O maldito 4-3-3

Surpreendentemente, o Figueira começou muito bem o jogo contra o Joinville neste domingo. Parecia que finalmente estava encontrando um jeito de jogar. O time estava mais bem organizado, tocando mais a bola, trabalhando de forma coletiva e criando chances de gol.

O sistema defensivo continuava inseguro, e volta e meia o bom time do Joinville ameaçava o gol de Wilson, mas era o Figueira que tomava a iniciativa de jogo. Rômulo estava conseguindo ser mais efetivo no desarme. Roger começou como um terceiro zagueiro e depois voltou para a função de volante. Os laterais estavam mais efetivos e indo mais vezes ao fundo. Juninho jogava bem, Talheti também e a dupla de ataque trabalhava em parceria.

O Figueira fez um a zero numa jogada muito bem trabalhada, com bola de pé em pé até a finalização de Marcelo. Fez dois a zero numa belíssima enfiada de bola de Talheti para Rafael Coelho. Desperdiçou, no entanto, outras chances de liquidar a partida e acabou pagando caro por isso.

Nas rádios de Floripa apontaram que o primeiro gol do JEC, pouco antes do final do primeiro tempo, veio na pior hora possível. Discordo. Se era para tomar um gol que fosse ali, porque o técnico poderia corrigir os erros de posicionamento e acalmar os jogadores no intervalo. Só que o técnico do Figueira é o Pintado e o time voltou muito mal para o segundo tempo. Tomou o segundo gol logo de cara – em mais uma bobeira de Bruno Perone – e aí o JEC usou sua experiência para cozinhar o jogo e virar o resultado, diante de um Figueira que já era o retrato de todos os problemas de sempre: desorganizado, perdido, derrotado.

Quando o JEC empatou o jogo, Pintado apelou para sua mudança de sempre: o maldito 4-3-3. Não sou retranqueiro, mas raramente vi esse sistema funcionar para reverter um resultado. Me parece uma mistura de falta de alternativa, impotência e desejo de fazer média com a torcida. Geralmente com três atacantes, o time perde de vez o meio-campo – onde quase sempre o problema está – e enche as imediações da área adversária de jogadores, facilitando a marcação adversária.

Para o 4-3-3 funcionar, o time que estar muito bem treinado, pelo menos dois atacantes precisam ter características de meias para recompor o meio quando o time é atacado e força e velocidade para cair pelos lados quando a equipe recupera a bola. Mesmo assim, é uma alternativa a ser usada em momentos muito específicos, principalmente quando o time vai para o abafa no final do jogo.

Está certo que Pintado tem poucas opções. Sem Jairo, Pedrinho e Fernandes, só sobra Talheti para a meia. Só que os maiores problemas do Figueira têm ocorrido quando o time perde o meio-campo, não consegue manter a posse de bola e deixa o adversário jogar. Não é botando mais um atacante que o problema vai ser resolvido, mas Pintado tem insistido com uma formação que só funcionou contra o Atlético de Tubarão, o pior time do campeonato. Se o elenco oferece poucas opções, o arsenal de Pintado também é muito limitado, inclusive para trabalhar o emocional dos jogadores e aí os resultados são os que estamos vendo.

A última carroça

Se o Figueira almeja algo mais no campeonato catarinense e se o técnico Pintado deseja continuar no cargo, o Furacão Alvinegro precisa vencer o jogo deste domingo contra o Joinville no estádio Orlando Scarpelli.

É o que aquele comentarista avaiano costuma de chamar de “última carroça”. O Joinville está embalado, vive um bom momento e tem um time bem mais acertado do que o Figueira. O Furacão, no entanto, precisa dar uma resposta à torcida. Precisa jogar o que ainda não jogou neste campeonato. Pintado precisa mostrar que é algo mais do que um distribuidor de camisas.

Para ninguém reclamar de falta de inspiração e de costume, abaixo três vídeos de três goleadas do Figueira sobre o JEC no Scarpelli nos últimos três anos. O que o Joinville fez os alvinegros sofrerem na década de 1980, já foi devolvido com juros e correção nos últimos 10 anos.

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Momento histórico I

O Figueirense joga num domingo no Scarpelli!!!!

E pode ser a única vez que isso acontece no ano!!!

A tabela do campeonato catarinense conseguiu a proeza de marcar um mísero jogo num domingo em 11 partidas que o Figueira faz como mandante na primeira fase da competição. E é essa contra o JEC.

A Copa do Brasil só tem jogo em meio de semana. A Série B não tem jogo domingo. O Figueira só vai voltar a jogar neste dia se passar para a segunda fase e se a tabela não for feita com a mesma “inteligência” que a tabela da primeira fase.

Parabéns para quem administra o futebol catarinense. Riscaram o dia consagrado ao futebol no Brasil do calendário da maior e mais fiel torcida de Santa Catarina.

Momento histórico II

Passou batido, mas ainda cabe o registro. Na quinta-feira, os torcedores presentes ao Scarpelli testemunharam um momento histórico: Anderson Luís acertou um cruzamento! Foi lançado pela direita, foi ao fundo (outro momento histórico) e cruzou para Juninho cabecear. O goleiro do Brusque fez uma grande defesa e a bola ainda bateu no travessão antes de ir para escanteio.

Como o lance é uma inequívoca demonstração de evolução técnica de Anderson Luís, sugiro que o técnico Pintado o tire do time titular por um bom tempo e o deixe só treinando para aperfeiçoar ainda mais esse crescimento técnico que vimos na última partida…