Tive a satisfação de participar de mais uma edição do FigueiraCast. Quem quiser ouvir é só dar uma clicada aqui.
Monthly Archives: June 2009
Tendência ou coincidência?
Depois da sétima rodada, a classificação da série B mostra uma situação inusitada. Nenhum dos quatro times rebaixados da série A no ano passado figuram entre os quatro primeiros.
O Vasco é o quinto, perdendo a vaga para o América no número de vitórias. O Ipatinga está em sétimo, a Portuguesa em 10º e o Figueira em 11º. Detalhe: apenas dois pontos separam o Figueira do América (12 a 10).
No G4, dois times que acabaram de subir da série C (Guarani e Atlético-GO) e duas equipes que brigaram para não cair para a terceira divisão no ano passado – Brasiliense e América-RN.
Ainda é cedo para afirmar que os times que estão na ponta agora vão conseguir manter o ritmo ou que os mais cotados para subir vão se recuperar. É por isso que o jogo contra o Vasco passa a ter grande importância para o Figueira.
A truculência e a elite carcomida
O caso do encerramento do blog do jornalista Gustavo Bossle – comentado com propriedade pelo Tainha, Gigante Alvinegro e Meu Figueira, e também por blogs avaianos (aqui e aqui) – por conta das ameaças recebidas por ele e sua família depois de comentar problemas nos bastidores do time do Sul da Ilha, revela alguns aspectos que merecem ser bem analisados.
Além de tudo que disseram os blogs linkados acima, o triste episódio mostra como é difícil discutir a relação da imprensa com clubes de futebol com o mínimo de racionalidade e sensatez. Para muito torcedor se a imprensa noticiar que o time dele tomou cinco a zero no jogo de domingo, que três ou quatro jogadores se pegaram de pancada no treino da segunda-feira e todos os atletas ameaçaram entrar em greve na terça porque estão com os salários atrasados há três meses, é porque esta imprensa torce pelo outro time e/ou porque quer conturbar o ambiente no clube ou outras sandices do gênero.
Isso complica a vida de quem quer discutir o assunto com seriedade, sem exageros, porque qualquer crítica passa a ser tachada automaticamente como “coisa de torcedor”, “torcedor é passional”, “torcedor não analisa com objetividade”. Quer dizer, é cômodo até para muitos jornalistas esconderam suas preferências e soltarem seus venenos, se esquivando automaticamente das críticas porque isso é “coisa de torcedor”.
Essa ira sem direção, do torcedor que passa a culpar o mensageiro por retratar as mazelas do seu clube, ajuda também que quer botar lenha na fogueira, desviando o foco dos verdadeiros problemas.
O Avaí, por exemplo, tem um blog oficial em seu site, e tem um blogueiro oficial, ou melhor, uma espécie de assessor da presidência que tem um blog, herdado de um parente recentemente falecido, que apela sempre para a truculência, para a virulência, para as ameaças contra quem ousa criticar ou simplesmente noticiar o que acontece no clube. E aí nem interessa se não é ou é avaiano. Vai apanhar para aprender que não se fala mal do Zunino, quer dizer, do Avaí.
O defensor ferrenho do atual presidente avaiano, autor de um blog que no título e no tom retrata o que o Avaí tem de pior, sua relação de longa data com a pseudoelite carcomida e atrasada que vem dos tempos em que as oligarquias truculentas e autoritárias mandavam em Santa Catarina, postou recadinhos para o jornalista Gustavo Bossle depois que este publicou a nota sobre brigas internas
Os comentários foram do tipo “é que agora tem jornalista, torcedor Barbie que não é da área esportiva, que também fez blog (original ele) e como não tinha ‘audiência’ está dando palpites sobre o Avaí!!! Claro que a maior parte dos palpites dele é para fazer rolo ou desmerecendo ou achando pêlo em ovo” ou assim “cara te liga, vai procurar a tua turma lá da Coloninha, veste o teu melhor vestidinho rosa e te manda para o remendão para ver os jogos da segundona, deixa o Avaí em paz”.
Ao ser informado que Bossle – que não é citado por ele – encerrou o blog, o blogueiro oficial soltou outras pérolas como “No final o desabafo de Marquinhos, comemorando a vitória como torcedor e pedindo ‘parem de inventar histórias sobre a minha pessoa’. Não te preocupes Marquinhos, um dos contadores de história já era”. Ou ainda pior “Blogueiro que abandona o blog por ameaças? Que coisa hein? Lamentável, pelos dois lados, pelas ameaças e pelo abandono. Sentiu que corria risco de vida? Denuncie, procure a polícia e investigue, afinal quem não deve não teme. Agora simplesmente correr da briga? Tem que honrar as calças que veste”. Em tempo: o título do post é “Já vai tarde”.
Alguma reflexão sobre a relação que pode haver entre seu tom truculento e as ameaças feitas por desmiolados? Nenhuma. Vai continuar descendo o cacete em quem ousar criticar o Zunino, ops, o Avaí.
Da minha parte só posso festejar que a informal Associação dos Blogueiros Alvinegros (ABA), cujo selo está aí do lado, não tem dono nem chefe. Só posso ficar feliz porque nenhum dos blogs alvinegros que costumo ler usa termos tão baixos e apelativos como o blogueiro avaiano oficial. Só posso ficar satisfeito que quando os blogueiros alvinegros são convidados a se reunir com a diretoria do Figueira cada um fala por si. Sem patrulha, sem mandonismo, sem cabresto. É bem mais saudável e democrático assim.
Vencer foi o mais importante
O mais importante foi conseguir vencer o Paraná Clube por 1 a 0 nesta sexta-feira, no Scarpelli. Não foi um grande jogo, o time não fez uma grande exibição, mas a vitória traz mais tranquilidade e afasta a possibilidade da crise tomar conta do Scarpelli e tornar este início de série B ainda mais difícil.
Roberto Fernandes surpreendeu ao escalar o time num 4-4-2 com Fernandes e Pedrinho como meias e Schwenck e Rafael Coelho no ataque. O problema do primeiro tempo, no entanto, nem foi a formação, mas a quantidade de passes errados do Figueirense na transição da defesa para o ataque. Um time intraquilo, ansioso, que se afobava na tentava de acelerar o jogo e entregava a bola para o adversário.
A sorte é que o Paraná retribuía o favor. Assim, os dois times pouco criaram no primeiro tempo. Foi uma chance clara para cada lado e só.
No intervalo, o técnico do Figueira não mexeu no time, mas a equipe voltou melhor. Estava mais bem posicionada, errava menos passes e começou a criar chances de gol. Aí passou a esbarrar nas finalizações mal feitas. Foi preciso Lucas, já posicionado como ala depois da entrada de Carlinhos como terceiro zagueiro, fazer uma grande jogada individual e deixar Rafael Coelho na cara do gol para o Furacão Alvinegro abrir o placar.
Enquanto isso, o Paraná só foi levar perigo aos 42 minutos do segundo tempo, quando um jogador paranista cabeceou para uma grande defesa de Wilson.
Foi uma vitória justa, do time que procurou mais o gol e mostrou empenho e determinação para conquistar os três pontos.
A exibição deixa algumas dúvidas e outras certezas. Uma certeza é que Fernandes tem que ser titular mesmo. Está mostrando um futebol acima do que se podia esperar para quem ficou 13 meses sem jogar. A outra é que Roberto Fernandes precisa encontrar um jeito de dar total liberdade para Lucas. Seja jogando no 3-5-2, seja escalando o garoto como meia, o esquema tem que permitir que Lucas se movimente por todo o campo de ataque. Foram nesses momentos que o Figueira mostrou seu melhor futebol na série B.
Agora é se concentrar no Vasco, adversário do próximo sábado, também no Scarpelli. Vencer pode levar a campanha do Figueira a outro patamar na competição, além de iniciar uma boa crise no time carioca.
Três zagueiros e mais o quê?
Enquanto a rádio Guarujá anunciava uma escalação com três zagueiros, três volantes e improváveis 12 jogadores para começar o jogo contra o Paraná Clube na próxima sexta-feira, o site Infoesporte esclarecia melhor o que rolou no CT.
Roberto Fernandes conversou com alguns jogadores antes do treino e pode voltar a formar a equipe no 3-5-2. Em vez dos 12 anunciados pela Guarujá (Wilson; Perone, João Filipe e Régis; Lucas, Carlinhos, Roger, Alê, Pedrinho e Egídio; Fernandes e Rafael Coelho), a disputa de três posições no meio-campo por cinco jogadores, segundo o Infoesporte, ou, aí sim, a possibilidade de jogar num 3-6-1, com Fernandes e Pedrinho iniciando o jogo.
O certo é que o time não irá começar com três volantes. Além dos alas, o meio-campo deverá ser formado por Roger, Pedrinho e/ou Fernandes e mais um, que pode ser Carlinhos, Alê ou até Paulinho, por que não?
Até agora o maior arma ofensiva do Figueira, sem contar Rafael Coelho, foi Lucas. Um ala que se manda para o ataque e pode flutuar por todo o setor ofensivo, se tiver liberdade para isso. Egídio parece ter característica semelhante. Cabe ao técnico Roberto Fernandes construir um sistema que libere os alas, sem deixar uma avenida em cada lado do campo. Assim, com três zagueiros a defesa fica mais segura. No momento, este é um dos poucos consensos que se tem a respeito do melhor jeito do Figueira jogar.
Além disso, um 4-4-2 com Pedrinho e Fernandes, como foi especulado no FigueiraCast do qual participei, vai deixar o time muito exposto. Um 4-5-1 com os dois, ou mesmo um 3-6-1 também com os dois meias e ainda liberando a melhor qualidade dos alas são possibilidades mais viáveis.
No mundo ideal só joga quem sabe, a qualidade manda e o ataque é a melhor defesa. No futebol real não é bem assim. Equilíbrio é a chave e um time precisa saber se defender e atacar.
O maior problema do Figueira agora é ter um time que mantenha os nervos no lugar, consiga permanecer organizado durante todo o jogo, bote a bola no chão e procure conservá-la em seu poder em vez de rifá-la o tempo todo.
O fundamental é conseguir chegar o mais rápido possível há uma escalação e um sistema tático que faça o time vencer, jogar bem e, por consequência, todo mundo saiba de cor. Aí o Figueira estará no caminho certo.
Opinião do torcedor
O alvinegro Luiz Otávio Martins Veiga mandou a mensagem abaixo na segunda-feira. Ele já estava desenhando uma formação parecida com as possibilidades levantadas pela imprensa, além de expor suas preocupações e discordâncias com o técnico Roberto Fernandes e com a direção do clube.
Algo inquietante
Não gosto desse sistema que nosso treinador vem trabalhando; o Figueirense nunca esteve tão próximo de se adaptar ao sistema de três zagueiros e esse teimoso vem travando os alas com esse tal de 4-4-2, que não tem consistência defensiva nem eficiência ofensiva. É um profissional que tem valor, faz boa leitura do jogo, mas, infelizmente, está se perdendo na escalação inicial.
Esse Paulinho do Inter já mostrou que tem muito mais futebol do que essa mediocridade de Alê e Luciano Totó. Acho que tem que ser assim: Wilson, João Filipe, Roger e Toninho (Régis-bichado); Lucas, Carlinhos, Paulinho, Fernandes (Pedrinho ou outro armador que tem que vir urgente porque não se sabe até quando esses dois aí vão aguentar) e Egídio; Rafael Coelho e Schwenck (Pedrinho, para aproveitar a sua experiência e qualidade no ataque, jogando com Fernandes).
É um absurdo e um desperdício um time com a estrutura que diz ter o Figueirense depender do Schwenck para recuar e fazer o meio de campo; se é uma emergência em decorrência do jogo, tudo bem! Mas está virando regra.
Como é que se explica um time que fez a campanha que fez no estadual e na Copa do Brasil, passar a série B inteira dizendo que está em formação, gente? A torcida além de sofrida está sendo subjugada na sua inteligência.
Os adversários diretos estão passando; não vamos dormir sobre as estatísticas do Ney Pacheco, hein?
Tô contigo Fernandes!
O site Meu Figueira está realizando a promoção Tô contigo Fernandes! É mandar uma mensagem ao grande ídolo alvinegro e concorrer a uma camisa autografada. Entre lá, leia os detalhes e deixe seu recado.
O primeiro FigueiraCast a gente não esquece
Este blogueiro teve a honra de participar do podcast do Meu Figueira, junto com Tainha, Ziggy e Bottós. Quem quiser ouvir a conversa, é só clicar aqui e conferir.
A melhor formação
O blog Máquina do Estreito faz uma avaliação do técnico Roberto Fernandes com a qual eu concordo. É bom treinador, mas teimoso como todo bom treinador. É só lembrar por quanto tempo Adilson Batista insistiu com Thiago Silvy enquanto Soares ficava no banco.
Também concordo com o 3-5-2. Só trocaria Alê por Paulinho. Clique aqui para ler o post completo.
Espírito que não quer morrer
É impressionante como em vários momentos, o Figueira atual repete fielmente a equipe do rebaixamento em 2008: é só tomar um gol e o time se desmancha em campo. Quando está na frente no placar, ainda consegue manter a vitória em determinados jogos, mas quando a partida está em zero a zero, a derrota é líquida e certa.
Mudou muita coisa no elenco, na comissão técnica e até no departamento de futebol, mas a falta de tranquilidade e de força para superar o placar adverso, características do ano passado, permanecem e complicam a vida do Figueira.
O elenco atual é mais equilibrado e tem mais qualidade para a série B do que o do ano passado tinha para disputar a série A. Só Wilson, Perone e Rafael Coelho participaram ativamente da campanha. Lucas, Carlinhos e Fernandes também faziam parte do grupo, mas não jogaram. O abatimento e a apatia depois de sofrer um gol, no entanto, sobreviveram.
Na derrota por 3 a 2 para o Atlético-GO neste sábado no Serra Dourada, o Figueira fazia um jogo equilibrado, sem nada de extraordinário, até os 13 minutos do primeiro tempo. Procurava tocar a bola, equilibrava as ações, não corria riscos e até chegou uma vez com perigo numa boa jogada de Egídio.
Foi só o Atlético fazer um a zero e o primeiro tempo inteiro foi para o brejo. Foi chutão e bola esticada para o ataque. Uma sucessão de passes errados, falhas na marcação e na cobertura. O time entra em parafuso. Por isso, foi para o vestiário por 2 a 0.
No segundo tempo, a equipe melhorou, começou em cima do Atlético, diminuiu o placar rapidamente. Mais aí veio o frango de Wilson e tudo ficou mais complicado. Depois que Fernandes entrou em campo, o time voltou a melhorar, fez o segundo, tomou contra-ataques e teve a chance de empatar no finzinho, mas Rafael Coelho desperdiçou o pênalti.
O time tem problemas de escalação, má qualidade individual de alguns jogadores, como Perone, falta de ritmo de jogo de outros, como Pedrinho, mas o maior problema está na cabeça. Para vencer é preciso futebol, mas sem nervos no lugar não sei vai a lugar nenhum. O jogo de hoje é uma prova. Mesmo errando tudo que podia, o Figueira quase evita a derrota. Se conseguisse controlar seus fantasmas, teria obtido resultado melhor do que o futebol que mostrou.
