Sobre falta de confiança e juízos apressados

Até agora o Figueira anunciou as contratações dos zagueiros João Felipe e Toninho, do volante Alê e do meia Kássio para a disputa da série B. Destes, acompanhei mais de perto o futebol de Alê. Os outros, ou não me lembro de ter visto jogar, como Kássio e Toninho, ou simplesmente não conheço, como João Felipe.

Creio, porém, que esses jogadores vão adicionar qualidade ao elenco alvinegro, até porque, diante das carências atuais, é difícil que isso não ocorra. Se serão capazes de ajudar o Figueira a lutar pelo acesso, no entanto, é difícil dizer.

Os novos contratados não causaram bom impacto junto à torcida. Em parte, porque torcedor quer jogador que já conhece ou aquele de “nome”. Ano passado, o Figueira contratou uma penca de jogador de “nome” e foi rebaixado para a segunda divisão, mas a exigência de “currículo” permanece.

Isso é normal. Quando Aldrovani chegou o Figueira a pergunta corrente era o que o Figueira queria com um jogador que tinha nome de remédio. Quando Wilson foi contratado, o questionamento era “o que a diretoria pretende trazendo o quinto goleiro do Flamengo”? Hoje é o maior ídolo em atividade no clube.

Por outro lado, a decepção se deve à falta de confiança que a torcida deposita na diretoria do clube depois dos erros cometidos em 2008. Desconfiança que aumentou com o mau começo em 2009, com algumas contratações que não deram certo como Juninho e Rafael Ueta ou que ainda não deslancharam como Pedrinho.

Não há maneira de recuperar a confiança, no entanto, sem bons resultados. As informações que circulam na mídia dão conta que o técnico Roberto Fernandes está participando ativamente das contratações. É um alento para quem não acredita que a diretoria seja capaz de realizar a tarefa sozinha.

É preciso dar tempo ao tempo. Os campeonatos estaduais ainda estão em andamento. Outros reforços precisam e devem vir. E aí ver se o copo está meio cheio ou meio vazio vai da perspectiva de cada um. Se jogadores que agora são cogitados como reforços como Rafael Morisco, Lenilson e Ricardo Oliveira tivessem sido contratados no começo do ano, a diretoria também seria altamente criticada, por estar trazendo jogadores desconhecidos, de “1,99”. Como agora foram vistos e agradaram a muitos torcedores, viram boas opções. O fundamental é que quem contrate, conheça o jogador e saiba o que ele pode render. Para o torcedor, isso só pode ser visto quando a bola rolar.

Deu a louca nos dirigentes

Agora é o São Paulo que anuncia vai mandar só três titulares para enfrentar o Independiente de Medellín, pela Copa Libertadores. Quer dizer, vai priorizar o campeonato estadual em detrimento da maior competição do primeiro semestre.

Sim, o São Paulo já está classificado para a segunda fase, mas o regulamento da Libertadores determina que o emparceiramento para o mata-mata se dá pela pontuação da primeira fase, ou seja, quem fizer o maior número de pontos garante a decisão em casa até a final do torneio.

O Grêmio já havia caído na besteira de fazer o time titular jogar um Grenal dois dias antes de uma partida importante pela Libertadores e derrubou o técnico por conta da campanha no estadual, já que na competição sul-americana vai bem.

O Palmeiras usou seus titulares num jogo decisivo e duríssimo contra o Sport, em Recife, repetiu a escalação em outro jogo duríssimo contra o Santos, na Vila Belmiro e vai precisar de força máxima de novo para pegar o jogo contra o time pernambucano no Parque Antártica, além de ter que reverter a vantagem que o Santos obteve na primeira partida das semifinais do campeonato paulista. E a situação do Palmeiras é pior, pois corre sério risco de ficar fora da segunda fase da Libertadores, enquanto o paulistão ganhou no ano passado.

Tudo indica que os dirigentes se renderam de vez à lógica fanática do torcedor não tolera uma única mísera derrota. Até poderiam, se os times brasileiros tivessem dinheiro em caixa para montarem verdadeiros esquadrões ou se o calendário do primeiro semestre não fosse tão insano.

Os times têm pouco tempo para se preparar para o início da temporada, aí já encaram estaduais longos e cansativos, que só não causam crise se forem vencidos, e ainda têm que dar conta de competições mais importantes e simultâneas como a Copa do Brasil e a Copa Libertadores.

Alguma coisa precisa ser rifada para que algo seja priorizado. Só que o torcedor só quer saber de vencer e o dirigente, ao seguir essa lógica, corre o risco de ficar a ver navios.

Tem que consertar a cozinha

A melhor notícia desta noite de quinta-feira veio depois do empate com a Ponte Preta por 2 a 2, no estádio Orlando Scarpelli. Foi a informação de que o Figueira está acertando com dois zagueiros e dois volantes. Um dos defensores é Toninho, zagueiro que está no Náutico, tem seu vínculo federativo junto ao Guaratinguetá e já trabalhou com Roberto Fernandes.

Zaga, por sinal, que continua sendo um dos maiores problemas do Figueira. Dieyson pode vir a ser um bom reserva, entrando em um jogo ou outro para ganhar experiência, enquanto Bruno Perone segue o caminho trilhado por Anderson Luís. Castiga tanto a bola que torna sua participação na partida um tormento insuportável para o torcedor. Perone podia fazer uso de seu passaporte comunitário e acertar com algum time da terceira divisão da Itália. A torcida do Figueira lhe desejaria toda a sorte do mundo em sua nova empreitada.

O ritmo das contratações está muito mais lento do que o esperado. O diagnóstico dos maiores problemas do Figueira, no entanto, está correto. Se não consertar a cozinha, o Furacão Alvinegro vai patinar na série B e só. Isso se não brigar para não cair para a terceira divisão.

Taticamente melhor, tecnicamente muito ruim

Este blogueiro não é muito de ficar enchendo a bola de técnico. Acredita até que se exagera na importância do treinador para uma equipe. Tirando um ou outro que realmente faz diferença no futebol brasileiro, temos, na verdade, um monte de profissionais basicamente do mesmo nível.

É preciso, no entanto, reconhecer que Roberto Fernandes começou muito bem seu trabalho no Figueira. Com enormes limitações no elenco, o técnico conseguiu terminar o campeonato estadual com bons resultados e lampejos de bom futebol. Talvez, se tivesse chegado antes, poderia até ter beliscado uma vaga no quadrangular semifinal.

Na partida desta quinta-feira contra a Ponte Preta, o Figueira foi, na maior parte do tempo, um time organizado e com um bom bloqueio defensivo. Fernandes posicionou Roger como um terceiro zagueiro, deu liberdade para Lucas flutuar pelo campo todo e fixou Anderson Luís na ala direita. O time teve uma chance logo no início da partida, mas a bola caiu nos pés de Bruno Perone e, obviamente, o gol não saiu.

A equipe não criava muito. Juninho estava tímido pela esquerda e tinha que dar conta da jogada da forte da Ponte Preta, com os avanços do velho conhecido Edilson, que começou no Avaí. Anderson Luís exibia sua mediocridade habitual e Pedrinho estava apagado.

Por outro lado, o time corria poucos riscos na defesa. A Ponte só ameaçava através de escanteios e faltas laterais que o árbitro gaúcho insistia em marcar perto da área alvinegra. Só que a contusão de Bruno Octávio na metade do primeiro tempo complicou a situação. Se Roberto Fernandes já teve dificuldade em escalar um onze competitivo com o que tinha à disposição, perder um dos bons jogadores do time traria prejuízos. E eles logo foram sentidos. Saiu Bruno Octávio, entrou Schmoller e saiu também o primeiro gol da Ponte Preta, depois de uma falta inexistente marcada perto da área do Figueira pelo lado esquerdo da defesa.

Mas aí o Furacão Alvinegro mostrou outra virtude que estava ausente há tempos do Scarpelli: poder de reação. Foi assim no jogo contra o Criciúma, quando virou para 5 a 4 depois de sair perdendo por 3 a 0 e foi assim nesta quinta-feira. Logo depois de sofrer o gol, o empate veio numa jogada que envolveu Lucas, Rafael Coelho e Schwenck. Minutos depois, o time teve a chance de fazer o segundo, mas Aranha fez grande defesa depois do cabeceio de Schwenck.

Fernandes tentou dar mais ofensividade ao time e voltou do intervalo com Jairo no lugar de Juninho. Foi seu único erro. Se Juninho estava tímido, Anderson Luís na ala esquerda foi um desastre. O prejuízo pelo setor só não foi maior porque logo depois Edilson mostrou que continua sem juízo e foi expulso após fazer falta violenta em Pedrinho.

O problema é que Jairo entrou muito mal. Aliás, aquele bom futebol nos últimos três jogos da série A do ano passado foi apenas uma amostra grátis? Foi um grande momento que não se repetirá? Sim, porque Jairo está devendo muito futebol em 2009.

Fernandes posicionou o time em duas linhas de quatro. O problema é que o quarteto defensivo era formado por Schmoller, Perone, Dieyson e Anderson Luís. Não há time que agüente uma defesa dessas, mesmo com o adversário com um a menos em campo.

Aí o técnico resolveu ir para o tudo ou nada e tirou Anderson Luís para botar Marcelo, que passou a jogar como um ala direito. A Ponte passou a só se defender, mas achou um gol numa cobrança de falta magistral. Logo depois, o Figueira empatou com Rafael Coelho, mas o que havia de organização tática e de sangue frio se esvaiu. O time começou a errar demais e a dar seguidos contra-ataques para a Ponte, que só não venceu o jogo porque o goleiro do Furacão Alvinegro se chama Wilson.

Se o Figueira recuperar alguns jogadores contundidos ou que ainda não estrearam, como Anderson Pico, e, principalmente trazer reforços e botá-los em condições de jogar a partida da volta, daqui a duas semanas, tem chance de eliminar a Ponte, mesmo em Campinas. Se, no entanto, viajar com uma formação muito parecida com a que entrou em campo nesta quinta-feira, a classificação será uma tarefa hercúlea. Quase um milagre.

Quatro destaques

Wilson

Como sempre, mostrou sua categoria e foi decisivo para evitar a derrota no final da partida. Aliás, se o Figueira continuar insistindo em jogar sem defesa, o mais justo a fazer seria erguer uma estátua para o goleiro e liberá-lo para procurar um time melhor. Beira a crueldade deixá-lo tão exposto ao bombardeio adversário todo santo jogo.

Roger

Dá umas pixotadas de vez em quando, mas está cada vez melhor na marcação e dá um toque de qualidade ao meio-campo alvinegro. Se tiver companhia melhor, pode render ainda mais.

Lucas

É a grande revelação de 2009. Está mostrando uma qualidade, um empenho e uma personalidade acima de qualquer expectativa. Esse sim é o coringa do time. Está jogando muito.

Schwenck

Muitos torcedores torcem o nariz para ele, mas fez uma grande partida. Lutou, dividiu, correu, preparou jogadas, fez gol e obrigou o goleiro adversário a fazer uma grande defesa. Melhor fisicamente, seu futebol cresceu. É meio tosco, é meio limitado, mas pode ser muito útil.

Rafael Coelho também merece ser mencionado. Não fez um grande jogo, mas foi decisivo nas jogadas dos gols. No primeiro, subiu no terceiro andar para ajeitar de cabeça para Schwenck e no segundo também subiu muito para acertar uma pancada de cabeça no canto do goleiro.

Com força e com vontade

Levando em conta as declarações do técnico Roberto Fernandes, que garantiu as escalações de Lucas na lateral direita e Juninho, dos juniores, na ala esquerda, é justo supor que, além dos dois, o Figueira deve entrar em campo com Wilson, Perone, Dieyson, Roger, Bruno Octávio, Pedrinho e Rafael Coelho. As dúvidas ficam, portanto, restritas a quem completará o quarteto de meio-campo e qual jogador fará dupla com Rafael Coelho no ataque.

As opções são, de fato, escassas. Além dos jogadores que voltaram para base ou foram afastados do elenco, há ainda vários no departamento médico (Davidson, Régis e Wellington, por exemplo). Até o confronto da volta, reforços deverão chegar e outros atletas já deverão ter condições físicas de jogo.

Por isso, o fundamental para o jogo desta quinta-feira é ter aplicação e atenção o tempo todo. Depois de 15 dias de treinamentos, a equipe, mesmo ainda precisando de mais qualidade, deve mostrar mais condição física e melhor disposição tática.

Se não der para garantir um resultado que praticamente resolva a parada no Scarpelli – e o provável é que não dê –, o objetivo tem que ser, sem deixar a agressividade e a iniciativa de jogo de lado, não tomar gol. Uma vitória simples já dá um bom fôlego para o Figueira enfrentar o jogo da volta. E aí o time já estará em melhores condições.

Já a torcida tem que voltar a fazer diferença para o Furacão Alvinegro. Comparecer em bom número e apoiar do início ao fim da partida é a tarefa que cabe a todo torcedor do Figueira nesta quinta-feira.

Qual a melhor opção?

Sem lateral esquerdo à disposição – Anderson Pico ainda não está pronto e Wellington segue contundido – e somente com dois zagueiros em condições de jogo (Perone e Dieyson), o técnico Roberto não tem muitas opções para armar o time para o jogo contra a Ponte Preta.

Uma das alternativas causa calafrios na torcida alvinegra: a volta de Anderson Luís ao time. Pode ser na lateral direita ou na esquerda ou como volante. Nenhuma delas agrada.

Armar o time num 3-5-2 significa abrir mão da qualidade de Roger no meio-campo. Fixar Lucas na ala direita e improvisar Davidson na esquerda, ou o contrário, representa ter um meio-campo muito aberto, jogando com Jairo (ou Talheti) e Pedrinho. Q
uem sabe seria melhor entrar com os três meias e só um atacante?

Qual a melhor alternativa? Jogar mais aberto e arriscar tomar gol em casa, o que é sempre ruim em Copa do Brasil? Ou fechar mais o time para ter uma defesa mais protegida?

Onde Anderson Luís seria menos pior? Na ala direita, na esquerda ou como volante, com a recomendação expressa de largar a bola em menos de 10 segundos e passar logo para quem estiver mais perto?

Vale mais escalar Lucas em uma das alas ou colocá-lo no meio-campo, onde ele marcou três gols nos últimos dois jogos e ainda ajudou na marcação?

Vamos ficar assim: hoje eu só pergunto. Vocês é que encontrem as melhores respostas.

Batizaram o chimarrão?

Tá certo que o cara tem que valorizar o produto e ver se fatura uma boa grana, mas o diretor da Chapecoense, Jandir Bordignon, exagerou um bocado ao afirmar que só negocia o zagueiro Rafael Morisco por um milhão de euros. Por essa grana toda, se contrata todo o time da Chapecoense e ainda se leva o Índio Condá de brinde. Com todo o respeito que o Verdão do Oeste, meu preferido para ser campeão catarinense de 2009, merece.

De segunda categoria

De acordo com o site Máquina do Esporte, a Ponte Preta decidiu romper o contrato com a fornecedora de material esportivo Champs, assinado no início do ano. A alegação do adversário do Figueira na próxima quinta-feira, “é o fornecimento de material oficial. Em nota publicada no site do clube, a diretoria diz que a distribuição de produtos foi insatisfatória desde o início do contrato e gerou muitas reclamações de torcedores”, diz o site (clique aqui).

O Máquina do Esporte já havia trazido uma matéria em que relatava atrasos da Champs na entrega do material destinado ao Náutico, que também assinou com a empresa no início deste ano (leia aqui).

Já Marcelo Damato, em seu blog, contava, em fevereiro, que “O Vasco enfrenta problemas com a Champs, fornecedora de material esportivo. A empresa só produz calção e camisa. Nem meião faz. Para as viagens, os jogadores do Vasco não possuem agasalhos específicos. Têm de se deslocar de calça jeans e camisa, fornecidas pela Champs, mas produzidas por outra empresa” (veja aqui).

Isso sem falar no horrendo design das camisas produzidas pela empresa. Quem já viu as medonhas peças – entre elas, a inacreditavelmente feia camisa amarela – com que os torcedores azulejentos desfilam pela cidade sabe do que este blog está falando. Parece que foram desenhadas no Paint Brush por uma criança de sete anos, dona de um mau gosto quase inigualável.

Barriga de aluguel

Sai Medina, jovem e promissor, e vem Xaves, Muriqui e Abuda, que, como é de conhecimento público, já marcaram seus nomes na história da Série A. Ah, se fosse no Figueira. Como o pau ia roncar em cima dos dirigentes que só pensam em dinheiro…

De qualquer forma, o time do Sul da Ilha está trilhando o bom caminho…