Não sei por que o Figueira tem essa característica de se superar quando não tem nada a perder e de se complicar quanto tem muito a perder. O fato é que tem. O Figueira não podia fazer um jogo tranqüilo, vencer sem sustos, se manter no G4, chegar à quarta vitória seguida e encaminhar um grande público para a partida do próximo sábado contra o América-RN. Não, tinha que se complicar, lançar mais uma nuvem de dúvidas sobre suas possibilidades no campeonato. Assim é o Figueirense.
Essa vocação de Robin Hood tinha, portanto, que se manifestar na derrota para o Campinense por 4 a 2 nesta noite de sexta-feira. Pior do que perder de quatro do lanterna do campeonato é merecer ser goleado pelo lanterna do campeonato. O resultado é inquestionável, justíssimo. Aliás, o segundo gol foi dado pelo árbitro ao assinalar um pênalti inexistente em Lucas. 4 a 1 retratava mais claramente o que foi o jogo.
O jogo começou. O Figueira deu a saída. Foi tocando a bola. Conseguiu um escanteio. Bateu. Rafael Coelho testou e fez 1 a 0. Aí o time decidiu que era suficiente. Resolveu se resguardar e ficar esperando a tal brecha para contra-atacar.
Não sei onde está escrito que um time tem que recuar todo depois de fazer um gol. Contra-atacar pode ser bom em algumas circunstâncias, mas não precisa ser uma regra inflexível. O Figueira, contra um adversário visivelmente inferior na parte técnica, poderia continuar jogando, buscando o gol, mantendo a posse de bola.
Não. Optou por ficar atrás. Dar campo ao Campinense. Sair jogando no chutão. Errar passes em profusão. Por isso, de tanto rondar a área alvinegra, o time paraibano chegou ao empate numa saída em falso de Wilson.
Roberto Fernandes já havia arrumado o time no intervalo em outras ocasiões. Desta vez, piorou. Tirou Edson, já com cartão amarelo, e botou Egídio. O domínio do Campinense aumentou. O Figueira perdeu completamente o meio-campo e passou a ser sufocado. Quando melhorou um pouquinho tomou o segundo gol. Logo depois, tomou o terceiro e aí o jogo acabou. A troca de Fernandes por Marcelo não acrescentou nada. A saída de Rafael Coelho e a entrada de Roger Carvalho foram incompreensíveis.
Além do esquema não funcionar, das alterações não darem resultado, individualmente poucos se salvaram. Lucas estava apagado. Edson batendo muito. Totó merece um post especial. Paulinho carregando demais a bola. Vinícius Pacheco, encarregado de puxar os contra-ataque, errou quase todos os passes. Alê fez outra partida ruim.
Menos mal que Lusa e Guarani também perderam. Se por um lado, a derrota provavelmente vai tirar o Figueira do G4, os maus resultados dos concorrentes diretos garantem que tudo seguirá embolado.
Ao que parece, o Figueira faz três partidas boas e uma bisonha, quando nada dá certo. Depois do péssimo jogo contra o Juventude, veio agora essa exibição tenebrosa contra o Campinense. Que venha então uma grande apresentação contra o América-RN no próximo sábado no Orlando Scarpelli.
