O primeiro desafio

Não é possível afirmar se a diretoria do Figueirense acertou na contratação de Márcio Araújo, mas, ao menos, o momento para promover a troca foi bem mais oportuno do que em outras ocasiões.

O anúncio da contratação foi rápido, o técnico chegou logo, observou um treinamento, vai comandar o time num jogo mesmo sem tempo para ajustar grande coisa e depois vai ter 11 dias para fazer o trabalho necessário para que o time tenha condições de encarar uma sequência decisiva de jogos.

Como bem lembraram alguns alvinegros em comentários deixados no blog, o Figueira tem uma série de jogos fundamental para decidir de vez seus destinos na competição: Lusa (fora), Ceará (casa), Guarani (f), Atlético-GO (c), Paraná Clube (f), Vasco (f) e Bahia (c). O Figueirense enfrenta, portanto, os quatro integrantes atuais do G4, mais Lusa e Bahia que, que no momento, estão atrás no máximo três pontos do Furacão Alvinegro. Já o Paraná, além da rivalidade habitual, luta para não cair e joga em casa.

É uma parada duríssima, mas, por outro lado, é a oportunidade real de tirar pontos de seus rivais pelo acesso nos confrontos diretos. O Figueira tem que pontuar e bem para entrar no G4 durante esta sequência de jogos.

Jogo de estréia de Márcio Araújo é inicio de sequência difícil

Jogo de estréia de Márcio Araújo é inicio de sequência difícil

Para esta partida contra a Lusa, o time ainda é uma incógnita. Wilson volta. Régis, Jeovânio, Schwenck e Bóvio viajaram. Fernandes, no entanto, o único meia com qualidade disponível no momento está suspenso. Quem fará sua função? Como o time irá se comportar no primeiro jogo depois da saída do polêmico e contestado Roberto Fernandes? Respostas a partir das 21 horas.

Jogo no San Jacques

Vale a pena passar no bar situado em Coqueiros e acompanhar o jogo com o pessoal. Tem um monte de promoção para o jogo de hoje. O Tainha explica.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Márcio Araújo é o novo técnico do Figueira

A princípio, o nome não entusiasma. Muda, no entanto, o perfil, com a entrada de um técnico que acalma mais do que agita internamente o ambiente.

De positivo, Márcio Araújo comandou a campanha do acesso do Barueri à série A no ano passado. De negativo, dirigiu o Guaratinguetá na queda para a série A2 do campeonato paulista neste ano.

Menos berreiro e mais feijão com arroz. Que funcione.

Figueira vence e segue vivo na série B

Surpresa seria o Figueirense fazer uma boa exibição na noite desta sexta-feira, diante de tantos problemas dentro e fora de campo.

O time venceu sem jogar bem diante de um adversário fraco que veio para explorar o nervosismo do Furacão Alvinegro jogando na defesa, abusando da cera e das faltas, com a complacência do árbitro, para arrancar no mínimo o empate.

Mas venceu. Consegue assim superar a segunda etapa do que comentamos em post anterior e sobreviver a seu pior momento no campeonato, se mantendo no bolo de cima entre os que brigam pelo acesso.

Depois da sucessão de contusões que se abateu sobre o elenco, além da dificuldade da diretoria em fechar as contratações que agreguem mais qualidade e experiência ao grupo, Roberto Fernandes tem feito o correto. Nesse sentido, concordo com a análise do Máquina do Estreito.

O adversário do Figueira era ele mesmo. Seus nervos, sua juventude, sua inexperiência, suas limitações. Por isso, o time não jogou bem contra 11 adversários, contra 10, contra nove e quase se complica no final.

É óbvio que jogando o que está jogando, o Figueira não conseguirá voltar à série A. Só que, neste momento crítico, o fundamental é pontuar, para, depois da partida contra a Portuguesa, utilizar os 11 dias até o jogo contra o Ceará, para acertar o time, reforçar o elenco, ter todos os contundidos à disposição e aí sim voltar a jogar bem e dar arrancada final para o G4.

Durante o sábado, faremos outros posts analisando com mais calma e profundidade tudo que ocorreu nesta noite no Scarpelli.

Os 90 minutos são sagrados

Não sou um exemplo de torcedor. Não fico pulando e cantando o jogo todo. Sou tímido demais para puxar o coro da torcida. No máximo, vou junto no embalo. Em determinados momentos dou uns berros para apoiar o time. Ou para xingar o juiz ou o bandeirinha que corre bem na minha frente.

Não estou aqui, portanto, para ensinar ninguém a torcer. Uma coisa, no entanto, que me acostumei a fazer desde muito tempo foi ir a jogo do Figueirense. Independente da fase, do campeonato, do time que temos ou do adversário. Eu simplesmente gosto de ir ao Scarpelli.

E aí, aqueles 90 minutos são sagrados para mim. Não consigo vaiar jogador do Figueirense. Não consigo apupar o time. Não consigo gritar olé em protesto se estamos perdendo e/ou levando um baile do adversário. Simplesmente não consigo transformar minha frustração/desapontamento/decepção em ódio contra o clube para qual aprendi a torcer e me acostumei a amar, mesmo que esta raiva seja momentânea.

E torcer, ir ao estádio, é uma conjunção de costume, paixão, vício, masoquismo, solidariedade, fé, esperança, diversão, prazer. Antes e depois tu podes cornetear, xingar jogador, diretor, imprensa. Durante os 90 minutos em que a bola rola, tu apóias o time a tua maneira, torce do teu jeito para que ele vença o jogo. É assim que eu penso.

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É por isso que não posso concordar com a proposta de público zero no jogo contra o ABC. Até porque, além de tudo que escrevi acima, o Figueirense está em sexto lugar, a quatro pontos do G4, faltando 18 jogos para terminar o campeonato. O protesto, além da forma equivocada, tem um timing completamente errado.

A partir do momento que comecei a frequentar o Scarpelli com mais constância, durante os já longínquos anos 80, acompanhei péssimas, boas e ótimas fases.

No dia 23 de novembro de 1983, presenciei o Figueira virar sensacionalmente uma decisão contra o Joinville com gols de Albeneir e Balduíno. O jogo valia pela Taça José Elias Giuliari, terceira fase do campeonato estadual, que naquela época durava de março a dezembro.

A virada levou o jogo para a prorrogação e depois para os pênaltis. Vi Mica, Balduíno e mais um jogador do qual não recordo o nome desperdiçarem três cobranças acertando a mesma trave à esquerda do goleiro no gol que fica à esquerda da arquibancada coberta e o Figueira perder por 3 a 0.

Mesmo sabendo que Dalmo Bozzano não recebia hora extra e, portanto, não dava acréscimo. Mesmo sabendo que a equipe do Joinville era melhor. Mesmo sabendo que o Figueira era um time desgraçadamente sem sorte, menos de um mês depois estava lá para ver o Furacão Alvinegro perder a decisão do campeonato contra o mesmo Joinville – aliás, caiu uma tromba d’água colossal meia hora antes de o jogo começar e o campo virou uma piscina. O placar não saiu do zero a zero que deu o título ao JEC.

Nos anos seguintes continuei indo ver o Figueira perder uma decisão – fosse de turno, fase ou campeonato – atrás da outra para o JEC, movido por puro masoquismo, por uma esperança inquebrantável ou por um pouco de cada.

E assim segui, como milhares de outros torcedores. Acompanhei jogos da segundona catarinense contra Flamengo de Capoeiras, Guaycurus de Concórdia e Ipiranga de Tangará. Aguardei ansiosamente por um título estadual durante 20 anos. Não deixei de ir ao estádio naquele tempo. Não deixarei de ir agora.

A torcida tem direito de protestar e externar sua insatisfação? Sem dúvida que tem. Acredito, inclusive, que as reclamações devem transcender os xingamentos pueris e costumeiros e partir para algo mais construtivo, coletivo e consciente.

Por que não começar a discutir formas de interferir politicamente nos destinos do clube? Por que não debater e reivindicar o direito a voto dos sócios torcedores? Por que não exigir mais transparência e interação entre diretoria e associados?

Podemos e devemos discutir tudo isso. Temos a semana inteira para ter essa conversa. Podemos bater um papo antes do jogo. Ou depois do jogo.

Agora os 90 minutos de jogo são sagrados. É quebra tudo, Figueira, Figueira, ê, ô, minha razão de viver, eu amo você.

Na sexta-feira, na hora da partida, vou fazer o que sempre faço: ir ao estádio e torcer pelo Figueira. E você?

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Sobreviver ao pior momento

Com tantos desfalques dentro de campo, com tanta contestação e revolta fora das quatro linhas, o Figueira vive inegavelmente seu pior momento na série B. Mesmo assim, jogando fora de casa, por pouco não venceu o jogo, termina a rodada com os mesmos quatro pontos que o separava do quarto colocado Ceará no início da rodada e ainda ganhou uma posição, subindo de sétimo para sexto na classificação geral.

É isso que cabe agora ao Figueira: manter suas chances de brigar pelo acesso diante deste momento tão ruim, pesado e negativo. É tratar de vencer o ABC na próxima sexta-feira, buscar pontos contra a Lusa no Canindé na outra terça e aproveitar o intervalo de 11 dias até o jogo decisivo contra o Ceará no Scarpelli para fechar o elenco com as contratações que faltam, recuperar todos os jogadores contundidos e aparar todas as arestas que precisam ser ajustadas para reagir definitivamente dentro da competição.

O que foi dito aí em cima não quer dizer que estou satisfeito com a campanha, quero deixar isso claro. Poderíamos estar numa situação muito melhor se não fosse uma coleção de infortúnios e equívocos que se avoluma desde o início do campeonato.

Já pedi a saída de Roberto Fernandes neste espaço. Ele continua. Não vou ficar então repisando e repetindo que quero que ele saia post depois de post. Cansaria vocês, nobres leitores, e este que vos escreve.

Negócio é pensar para frente. Não vou jogar a toalha faltando 18 jogos para terminar o campeonato. É só analisar a próxima rodada: enquanto o Figueira enfrenta o ABC, o Ceará pega o Vasco fora de casa e o São Caetano vai a Pituaçu pegar um Bahia que precisa vencer se quiser também entrar na briga. Podemos terminar a rodada a um ponto do Ceará e empatado com São Caetano. Mesmo que tudo dê errado na rodada seguinte, podemos voltar a ficar a um ponto do Ceará se vencermos o confronto direto no dia 12.

Depois desse momento tempestuoso e complicado, com jogo atrás de jogo até a partida contra Lusa na próxima terça-feira, o time terá um intervalo para fazer o ajuste fino e reagrupar todas as forças e energias para a arrancada que falta.

A tarefa, no momento, é sobreviver a todos os ataques e problemas e trabalhar para que esta reação, esta arrancada tão sonhada e aguardada, não se torne mais difícil.

É, o campeonato não acabou e tem jogo hoje

Apesar do clima “pega pra capar” que se instalou entre nosotros, torcedores alvinegros, o Figueira joga hoje. Sim, lá na distante Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, o Furacão Alvinegro entra em campo no esquisito e pouco usual horário das 19h30 (o pessoal vai se reunir no San Jacques de novo) para enfrentar o time da casa. Sim, o apocalipse ainda não chegou, faltam 19 jogos e o Figueirense continua com chances de subir para a primeira divisão.

Então nos concentremos no jogo. Uma penca de jogadores continua de fora, a exemplo da partida de sexta-feira passada. Além deles, Toninho também não enfrenta o Ipatinga. Já Egídio e João Filipe voltam a estar à disposição, depois de cumprirem suspensão pelo terceiro amarelo.

Pela lógica, João Felipe entra na vaga de Toninho e Egídio retoma a ala esquerda. No resto, não há muito que mudar.

Mesmo com desfalques, o Figueira tem possibilidade de derrotar o Ipatinga. Até porque o jogo é fora de casa e é a boa campanha como visitante que está permitindo ao Figueirense não se distanciar demais do G-4.

É a primeira rodada do returno. Tem muita coisa pela frente. Como torcedor, o desejo que o auge da crise tenha sido a partida contra o São Caetano e que a partida desta terça represente o começo da reação. Torçamos, portanto.

Figueirense não tem proposta por Rafael Coelho

Até o momento o Figueirense não recebeu proposta oficial por Rafael Coelho. Esta é a informação que obtive junto à direção do clube.

Também fui informado de que o clube não pretende negociá-lo no momento. A única maneira de tirar o jogador do Figueirense é pagar uma multa no valor de três milhões de euros.

Esta é a quantia estipulada no contrato entre o Figueirense e a empresa Energy Sports, que adquiriu 40% dos direitos econômicos do jogador no ano passado. O acordo entre clube e empresa determina que se surgir uma proposta de 3 milhões de euros deverá ser aceita, a não ser que uma das partes compre a porcentagem dos direitos da outra. Ou seja, se o Figueirense não quiser vender o jogador por 3 milhões, terá que indenizar a Energy em 1,2 milhão de euros, montante que obviamente o clube não tem.

Multa rescisória de Rafael Coelho é de 3 milhões de euros

Multa rescisória de Rafael Coelho é de 3 milhões de euros

Procede a informação de que o Twente mandou um representante para observar Rafael Coelho no jogo da última sexta-feira. Assim como o PSV e um clube francês também fizeram em jogos anteriores. Nenhum destes clubes, no entanto, apresentou qualquer proposta oficial ao Figueirense.

Outra possibilidade com a qual o clube trabalha é negociar mais uma parte dos direitos do jogador, viabilizando recursos financeiros para terminar o ano, mas com a garantia de que Rafael Coelho permaneça no Figueirense até o final da temporada.

Resta então torcer para que até o próximo dia 31 de agosto nenhum clube faça uma proposta de 3 milhões de euros. São sete dias. Cruzem os dedos e acendam as velas.

Atualização das 22h43:

Recentemente, o Figueirense recusou uma proposta da Energy Sports para adquirir os 60% que ainda pertencem ao clube.

12 perguntas para as quais não tenho resposta

  1. Onde foi parar a capacidade de montar boas equipes que caracterizou o Figueirense em anos passados?
  2. Por que o homem que demorou sete ou oito anos para parar de fazer bobagem na direção do clube é considerado como apaixonado pelo Avaí?
  3. Por que a direção do Figueira que passou sete ou oito anos acertando e começou a fazer bobagem de um ano para cá é considerada mercenária?
  4. Qual é o papel da imprensa na construção destas imagens?
  5. Por que a direção responsável pelo período mais vitorioso de toda a história do Figueirense é tão mal vista pelo torcedor alvinegro?
  6. Por que o torcedor alvinegro tende a desvalorizar os feitos do clube, considerando-os sempre pouco?
  7. Por que esta eterna insatisfação que constrói expectativas que dificilmente poderão ser atendidas pelo clube?
  8. Se o outro time da cidade não estivesse numa fase tão boa, estaríamos tão irritados com a nossa má fase atual?
  9. Dilema Tostines aplicado ao futebol: o time não se acerta porque chega um jogador por semana ou chega um jogador por semana porque o time não se acerta?
  10. Estas contratações a conta-gotas são para aplacar a ira da torcida ou há algum planejamento envolvido?
  11. Por que um clube é “escravo da parceria” quando as coisas vão mal, mas ninguém se lembra dessa “escravidão” quando tudo vai bem?
  12. Há algum outro jeito de se fazer futebol no Brasil que não seja se aliando a empresários que querem ganhar dinheiro vendendo jogador e efetivamente vendendo jogador para fechar contas?

A caixa de comentários esta aí. Quem quiser responder alguma das perguntas acima, fique à vontade. Quem quiser fazer outras, também fique.

As consequências de um time feito a prestação

Para a partida contra o São Caetano, o Figueirense não pode contar com vários jogadores afastados por problemas musculares. Pelos meus cálculos ficaram fora do jogo de ontem por causa disso: Wilson, Régis, Schwenck, Vinicius Pacheco e Jeovânio.

É um problema que afeta o Figueira desde o ano passado. A celeuma em torno da qualidade do trabalho do atual preparador físico já foi criada. Não tenho elementos e conhecimento para julgar o seu trabalho, mas creio que dois fatores são muito mais determinantes para o acúmulo de problemas nesta área: a pré-temporada curta demais e a formação de um elenco por etapas. Formação, aliás, que ainda não acabou.

O clube teve pouco menos de 15 dias para se preparar para o campeonato estadual. Um torneio com exagero de jogos por conta da mudança de fórmula, com jogos domingo-quarta-domingo praticamente do começo ao fim, com paradas apenas para a Copa do Brasil, competição da qual o Figueira também participava.

O correto era o Figueirense ter aguentado a bronca da torcida e ter começado a competição com um time B, enquanto preparava o elenco principal adequadamente. Os maus resultados precipitaram a estréia de alguns jogadores, o que já causou lesões musculares de saída. Régis e Pedrinho foram vítimas disso. Agora é a vez de Jeovânio.

Fica a lição para o ano que vem. Independente do resultado obtido na série B, o Figueira deve aproveitar a Copa Santa Catarina para preparar um time para começar o campeonato estadual, independentemente da ira ou da alegria da torcida no final deste ano. O exemplo de 2008 deve ser lembrado, quando nem se preparou o elenco principal adequadamente nem se obteve bons resultados. Mais vale começar mal e recuperar depois, com um time que tenha fôlego para isso, do que ficar com gente no estaleiro o tempo todo.

Passamos então ao problema número dois, provavelmente o mais grave: a montagem do elenco a prestação. Desde o ano passado que o Figueirense vem trazendo jogador a toda hora. Além dos evidentes problemas de entrosamento que isso ocasiona, é praticamente impossível ter jogadores no mesmo estágio de preparação física. As consequências estão aí para todo mundo ver.

No post Hora de acalmar, de 9 de junho, escrevi que “vejo que o Figueira é uma equipe em permanente construção desde o ano passado. Treinadores contestados, jogadores criticados, resultados ruins e mudanças a atacado. Não funcionou, como se viu, e agora é preciso assentar um pouco a poeira”.

Estamos entrando no final de agosto e a construção ainda não terminou. Com isso, o time ainda não está pronto, os jogadores ainda não estão prontos e o time não consegue apresentar um futebol regular e convincente. A construção vai ficar pronta quando?

Tem noite que é noite

Já fiz críticas ao técnico Roberto Fernandes e já pedi sua saída. Não posso, no entanto, responsabilizá-lo pela derrota desta sexta-feira por 2 a 0 para o São Caetano. Ele armou o time no esquema que devia armar, escalou quem devia escalar, substituiu quem devia substituir. Fez o que estava a seu alcance diante de tantos desfalques, mas não conseguia evitar a derrota.

O resultado, inclusive, foi pesado para o que o Furacão Alvinegro fez no jogo. Mesmo com um time inteiro de desfalques, o Figueira foi para cima, dominou a partida, desperdiçou diversas chances de gol, viu o goleiro Luís fazer um o outro milagre e não correu perigo na defesa.

Na fase atual do Figueira, no entanto, está faltando um pouco de tudo, um pouco mais de apoio da torcida, um pouco mais de qualidade, um pouco mais de calma, um pouco mais de sorte.

Assim, aos quatro minutos do segundo tempo, na primeira conclusão efetivamente a gol do São Caetano a bola entrou. Aí, num filme que se repete desde o ano passado, o time do Figueira entrou em parafuso e se perdeu em campo. Mesmo assim, a equipe paulista pouco perigo levou à meta alvinegra.

Mais para o final do jogo, o Figueira voltou a criar chances de empatar, mas continuou infeliz nas conclusões e aos 43 minutos, sofreu o segundo gol.

A situação é preocupante, mas, parodoxalmente, não é hora de desespero. Faltam 19 rodadas para terminar a série B e é plenamente possível conseguir o acesso. O problema, no entanto, é que o time se enrola justamente quando pode se confirmar como candidato inquestionável a uma das quatro vagas. O time precisa mais qualidade, mais tranquilidade, mais experiência para agüentar o tranco e conseguir enfileirar uma sequência de vitórias.

Notas avulsas

  • Não dá para entender porque a CBF escala um árbitro completamente desconhecido e inexperiente lá do Pará para apitar no Orlando Scarpelli. Ganhava quem berrava mais e o Figueira, por conta de sua inexperiência, anda berrando menos. O juizão errou em não expulsar o meia Eduardo Ramos que parou um contra-ataque dando um sarrafo em Lucas e já tinha amarelo. Depois, num gol perdido por Carlinhos, parece ter havido pênalti no jogador alvinegro, mas eu precisaria ver o lance na TV para dar uma opinião definitiva.
  • Um lance retrata a fase difícil que o Figueira vive. Marcelo bate uma falta lateral, manda a bola pro bolo dentro da área do São Caetano, a pelota passa por todo mundo, vai em direção ao gol, o arqueiro escorrega, cai estatelado no chão e a bola se aninha tranquilamente em seu peito. Ô, inhaca.
  • De qualquer forma, a bola parada do Figueira é uma lástima. Falta frontal à área e nada é a mesma coisa. Não há ninguém que bata bem. Acerte no gol ao menos. Os escanteios e faltas laterais também custam a dar em alguma coisa. A partir de certa altura do jogo, os batedores designados começam a fingir de mortos para se livrarem da incumbência. Nas raras vezes que a bola chega na cabeça da alguém, a conclusão é péssima. Ao menos, neste jogo foi.
  • O protesto da torcida ao final do jogo é perfeitamente compreensível e um direito que assiste ao torcedor. O que me impressiona é ver gente que passa a partida calada só se animar na hora de xingar o técnico, a diretoria e berrar que o time é sem vergonha. Tem torcedor que, se o time vence, entra mudo e sai calado do estádio.