flávio Roberto fica no mesmo rame-rame de sempre.

No primeiro tempo, o Figueira não fez nada de extraordinário, mas a partida estava equilibrada e o Furacão Alvinegro poderia tanto ter sofrido o segundo gol quanto chegado ao empate. Para a dupla, no entanto, o Atlético dominava amplamente o jogo. Parecia que o discurso estava pronto, com base em jogos anteriores do Figueira, quando o time foi, de fato, amplamente dominado. Não foi o caso do primeiro tempo em Ibirama.

Depois a brilhante conclusão de Márcio Martins: “está provado que o problema do Figueirense não era o técnico”. Primeiro que ele disse isso com 30 minutos do primeiro tempo. Quer dizer com um jogo e um terço, ele já tinha o diagnóstico, só que num prazo desse pode trazer Luxemburgo, Felipão ou Adilson Batista que nenhum vai dar jeito, quem dirá um treinador interino. Segundo que o problema do Figueira passava pelo técnico, mas não se limitava a ele. Isso é óbvio e até as traves do Scarpelli já sabem.

Caseiro importado

A Federação Catarinense de Futebol importa árbitro para melhorar o nível do apito no estado, só que traz juiz tão caseiro quanto os que são daqui. Vagner Tardelli não interferiu no resultado, mas o critério dele para distribuir cartões amarelos revela o medo que tem da reação da arquibancada.

Téio puxou a camisa de Douglas, que seguiu na jogada, aí o zagueirão puxou por cima e deu um toco por baixo. Amarelo? Não. Dois minutos depois Anderson Luís puxou a camisa do adversário e levou cartão.

Lenilson deu uma bordoada em Roger para matar um contra-ataque. Nada de cartão. Logo depois, simulou um pênalti. Era para ser o segundo cartão e a expulsão. Nada. Outros jogadores do Atlético apelaram para faltas o tempo todo e/ou pegaram pesado em alguns lances e também não foram advertidos, enquanto os jogadores do Figueira eram.

Não sei qual é a vantagem de pagar mais caro para trazer árbitro de fora e importar um que é tão caseiro quanto os que já temos.

Renê Simões diz que recebeu proposta do Figueira

Em entrevista ao jornalista Cosme Rímoli, o ex-técnico do Fluminense, Renê Simões, diz que recebeu propostas de Náutico e Figueirense.

A declaração, textual, é essa: “Olha, se eu quisesse já estaria trabalhando hoje. Tive propostas do Náutico e do Figueirense. Mas eu preciso de uns dias para me recuperar. Estou bem, mas quero descansar uns dias. Esquecer alguns aborrecimentos que tive de passar para depois chegar bem, forte para um novo clube. Acredito que cheguei em um nível que as coisas acontecem para mim”.

A proposta feita pelo Náutico é confirmada pelo Blog do Torcedor, do portal do Jornal do Commercio, de Pernambuco, que informa que Simões ficou de responder ao Timbu até segunda-feira.

Clique 
aqui para ler a entrevista de Renê Simões a Cosme Rímoli na íntegra.

Clique aqui para ler a nota do Blog do Torcedor.

Jogo de choque

O campo do Atlético de Ibirama é pequeno e jogo lá se resolve na força, no choque e na vontade. O time precisa, obviamente, estar bem ajustado e organizado, mas querer jogar só no toque de bola e no talento é meio caminho para a derrota.

Vai ter que igualar na força e na vontade com o adversário, para aí sim o talento prevalecer. Nunca foi fácil jogar em Ibirama, mas o Furacão Alvinegro já trouxe bons resultados de lá.

O técnico interino Abelha não abriu o time que entra em campo, mas creio que, na defesa, a volta de Wellington melhora o setor – não porque ele está jogando bem, mas porque as opções Anderson Luís e William Matheus são bem piores. Bruno Perone tem que jogar mais ou dar a vaga para Dieyson. No meio, pode ser mantida a formação que começou o jogo contra o Sampaio, armando um forte bloqueio defensivo com Rômulo, Roger e Bruno Octávio. Talheti, no entanto, precisa ter mais iniciativa e procurar mais o jogo. Ricardinho até poderia ser utilizado ali, mas o problema é que não tem nenhuma característica de meia. O time acaba jogando num 4-3-3 e perde a disputa no meio-campo.

No ataque creio que se deve insistir com Marcelo e Rafael Coelho. O primeiro não foi bem contra o Sampaio, mas pode render mais se for melhor servido, e já mostrou isso nas poucas assistências de qualidade que recebeu. Já Rafael divide a torcida porque oscila demais entre boas e más jogadas, mas é, em 2009, o artilheiro e o atacante mais efetivo do Figueira. Douglas, Schwenck e Ricardinho são boas opções para o segundo tempo, os dois primeiros para jogar mais no abafa e na bola aérea.

Acredito que o ataque é o setor mais bem servido do Figueira no momento. Só que também é o setor mais dependente da produção dos outros setores. Se a bola não chega, e com qualidade, fica difícil para qualquer avante.

Não temos atacantes fora de série, aliás, o único fora de série atuando no Brasil estreou contra o Itumbiara bem acima do peso. Outro que pode ser encaixado nesta categoria, Fred, acabou de voltar. Nilmar ensaia ser craque há bom tempo, mas falta regularidade e constância e Keirrison surge com a grande promessa do momento. Washington, Kleber Pereira e Alex Mineiro são bons atacantes, mas perdem gols na mesma proporção que fazem.

Para o catarinense e a série B, estamos bem servidos de atacantes. Vai ser difícil achar coisa melhor por aí. A prioridade é reforçar outros setores como meio-campo e defesa, ainda muito carentes de qualidade. Depois disto feito, se surgir uma boa opção para ataque, melhor do que já temos, vale investir. Antes é preciso resolver problemas mais graves, que não estão no setor ofensivo.