Duas boas surpresas

Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, mas o atacante Douglas e o lateral Lucas têm chamado a atenção por suas atuações com a camisa do Figueira.

Lucas é prata da casa. Estreou pelos profissionais em 2007, numa derrota para o Próspera no Scarpelli por 3 a 1, não tinha feito bons jogos nas poucas chances que teve desde então. No atual campeonato, inclusive, jogou muito mal na derrota por 3 a 0 para o JEC, em Joinville.

Nos últimos jogos, no entanto, tem-se mostrado bem mais maduro e com uma grande disposição de agarrar a chance. Não se esconde do jogo, vai ao fundo do campo com disposição e está merecendo ser o titular da lateral direita. Pode ainda não estar pronto para encarar uma série B como dono da posição, mas vai se firmando com uma boa opção, muito melhor do que Anderson Luís.

Douglas, por sua vez, acabou de chegar do Moto Clube, do Maranhão. Entrou em alguns jogos durante o segundo tempo e teve poucos minutos para mostrar alguma coisa. Na primeira vez em que teve uma chance de jogar por mais tempo, foi fundamental para a vitória sobre o Sampaio Correa. Fez gol, se movimentou, fez o pivô, e deu um passe lindo, de calcanhar, para Rafael Coelho ir à linha de fundo, num lance que terminou com Rômulo concluindo para fora depois de driblar o goleiro.

São jogadores que merecem ser mais observados e ter mais chances de jogar. Lucas já está assumindo a titularidade, Douglas começa a surgir como boa opção para o ataque. Neste começo de ano conturbado, já é possível perceber que o Figueirense vai precisar fazer investimentos pontuais e certeiros para reforçar o time para a série B e não sair contratando às carradas.

Se conseguir contratar um bom técnico, que implante uma boa filosofia de trabalho e dê um padrão de jogo à equipe, a tarefa de avaliar quais as reais deficiências do elenco será facilitada.

Sufoco além da conta

Não costumo menosprezar os adversários, mas uma eventual eliminação da Copa do Brasil pelas mãos do esforçado e limitadíssimo time do Sampaio Correa faria jus à máxima: O Figueira perdeu para si mesmo.

Mesmo com um time em formação, desorganizado, com os nervos em frangalhos, tudo o que o Figueirense precisou para passar de fase foram de quatro minutos de bom futebol. Da volta do intervalo, quando o técnico interino Abelha foi além do Pintado, e meteu mais dois atacantes para jogar junto com os dois que já estavam em campo até os quatro minutos do segundo tempo, o Furacão Alvinegro deu um sufoco no adversário, fez dois gols e liquidou com a retranca do time maranhense.

Depois de um primeiro tempo em que o time esteve apático e estático, facilitando o jogo para o Sampaio Correa, as entradas de Douglas e Ricardinho, este mais recuado como se fosse um meia, melhoraram o desempenho da equipe, que chegou rapidamente aos 2 a 0.

Depois o Figueira diminuiu o ritmo, perdeu uma carrada de gols e quase se complica diante de um adversário limitado, cansado e com 10 jogadores em campo. O desperdício de chances quase custa caro, se não fosse Wilson fazer o milagre costumeiro depois de um cabeceio arremate de Tico Mineiro no final do jogo.

De positivo, além da vitória, o fato de jogadores como Wilson, Roger e Régis e do técnico Abelha não taparem o sol com a peneira no final da partida e de terem plena consciência que o Figueira tem que melhorar muito se quiser conquistar bons resultados na temporada.

Causa perdida

Depois que um torcedor do Figueira sugeriu que Renato Semensati usasse óculos para parar de ver em Anderson Luís um futebol que o jogador não tem, o comentarista da CBN iniciou uma cruzada particular em defesa do atleta que parece ter como único objetivo espezinhar a torcida alvinegra.

É uma situação esquizofrênica. De um lado, alguns dizem que a direção do Figueira força a escalação de jogadores da casa para vendê-los e fazer dinheiro. De outro, outros alguns dizem que a torcida pega no pé dos jogadores da casa e que os técnicos substituem os atletas oriundos porque é mais fácil do que tirar os medalhões.

Minha cadeira fica logo atrás do banco de reservas do Furacão Alvinegro. Eu vi, ninguém me contou, Abelha fazer um sinal perguntando se Rafael Coelho tinha fôlego para continuar em campo e o jogador responder que não. Então a substituição dele e não de Marcelo ocorreu justamente por isso e não porque um é da casa e outro veio de fora, como Semensati venenosamente comentou na transmissão da CBN.

Modestamente, sugiro ao comentarista que abandone a defesa de Anderson Luís porque esta é uma causa perdida. A impaciência com o futebol do jogador não é fruto de indignação momentânea com a má fase do time ou de precipitação do torcedor. É simplesmente resultado da observação de três anos seguidos de mau futebol, de erros primários e de falta de qualidade para vestir a camisa do Figueira.

Se Semensati quer mesmo defender os garotos da base alvinegra, pode direcionar suas energias para elogiar o futebol de Talheti, Lucas, Rafael Coelho ou Dieyson. Desses a torcida não cansou porque eles mostram potencial e mais virtudes do que defeitos. Estão sendo, inclusive, poupados de críticas mais contundentes e de protestos mais veementes por uma torcida que anda com os nervos a flor da pele pela má fase da equipe, mas que já aprendeu que de dentro do Scarpelli também sai bom jogador.

Nem todos que vêm da base têm qualidade suficiente para fazer parte do elenco principal – e isso vale para qualquer time do mundo –, mas quem é bom jogador ganha o respeito e a confiança da torcida. Simples assim. Sem preconceitos ou má vontade. É só jogar bola. Por isso, Semensati, deixe a birra de lado e abandone Anderson Luís. Este sim é um caso perdido.

Hora de apoio

A fase não está nada boa, ainda há muito que mudar e o humor não anda dos melhores, mas é hora da torcida dar apoio incondicional ao time do Figueira.

Nesta quarta-feira, contra o Sampaio Correa, no Scarpelli, o Furacão Alvinegro precisa da força da torcida para vencer o time do Maranhão (um a zero é suficiente) e seguir em frente na Copa do Brasil.

O primeiro passo para mudar a história do Figueira na temporada 2009 foi dado com a saída de Pintado. O time, no entanto, não vai melhorar do dia para a noite. Vai ter que ser passo-a-passo e nesta quarta, mais do que tudo, vai valer o empenho, a dedicação, a vontade de vencer e o desejo de jogar a crise para longe, permitindo que o novo técnico chegue e encontro com a equipe em bom astral.

Um retorno e uma estréia podem adicionar qualidade ao time que entra em campo. A volta de Régis, depois de contusão, pode dar mais estabilidade à defesa, que pode ficar mais bem protegida com a estréia de Bruno Octávio.

Um desfalque, no entanto, pode trazer problemas. A saída de Wellington pode significar a improvisação de Lucas na lateral esquerda e o retorno de Anderson Luís à ala direita. Este blogueiro, particularmente, preferia outro jogador na direita. Pode ser Juninho, Ricardo ou Edson Galvão. Qualquer improvisação é melhor que A. Luís na posição.

De qualquer maneira, o Figueira já ganhou jogos com o dito cujo em campo. Se tiver que ser com ele, assim será e com o apoio da torcida.

Hora de calma

Mudança de técnico é sempre hora de especulação, de chutes para todas as direções. A imprensa cogita uma lista de nomes e a expectativa da torcida aumenta à medida que o tempo passa. O problema é que em certos momentos se especula um nome mais conhecido que nunca foi cogitado pelo clube e como não será ele o técnico, o torcedor acaba se frustrando antes mesmo do novo contratado mostrar o seu trabalho.

O clube tem que trabalhar com agilidade, mas não pode acelerar o processo apenas para aplacar a ansiedade da imprensa e da torcida. Ano passado, o Figueira anunciou rapidamente os substitutos para os técnicos que saíam, desde Gallo até Mário Sérgio. E o resultado foi o que se viu. Nenhum deles conseguiu mostrar um trabalho consistente.

Vale mais a pena demorar mais, pesquisar mais e negociar mais com os pretendidos e reduzir ao máximo a margem de erro. Mais do que nunca, o Figueira precisa acertar na escolha do novo técnico.

Exagero retórico

Agora virou moda dizer que o Figueirense (ou mesmo o Avaí) não pode perder para time de série C, série D ou sem série como são os outros participantes do estadual. Isso é um exagero retórico que só serve para jogar lenha na fogueira da crise.

O campeonato catarinense historicamente tem características muito específicas. Mesmo os times que viveram momentos de predomínio no estado (Avaí, nos tempos do cachorro com linguiça, Metropol, Joinville, Criciúma e Figueirense) nunca ganharam campeonatos com os pés nas costas. Em determinados momentos comandaram o futebol no estado, mas nunca de forma tranqüila, evidente e imensamente superior.

Santa Catarina não tem uma metrópole centralizadora e dominante, tanto no número de habitantes quanto no poderio econômico. Há uma rivalidade acirradíssima entre capital e interior e entre cidades do próprio interior que não se vê em outros estados. Isso se reflete no futebol.

Enquanto em outros estados, o domínio é geralmente da capital, aqui isso não acontece. Grêmio, Inter, os times grandes paulistas e cariocas, Cruzeiro e Atlético Mineiro, os clubes de Recife comandam o futebol em seus estados e tem torcida espalhada por toda a região. Em Santa Catarina é diferente. Tanto é que o Figueirense, time mais vezes campeão, tem 15 títulos e a distribuição das conquistas é muito mais democrática do que em outros estados.

Isso também torna o campeonato catarinense especial. Como não há tanta diferença entre os times, há grande margem para zebras e surpresas. Muito diferente da monotonia de outros estaduais, que invariavelmente, depois de centenas de jogos, acabam decididos em Gre-nal ou Galo contra Cruzeiro. Mesmo não sendo um defensor convicto deste tipo de campeonato, tenho que admitir que o torneio de Santa Catarina é um dos poucos que justificam sua existência, não propriamente pela qualidade do futebol jogado, mas pelo equilíbrio e competitividade que sempre o marcaram.

Além disso, o dinheiro que gira no campeonato estadual é muito inferior do que em outros estados e muito menor do que no campeonato brasileiro. Mesmo os times que estão nas séries A ou B têm que segurar o orçamento para se manter durante meses de faturamento menor. Isso diminui ainda mais a diferença entre as equipes.

O Atlético de Ibirama não está em série nenhuma, é de uma cidade minúscula, e tem feito boas campanhas nos últimos anos, chegando a ser vice-campeão. O JEC está sem série, mas é da maior cidade do estado, tem poder econômico e tradição. A Chapecoense foi campeã há dois anos.

O contraditório é que o mesmo torcedor que fica furioso porque o Figueira perdeu para um time “fora de série”, fica indignado quando a imprensa de outros estados usa o mesmo discurso para criticar uma derrota do clube grande de lá para esse mesmo Figueirense. 

Vamos com calma. No campeonato catarinense, o buraco é bem mais embaixo.

O primeiro passo

Com a demissão de Pintado, o Figueirense deu o primeiro passo rumo à recuperação na temporada. O próximo é acertar na contratação do novo técnico.

Confesso que não vislumbro grandes nomes à disposição. Alguns nomes mais conhecidos e comentados pela imprensa – o que não quer dizer que o Figueira tenha interesse em algum deles –, como Zetti, Márcio Bittencourt e Bonamigo, não me empolgam. São técnicos que apareceram bem no cenário nacional, mas há tempos não emplacam um bom trabalho.

Não acredito em nenhuma contratação bombástica. O Figueira já não fazia isso quando estava na série A, não será agora que irá fazê-lo. O que se espera é que finalmente o Furacão Alvinegro traga alguém que faça um bom trabalho no Scarpelli. Faz tempo que isso não acontece.

Para acontecer, no entanto, é preciso dar o terceiro passo e qualificar o elenco. Há deficiências em várias posições e sem reforços a série B vai ser muito complicada.

Gênios dentro e à beira do gramado

Quem acompanha a imprensa esportiva da capital tem a impressão que o campeonato catarinense é um dos melhores do mundo. Pela quantidade de elogios proferida a adversários de Figueirense e Avaí, é fácil concluir que temos uns 20 jogadores que servem para qualquer clube das séries A e B do brasileiro e mais uns seis técnicos acima da média os comandando à beira do gramado.

Entre os jogadores que disputam o estadual temos uma mescla de veteranos que já rodaram um bocado e só se destacam por aqui (tipo Marcelo Silva e Válber, do JEC) e outros ilustres desconhecidos não tão veteranos que só resolveram dar o ar da graça agora (como Lenilson, do Atlético de Ibirama).

O Figueirense já tentou aproveitar os destaques do campeonato estadual e poucos foram de fato úteis. Carlos Rogério (meia, do Fraiburgo), Gralha (meia, do Guarani da Palhoça), Roberto (zagueiro, Tubarão), Vanderlei Pezão (atacante, Tubarão), o lateral Lelo e o atacante Ivan (Marcílio Dias), Vagner (o Conan, atacante da Chapecoense), Marlon (atacante, JEC), Mazinho (meia, Tubarão), Carlos Alberto (volante, Caxias), Jean Carlos e Peter (Chapecoense) são alguns da lista (esqueci de alguém?). Isso para não voltar aos tempos de Zé Melo e Bafafá.

Quem de fato teve uma grande passagem pelo Figueira? Carlos Alberto. Quem foi útil? Roberto, Jean Carlos e Peter. Mais nada. Então vamos devagar com o andor…

Com os técnicos é a mesma coisa. Suca, do Brusque, e Gelson Silva, do Joinville, foram elogiadíssimos porque tiveram a magnífica percepção de trocar de lado um zagueiro que já tinha cartão amarelo. Isso é tão óbvio quanto saber que onze jogadores precisam ser escalados para começar o jogo.

Além disso, armar sua equipe na defesa, esperando para explorar o erro do adversário e sair no contra-ataque é tão velho quanto o ferrolho suíço (clique aqui) ou o catenaccio italiano (clique aqui
). Ainda mais quando o adversário é um time tão desconjuntado e emocionalmente instável quanto o Figueirense.

E o time de Gelson Silva, cabe lembrar, levou um baile do Figueira enquanto optou por jogar mais atrás. Correu o risco, inclusive, de tomar uma goleada que liquidaria a partida antes do intervalo. E aí o futebol tem fatores imponderáveis que, no fim, fazem a fama indevida de muita gente. O time do JEC fez dois gols num espaço de quatro minutos (44 do primeiro tempo e 3 do segundo) e por isso o treinador vira gênio porque fez uma alteração que mudou os rumos do jogo. Ora, não há mudança que tenha efeito em três minutos. Foi fazer o gol tão rápido, fruto de mais uma falha da defesa alvinegra, que resolveu a partida, porque, a partir daquele momento, o Figueira estava entregue, diante de uma equipe com muito mais quilômetros rodados.

Duro mesmo é armar um time capaz de tomar a iniciativa do jogo, agredir o adversário e ser o equilibrado e organizado o suficiente para não se expor exageradamente ao contra-ataque da retranca armada do outro lado. Porque é sempre mais difícil aliar talento, qualidade e organização para vencer uma partida jogando para frente do que ficar na defesa para especular quando puder, e se não puder, o empate já está muito bom.

Ficar fechado na defesa é simplesmente fazer o feijão com arroz básico. Se Pintado nem isso
fez no Figueira é outro história, mas nem assim os que conseguem fazer devem ser considerados gênios.

Figueira perde o rumo

O Figueirense virou um clube sem rumo, sem direção, sem comando. Dentro e fora de campo. Tudo que foi construído a partir desde 1999, começou a ser jogado no lixo com uma rapidez incrível a partir do ano passado.

Sempre tive comigo que o grande diferencial da direção do Furacão Alvinegro era a capacidade de corrigir os rumos quando as coisas não iam bem. Os exemplos desde 1999 são vários. Em 2001, o time fez um estadual muito ruim, reformulou tudo, fez uma parceria com a CSR, trouxe jogadores de Atlético-PR e Vitória-BA, formou um grande elenco e garantiu o acesso para a série A. Não sem antes começar a série B com o treinador errado (Gilmar Leis) e trazer o certo (Benazzi) com a competição já em andamento.

E assim, essa situação se repetiu em vários momentos. O time começou muito mal a série A em 2002 e 2003, reagiu e se recuperou. A última vez que a crise se instalou de vez no Scarpelli – antes de 2008 – foi em 2005. Aí as vindas de Edmundo e Adilson Batista fizeram toda a diferença.

Parece, no entanto, que o repertório de “mágicas” se esgotou. Desde o ano passado, o clube patina, se complica e demora demais para tomar qualquer decisão. Quando finalmente decide, erra irremediavelmente.

Assim, as lições de 2008 não foram aprendidas. No ano passado, a defesa fez água o ano inteiro e não conseguiram consertar. Aliás, não consertaram até agora. Já havia muita coisa errada quando a equipe era dirigida por Alexandre Gallo, mas demoraram demais para tirá-lo do comando. Ou melhor, ele só saiu quando quis. Aí erraram quando trouxeram o substituto. Guilherme Macuglia não era o treinador para aquele momento. Depois levaram tempo demais para tirar Paulo César Gusmão, desperdiçaram 10 dias de folga no campeonato brasileiro e só o substituíram depois da inevitável derrota seguinte acontecer. Mário Sérgio nem deveria ter vindo. Como veio, devia ter ido embora mais cedo. Agora é a vez de insistir além do tempo com Pintado.

A justificativa para mantê-lo é quase kafkiana. “Como não demos condições adequadas para o Pintado trabalhar, então vamos mantê-lo até ele ter condições adequadas para trabalhar e aí sim veremos se ele é o cara certo”.

Como, pelo discurso de Baré, estas tais condições adequadas só virão na série B, é justo supor que Pintado ficará até lá. No caminho, o campeonato catarinense vai para o saco, a Copa do Brasil vai para o espaço, a paciência e a presença da torcida no estádio desaparecem. E tudo isso sem nenhuma garantia de que, com as condições adequadas, Pintado irá conseguir fazer um bom trabalho.

O futebol é uma coisinha desgraçada. A precipitação sempre cobra seu preço. A omissão, no entanto, tem uma conta igualmente salgada. Saber a hora certa de agir e ter convicção no que faz é o que marca a diferença entre sucesso e fracasso. Ultimamente, faltam convicção e capacidade de avaliação dentro do Scarpelli.

A palavra maldita

Tem uma palavra que nenhum torcedor do Figueira agüenta mais ouvir: planejamento. “Está tudo dentro do planejamento” ou “temos um planejamento e não vamos sair dele”. É o mantra para tudo, mesmo quando as coisas vão de mal a pior e ninguém consegue enxergar no que consiste o maldito planejamento.

O Figueira ia dar vez aos garotos, mas já contratou Régis, Pedrinho, Bruno Octávio e Anderson Pico com o campeonato em andamento. Fez mais: antecipou as estréias dos dois primeiros, jogadores que seriam fundamentais para adicionar uma boa dose de qualidade e experiência a setores profundamente carentes do time. Só que essa experiência tem seus inconvenientes. Lançados sem a preparação adequada, estouraram com contusões musculares.

O tal do planejamento devia ter partido de duas premissas que eram evidentes e cristalinas no final do ano passado. O Figueira tinha dois fatos inquestionáveis para enfrentar no início da temporada 2009. O primeiro era que, escapando ou não do rebaixamento, o Furacão Alvinegro teria que fazer uma profunda reformulação em seu elenco. O segundo fato era que o tempo de preparação até o começo do campeonato era curto e insuficiente.

O que poderia ser feito? Antecipar as férias dos garotos que poderiam ser aproveitados no elenco principal em vez de mandá-los para a disputa do campeonato brasileiro sub-20. Esta competição poderia ser disputado com o grupo sub-18 que em seguida iria jogar a Copa São Paulo.

Os jogadores que tiveram férias antecipadas, se apresentariam no início de dezembro e teriam um bom tempo para se preparar para a estréia no estadual em 18 de janeiro. Os remanescentes do elenco principal e os novos contratados se apresentariam no início de janeiro e fariam a preparação adequada para começar o ano. A meta, por exemplo, seria tê-los à disposição para o primeiro jogo da Copa do Brasil.

Paralelamente, a diretoria jogaria limpo e aberto com a torcida e anunciaria que o clube estava abrindo mão de brigar pelo primeiro turno para poder se preparar mais adequadamente para todo o ano de 2009.

Um time jovem e inexperiente, mas muito bem treinado, com um padrão de jogo já mecanizado e fisicamente inteiro, venderia caro qualquer resultado no campeonato catarinense. O saldo não seria muito diferente do que se viu no primeiro turno do estadual, disputado com o grupo principal. Com a vantagem de ter tempo de treinar e preparar adequadamente o restante do elenco para o segundo turno.

Podem argumentar que é muito fácil dar a receita estando longe do olho do furacão. E que é mais fácil ainda ver o que deu errado depois de dar errado. De fato é. Mas isso não enfraquece os argumentos expostos acima.

O Figueira resolveu atirar para todos os lados, mantendo um pé numa canoa e o outro pé em outra, e não fez nada direito. Não se preparou adequadamente para nada, está jogando alguns jovens e promissores jogadores na fogueira e sequer tem um time perto de estar pronto.