Vocação de Robin Hood

Não sei por que o Figueira tem essa característica de se superar quando não tem nada a perder e de se complicar quanto tem muito a perder. O fato é que tem. O Figueira não podia fazer um jogo tranqüilo, vencer sem sustos, se manter no G4, chegar à quarta vitória seguida e encaminhar um grande público para a partida do próximo sábado contra o América-RN. Não, tinha que se complicar, lançar mais uma nuvem de dúvidas  sobre suas possibilidades no campeonato. Assim é o Figueirense.

Essa vocação de Robin Hood tinha, portanto, que se manifestar na derrota para o Campinense por 4 a 2 nesta noite de sexta-feira. Pior do que perder de quatro do lanterna do campeonato é merecer ser goleado pelo lanterna do campeonato. O resultado é inquestionável, justíssimo. Aliás, o segundo gol foi dado pelo árbitro ao assinalar um pênalti inexistente em Lucas. 4 a 1 retratava mais claramente o que foi o jogo.

O jogo começou. O Figueira deu a saída. Foi tocando a bola. Conseguiu um escanteio. Bateu. Rafael Coelho testou e fez 1 a 0. Aí o time decidiu que era suficiente. Resolveu se resguardar e ficar esperando a tal brecha para contra-atacar.

Não sei onde está escrito que um time tem que recuar todo depois de fazer um gol. Contra-atacar pode ser bom em algumas circunstâncias, mas não precisa ser uma regra inflexível. O Figueira, contra um adversário visivelmente inferior na parte técnica, poderia continuar jogando, buscando o gol, mantendo a posse de bola.

Não. Optou por ficar atrás. Dar campo ao Campinense. Sair jogando no chutão. Errar passes em profusão. Por isso, de tanto rondar a área alvinegra, o time paraibano chegou ao empate numa saída em falso de Wilson.

Roberto Fernandes já havia arrumado o time no intervalo em outras ocasiões. Desta vez, piorou. Tirou Edson, já com cartão amarelo, e botou Egídio. O domínio do Campinense aumentou. O Figueira perdeu completamente o meio-campo e passou a ser sufocado. Quando melhorou um pouquinho tomou o segundo gol. Logo depois, tomou o terceiro e aí o jogo acabou. A troca de Fernandes por Marcelo não acrescentou nada. A saída de Rafael Coelho e a entrada de Roger Carvalho foram incompreensíveis.

Além do esquema não funcionar, das alterações não darem resultado, individualmente poucos se salvaram. Lucas estava apagado. Edson batendo muito. Totó merece um post especial. Paulinho carregando demais a bola. Vinícius Pacheco, encarregado de puxar os contra-ataque, errou quase todos os passes. Alê fez outra partida ruim.

Menos mal que Lusa e Guarani também perderam. Se por um lado, a derrota provavelmente vai tirar o Figueira do G4, os maus resultados dos concorrentes diretos garantem que tudo seguirá embolado.

Ao que parece, o Figueira faz três partidas boas e uma bisonha, quando nada dá certo. Depois do péssimo jogo contra o Juventude, veio agora essa exibição tenebrosa contra o Campinense. Que venha então uma grande apresentação contra o América-RN no próximo sábado no Orlando Scarpelli.

O Gomes de 2009

Ele jogou contra o Portuguesa e o Figueira perdeu. Jogou contra o Atlético-GO e o Figueira perdeu. Jogou nesta sexta e o Figueira perdeu. Jogou contra o Bahia e o Figueira venceu, mas ele foi expulso aos 30 minutos do 1º tempo, quando o jogo estava zero a zero.

No ano passado, o Meu Figueira fez um levantamento em que demonstrava que o Figueirense não conseguia vencer com o zagueiro/volante Gomes em campo. A estatística mostrava que o Figueira não ganhava de ninguém com ele entre os 11. Aliás, só ganhava se ele fosse substituído durante o jogo.

Pois agora, Luciano Totó se candidata a ser o Gomes de 2009. Com ele em campo, não tem jeito de vencer.

Maldade? Coincidência? Simplificação? Pode ser, mas depois do que aconteceu ano passado, é melhor guardar o novo Gomes na caixa. Seguro, morreu de velho…

Para fechar 12 pontos

Já bati na madeira antes de escrever este post, pois considero que este jogo de hoje contra o Campinense é o tipo de confronto em que o Figueira adora se complicar. Já é histórico que o Furacão Alvinegro gosta de disputar partida grande e volta e meia se complica nas consideradas mais fáceis.

O Campinense vai ter que aprontar contra alguém. É bom então entrar ligado e não dar sopa para o azar. Mesmo levando em conta a diferença que a classificação estabelece entre as equipes, o Figueira precisa entrar em campo com o mesmo apetite, empenho e atenção que demonstrou nas partidas contra a Ponte Preta e o Brasiliense.

Sem Carlinhos e Clodoaldo, as soluções mais indicadas, na opinião deste blog, são a entrada de Egídio na ala esquerda, passando Vinicius Pacheco para jogar no ataque ao lado de Rafael Coelho, e a substituição de Carlinhos por Diego Paulista ou Alê.

No post Meta ambiciosa, de 14 de julho, comentei que na sequência de cinco jogos que se iniciava diante do Juventude, o Figueira poderia estabelecer uma meta mais alta em vez dos oito pontos a cada 15 disputados. 12 pontos não eram impossíveis de conquistar, contando-se com vitórias contra Juventude, Vila Nova, Brasiliense e Campinense, além de uma derrota para a Ponte. Tudo dentro da normalidade.

Só que o Figueira pareceu jogar minhas projeções para o lixo quando perdeu, jogando mal, para o Juventude. Depois, a vitória contra a Ponte Preta restabeleceu as chances de atingir os 12 pontos em cinco jogos. Se vencer o Campinense atinge a marca.

Depois será hora de estabelecer outra meta ambiciosa na sequência contra América-RN (casa), Bragantino (fora), Duque de Caxias (f), São Caetano (c) e Ipatinga (f).

Isso, no entanto, fica para depois. Hoje é jogar sério, não dar bobeira e trazer três pontos de Campina Grande, mantendo-se no G4.

Notas rapidas

  • A raposa felpuda continua no ataque.
  • Boa matéria no site do  Figueirense sobre a preparação física do elenco alvinegro. Time corre o tempo todo, Fernandes e Carlinhos voltaram de longa inatividade e estão aguentando o tranco dos jogos seguidos. Leia aqui.

Foto: Assessoria de Imprensa – Figueirense

Um pouco de tudo

  • Ainda é cedo para ver se o Figueirense precisa de substituto para Clodoaldo. O blog deseja toda a sorte ao jogador e pronta recuperação, mas foi na terça-feira que o atleta fez seu melhor jogo no Furacão Alvinegro. Antes não havia produzido grande coisa. Fará mais falta pelo que representava como opção do que deu de contribuição efetiva. Marcelo merece ter uma sequência de jogos, o que não teve até agora.
  • Vale a retificação. No post sobre o jogo contra o Brasiliense comentei que Clodoaldo foi atingido violentamente pelo zagueiro no lance em que fraturou a tíbia. Foi a impressão que tive no estádio. Vendo pela TV, fica claro que foi casual. Na extensão do movimento de chutar a bola em gol, Clodoaldo acerta o joelho do zagueiro, que havia dobrado uma perna para esticar a outra e tentar desviar o arremate.
  • É duro ver Atlético-PR e Náutico escaparem no rebaixamento no ano passado e conseguirem fazer campanhas ainda piores em 2009. A queda dos dois será uma bela desforra. Junto com o time do Sul da Ilha, claro.
  • Falando em Atlético-PR, no ano passado a equipe de Curitiba demitiu o técnico no início do campeonato e trouxe Roberto Fernandes, então no Náutico, para tentar reverter o quadro. Não funcionou e Fernandes foi demitido. Em 2009, começou mal, demitiu o técnico e trouxe Valdemar Lemos, então no Náutico, para tentar reverter o quadro. Não funcionou e nesta quarta, Lemos pediu o boné. A diferença é que no ano passado o clube trouxe Geninho para salvar a pátria e em 2009, Geninho inaugurou o ciclo de demissões. Agora, a bola da vez é Emerson Leão.
  • Jael, atacante que, supostamente, interessava ao Figueirense para, supostamente, suprir a venda de Rafael Coelho, começou a treinar em seu novo clube, o Bahia, nesta quarta-feira. Depois de ser vendido pelo Criciúma a empresários na metade do ano passado, o avante muda de time pela quarta vez em um ano. Depois do Tigre, Jael passou por Atlético-MG, Cruzeiro, Goiás e agora Bahia.

    http://www.futebolbaiano.net/index.php?option=com_content&task=view&id=7392&Itemid=39

  • Ainda sobre o Bahia, é barca que entra e barca que sai. O time dispensou os atacantes Joãozinho e Joelson, mas, além de Jael, anunciou as contratações de Helder (lateral, Grêmio), Juninho (meia, ex-Atlético-MG) e Juliano (meia, ex-Náutico e Juventude).
  • O Figueira demitiu mais um técnico nesta série B. Depois da derrota de terça-feira, Roberval Davino deixou o comando do Brasiliense. Só que não foi só que ele que perdeu o emprego. Guilherme Macuglia não resistiu à goleada por 4 a 1 para o Bragantino, em casa, e deixou o América-RN. O time de Natal anunciou Roberto Fonseca como novo técnico. Fonseca começou a série C no comando do Criciúma.
  • O homem virou dono do clube do Sul da Ilha, mas ninguém comenta. Agora vai antecipar a eleição para planejar melhor o que sempre foi modelo de planejamento. Daqui a pouco a coisa volta ao normal e aí veremos quanto tempo vão demorar as faixas de “fora” e de “fica”.
  • Também está difícil de entender essa história das obras do Trevo da Seta. A obra é pública, o governo federal vai liberar 19 milhões de reais, mas o projeto e a obra vão ficar a cargo do Avaí para driblar o processo de licitação? É isso mesmo ou entendi errado? Vão dar 19 milhões na mão do Avaí? Aquele modelo de planejamento e de contas em dia? Vão escapar de licitação num país em que até as obras licitadas são alvo de toda sorte de bandalheiras?
  • É interessante ver que para parte da imprensa o problema dos engarrafamentos no Sul da Ilha só existe nos dias de jogo do Avaí. É todo dia, meus amigos, e quase toda hora. Quem mora na região sofre muito mais. No noticiário, no entanto, a obra só vai sair para poupar a torcida “que merece estátua” de tanto sofrimento. Se o estádio ficasse em outro lugar, quem mora no Sul da Ilha poderia mofar nas filas que não teria problema.
  • A fase é boa, mas a raposa felpuda não pode deixar de atacar. É o hábito.

Com talento e autoridade

O Figueirense praticamente resolveu o jogo contra o Brasiliense em seis minutos. Aos dois, Rafael Coelho fez um a zero e aos seis, Clodoaldo ampliou a vantagem. Depois disso, o Figueirense dosou e alternou o ritmo e poderia ter feito mais se efetivamente forçasse a partida. Foi uma vitória para comprovar que o destino do Figueira nesta competição é brigar pelo acesso.

Foi a terceira vitória consecutiva do Figueira no Scarpelli e a quarta nos últimos cinco jogos – houve um empate com o Vasco no meio. Mesmo questionando-se a qualidade dos adversários nestas três últimas vitórias em casa (Fortaleza, Vila Nova e Brasiliense), o principal é que o Figueirense não se enrolou em seus próprios nervos, sua própria ansiedade. Foi organizado, tranquilo e eficiente durante os três jogos.

Contra o Brasiliense, Roberto Fernandes voltou ao 3-5-2. As novidades foram o retorno de Clodoaldo no ataque e a escalação de Vinicius Pacheco na ala esquerda. Assim,o técnico repetia de um lado o que Lucas já fazia de outro: fechar o setor quando atacado e liberdade total de movimentos com a posse de bola. Foi dessa maneira que Vinicius deu o passe do primeiro gol, de Rafael Coelho, fez o terceiro e participou de diversas boas jogadas ofensivas. Ressalte-se ainda que Fernandes tanto auxiliava na armação como também cobria o setor esquerdo em apoio a Pacheco.

A defesa formada por Toninho, Regis e Edson esteve segura contra o jogo tico-tico-no-fubá do Brasiliense, enquanto Clodoaldo fazia sua melhor partida pelo Figueirense. Participou da jogada do primeiro e fez o segundo de forma belíssima, além de desperdiçar outras chances, como no lance em que foi atingido violentamente pelo zagueiro do Jacaré e fraturou a tíbia, o que o deixará praticamente fora de todo o campeonato. Sua saída influiu no rendimento do Furacão Alvinegro, já que Ricardinho entrou muito mal e foi inoperante durante todo o período em que esteve em campo.

Outro que apanhou um bocado foi Rafael Coelho, por conta da complacência da arbitragem diante da violência do time de Brasília. O péssimo juiz carioca Pablo dos Santos ainda premiou o Brasiliense com um pênalti inexistente no final do primeiro tempo, dando uma tênue esperança à equipe de que seria possível tentar algo mais, o que poderia complicar um jogo praticamente resolvido. Não complicou porque o Figueira teve competência para, inclusive, superar os erros de arbitragem e garantir a vitória.

Agora é se concentrar no Campinense. Com exceção do Guarani, que perdeu para a Portuguesa, todos os classificados entre 2º e 7º lugares (Atlético-GO, Vasco, Ponte Preta e Ceará, além de Lusa e Figueira) no início da rodada venceram seus jogos, mostrando como será acirrada a disputa pelo acesso à série A.

Como o Figueirense enfrenta o lanterna da competição, num daqueles jogos em que o Furacão Alvinegro corre todo o risco quase sozinho, e Guarani e Atlético-GO se enfrentam em Campinas, a vitória na Paraíba pode representar, além da manutenção no G4, subir mais uma posição na tábua de classificação. É hora, portanto, de aproveitar a boa fase.

O reencontro

Se fizermos dois gráficos, um com o desempenho do Figueira na série B, outro com a presença do torcedor no Orlando Scarpelli, veremos que eles serão antagônicos. O gráfico do desempenho é ascendente, o da presença de público é, paradoxalmente, descendente. Esta terça-feira é o momento do reencontro, do fim do antagonismo, da torcida dar o crédito que o time está fazendo por merecer.

No gráfico da campanha, depois de um ótimo começo, com duas vitórias nas duas primeiras rodadas, o Figueira caiu de rendimento e chegou a ocupar a 14ª posição na sexta rodada, fim de um ciclo de quatro partidas sem ganhar. Depois disso, o time voltou a crescer até entrar no G4 ao vencer a Ponte Preta no último sábado. São sete jogos, cinco vitórias, uma derrota e um empate. 16 pontos ganhos em 21 possíveis.

Enquanto isso a presença da torcida no Scarpelli ficou devendo. Depois de começar o campeonato com a terceira média de público, perdendo apenas para Vasco e Ceará – este aditivado pelos 27 mil pagantes da partida contra o time da Cruz de Malta no Castelão, melhor público desta segunda divisão até agora –, a média do Figueira caiu para a sétima melhor da série B, com 6.265.

Podemos encontrar dezenas de justificativas para esta queda, econômicas, culturais, sociológicas, meteorológicas. Só que a esta altura do campeonato todas se esgotaram. Não tem tempo feio, não tem fim de mês, não tem horário ruim. É noite para casa cheia. É noite para apoiar o time nesta terça-feira contra o Brasiliense. É noite de estar no Scarpelli.

Mudança de perspectiva

A maneira como vemos os acontecimentos retrata como nos sentimos diante deles. Aqui, por exemplo, se vê o futebol dentro da perspectiva de um torcedor do Figueirense.

Este blog procura manter a razão, evita se deixar levar pela emoção exacerbada, mas sempre vai olhar os fatos pelo foco alvinegro, querendo ver o time cada vez melhor, cada vez mais vitorioso, rebatendo quando considera o clube injustiçado ou atacado indevidamente.

Nesse sentido, é curioso ver a metamorfose porque passa a crônica esportiva de Florianópolis com a participação do Avaí na série A.

Primeiro, foram sete ou oito rodadas da mais absoluta paciência e compreensão. O time não ganhava, mas “jogava bem”, “a vitória era questão de tempo”, o time “está se ambientando à série A” e outras justificativas condescendentes.

Aí veio a lanterna, a luz acendeu. “É preciso mudar”. Começou então a apologia da retranca. O Avaí tinha que jogar com um atacante só, três zagueiros, três volantes. “Tem que jogar fechado”. Precisa “ter pegada, não deixar o adversário jogar”. A retranca virou o melhor sistema de jogo do mundo. Nada que envergonhe alguém. Inclusive em casa!

Com isso veio o discurso do coitadinho, do pequeninho, do Davi contra o Golias. “O salário do ‘fulano’ paga quase toda a folha do Avaí”. Antes, se um dirigente, técnico ou jogador do Figueira usasse um argumento desses para justificar um mau resultado diante de um time grande, apanhava até no céu da boca. Agora é comentarista esportivo que cospe a justificativa.

Antes quando o Figueira ganhava do Grêmio (ou do Inter, do Flamengo, do Fluminense, do Botafogo, do São Paulo, do Corinthians, do Palmeiras, do Santos, do Cruzeiro…) o discurso era: “o time ‘tal’ me decepcionou. É muito fraco. Muito fraco”. Agora é: “todo mundo sabe que o time ‘tal’ é muito superior ao Avaí”.

Antes, jogo em casa era para matar, vencer de qualquer jeito. Agora, empatar com o Vitória em casa não é ruim. “O Vitória tem um time muito bom, perigoso. O importante é pontuar sempre”.

Particularmente, considero que essa diferença de tratamento da mídia com os dois times da capital interfere diretamente na maneira com que o torcedor se relaciona com o seu clube. De tanto ouvir poréns e senões nos grandes resultados e feitos do Figueira, muito torcedor se tornou mais crítico e mais exigente. Nunca está bom, nunca é suficiente.

Isso pode ajudar a crescer em determinados momentos, mas também impede que se saboreie uma boa vitória ou uma boa campanha como se deve. Sem poréns, sem senões, sem contudos ou todavias.

O bom resultado do remelexo

O técnico Roberto Fernandes fez um grande remelexo no Figueira para a partida contra a Ponte Preta. Considerando o resultado e a exibição, pode-se afirmar que em grande parte funcionou.

O time começou supostamente num 4-5-1, com Wilson; Lucas, Toninho, Régis e Edson; Carlinhos, Paulinho, Alê, Fernandes e Vinícius Pacheco; e Rafael Coelho.

Foi só a bola rolar, no entanto, para ver que a disposição tática era muito diferente. Edson funcionava com um terceiro zagueiro. Alê era, na prática, o lateral direito. Lucas era o segundo atacante, encarregado de puxar os contra-ataques e construir as jogadas para Rafael Coelho. O meio era formado Carlinhos, Paulinho, Fernandes e Vinícius Coelho.

O time também não estava postado nas famosas duas linhas de quatro, pois Toninho, Régis e Edson estavam posicionados como zagueiros. Os três estavam muito bem no jogo, ganhando quase todas pelo alto e por baixo. O Figueira tinha três problemas, no entanto. Fernandes não estavam num bom dia. Paulinho, que deveria fazer a saída de jogo, também não estava bem.

Por fim, havia dificuldade na marcação pelos lados do campo. Por um lado, Alê sofria para dar conta do ala canhoto Vicente. De outro, ninguém do Figueira se posicionava corretamente pela esquerda de defesa, deixando uma brecha para a entrada de jogadores da Macaca. Só que Wilson mais o trio de zagueiros não deixavam por menos e destruíam as chances da Ponte, uma por uma.

A armação ofensiva, no entanto, funcionou. Em um dos lances, Vinícius Pacheco enfiou uma bola com perfeição para a entrada de Lucas em profundidade. Este cruzou na medida para Rafael Coelho completar para as redes.

No fim do primeiro tempo, outra trama entre Vinícius, Lucas e Rafael terminou com o chute de primeiro para uma boa defesa do goleiro da Ponte. No rebote, Rafael Coelho disputou na cabeça com o zagueiro Marinho e o goleiro conseguiu fazer nova defesa.

No intervalo, Roberto Fernandes corrigiu os problemas defensivos. A marcação sobre Vicente foi ajustada, Alê subiu de produção e Massari entrou no lugar de Fernandes, fechando de vez o lado esquerdo.

Assim, o Figueira reduziu ainda mais o espaço da Ponte Preta, que criou muito pouco, e continuou levando perigo ao gol adversário, principalmente através de Lucas. O único problema é que time chegava com pouca gente no ataque. Por orientação do técnico ou por decisão própria – não é incomum os jogadores recuarem demais para garantir o resultado –, a equipe se resguardava na defesa e as estocadas ofensivas ficam por conta de Coelho, Lucas e Vinicius.

Durante a semana, o Figueira tentou a contratação do lateral direito Ricardo Lopes, que acabou não dando certo. Pela exibição de Lucas ontem e em partidas anteriores, o garoto precisa mesmo de liberdade, seja jogando de meia, seja de segundo atacante. A questão é que quando Lucas está bem, ele faz o time jogar e as jogadas mais perigosas saem de seus pés.

Assim, a busca por um atleta para assumir a lateral direita deve continuar. Além de liberar Lucas para o ataque, o novo contratado pode permitir com que o Figueira possa jogar no 4-4-2, por exemplo, e ter variações táticas suficientes para surpreender seus adversários.

O Furacão Alvinegro está no caminho certo. Agora é encarar o Brasiliense, um adversário difícil, embora em má fase, e confirmar a ascensão no campeonato.

No caminho para o topo

Um triunfo fundamental, precioso, heróico. O Figueirense foi a Campinas e arrancou, com raça e determinação, uma vitória de um rival direto pela volta à primeira divisão. De quebra, retornou ao G4.

Mesmo muito alterado taticamente pelo técnico Roberto Fernandes, com alguns erros de passe e muito espaço pelo setor esquerdo de sua defesa, o Figueira conseguiu conter o ímpeto da Ponte Preta no gramado pesado e ruim do Moisés Lucarelli no primeiro tempo. Deu ainda três ou quatro estocadas perigosas, com uma culminando no gol de Rafael Coelho.

No intervalo, o treinador tirou Fernandes e o substituiu por Massari, que se fixou na ala esquerda, fechando o espaço que havia no setor. Assim, o Figueira passou a correr muito menos riscos – na prática, a Ponte teve duas chances: num chute da entrada da área que Wilson botou para escanteio e numa conclusão de Evando no fim da partida bem defendida pelo goleirão alvinegro. O Figueira poderia ter resolvido o jogo antes, em alguns contra-ataques, e no fim da partida a Ponte foi para o abafa, sem sucesso.

Foi a terceira vitória do Figueira em seis partidas fora de casa. Foi a quinta vitória nos últimos sete jogos. Foi o primeiro triunfo sobre um adversário considerado como rival direto na luta pelo acesso. O Furacão Alvinegro volta ao G4 depois de nove rodadas.

Precisa mais motivo para encher o Scarpelli na terça-feira e apoiar o time contra o Brasiliense?

Foto: Assessoria de Imprensa – Figueirense

Pitacos avulsos e esparsos

  • André Santos e Christian se apresentam na Turquia

    André Santos e Christian se apresentam na Turquia

    É difícil entender por que um time como o Guarani faz campanha tão boa. Douglas no gol, Marcio Alemão na zaga, Rodriguinho no meio-campo, Ricardo Xavier no ataque. Time formado na correria. Um verdadeiro catadão. Não boto fé.

  • Coincidência ou não, perdeu a primeira, em casa, e nesta sexta fez uma partida muito ruim contra o ABC. Foi beneficiado pela arbitragem, que não marcou um pênalti para o time potiguar no início da partida e depois exagerou na expulsão de um jogador do ABC. Na sequência da cobrança da falta, o Guarani abriu o placar num gol daqueles achados. No segundo tempo, o juizão equilibrou as coisas expulsando um atleta do Bugre e o time da casa chegou ao empate. Se tivesse um ataque melhor e se seus laterais soubessem cruzar, o ABC venceria a partida com sobras. Aliás, foi impressionante a facilidade com que os jogadores potiguares chegavam à linha de fundo. Com o resultado, o Guarani completa três jogos sem vitória.
  • Falando em arbitragem, como se distribui cartão exageradamente na série B. A maioria dos árbitros, insegura e incompetente, já começa mostrando cartão por qualquer coisa para ver se consegue manter o jogo sob controle. Geralmente não funciona. Ou estragam o jogo com expulsões injustificadas ou pipocam e deixam o pau cantar para não ter que mandar ninguém para a rua.
  • O zagueiro-poste Claudio Luís, com passagens por Figueira e Criciúma, largou o Brasiliense e se mandou para o Náutico. Esse, pelo menos, não vai incomodar o Figueira nas bolas paradas na partida de terça-feira, no Scarpelli. Uma zaga com Gladstone, Claudião e Asprilla é série B na certa.
  • Reza a lenda que um técnico recém demitido na série A trocava socos com um atacante antes das partidas quando comandou um time de Florianópolis. Pelo jeito, ainda não abandonou a pancadaria, verbal ou física, para deixar seus jogadores “ligados”.
  • André Santos já foi, Christian já foi, Nilmar está indo, Douglas pode ir, Felipe também, Fred talvez vá. Rafael Coelho continua por aqui.