“Depois de 17 jogos disputados na série B, volto a insistir: o Figueirense tem time para conquistar o acesso. O treinador é que dá sinais que não está à altura da tarefa”.
Foi assim que comecei um post anterior. Continuo com a opinião. Gostei do começo do trabalho de Roberto Fernandes no Figueirense e lhe fiz elogios públicos neste blog. Com sérias limitações de elenco, conseguiu terminar o campeonato estadual dando um padrão de jogo à equipe, reforçando o papel de Lucas, dando confiança a Rafael Coelho, que despontou como grande goleador depois da chegada do treinador.
A partir do momento que mais jogadores chegaram e o elenco passou a lhe oferecer mais opções, Roberto Fernandes começou a se complicar. O time oscila, custa a ter um bom padrão de jogo e a ganhar regularidade.

Que desta vez o navio não chegue tarde demais
O elenco do Figueira é um dos melhores da série B. Tem lacunas, tem deficiências, mas assim anda o futebol brasileiro, ainda mais na segunda divisão. Não há nenhum time concorrente do Furacão Alvinegro do qual se possa afirmar textualmente:“é muito superior ao Figueirense”. Nem Vasco, nem Portuguesa, nem Atlético-GO, nem ninguém – sobre a formação do elenco leia o post do Gigante Alvinegro.
A diferença está na organização tática, no espírito vencedor, na preparação física. O Figueirense não deixa a desejar a ninguém. Não deve enfrentar ninguém praticando o tal “futebol alegre”, faceirinho, todo aberto e exposto.
Não, ninguém quer isso. Mas não dá para entender por que temos que enfrentar rivais do quilate de Campinense e Bragantino com três zagueiros e três volantes; por que temos que armar um ferrolho, transferir a iniciativa de jogo para o adversário e nos limitar a vencer através de bolas esticadas para Rafael Coelho.
O Figueirense tem time para jogar mais do que isso. Parece, no entanto, que o técnico não acredita nesta possibilidade. “Série B é pegada”. Também, mas não só. Anote aí: no fim, os melhores times vão chegar. É assim na Champions League, na Libertadores, no campeonato inglês, na série A, B, C, D ou Z.
Aliás, é sempre assim em competições em pontos corridos, enquanto o mata-mata ainda reserva espaço para surpresas. Vão conquistar o acesso os times mais regulares, mais eficientes, mais equilibrados. E não há equilíbrio em se jogar com um meia, um atacante, quatro zagueiros, dois volantes de contenção e um segundo volante improvisado de lateral.
Na pior das hipóteses, o Figueira poderia ter conquistado sete pontos nos últimos três jogos e estar hoje dividindo a liderança com Vasco e Atlético-GO, com seis confortáveis pontos de vantagem do quinto colocado.
Não ganhou ponto algum e é o sexto colocado. Agora pega, fora de casa, um Duque de Caxias que, bom ou ruim, ganhou nove pontos em seus últimos três jogos. Depois pega um São Caetano em franca recuperação, com quatro vitórias consecutivas até a rodada da última terça-feira.
A situação fica mais complicada e a manutenção de Roberto Fernandes por mais um ou dois jogos pode significar ter que dar uma arrancada muito mais forte depois para recuperar os pontos perdidos.
Se, com tantos problemas, o Figueira está apenas a três pontos do G4, não é preciso muito consertar o que exige reparo. Insistir com Roberto Fernandes, no entanto, pode fazer com que a correção de rota chegue tarde demais.
Ilustração: Capa do disco Ship arriving too late to save a drowning witch, de Frank Zappa