A vez da torcida

Está na hora da torcida alvinegra voltar a apoiar a equipe. O jogo contra a Ponte Preta não quinta-feira é a primeira oportunidade para que isso ocorra.

Faz tempo que o Figueira não joga, a diretoria baixou o preço dos ingressos, a partida é pela Copa do Brasil, o adversário merece respeito, o dia seguinte ao jogo é feriado. Todos os ingredientes para não se ter desculpa para não ir para o Scarpelli.

“Ah, mas o time é o mesmo, não chegou reforço ainda”. Os reforços vão chegar, mas o tempo sem jogar pode ter servido para Roberto Fernandes melhorar o padrão de jogo da equipe mesmo que ainda sem novas opções. Se o técnico conseguiu melhorar o time sem tempo para treinar, tudo leva a crer que depois desse intervalo longo sem jogos, se veja uma apresentação bem acima do que se viu no campeonato estadual.

O Figueira começa uma nova fase na quinta-feira. E com grande presença da massa alvinegra, tudo pode ficar ainda melhor.

Uma novidade, finalmente

O Figueira está contratando o jovem meia Kássio, do Sport Recife. Prata da casa, o jogador está sem espaço no clube pernambucano e vai reforçar o Furacão Alvinegro na série B. Não conheço o jogador, mas as referências são boas.

Agora é torcer para o Sport vencer também o segundo turno do campeonato estadual, evitando uma final. Assim, Kássio se integrará mais cedo ao Figueira.

O imponderável e o nem tanto

Fim de semana sem compromisso na frente da TV, coringando um jogo aqui e outro ali, de tudo que é parte, faz a gente matutar sobre o imponderável e o nem tanto no futebol.

- O São Paulo tem um grande elenco e poupa oito titulares no jogo contra o São Caetano. Aí não consegue vencer o jogo porque seu maior ídolo e o titular mais incontestável entre todos, o goleiro Rogério Ceni, entrega a rapadura nos dois gols do adversário.

- O campeonato inglês está pegando fogo e a disputa pelo título entre Manchester United e Liverpool está cada vez mais acirrada. No sábado, o Liverpool massacrou o Fulham o primeiro tempo inteiro, botou quatro bolas na trave e nada de fazer o gol. No segundo tempo, o ânimo arrefeceu, mas aos 48 minutos, o Liverpool marca o gol da vitória, leva sua torcida ao delírio e transfere a pressão para o United, que jogaria domingo.

- O time vermelho de Manchester pega o Aston Villa em Old Trafford, começa jogando mal, faz um a zero, continua jogando mal, toma a virada e vai para o sufoco. Cristiano Ronaldo, que já havia feito o primeiro, faz o segundo e empata a partida aos 35 minutos do segundo tempo. Aos 47, o atacante italiano Macheda, de 17 anos, que fazia sua estréia pelo time titular, faz o gol da vitória, um golaço, aliás.

- A má fama de de Celso Roth é imerecida, mas parece que ele vai carregá-la por muito tempo. O fato de ter conseguido fazer o limitado time do Grêmio brigar com o São Paulo pelo título brasileiro até a última rodada vale todos os elogios. Aí, em 2009, os dirigentes resolvem botar a Libertadores no mesmo nível do campeonato gaúcho e uma nova derrota para o Inter causa a demissão de Roth. Agora, com o time eliminado da competição estadual, o novo treinador paradoxalmente vai ter o que seu antecessor não teve: tempo para trabalhar e concentração total na Libertadores, que é o que realmente interessa.

- Um goleiro de 34 anos como Márcio Angonese não pode deixar de saber que não se vai de lado para uma bola. É o básico da função: põe o corpo no caminho da bola porque se as mãos falharem ela bate em algum lugar e não entra. Bem feito para o Criciúma, que trocou um goleiro irregular, mas razoável, como Zé Carlos, por dois ruins, como Angonese e Rafael Fava.

- Estes estaduais se arrastam por meses para concentrarem emoção em doses homeopáticas e esparsas. É muito jogo desinteressante para um ou outro que vale a pena. Chega logo, série B.

- A Ponte Preta complicou o jogo para o Santos. Foi melhor no primeiro tempo, saiu atrás, virou o placar, mas aí entregou a rapadura no final. Se fizer isso nos confrontos com o Furacão Alvinegro, a torcida do Figueira agradecerá.

- Wellington Amorim, Magal e Jackson ajudaram a rebaixar mais um time. Dessa vez foi o Guaratinguetá, do velho conhecido Carlito Arini (O C da CSR), que iniciou a rodada do paulistão na 13ª posição e terminou a tarde rebaixado, em 17º lugar.

- O pequeno Wolfsburg lidera o campeonato alemão, goleou o todo poderoso Bayern de Munique por 5 a 1 e, de lambuja, Grafite fez um gol de gênio. Quer mais imponderável que isso?

As palavras do dia

Duas boas entrevistas marcaram esta quinta-feira no Figueirense. A primeira foi a do técnico Roberto Fernandes à rádio Guarujá, no programa Campo Crítico. A outra foi coletiva do dirigente Paulo Prisco Paraíso, cuja íntegra você pode ver no site INfoesporte (clique aqui).

Roberto Fernandes comentou os principais problemas do Figueirense, como a zaga e o sistema de proteção à defesa. Comentou o interesse do clube por alguns jogadores como Fabiano Gadelha, Lenilson e Ricardo Oliveira. Os dois primeiros não devem vir, já que Gadelha estaria acertado para a Ponte Preta e Lenilson assinou um pré-contrato com o Atlético de Ibirama, clube com quem o Figueira não tem uma boa relação desde que levou um chapéu na negociação do atacante Adriano com o futebol do exterior. O técnico também comentou um contato que fez com o Cruzeiro, para negociar o empréstimo dos meias Gérson Magrão e Camilo, mas ouviu que a parceria do time de Belo Horizonte com o Ipatinga foi reativada e o clube do Vale do Aço tem prioridade entre os jogadores do elenco cruzeirense que não estão sendo aproveitados – que é o caso de Camilo, mas não de Magrão.

Pelo que o técnico falou a maioria dos jogadores nos quais o Figueira tem interesse estão disputando o campeonato paulista, mas as dificuldades em contratar são evidentes. Mesmo assim, a direção do clube, juntamente com Fernandes, estão trabalhando para reforçar o elenco.

O treinador também falou sobre esquema tático, dizendo que prefere trabalhar no 4-4-2, que pode se transformar num 4-3-3 em determinados da partida. Ele lembrou ainda que uma das principais características de seus times é o grande aproveitamento dentro de casa. Isso é uma boa notícia para o torcedor alvinegro, já que um bom desempenho no Scarpelli será fundamental para garantir o acesso.

Já a entrevista de Prisco chama a atenção porque o presidente da Figueirense Participações critica o Clube dos 13, que abocanha grande fatia das verbas da TV e prioriza nome e tradição sem levar em conta o critério técnico. Os sete anos de boas campanhas do Figueirense na série A, à frente de vários clubes integrantes do C13, não trouxeram nenhum retorno financeiro significativo.

Outro ponto de destaque foi a afirmação que a construção do novo estádio nada teve a ver com o rebaixamento. Prisco rechaçou a informação de que recursos do futebol foram direcionados para o projeto da Arena e argumento que será justamente o contrário: o novo estádio vai trazer mais recursos para o futebol do clube no médio prazo.

PPP ainda deixou escapar: a prioridade é contratar dois zagueiros, dois volantes e um meia. Tudo indica que o clube está trabalhando, mas é óbvio que a falta de novidades concretas preocupa a torcida. É questão de tempo, no entanto, para os reforços começarem a chegar.

Dias estranhos

Confesso que, como torcedor do Figueira, este blogueiro atravessa um período estranho e pouco usual. Esse negócio de ficar fora da festa, só secando os outros, é típico de avaiano. A torcida alvinegra não está acostumada com isso não.

Menos mal que estamos vivendo aquele período de brilhareco – curtinho, não passa de um ano – que eles vivem uma vez por década. Daqui a pouco acaba e tudo volta ao normal.

Velhos conhecidos

O adversário do Figueira na Copa do Brasil é a Ponte Preta, dirigida por Marco Aurélio, um velho conhecido dos torcedores do Furacão Alvinegro.

Passou por aqui em 2005 e não deixou muitas saudades. Fez uma boa campanha na Copa do Brasil, cujo ponto culminante foi ter eliminado o galáctico Corinthians de Tevez, Roger e Carlos Alberto nos pênaltis numa noite memorável no estádio Orlando Scarpelli.

Vi alguns trechos da derrota do empate da Ponte para o Corinthians, na semana passada, e Marco Aurélio parece o mesmo. Time fechado, marcação forte, que abusa das faltas para parar o adversário. Deve ser a mesma estratégia a ser adotada contra o Figueirense, no primeiro jogo, na próxima quinta-feira.

Além de Marco Aurélio, a Ponte Preta conta com Edilson, lateral que passou pelo Avaí, e Rogerinho, meia-atacante, que teve bom desempenho jogando pelo Remo, Paysandu e Fortaleza, mas nunca conseguiu emplacar no Furacão Alvinegro até ser vendido para o Oriente Médio.

Na espera

A chegada de reforços ao Figueira está claramente atrelada ao fim dos campeonatos estaduais. Enquanto estas competições não chegam ao fim, poucas novidades devem pintar no Scarpelli. O time anuncia que pretende trazer dois zagueiros na semana que vem, mas a necessidade de reforçar o setor já para o jogo contra a Ponte Preta não pode servir de condição para o time trazer meros tapa-buracos.

Como o principal objetivo da temporada é a série B, não adianta trazer jogadores que não vão resolver o problema e vão acabar só inchando o elenco, um problema vivido pelo clube desde o ano passado e que só agora começa a ser resolvido. Melhor então ir para o confronto contra a Ponte com o que temos e ver o que acontece.

Que diferença faz?

Estou esperando alguém jogar uma luz sobre essa história da CBF assumir a organização da série B. Que diferença faz ser a FBA ou a CBF? Até agora não ficou claro.

Um fato, no entanto, me chamou a atenção. Dos 20 clubes que vão disputar a segunda divisão, somente Fortaleza, Ceará e Vila Nova são ligados à FBA. Não é um número representativo.

Por outro lado, a confusão é típica do futebol brasileiro. Enquanto em outros países, a liga é formada pelos clubes que forma a respectiva divisão, aqui é uma avacalhação total. O Clube dos 13 tem time na primeira, na segunda e até na quarta divisão. A FBA não representa ninguém. E aí tem gente que tem sua parte do butim garantida mesmo que os resultados de campo não justifiquem a montanha de grana que recebem e tem gente que precisa se virar recebendo migalhas.