Jogar além de esperar pelo erro

Mesmo dirigida por Pintado desde a quarta rodada do campeonato, a Ponte Preta prossegue impávida na briga pelo acesso. No momento, está um ponto a frente do Figueira, no quarto lugar da série B.

É sinal de que o técnico nem teve que começar do zero como no início do ano no Figueirense nem precisou apelar para o “vamu lá, porra” dos últimos três jogos da série A do ano passado. Para continuar brigando na parte de cima da tabela, Pintado deve ter tido a inteligência de manter a estrutura concebida por seu antecessor, Marco Aurélio, que pode não ser nenhum fora de série, mas tem muito tempo de estrada para não entender do riscado. Porque se fosse para ficar tudo por conta de Pintado, a situação já estaria crítica em Campinas.

Pintado, assim como PC Gusmão, é um técnico qualificado como motivador, mas que parece se desmotivar mais com as derrotas do que o próprio elenco que comanda. Com isso, vai se perdendo quando a situação se complica. Ao menos, foi o que pareceu em sua passagem pelo Orlando Scarpelli nas últimas três rodadas da série A do ano passado e nos primeiros meses deste ano.

Por outro lado, não se deve se desprezar o fato da Ponte Preta ter uma dos maiores folhas da série B. É um time caro e qualificado para os padrões da segunda divisão. O que não quer dizer que seja imbatível.

A Macaca deve ter alguns desfalques como o meia Fabiano Gadelha, o zagueiro Dezinho e o volante Pirão. Se Pintado começasse a se atrapalhar na definição dos substitutos já seria uma boa ajuda para o Figueira.

Quem não pode se atrapalhar é Roberto Fernandes. Como sempre, há dúvidas a respeito da escalação para a partida de sábado. Este blog já comentou a respeito das possibilidades de formação da equipe, mas o fundamental é que o time mostre uma postura bem diferente do jogo contra o Juventude.

Se for a Campinas também para jogar em vez de se limitar a esperar o erro do adversário, o Figueira pode trazer um bom resultado e talvez já ingressar no G4 nesta rodada.

Foto: Assessoria de Imprensa – Figueirense

As opções para o jogo contra a Ponte Preta

Fora de casa, o técnico Roberto Fernandes tem feito o Figueira jogar praticamente num 3-6-1. Nada contra o esquema propriamente, mas é preciso definir os jogadores certos para que ele funcione.

Em tese, o 3-6-1 deve dar consistência defensiva à equipe. Com três zagueiros e um meio de campo absolutamente congestionado o adversário deve ter sérios problemas para furar o bloqueio.

Por outro lado, corre-se o sério risco do time ficar muito atrás e tomar sufoco o jogo todo, sem levar perigo à meta oposta.

Isto aconteceu nos jogos do Figueira contra Bahia e Juventude. Os motivos são vários, mas os principais são o fato do time rifar demais a bola, de ficar muito encolhido na defesa e de ter Schwenck atuando como um meia ofensivo sem ter a característica apropriada para isto.

É louvável o esforço que Schwenck faz para recompor a marcação, mas ele não sabe armar e seu recuo excessivo deixa Rafael Coelho muito isolado no ataque.

Pois Schwenck está fora do jogo contra a Ponte Preta no próximo sábado. Querer que Clodoaldo assuma a mesma função que o substituído vinha desempenhando –  e mal – é complicar desde já o desempenho do Figueira na partida. Se o Figueira ficar rifando bola, vai ser questão de tempo tomar gol contra a Ponte.

Esse jogo não decide nada, estamos apenas na 13ª rodada do campeonato, mas um bom resultado e uma boa exibição em Campinas vão significar um grande reforço de confiança para o time e para a torcida.

Assim, o time tem que ter alternativas para agredir a Ponte, manter a posse de bola, evitar a pressão do adversário. Uma boa possibilidade é substituir Schwenck por Vinícius Pacheco e fazer este se revezar na função de segundo atacante com Fernandes. O time pode ganhar em velocidade e qualidade, sem abrir mão da consistência defensiva.

Um sistema tático não é retranqueiro por si só. Um 3-6-1 com Lucas, Egídio, Paulinho, Vinícius Pacheco, Fernandes e Rafael Coelho tem qualidade e gente suficiente para levar muito perigo para a meta da Ponte Preta. É só fazer os ajustes e definir o posicionamento correto para que isso aconteça.

Blogs, leituras, Jeovânio e série B

  • Novos blogs alvinegros na praça: Furacão Preto e Branco e Paixão Alvinegra. A blogosfera voltada ao torcedor do Figueira ganha ainda mais força. Vale dar uma olhada.
  • O Futepoca (Futebol, Política e Cachaça) criou um site sobre a segunda divisão, o Série Brasil, com colaboração de gente de todo o país. Os posts deste que vos escreve estão sendo reproduzidos. Vale conferir para ter mais informações sobre os adversários do Figueira na competição.
  • O Infoesporte traz o áudio de uma boa entrevista com Thiago D’Ivanenko, diretor de futebol do Figueira. Campanha na série B, contratações, vendas, participação em negociações como a de André Santos são abordadas no bate-papo (ouça aqui).
  • Boas reflexões do blog Gigante Alvinegro a respeito da relação entre a torcida e o clube.  A torcida está dando o apoio devido ao time neste início de série B?
  • Se o Jeovânio conseguir repetir agora 60% ou 70% do que jogou em sua primeira passagem pelo Figueira vai suprir a saída de Roger com muita sobra.
  • Este blog agradece a recepção que teve em sua estréia na nova casa. Recorde de acessos e de comentários na entrevista com José Carlos Lages. Agradecemos ainda ao convite e o apoio dados pelo Rafael Ziggy, editor do MeuFigueira. A responsabilidade aumentou e vamos nos esforçar para atender às expectativas.

Aquele que a torcida adora odiar

José Carlos Lages é o dirigente que boa parte da torcida do Figueira adora odiar. É considerado o forasteiro, o homem que veio ganhar dinheiro com o Figueirense, que usa o clube para valorizar os jogadores empresariados por ele e que faz os técnicos escalarem estes atletas.

Ex-presidente da Figueirense Participações, Lages só é lembrado quando algo dá errado. O que o Figueira faz de certo é atribuído a outros: dirigentes, técnicos ou jogadores. Lages é o Judas a ser malhado.

Diante de tudo que é dito sobre ele, este blog resolveu ouvi-lo, permitir que José Carlos Lages dê sua versão dos fatos e explique quais suas verdadeiras atribuições dentro do Figueirense. Muitas acusações são feitas a ele nos corredores e arquibancadas, nada mais justo que se abra espaço para ele se pronunciar a respeito.

Confira a longa entrevista, realizada na metade de junho nas dependências do estádio Orlando Scarpelli:

Primeiro, gostaria que você contasse suas origens, trajetória profissional e como o futebol entrou na sua vida.

Tenho 57 anos. Nasci em Portugal e vim para o Brasil com cinco anos. Morei no Rio de Janeiro até os 27 anos e depois fui pra Brasília, onde morei por 13 anos. Em 1992 fui pra São Paulo. Primeiro trabalhei no Citibank por sete anos. Depois trabalhei no Banco de Boston por 26 anos e nos dois anos finais, no HSBC, quando este veio para o Brasil.

Quando eu era diretor do HSBC em São Paulo, o César Sampaio, através de um amigo em comum, me procurou porque estava criando o Guaratinguetá. A coincidência é que a família da minha esposa é de Guaratinguetá e eu tinha casa na cidade. O César veio me procurar que queria que o banco patrocinasse o projeto dele no Guaratinguetá. O banco não tinha interesse no negócio, mas eu, pessoalmente, tinha.

Sempre gostei de futebol, sempre acompanhei. Eu era torcedor apaixonado, fanático do Vasco. O apelido do meu filho mais velho é Vasco. Desde que eu me entendo por gente, aos seis, sete anos, sou fanático por futebol, acompanho tudo. Aí, já numa idade mais avançada, eu tenho essa oportunidade. Então eu falei: “Olha, eu tenho interesse de entrar como investidor.” Era o César Sampaio, o Rivaldo e mais o Carlitos, que tinham criado a CSR.

O Carlitos é o Carlos Arine?

Sim. É ele.

Entrasse como sócio da CSR então?

Sim. Entrei no negócio em setembro de 1999. Na época, o Rivaldo era o nº 1 do mundo, estava jogando no Barcelona. Eu me tornei agente de jogadores e larguei o banco, já que tinha tempo para me aposentar. Quando eu saí do Banco de Boston, no final de 1997, já era pra eu ter parado. Só que o HSBC veio com uma proposta irrecusável e eu acabei aceitando. O meu negócio não era mais trabalhar em banco.

Aí surgiu um negócio no futebol, minha paixão, e entrei de cabeça. Pensei: vou aprender esse negócio, me dedicar, como se fosse fazer uma pós-graduação. Gastei muito dinheiro, cada negócio tem sua especificidade, só você trabalhando pra você conhecer. No começo a gente fez dois negócios com jogadores jovens, um para a Udinese e outro para o Japão, e de uma hora para outra eu ganhei muito dinheiro, aí eu falei: “Esse negócio é bom”.

Mas, isso é coisa de principiante, de noviço. Depois perdi tudo com juros e correção monetária. Tu ficas empolgado e gastas muito dinheiro, mas isso estava dentro do meu projeto, gastar muito dinheiro e investir nisso. Eu tinha uma visão empresarial, juntando com a questão do futebol. Uma coisa é você ser um torcedor de arquibancada e outra coisa é você viver dentro. Então a gente começou tocando o Guaratinguetá que hoje está na 1ª divisão, caiu agora esse ano. Mas, foi uma experiência muito rica.

Em 2001, surge o Figueirense na nossa vida. Quem nos apresentou ao Figueirense foi o Francisco Machado, presidente da Umbro. Isso foi mais precisamente em julho de 2001. O Figueirense estava na 2ª divisão, estava muito forte, e pelas informações, pelo que tínhamos conhecido das pessoas, era um projeto muito interessante. Aí começamos a trabalhar com o Figueirense e largamos o Guaratinguetá. Isso foi em julho de 2001 e subimos para a série A naquele ano mesmo.

Nessa época, eu trabalhava um pouco mais nos bastidores, não aparecia tanto, o Carlos Arine era o ponta de lança. Eu passei a desenvolver uma relação com o Paulo (Prisco Paraíso), fomos nos conhecendo. Até que em 2003, eu perdi um sobrinho assassinado por uma bala perdida no Rio de Janeiro, ele tinha 22 anos, e aquilo me traumatizou. Eu pensei em largar esse negócio. Eu falei com o Rivaldo. O César tinha saído da sociedade. A gente tinha tido uma divergência na ocasião que a gente fez o contrato do Rivaldo com o Milan. Quando se mexe com dinheiro e gente, às vezes se tem problemas. Não ficamos muito satisfeitos. O César saiu em dezembro de 2002 e em outubro de 2003 eu me desliguei da CSR.

Eu comuniquei ao Paulo (Prisco Paraíso) que eu sairia da CSR e ia tirar uns seis meses para botar a cabeça no lugar. O Paulo não queria continuar mais com a CSR e me convida pra vir pra Florianópolis na campanha do tricampeonato estadual, em 2004. Eu estava aqui como gerente de futebol. Passei aqui três ou quatro meses, voltei e a gente desenvolveu um projeto.
A gente ouve muitas críticas à gestão atual do Figueirense. É natural, porque a memória é muito curta. As pessoas esquecem facilmente o que era o Figueirense há 10 anos. Tivemos esse percalço da queda, mas isso é uma circunstância do esporte. Desde que subimos em 2002, caíram Palmeiras, Botafogo, Coritiba, Grêmio, Corinthians e Atlético Mineiro. Enfim, longe da gente querer cair, mas aconteceu.

Desde 2003 que eu trabalho especificamente com o Figueirense, eu passei a ser o representante do Figueirense nas negociações dos jogadores, nós trabalhamos basicamente para gerar caixa.

Como funciona a tua relação com o Figueirense? Soa estranho pra quem é de fora, porque tu és do clube é também é agente. Isso não confunde os papéis?

Pelo Estatuto da Fifa, quem é agente não pode ser dirigente de clube, não pode ter um cargo na direção do clube. Formalmente, eu nunca tive nenhum cargo no Figueirense. Quando estive aqui, era como consultor. Na nomenclatura do futebol, eu sempre fui consultor do clube. Me tornei acionista minoritário da Figueirense Participações para não dizerem que estou aqui de passagem. Meu negócio é de longo prazo. Na minha vida sempre acreditei em relações estáveis. Sou casado há 33 anos com a mesma mulher. Trabalhei vinte e poucos anos no mesmo banco.

Não vim para o Figueirense com o intuito de fazer um negócio e me mandar. Eu tenho comprometimento com o clube. A maior alegria que tive nos últimos anos foi aquela vitória de 5 a 1 contra o Vasco em 2005, é um negócio que não dá nem para explicar. O meu filho mais velho, o “Vasco”, não torce mais para o Vasco. Todo mundo torce pelo Figueirense. Sou mais torcedor do que o mais ferrenho torcedor, porque a minha atividade só vai ser bem sucedida se o Figueirense for bem sucedido. Eu quero ganhar tudo, quero ser campeão da Libertadores, isso é mais do que ser simplesmente torcedor, porque quando o time perde, o torcedor fica chateado no sábado à noite, decide não sair, vai dormir e no dia seguinte a vida dele continua a mesma. É a diferença do envolvido e o comprometido. No café da manhã, eu sou o porquinho, morri e entrei com o bacon. Enquanto isso, a galinha pôs o ovo.

Então, de vez em quando eu vejo essas questões colocadas, eu entendo o torcedor, fui torcedor e obviamente que torcedor gosta de saber tudo. Hoje com essa dinâmica da internet e dos blogs é mais interativo, porém, tem coisas que não dá pra se colocar a público, não dá pra ficar dando explicação de tudo.

Me tornei agente em 2001. Cheguei aqui em 2004 como consultor. Nunca tive nenhum vínculo nem ocupei nenhum cargo de diretor. Fui presidente da Figueirense Participações durante dois anos, atendendo um pedido do Paulo e nesse período não fui agente. Em 2005, quando eu vim pra cá, não fiz nenhuma negócio com o Figueirense, não exerci a função de agente porque eu era o presidente da Figueirense Participações. Foi o único cargo formal que ocupei nesses anos. Em 2005 eu estive aqui como superintendente de futebol, mas na parte de consultoria, contrata jogador e tal, nunca assinei nada pelo clube.

Eu sou remunerado se eu fizer algum negócio com os jogadores do Figueirense, Eu não tenho salário. Se não tiver jogador pra vender, não faço dinheiro nenhum. Se tiver jogador pra vender é bom pro clube. Considero que o cemitério está cheio de insubstituíveis. É um princípio que tenho na vida e na minha carreira profissional. Se tem proposta por alguém, aceita e dá oportunidade para outro.

O clube tem que vender para fechar as contas?

O futebol no Brasil infelizmente é assim. O São Paulo está com dois meses de direito de imagem atrasado, tem que vender jogador na janela de transferência até agosto. Não tem estrutura de receita que suporte o futebol no nível que está hoje, tanto para os grandes quanto para os pequenos. Tem time que não vende jogador. O Manchester vendeu o Cristiano Ronaldo, porém isso não está dentro do conceito deles.

Quando a gente subiu em 2001 a nossa folha era 120 mil reais. É o seguinte, eu tenho 120 mil, vou procurar um lateral que ganhe 2 mil. Hoje o Bragantino tem um time de 150 mil. O Sérgio Manoel ganha sete mil reais lá. Ele já ganhou 15, 20 mil aqui.

O futebol hoje requer recursos. A torcida e a imprensa falam que tem que contratar, mas o Figueirense nunca teve dinheiro. Posso falar desde 2003 com mais propriedade e desde então a gente sempre foi buscar “água limpa”. O que é “água limpa”? Jogador que tinha perspectiva de render e que ninguém tivesse visto, porque se tivesse visto, chegava na nossa frente e não podíamos concorrer. O Figueirense nunca teve dinheiro. Para não dizer que a gente nunca comprou um jogador, nesse período, o Figueirense investiu em dois jogadores. Primeiro o Rogerinho, do Remo. Compramos uma parte dele junto com outros investidores. O outro foi o Ricardinho, ano passado. Também compramos uma parte dele. Todos os outros jogadores vêm de graça, pelo salário, porque a gente criou uma credibilidade, uma imagem de clube sério, que paga, que cumpre o que combina. Isso modificou o nosso status.

Isso permite com que o Figueirense consiga trazer jogadores que de outra forma não traria? Se o Figueirense entrasse numa ciranda de contrata que a torcida paga ou traz e arruma dinheiro depois, competiria no mercado com outros clubes?

Competiria por um momento, quando vissem que era uma falácia, uma mentira, cairíamos em desprezo. O Figueirense tem a história do Vinicius [Eutrópio] que foi capitão aqui em 1995, 1996, da bombona de água na entrada do estádio para a torcida botar dinheiro. Ele me contou isso e eu pensei: como as coisas mudaram. Ninguém queria vir pro Figueirense.
Até o período de ouro do Figueirense, Santa Catarina era um traço em termos esportivos, de futebol no Brasil. Querendo ou não, era isso.

Nós conseguimos inserir o Figueirense no cenário nacional. Esse grupo que está aí. Um grupo que só quer o bem. O Norton [Boppré], o Paulo [Prisco Paraíso], o Rodrigo [Prisco Paraíso] não precisam disso, mas têm vontade de fazer acontecer.

Às vezes, há certo sentimento de frustração. Por outro lado, a gente entende o ser humano e que é uma questão cultural. Eu sou otimista e sei que no fim a verdade prevalece, o bem prevalece sobre o mal, mas tem hora que é muito difícil.

O Figueirense nunca fez tanto dinheiro como ano passado. Desde 2001, ano passado foi paradoxalmente a bonança, que nos deu condição de chegar até a metade de 2009, sem receita nenhuma, com as contas rigorosamente em dia.

O São Paulo tem dois meses atrasados. Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético Mineiro também, mesmo com o dinheiro que eles recebem e a gente “pedalando”. Emprestamos um jogador pro Grêmio, que não paga, e a gente contando com o dinheiro. Faz um negócio com o Fluminense, que não paga. É duro, mas o que resolve é em campo.
Ninguém lembra que fomos campeões no ano passado. Fomos campeões em 2002, 2003, 2004, 2006 e 2008. Quando na história do Figueirense teve esse histórico? Nunca! Mas, não é mais nada que obrigação ser campeão do Estadual.

A grande sacada do Figueirense, o que sustenta o clube, são os sócios. No estadual é prejuízo. A gente começa o ano com menos um milhão, um milhão e meio. Se for campeão tem que pagar bicho, prêmio. Isso é profissionalismo? Tem que fazer caixa como? Vendendo jogador, coisa que o Figueira nunca tinha feito até 2004. Se não fizer isso, volta a ser o que era no passado.

Qual o teu peso na contratação de um jogador?

Nunca ninguém no Figueirense contratou isoladamente, sempre há um consenso, uma conversa, troca de opinião. O ideal é quando um treinador gosta de um jogador e nós também. Não tem nenhuma voz individual. Aqui no Figueirense é um conjunto, todo mundo que vem pra cá, vê que é diferente, é outra condição de trabalho, que não tem em outros clubes. Os caras que vieram aqui e se deram bem – Muricy Ramalho, Adilson Batista – estão fazendo sucesso. Quem não foi bem aqui, não emplacou em lugar nenhum.

Sobre o Adilson Batista, muito se comenta que o time de 2006, que fez a melhor campanha da história na série A, foi montado por ele. Foi isso mesmo?

O Adílson tem uma capacidade de trabalho impressionante. Quase o trouxe de volta em 2007, mas ele estava às voltas com um problema de saúde do pai dele. Eu sou amigo do Adílson, ele foi um dos melhores treinadores que passou por aqui, mas, ele não é perfeito. Em conjunto conosco, ele sabia que em 2006 não tínhamos dinheiro. A gente não tinha alternativa, porque para se manter na primeira divisão em 2005, chegamos a pagar 3, 4 mil reais de bicho por jogo. Era uma situação de risco e em 2006 não tínhamos recursos.

O Adilson Batista não gostava do Flávio, do Fininho, do Chicão, do Schwenck. Contra a vontade de todos bancou o goleiro Andrey. Gostava do Marquinhos Paraná, que uma parte da torcida criticava em 2005 e foi um dos que ficou para 2006, O Adílson não queria o Rodrigo Souto. Ele era apaixonado pelo Thiago Silvy. Eu fui pegar o Cícero no Bahia na série C e o Adilson: “pô, Cícero, não sei o quê…”.

Quando o Adílson chegou aqui em 2005, ele pediu três jogadores: Alessandro Cambalhota, o Ramalho, volante que jogou no Atlético Paranaense e no Sport Recife, e o Cleiton Xavier, que acabou indo para o Brasiliense por causa de 37 mil reais, coisa do empresário dele. Fui buscá-lo em 2007, o pessoal esquece que ele estava largado. Demorou 60 dias para jogar o primeiro jogo, 3 a 0 contra o Avaí, se machucou e ficou mais 30 dias sem jogar.

O que mais me incomoda é a marcação que todos vocês fazem no Bruno Perone. Acho uma injustiça, porque se pegarmos o material dos jogos, ele fez partidas emblemáticas. O nosso problema não é zagueiro, a questão é tática, de posicionamento. Quais foram os melhores jogos que fizemos em termos defensivos esse ano? Foram três jogos, contra o Avaí na Ressacada, 1 a 1, o jogo contra a Ponte Preta lá e o jogo contra o ABC. Desses três jogos, o Perone não jogou contra a Ponte Preta. Vou provocar: o Perone é 10 vezes melhor que o Chicão. O Perone não teve oportunidade de jogar com zagueiros experientes do lado. Ele tem um mercado interessante, é comunitário, aquele tamanho e qualidade com a bola no pé, tem 21 anos, potencial, mas hoje não tem como jogar. O Perone é forte. Se fosse outro já teria desabado há muito tempo. Outro que é forte é o Anderson Luiz.

Aproveitando o gancho, o que se comenta é que Anderson Luiz e Perone demoraram para sair do time porque “são jogadores do Lages, que quer fazer dinheiro com eles”. É isso mesmo?

Veja bem, não tenho nada a ver com o Ânderson Luís. Ele é um jogador da categoria de base, se destacou, tinha potencial, jogava de volante, um rigor físico espetacular, inteligente. Com 19 anos, no Maracanã, na final da Copa do Brasil, dando pitaco de como o Mário Sérgio deveria fazer a marcação. No apoio o Anderson tem carência, era um volante que foi adaptado.
Quando o jogador se destaca nas categorias de base, nós conversamos com os pais, pra cuidar da carreira deles, como uma proteção pra não perdê-lo para outro. O Figueirense inovou nesse aspecto como forma de proteção para não ter problemas. Porque se não o cara se destaca e vai ficar competitivo no mercado. Então o Anderson Luís era agenciado pela Figueirense Participações. Os contratos pela FIFA são de dois anos, não se prorrogam automaticamente. Tem que ser formalmente renovado. Quando ele fez 19 anos, venceu o contrato e não quis mais assinar com a gente. O empresário dele é o mesmo do Diogo [atualmente no Fluminense]. Só acho uma perda pro Figueirense. Porque não tem lateral no Brasil e ele marca muito. E todos os treinadores que passaram por aqui, botaram ele pra jogar.

Você pede para treinadores escalarem determinados jogadores?

Nunca. Pode perguntar para todos os treinadores que passaram por aqui. Não temos essa postura. Ano passado, foi o ano em que a gente deu mais guarida pro treinador, no sentido de atender pedido para trazer fulano ou beltrano. Tenho erros e acertos, não sou melhor que ninguém. Jogador é um ativo vivo, é gente. Não é uma cadeira. O cara ter uma boa performance num lugar não quer dizer que vai repetir aqui. Erraram? Pô, vem aqui, senta aqui. Faz uma lista do que a gente acertou, fez dinheiro para reinvestir no clube. Olha em volta. Vê como é o clube agora e como era antes.
O Perone não tem nada a ver comigo. Me indicaram o jogador e analisei o material dele. Aí liguei para o Abel Ribeiro e perguntei o que ele achava. O Abel me disse que era um bom jogador, barato e com potencial. O jogador estava no aeroporto indo para o Anapolina. Um dia desses, eu disse assim: por que vocês estão vaiando o Perone? Ele pode salvar nosso ano. Se conseguirmos vendê-lo, temos dinheiro para chegar até o final do ano. Vou repetir: não entrei no futebol para ganhar dinheiro. Ganhei dinheiro trabalhando.

Mas para grande parte da torcida você é o cara que veio de fora pra ganhar dinheiro com Figueirense. Você já ganhou dinheiro com o Figueirense?

Eu sou contador também. Se eu fosse criterioso, se eu corrigir o dinheiro que eu gastei, basicamente estou empatado. Minha mulher reclama muito por eu estar envolvido com esse negócio do futebol. Trabalhei 35 anos no mercado financeiro, então eu ganhei dinheiro trabalhando muito. Sempre fui bom com gestão de pessoas, sempre ganhei prêmios. Me realizei profissionalmente. Aí surgiu o negócio com o futebol, que também é gente, mexer com pessoas faz minha cabeça. Ganhei dinheiro em 2007 e 2008, porque foi o meu trabalho. Eu nunca tive jogador meu.

Você bota seus jogadores no Figueirense ou a direção do clube decide quais atletas você irá agenciar para não correr o risco de perdê-los para outros empresários?

Exatamente isso, para não perder para outros. Eu tenho o maior escrúpulo com isso porque eu sei a vinculação que fazem. Não invisto, não compro jogador desde 2002. Não tenho jogador. Hoje eu represento um jogador que jogou no Figueirense e foi mandado embora que é o Luciano Sorriso. Ele quis continuar comigo como agente. Tem uma relação com meu filho. É como um filho pra mim. Não ganhei nada com ele. Eu ganho dinheiro na intermediação. Tem contrato, nota fiscal, não tem nada por fora, se quiseres ver quanto eu ganhei, está aí para todo mundo ver. O que não aparece é quanto eu gasto, passagem, hotel, etc. Eu te digo o seguinte: empatando hoje está bom para mim. Tenho meus filhos criados. Tenho minha consciência tranqüila, não faço nada errado. Eu dou risada porque quando escrevem meu nome, os caras botam um cifrão no Lages. Minha família diz: “larga isso”, mas isso não me afeta. O Figueirense tem essa relação comigo, porque eles me conheceram, me avaliaram e sabem que eu estou fazendo o melhor para o clube. Nesse momento eu posso fazer qualquer negócio que não vou ganhar nada, porque tem um acordo que tudo que entrar será reinvestido para a gente voltar para a série A. Já reinvesti, já emprestei dinheiro. É algo que me dá satisfação.

Não seria muito melhor ser só empresário de jogador, até porque ganha muito mais dinheiro, não se meter com clube, como muitos fazem hoje?

Eu sou diferente. Com certeza ganharia muito mais dinheiro se não me metesse com clube. Me desgastei de sábado pra domingo, fiquei p… [derrota de 3 a 2 para o Atlético-GO]. Às vezes, acordo no meio da madrugada e fico pensando naquela jogada, no posicionamento. Me envolvi emocionalmente. Em tese, sem necessidade. Como eu disse não vim para ganhar dinheiro, se ganhar dinheiro melhor. Eu não vendo ninguém se não houver o acordo da direção. Eu não contrato e nem vendo ninguém sozinho, é tudo avaliado.

Como vai funcionar a parceria com o Eduardo Uram?

O Eduardo é um dos caras mais sérios que tem no futebol brasileiro. O dinheiro dele não vem do futebol. Ele é comerciante de jóias, é um cara super correto. Eu já fiz vários negócios com ele. Nós fomos procurar uns amigos. Estávamos precisando, foi uma oportunidade. Hoje talvez só o Vasco e a Ponte Preta tenham uma folha maior que a nossa. Nós precisamos fazer alguns ajustes, precisamos da ajuda de terceiros, essa parceria que fizemos com Eduardo, basicamente é isso. Ele adquiriu parte de direitos federativos de alguns jogadores e injetou dinheiro no clube.

O Wilson, goleiro, é agenciado por ele. O Vinicius Pacheco, eu fui agente dele dos 14 aos 20 anos, andou pra lá e pra cá e assinou com o Eduardo, ele é bom jogador, o treinador queria levar ele pro Náutico, mas o Eduardo não quis fazer o negócio e agora teve essa oportunidade. O Egídio e o Paulo Sérgio são também agenciados por ele. O Eduardo tem mais de 100 jogadores.

Não sabíamos que o João Filipe era do Eduardo. Ele foi considerado a revelação do carioca, eu fui pesquisar e todo mundo falava do João Filipe. Teve um dia que o Reinaldo Pitta me ligou, perguntou se eu estava precisando de zagueiro e eu perguntei o que ele achava do João Filipe. O Pitta me disse que era melhor do que o zagueiro que ele estava oferecendo, mas não era dele, era do Eduardo. Aí eu fui atrás do Eduardo. Quando souberam do João Filipe aqui, já meteram o pau, sem nem ao menos conhecer.

Para finalizar, quais as perspectivas para a série B? O Figueirense volta à primeira divisão em 2010?

O futebol é 80% cabeça e 20% bola. O psicológico é muito importante. O Figueirense está vivendo um momento de instabilidade. Eu tenho a convicção que nós vamos brilhar, vamos subir. Pode parecer arrogante, mas vamos disputar as primeiras posições.

* Foto: Nando Melo

Quem sabe faz a hora

É batido, mas continua valendo. Nas duas boas vitórias em casa contra o Fortaleza e o Vila Nova, o Figueirense tomou a iniciativa do jogo, manteve a posse de bola, construiu boas jogadas e chegou à vitória sem grandes sustos.

Assim como o Fortaleza, o Vila Nova era inferior tecnicamente ao Figueirense. Contra o time cearense, o Furacão Alvinegro jogou melhor, até porque estava completo, enquanto nesta sexta-feira teve quatro ausências.

Contra o Vila, o time oscilou bem mais. Começou bem, criou chances, abriu o placar em bela jogada e aí começou a atrapalhar um pouco. Defensivamente, o Figueira está melhor. A grande área alvinegra não é mais parque de diversões de ninguém, como no ano passado. Para passar pela zagueirada e a dupla de volantes, os adversários têm que suar um bocado. Nesta sexta, por exemplo, em alguns momentos, o Vila Nova – um time bem limitado, por sinal – rodou um bocado a bola, o que serve para irritar o torcedor alvinegro, mas não criou praticamente nada.

Wilson fez um gol de pênalti e marcou seu nome na história do clube mais uma vez. Toninho e Edson foram seguros. João Filipe errou mais, como já não fez bons jogos contra Vasco, Fortaleza e Juventude. Está caindo de produção. Carlinhos foi o de sempre, eficiente na marcação, complicado quando tenta construir algo. Alê compôs o meio com eficiência e fez seu gol. Fernandes fez sua melhor partida desde que voltou. Está subindo de produção com a sequência de jogos. Nesta sexta, participou mais do jogo, deu o passe para o primeiro gol e fez o segundo. Lucas fez seu melhor jogo em muito tempo e Egídio alterna bons e maus momentos, mas também esta melhorando. Clodoaldo e Ricardinho foram muito mal. Cada um a sua maneira.

A diferença entre as duas últimas vitórias em casa e as partidas contra Juventude e Bahia, fora de Floripa, foi que, no Scarpelli, o Figueirense está reaprendendo a manter o jogo sob controle. Quando sai, a equipe transfere completamente a iniciativa da partida para o adversário e isso é sempre um risco muito grande.

Não falo em se expor excessivamente, em se jogar desesperadamente para o ataque, mas sim em manter a bola, evitar ser pressionado o tempo todo, ter iniciativa de contra-atacar com qualidade e fazer o adversário se sentir ameaçado.

A partida contra a Ponte Preta será um bom termômetro. Será em Campinas, contra um adversário direto. Se ficar limitado a se defender do bombardeio, o Figueira não terá chances. Se conseguir botar a bola no chão, poderá conquistar uma vitória importantíssima para dar a moral que falta para o Furacão Alvinegro se firmar definitivamente com um time capaz de conquistar o acesso.

* Foto: Carlos Amorim

Duplo reencontro

Em uma das últimas vezes que o Figueira enfrentou o Vila Nova também foi para a série B. Só que naquela ocasião, o técnico do Furacão Alvinegro era Vagner Benazzi e a vitória foi a quarta de uma impressionante sequência de seis triunfos consecutivos que o então “rei do acesso” obteve logo que assumiu o Figueirense.

Isto foi em 2001, ano que o Alvinegro conquistou o acesso. O primeiro jogo contra o Vila foi no Serra Dourada, uma vitória por 2 a 1. Agora o jogo é no Scarpelli e o técnico do time goiano é o velho Benazzi de guerra, ameaçado de demissão depois de seis jogos sem vitória.

O Figueira, por sua vez, está bem precisado de uma sequência como aquela de 2001. Para entrar definitivamente no G4, ganhar a confiança da torcida e mostrar a todos que não está a passeio.

Bem que o Furacão Alvinegro ensaiou um progresso ao conseguir três vitórias e um empate, mas a derrota e o mau futebol em Caxias do Sul ressuscitaram velhos fantasmas.

É hora de espantá-los ao menos, já que sepultá-los é uma tarefa bem mais difícil. Com desfalques e dúvidas, o Figueira precisa vencer o Vila nesta noite no Scarpelli. Se não der para entrar no G4 agora que ao menos o time continue por perto.

Maracugina para todos

Dentro do quesito drama, a torcida do Figueira está dando um banho. Há motivos. Essa ansiedade não vem do nada, vem do rebaixamento, o mau campeonato estadual, da dificuldade do time em embalar na série B. Só que nem tudo precisa virar um drama, nem tudo é um absurdo que merece ser punido com a guilhotina.

Por exemplo, a celeuma a respeito do posicionamento de Fernandes, mais recuado no segundo tempo em Caxias. O Infoesporte foi buscar a explicação. Já este blog faz questão de lembrar que este mesmo recurso foi utilizado no segundo tempo contra o Paraná Clube. O técnico recuou Fernandes para melhorar a saída de bola, adiantou Lucas e assim o Figueira chegou à vitória.

Sobre a “invenção” de Schmoller na ala direita, a opção pode ser questionada, mas é algo que Roberto Fernandes vinha testando nos treinamentos. Só pode ver se vai funcionar mesmo em jogo. Não tem como comprovar de outro jeito. Além disso, Anderson Pico ainda não parece em forma, o que até pode suscitar outro debate: vale a pena continuar com um jogador que não tem condições de jogar 90 minutos depois de cinco meses no Scarpelli?

O famigerado pênalti cobrado por Clodoaldo. Roberto Fernandes disse depois do jogo que Rafael Coelho é o cobrador oficial e que queria explicação sobre o que havia ocorrido. Só que Rafael perdeu o último pênalti que bateu, contra o Atlético-GO, e, pelo jeito, não fez muita questão de bater esse de terça-feira.

Aí é questão de avaliar se ele tem condições de agüentar o tranco de tanta responsabilidade. Se não tiver, escolhe outro. Fernandes, por exemplo, só perdeu um pênalti entre dezenas que bateu com a camisa do Figueira.

Não se trata de fazer a defesa intransigente de Roberto Fernandes. Questiono algumas decisões tomadas por ele. Neste último jogo, particularmente, a opção de botar três atacantes depois de estar perdendo, entre outras.

Não sei se ele vai conseguir levar o Figueira de volta à série A. Compete a quem acompanha seu trabalho diariamente avaliar a qualidade do que Fernandes vem fazendo.

Só acredito que na série B, com um orçamento limitado, o Figueira não terá condições de trazer nenhum grande nome. Ficar trocando de técnico vai depender muito mais de sorte, de circunstâncias aleatórias para funcionar do que de planejamento e competência para escolher. Em certa faixa de mercado, os técnicos são, basicamente, muito parecidos. E as chances de dar certo ou errado são quase as mesmas.

Como se não houvesse amanhã

Se tem algo que me incomoda nos tempos atuais é essa tendência de se encarar o que acontece hoje como se fosse um fato dramático, definitivo, insuperável e ao mesmo tempo tudo é superficial e descartável até que nova catarse recomece.

No futebol, com tanto espaço nas mídias disponíveis (internet, rádio, TV, jornal) isso se repete a cada jogo. Cada vitória é avassaladora, cada derrota é crítica, dramática, incontornável. E aí não sei se é a mídia que influencia a torcida ou a torcida que faz a mídia se comportar desse jeito. Só sei que a cada derrota, como a de terça-feira, em Caxias, se pede a cabeça do técnico e de meio time.

Parece que quase todo mundo guarda o cérebro, a razão, na gaveta, antes de repercutir um resultado. Ser torcedor, para mim, não se resume a isso, uma emoção burra e violenta que impede o cidadão de ter qualquer tipo de raciocínio lógico.

Outra coisa que incomoda é a memória curtíssima de quase todos. Rafael Coelho, por exemplo, era questionadíssimo até dois meses passados. Era fominha, era limitado, só corria e não pensava. Depois que desembestou a fazer gol virou um crime de lesa-pátria qualquer ameaça de vendê-lo. É a última bolacha do pacote. Só que é o mesmo garoto, em evolução, que vai acertar, errar e tem muito a aprimorar até se firmar definitivamente. Está numa fase ótima, mas é muito difícil manter uma média de quase um gol por jogo em qualquer competição. Vai ter o mesmo apoio se os gols rarearem?

Isso leva a outra questão. A facilidade com que um boato deflagrado não se sabe por quem, gera uma avalanche de comentários e notícias sem qualquer fato a fundamentá-los. Há uma semana ou mais se reclama de uma possível venda de Rafael Coelho quando não se tem nenhuma informação concreta a respeito de qualquer proposta feita recentemente pelo jogador. Bastou um anônimo comentar num chat de um programa de rádio para que a fofoca ganhasse ares de notícia comprovada. Ninguém corroborou. Nenhuma confirmação foi obtida. Mas o falatório dura até hoje.

Não sei se me fiz entender. Esse post saiu meio confuso e não estou com muita disposição de consertá-lo.

Só tenho a certeza que futebol tem isso de bom. A gente perde na terça fora de casa e pode se recuperar na sexta no Scarpelli.

Então bola pra frente e que venha o Vila.

* Foto: Carlos Amorim

Com quantos erros se faz uma derrota

O time entrou escalado sem muitas surpresas. A entrada de Schmoller na ala direita já era cogitada, assim como o retorno de Schwenck ao comando do ataque.

O primeiro tempo foi muito parecido com o jogo contra o Bahia, em Salvador, com exceções de dois aspectos. O primeiro, positivo, é que o Figueira não teve ninguém expulso. O segundo, negativo, foi que saiu atrás no placar.

Assim como em Salvador, no entanto, o time se defendia bem, mas não conseguia concatenar jogada alguma nem manter a posse de bola. Aliás, o Juventude criava ainda menos do que o Bahia no jogo de Pituaçu, só que não conseguir ficar com a bola é sempre um problema. Hoje as circunstâncias trabalharam contra o Figueirense. O gol do time de Caxias só poderia sair de bola parada. E saiu. Num pênalti.

No segundo tempo, foi a vez do técnico Roberto Fernandes fazer as escolhas equivocadas. Eu, particularmente, não consigo enxergar a vantagem de se jogar com três atacantes quando se está perdendo uma partida. O treinador alvinegro insiste, porém, em apelar para esse recurso quando está atrás no placar. Não me lembro de ter funcionado alguma vez. Aliás, já vi Adilson Batista botar quatro atacantes num jogo contra um Fortaleza com nove jogadores e a partida terminar no mesmo 1 a 0 a favor do Figueira que o marcador apontava no primeiro tempo.

O time ficou com uma avenida no meio, sem levar grandes perigos ao gol adversário. O espaço era ampliado porque Schmoller voltava para a defesa se arrastando. Assim, Paulinho ficou no mano-a-mano com Zezinho, teve a camisa puxada primeiro, mas Rodrigo Cintra – árbitro que por algum mistério insondável aparenta detestar o Figueira – preferiu assinalar pênalti na sequência da jogada. 2 a 0 para o Juventude.

Aí veio mais um erro alvinegro, no momento ideal para diminuir o placar, logo depois de sofrer o segundo gol. Pênalti para o Figueira em Clodoaldo. Ele mesmo foi bater e atrasou para o goleiro.

Aí Roberto Fernandes fez um remelexo. Tirou Schmoller e botou Vinícius Pacheco. Trocou João Filipe por Anderson Pico. Não ao mesmo tempo, ressalta-se – houve um intervalo entre as substituições. Só que o Juventude teve um jogador expulso, o Figueira começou a pressionar mais e criou chances para chegar ao empate. Em dois cruzamentos precisos de Anderson Pico, Schwenck e Clodoaldo cabecearam para fora, além de uma boa conclusão de Rafael Coelho no final da partida.

Uma noite infeliz, cheia de erros, que não poderia ter melhor desfecho que a precisão cirúrgica de Rodrigo Cintra em distribuir cartões e tirar Rafael Coelho, Schwenck, Régis e Paulinho da partida contra o Vila Nova na próxima sexta-feira.

A vitória, no entanto, terá que vir assim mesmo.

Meta ambiciosa

O Figueira inicia hoje uma sequência de cinco jogos nos quais almejar obter 12 pontos não é tarefa inviável, mesmo fazendo dois deles em casa e três, fora.

Vencer Juventude hoje, Vila Nova e Brasiliense em casa, além de Campinense (fora) é objetivo possível, assim como uma derrota para a Ponte Preta, em Campinas, é provável.

O Furacão Alvinegro tem trabalhado com uma meta de oito pontos ganhos a cada cinco jogos. Em 10 jogos, conquistou 17 pontos até agora, acima da meta, mas insuficiente para ficar entre os quatro primeiros.

Para chegar ao G4, o Figueira vai ter que, no mínimo, manter a mesma toada. Melhor ainda se conseguir beliscar 12 pontos nestes cinco jogos. Seu aproveitamento passaria dos atuais 56% para 64%, percentual superior ao do agora terceiro colocado, Brasiliense, e também acima de todos os campeões desde 2006, quando a série B adotou o formato de pontos corridos, com exceção do Corinthians no ano passado.

Claro que tudo isso é muito bonito na teoria. O Figueira vai ter que comprovar a boa fase e a melhora em seu futebol jogo depois de jogo.

A começar pelo Juventude que está desesperado por uma vitória. O time faz uma péssima campanha, precisa se afastar da zona de rebaixamento e para isso trouxe Ivo Wortmann de volta pela enésima vez.

Embora seja freguês do Figueira, nunca é fácil jogar em Caxias do Sul. Se o Furacão Alvinegro fizer uma exibição do nível da partida contra o Fortaleza, a vitória estará mais próxima.