Pode ser mau humor, admito, mas que tem coisa que não dá pra não comentar, isso tem.
* No Bate-Bola do meio-dia de ontem, na ESPN Brasil, programa que gosto, o comentarista Flávio Gomes disse que o campeonato brasileiro é muito longo, dura tempo demais. Ora, a emissora transmite vários campeonatos nacionais da Europa que têm 20 clubes e 38 rodadas, assim como o brasileiro. E lá, os campeonatos duram nove ou 10 meses e não sete como no Brasil.
* A megalomania avaiana – ou seria havaiana? Clique aqui para entender – não tem limite. Antes do jogo contra o Flamengo começar, havia no máximo mil avaianos no Maracanã. No fim da partida, já eram dois mil. No domingo, a conta já tinha passado dos 2.500. Na segunda-feira, o número subiu para três mil. Até o próximo jogo do time do Sul da Ilha, vão concluir que dos 20 mil torcedores presentes no Maraca, 19 mil eram avaianos e mil, flamenguistas. Até o fim do ano, a quantidade irá superar a célebre invasão corintiana de 1976, com seus mais de 70 mil alvinegros, pela semifinal do campeonato brasileiro contra o Fluminense.
* O Figueira deu um banho de bola no ABC, venceu fora de casa, jogou contra uma arbitragem caseira e incompetente, mas o que se gastou o verbo nas rádios de Floripa sobre o episódio da troca de camisas foi uma grandeza. Ao escrever o post Uma bobagem e vários destaques fui na pilha da transmissão da RBS TV, mas segundo o site FutebolSC (clique aqui), o presidente da comissão de arbitragem da CBF disse que a advertência com cartão era opcional caso não se caracterizasse má-fé na troca de camisas, como não se caracterizou.
* Não acompanhei, mas gostaria de saber: depois do empate entre Flamengo e Avaí, Miguel Livramento proferiu sua clássica frase “O Flamengo me decepcionou. Time muito fraco, muito fraco”? Toda vez que o Figueira ganhava de um grande time do futebol brasileiro ele repetia essa frase ad nauseam.
* O Figueira ficou sete anos consecutivos na série A. Não me lembro de ninguém da imprensa ter lançado algum desafio entre as torcidas durante esse período.
* Marcelo Damato tem razão (clique aqui). 1,5 milhão de euros por Chicão é uma merreca.
Monthly Archives: May 2009
Figueira derrota ABC e arbitragem
O Figueira teve que fazer cinco gols legais para valerem três. Teve que superar o adversário, que não se mostrou páreo para o Furacão Alvinegro, e, principalmente, uma das arbitragens mais tenebrosas que este blogueiro teve oportunidade de testemunhar nos últimos tempos.
O Figueirense foi um time organizado, concentrado e objetivo. Se defendeu razoavelmente bem no primeiro tempo e soube explorar os enormes espaços deixados pela defesa do ABC. Fez um a zero antes do cinco minutos. Foi anulado erradamente. Fez 1 a 0 de novo aos 10 minutos. Fez 2 a 0 aos 20 minutos. Outra vez anulado incorretamente. Pela segunda vez, fez 2 a 0 e depois administrou o resultado até o final do primeiro tempo.
O único defeito do Figueira na primeira etapa foi permitir que o ABC levasse vantagem na bola área na defesa alvinegra. A expulsão de Lucas antes do segundo tempo começar, por conta do erro infantil de trocar o número de sua camisa com a de Alê, deve ter alterado completamente as orientações de Roberto Fernandes. Mesmo assim, com um a menos durante todos os 45 minutos finais, o Figueira fez o terceiro, liquidou a partida e soube se defender.
Foi uma vitória justa e incontestável, superando uma arbitragem simplesmente horrorosa. Distribuiu cartões à vontade para o Figueira. Não teve o mesmo critério com o ABC. Deixou os jogadores potiguares baixarem a sandália e se atirarem na área do Figueirense para cavar pênaltis sem serem advertidos.
Agora é pensar na Portuguesa. O primeiro adversário realmente cotado para brigar pelo acesso com o Figueirense. Vai ser jogo de cachorro grande para um Orlando Scarpelli cheio.
Uma bobagem e vários destaques
Trocar o número de jogadores na súmula é uma bobagem sem tamanho que poderia ter custado a vitória, depois da arbitragem impedir que o primeiro tempo não terminasse com o placar correto, de 4 a 0. Não custou a vitória, mas custou o desgaste de jogar metade do jogo com um a menos e não poder contar com Lucas para a partida contra a Portuguesa.
O equívoco não apaga, porém, o grande desempenho de jogadores como o próprio Lucas, Rafael Coelho e Schwenck. Wilson, como sempre, respondeu bem quando foi exigido. João Felipe e Toninho foram seguros. Roger e Alê, corretos. Até Perone foi menos estabanado do que costume. Kássio e Anderson Pico foram discretos. Schmoller entrou bem, Marcelo entrou mal e Wellington teve pouco tempo para mostrar alguma coisa.
Ainda sem contar com vários jogadores que podem adicionar mais qualidade à equipe, o Figueira larga muito bem na série B. Melhor ataque, liderança, 100% de aproveitamento. Roberto Fernandes conseguiu, de fato, dar um padrão de jogo para o time. O caminho é esse.
Um bom teste em Natal
Em casa, o Figueira venceu o Ipatinga pela primeira rodada da série B. Fora, o ABC perdeu para a Ponte Preta. O que isso quer dizer? Pouco. Os dois times pouco se conhecem, nunca se enfrentaram, e ambos estão em formação.
Se serve de algum parâmetro a campanha do ABC em seu estádio no campeonato da segunda divisão do ano passado não foi muito boa. Foram sete vitórias, nove empates e três derrotas jogando no Frasqueirão. O time, no entanto, não perde em casa pela a série B desde 23 de setembro, quando levou 4 a 1 do Fortaleza.
O Figueira viajou com a escalação ainda indefinida ou, ao menos, não divulgada. O time pode jogar num 4-4-2, com Anderson Pico na lateral direita, Welington na esquerda e Lucas no meio, ou formar num 3-5-2 com a volta de Bruno Perone à zaga, Lucas na ala direita e Pico na esquerda.
O Furacão Alvinegro também entra em campo sabendo que precisa vencer para continuar entre os líderes da competição. Atlético-GO e Duque de Caxias já jogaram pela segunda rodada e venceram, somando seis pontos ganhos.
Ao calor nordestino das quatro horas da tarde, será um bom teste para o Figueira saber em que estágio de crescimento e preparação se encontra. Uma vitória seria muito bom, um empate não pode ser jogado no lixo.
Agora, assim como não se acovardava quando jogava fora de casa quando disputava a série A, o pensamento tem que ser de vencer seja quem e onde for também na série B.
Entre os melhores nas categorias de base
O site Olheiros, que está entre os preferidos deste blog, se dedica a avaliar o surgimento de novos talentos e acompanhar os campeonatos das categorias de base.
Nesta quarta, o site trouxe uma inovação: criou um ranking para apontar os melhores clubes do Brasil no trabalho de base. O Figueirense está entre os 10 mais, ocupando a oitava posição. O Internacional lidera o ranking, seguido por Cruzeiro, São Paulo, Grêmio, Fluminense, Santos e Corinthians. Entre os 10 melhores, mas abaixo do Figueira, estão ainda Atlético-PR e Atlético-MG.
Para ler sobre a proposta de criação do ranking, clique aqui.
Para conferir o ranking completo, clique aqui.
Para entender os critérios utilizados, clique aqui.
Para ver quais as principais competições acompanhadas pelos Olheiros, clique aqui.
Notícias do próximo adversário
Treinado por Heriberto da Cunha, o ABC segue se reforçando. Depois da derrota para a Ponte Preta, em Campinas, a equipe potiguar contratou o meia Tiano (ex-Brasiliense) e nesta quarta-feira apresentou o lateral Ademar (ex-Náutico), que disputou o campeonato paulista pelo Oeste.
O ABC pode apresentar mais dois reforços hoje e a imprensa local especula que podem ser o meia Abedi (ex-Vasco, Avaí e Juventude) e o atacante Val Baiano (ex-Brasiliense).
Para o jogo contra o Figueira, no sábado, o time não vai poder contar com o zagueiro Gaúcho, expulso na partida contra a Ponte Preta.
Figueira reforça elenco
A terça-feira foi movimentada no Scarpelli e o Figueira apresentou um reforço e confirmou a contratação de mais dois. O atacante Clodoaldo chegou a Floripa e o clube fechou com os volantes Paulinho, do Internacional, e Luciano Totó, do Atlético-GO.
Aos poucos o Furacão Alvinegro vai dando mais opções para o técnico Roberto Fernandes. Ainda pode haver carências a sanar, como na meia e na zaga, mas é também preciso observar a evolução de Pedrinho e Fernandes, além do comportamento dos defensores, setor reforçado com a chegada de João Felipe e Toninho.
É correto supor que algum volante, ou alguns, seja liberado. O elenco vai ter a partir de agora Roger, Alê, Carlinhos, Rômulo, Schmoller, Luciano Totó e Paulinho. Sem contar o garoto Sidnei que voltou de empréstimo ao São Bento-SP e também joga por ali.
Também vai ser interessante ver como Roberto Fernandes vai armar o time. O técnico já afirmou mais de uma vez que prefere posicionar o time numa espécie de 4-2-2-2, com dois volantes e dois meias. Com todo mundo nas pontas dos cascos, Pedrinho e Fernandes teriam vaga no time. Não ficaria uma formação muita aberta, muito faceira, um futebol alegre demais para a série B?
Uma alternativa seria então fixar um volante mais pegador, como Paulinho, Totó, Rômulo ou Carlinhos, auxiliado por dois volantes de mais qualidade na saída de bola como Roger e Alê, jogando com só um meia. Roger e Alê têm qualidade para chegar à frente e auxiliar o ataque, mas são bons marcadores, apesar deste blogueiro não vê-los como cabeças-de-área clássicos, daqueles que não perdem viagem e que quando recuperam a bola entregam para quem estiver mais perto.
Rômulo se contundiu antes da chegada de Roberto Fernandes. Antes, estranhamente, Pintado liberava o jogador mais para o apoio e deixava Roger mais preso. Sempre pensei que o melhor era o contrário.
No ataque, a chegada de Clodoaldo soma uma virtude mais trombadora ao setor. Com ele, Rafael Coelho pode jogar mais pelos lados do campo, além de entrar pela diagonal. O time também ganha força na bola área.
O bom é que o elenco começa a ficar mais encorpado e isso é fundamental num campeonato de sete meses e 38 rodadas. Os cinco cartões amarelos distribuídos generosamente pelo árbitro a jogadores alvinegros na partida contra o Ipatinga comprovam que para garantir o acesso serão precisos bem mais do que 11 bons jogadores.
Esperidião Amin ainda tinha cabelo
O Avaí na série A é algo tipo peixe fora d’água. Não combina muito e pode ser fatal. É algo tão inusitado que provoca movimentação intensa na Ressacada, com a torcida do time do Sul da Ilha esgotando os 600 ingressos enviados pelo Flamengo para o jogo de sábado no Maracanã.
Isso não é bem amor, é mais desespero para não desperdiçar uma chance que sabe-se lá quando irá se repetir. Segundo o Futpedia (clique aqui e aqui), o Avaí jogou duas vezes no ex-maior estádio do mundo, ambas em 1974.
No dia 16 de abril, tomou uma traulitada do Botafogo por 5 a 1. No dia 29 de maio perdeu para o Vasco por um honroso um a zero.
Ou seja, quando o Avaí entrar em campo no próximo sábado, dia 17 de maio, para enfrentar o Flamengo no Maracanã, estará perto de completar 35 anos que o time azulejento jogou ali pela última vez.
Faz tanto tempo, mas tanto tempo, que Joel Santana não era técnico e sim zagueiro do Vasco. Roberto Dinamite era o centroavante do time de São Januário e não seu presidente. Balduíno, Toninho e Zenon ainda jogavam em vez de comentar futebol. O Brasil era uma ditadura militar e não havia eleição direta para presidente da República. Esperidião Amin ainda tinha cabelo…
É sempre a qualidade
Depois de passar uma semana ouvindo que o importante na série B é vencer e não dar espetáculo, que na série B o jogo é mais pegado, que na série B não tem espaço para jogar, que na série A a marcação é menos intensa, cheguei à conclusão que tudo isso não passa de meia verdade.
Em qualquer campeonato, principalmente por pontos corridos, o que conta é a qualidade. Os times que contam com os jogadores mais talentosos, os melhores elencos, que forem mais organizados, bem treinados e preparados, chegarão na frente.
Se na série B o jogo é mais truncado, mais brigado, menos técnico, é porque há menos talento na segunda do que na primeira divisão. Parece óbvio, mas as afirmações do primeiro parágrafo não contemplam esse fato.
E também é óbvio que o motivo para a diferença entre as divisões é econômico. Os times da série B têm orçamentos menores e, portanto, menos condições de contar com os melhores jogadores disponíveis, que também preferem jogar a série A por conta da projeção incomparavelmente maior que irão ter.
Os clubes da série B vão ter que adequar seus elencos às receitas. Assim, ou contratam jogadores medianos ou pinçam talentos de suas categorias de base ou descobrem talentos escondidos em distantes rincões do país. Não há outro jeito.
Isso vale para quase todos os times da segunda divisão. Tirando aqueles que fazem parte do Clube dos 13 e continuam recebendo uma verba muito maior que os adversários, o resto tem que se virar com o pouco que tem.
No fim da competição, no entanto, os melhores vão prevalecer. Quem tiver mais elenco, mais talento, mais qualidade, dentro dos padrões da série B, é claro, vai garantir o acesso. Empenho, compromisso e dedicação fazem parte da receita, mas isso vale desde a série D até o Mundial Interclubes.
Quase tudo dentro do previsto
A maior surpresa da primeira rodada da série B foi a vitória por expressivos 4 a 2 do Guarani sobre o Fortaleza, no Castelão. No mais tudo dentro do previsto. Talvez o Vasco tenha encontrado mais dificuldade para derrotar o Brasiliense do que se esperava, mas estréia é sempre complicado.
Oito equipes venceram seus jogos e só houve dois empates: 2 a 2 entre Juventude e Ceará e Vila Nova 0×0 Portuguesa. O Figueira termina a rodada como líder no saldo de gols e agora precisa buscar uma vitória em Natal, no próximo sábado, para continuar entre os primeiros.