Uma boa pedida e algumas leituras

  • O Meu Figueira está organizando e eu devo estar lá para acompanhar a partida contra o Bragantino. Clique aqui e veja os detalhes e como chegar ao bar em Coqueiros.
  • Roberto Fernandes escolheu a hora errada para dar pau na imprensa. Também errou ao avaliar que o alvo principal é ele. O que há é uma grande má vontade de alguns integrantes da crônica esportiva contra o Figueirense. Qualquer oportunidade é utilizada para dar pau no clube. Só que não tem faltado munição, muito por conta das invencionices do técnico. O Tainha faz algumas considerações sobre o assunto (clique aqui).
  • Já o Gigante Alvinegro dá dois exemplos desta má vontade monumental comentada acima. A primeira (clique aqui), eu também comentei no Figueira Cast. A outra é a desinformação (só isso mesmo?) sobre a ausência de Paulinho no jogo de sábado (clique aqui).
  • Já sobre o jogo desta noite contra o Bragantino, torceremos pela vitória durante a partida e, depois dela,  nos consolaremos, em caso de derrota, com a esperança de que as coisas vão melhorar com a demissão de Roberto Fernandes, como já disse o Henrique no pré-jogo do Meu Figueira.

Ele veio para confundir?

Roberto Fernandes mexe demais e time desperdiça pontos preciosos

Roberto Fernandes mexe demais e time desperdiça pontos preciosos

A sensação que passa é que Roberto Fernandes não arma o time preocupado com o resultado. O técnico monta equipe para, por um lado, satisfazer sua própria teimosia, e, por outro, com a intenção de bagunçar a cabeça do torcedor, confundir quem acompanha futebol, mexer com conceitos pré-estabelecidos.

Na derrota para o América neste sábado no Scarpelli, Fernandes provocou novamente o torcedor e colocou em risco o futuro do Figueira na competição. Depois de desperdiçar os 45 minutos iniciais com um 4-4-2 completamente infrutífero e sem criatividade, o técnico mexeu no time no intervalo. Tirou o meia Jairo e botou o zagueiro João Filipe em campo.

Qualquer um pensaria: voltou para o 3-5-2. Aí entra a sensação de que o técnico não veio para explicar, mas sim para confundir. Na verdade, João Filipe não entrou como zagueiro, mas sim como lateral. Lucas passou a fazer a função que era de Jairo.

O time continuou, portanto, no mesmo infrutífero 4-4-2 da primeira etapa. Melhorou um pouco no início do segundo tempo porque curiosamente João Filipe jogou melhor na lateral do que Lucas havia jogado e porque o mesmo Lucas jogou melhor do que Jairo na metade inicial da partida.

Depois de sofrer o gol, Roberto Fernandes estranhamente recuou João Filipe para fazer o terceiro zagueiro e posicionou Alê pela ala direita. Pela esquerda, o técnico já havia tirado Egídio e colocado o atacante Douglas por ali. Fernandes tinha Massari no banco. Não relacionou Anderson Pico para o jogo. Egídio fez um jogo ruim, mas havia melhorado um pouco no segundo tempo e poderia ser mais útil se o time passasse para o 3-5-2. Aí Fernandes bota um atacante no lugar dele para jogar como ala e não para se juntar aos outros dois avantes. É muita maçaroca para meu gosto.

No fim do jogo, o time foi para o abafa e quase consegue o empate. O problema é que o Figueira já tem limitações suficientes a enfrentar para ainda ter que dar conta das dificuldades impostas por seu próprio treinador. Com isso o time desperdiça seis pontos preciosíssimos em dois jogos perfeitamente vencíveis, que poderiam tê-lo levado a dividir a liderança com Atlético-GO e Vasco. Em vez disso, deixou o Figueira fora do G4 depois das duas derrotas.

O comentarista da Sport que fez o jogo em Campina Grande, Lúcio Surubim, havia matado a charada. Contra o Campinense, Roberto Fernandes havia armado o time num 3-3-3-1.

Havia uma linha formada pelos três zagueiros. Outra pelos três volantes. A terceira por três meias (Lucas, Fernandes e Vinícius Pacheco). Na frente, só Rafael Coelho. Não funcionou o jogo inteiro, mas o técnico foi incapaz de desmontar o esquema. Manteve tudo como estava até o fim.

É muita mudança. O time sofre com lesões e suspensões, mas o esquema de jogo não pode ser alterado tanto de um jogo para outro porque alguns atletas estão fora. Se um time em formação encontra um sistema de jogo que casa com as características de seus principais jogadores e funciona razoavelmente bem a maior parte do tempo, o negócio é insistir nele. Depois que este esquema estiver bem azeitado, se pode trabalhar alternativas.

O final do turno é um momento de reavaliação e de balanço. Nesta avaliação entra o trabalho do técnico também. A cada dia a resposta para a pergunta “Roberto Fernandes é o cara para comandar o Figueira de volta à serie A” se aproxima um pouco mais do não.

O Figueira vive um momento em que precisa de experiência, estabilidade e tranquilidade. Não parece encontrar estas características em seu treinador atual.

Para voltar ao G4

Depois das derrotas de Portuguesa e Guarani, o Figueira assume o terceiro lugar da série B se vencer o América-RN neste sábado no estádio Orlando Scarpelli.

O Figueirense é favorito, é superior, mas vai ter que demonstrar isso dentro de campo. Como fez, aliás, nos últimos jogos em casa, nas vitórias contra Fortaleza, Vila Nova e Brasiliense. Enfrentou times tecnicamente inferiores ou em momentos piores na competição, tomou a iniciativa do jogo, foi eficiente, sério e venceu.

É o que se espera da partida neste sábado. O mesmo bom futebol e o mesmo resultado das últimas partidas no Scarpelli.

A verdade que o Figueira tem oscilado bem menos dentro de casa do que fora. Depois de quatro vitórias nos últimas cinco partidas no Scarpelli, parece evidente que o Figueira superou em grande medida aquela ansiedade e tensão que vivia para fazer logo o resultado em seus domínios.

A despeito dos desfalques e das eventuais mudanças no esquema e na escalação que o técnico Roberto Fernandes promova, a expectativa é que a regularidade dos últimos jogos seja mantida e que o Figueira conquiste a vitória e termine a rodada em terceiro lugar.

Foto: Carlos Amorim/Figueirense

Um dos melhores entre os iguais

Tem hora que a gente esquece que não tem nenhuma maravilha de time nesta série B. Temos que ser realistas, o time do Figueira não é nenhuma Brastemp, mas não há um que seja nesta segunda divisão.

Estava vendo Portuguesa e Juventude na terça-feira e foi de assustar a apatia, a falta de criatividade e de alternativas que a Lusa demonstrou. Tomou um gol no começo do jogo em uma das poucas jogadas de ataque do time gaúcho e depois ficou cruzando bola alta para Edno e Felipe Gabriel, dois meias improvisados no ataque, disputarem na cabeça. Não podia funcionar. Aí o Juventude, cheio de desfalques e com o glorioso Jandson, ex-Avaí, como titular no ataque, se defendeu sem muitos sustos e segurou a inesperada vitória.

Bom para o Papo e bom para o Figueira. Com a derrota da Lusa, o Furacão Alvinegro depende apenas de si para voltar ao G4 no sábado, com uma vitória sobre o América. É mais motivação para a partida que vai acontecer no Scarpelli.

No frigir dos ovos, o Figueirense é um dos melhores entre os iguais que compõem esta série B. A campanha comprova. Só que, por um lado, não vai ganhar de ninguém se subir no salto. Ninguém nesta série B tem time para ganhar de outra equipe só no nome e na conversa.

Por outro lado, a autoconfiança da nação alvinegra anda abalada desde o ano passado. Aí qualquer tropeço é estopim para uma crise. Uma vitória no sábado já eleva o astral. Mantendo, no entanto, a cabeça fria e a certeza que ainda falta muito para chegar ao céu.

Não há o que inventar

Passadas 15 rodadas da série B, o Figueirense ainda não conseguiu repetir uma formação por duas partidas seguidas e ainda tem um jogador importante como Jeovânio por estrear. Depois, no entanto, de ver o time jogar todas estas partidas é possível dizer que não há mais o que inventar. O time tem um sistema tático, 10 jogadores titulares e uma dúvida.

O sistema é o 3-5-2. No momento, os titulares são Wilson; Toninho, Régis e Edson; Lucas, Carlinhos, Paulinho, Fernandes e Egídio; Rafael Coelho. A dúvida fica para o parceiro do artilheiro da série B no ataque.

Para a zaga são quatro jogadores do mesmo nível: João Felipe, Toninho, Régis e Edson. A preferência no momento é pelos três últimos, mas o primeiro pode entrar na vaga de qualquer um deles e manter o mesmo desempenho.

Nas alas, os titulares são Lucas e Egídio. Aí há um problema. Não há reserva para Lucas, a não ser por meio de improvisações. É uma deficiência a ser resolvida. Na esquerda, Anderson Pico tecnicamente é um dos melhores jogadores do Figueira. Poderia ser titular se estivesse 100% fisicamente – o fato de ainda não estar merece ser discutido em outra ocasião. Assim, Egídio fica com a vaga. Além de Pico, Massari é da posição. Edson pode ser improvisado numa alternativa mais defensiva. Vinícius Pacheco também pode jogar ali se o time tiver que ir para cima. A prioridade, no entanto, é para quem é da posição: Egídio, depois Pico.

No meio, quando Jeovânio estiver em boas condições físicas e técnicas, toma o lugar de Carlinhos sem discussão. Sem Jeovânio, Carlinhos é o titular. Paulinho faz a segunda função e Fernandes é o meia. Vinícius Pacheco pode entrar na vaga de Fernandes. Talvez possa ser testado no lugar de Paulinho, mas isso primeiro em treino.

Vinícius ainda pode ser testado ao lado de Rafael Coelho no ataque. Assim como Marcelo e Paulo Sérgio. Schwenck ainda está contundido. Está é a posição mais indefinida. Ninguém ainda mostrou futebol suficiente para se firmar.

Há jogadores no elenco que merecem ir para o fim da fila, principalmente no meio-campo, como Totó e Schmoller. Alê alterna bons e maus jogos, mas creio que está sendo prejudicado pela dança que Roberto Fernandes lhe impõe. O jogador vai de lateral direito num jogo, vai numa linha de três volantes em outro, vai de meia atacante numa terceira partida. Alê disputa posição com Paulinho e ponto. Se não joga um, joga outro.

Não há o que inventar. Mesmo oscilando tanto, o Figueira está em quinto lugar a um ponto do G4. Há espaço ainda para crescimento, afirmação e regularidade.

Passada a irritação por conta da péssima partida contra o Campinense, vale a constatação de que a campanha é boa e agora é pensar no América.

Rever a projeção ou manter a regularidade?

As projeções baseadas nas edições anteriores da série B em pontos corridos dizem que com 64 pontos um time garante o acesso.

Assim, o Figueira fatiou a competição em oito pedaços (seis de cinco jogos e dois de quatro). Em cada fatia deste, de 15 pontos disputados o time que ganhar oito, chegando aos mágicos 64 pontos.

O Figueira tem cumprido as metas até com certa sobra. Neste sábado, a série B completou sua 15ª rodada e o Furacão Alvinegro tem 26 pontos, dois a mais do que os 24 que seriam a meta depois de três etapas de cinco jogos cada uma.

Só que o Figueirense não está no G4 no momento. Mesmo com a média de 8,6 pontos conquistados a cada cinco partidas disputadas, o Alvinegro está em quinto lugar a um ponto da Lusa, quarta colocada.

A questão então é saber se os times acima do Figueira vão conseguir manter o ritmo ou vão cair de produção. Será preciso aumentar a meta ou mantendo esta toada o Furacão Alvinegro garante o acesso?

De novo, o único jeito de avaliar as possibilidades é recorrer aos campeonatos passados e comparar. É só projeção, estimativa, que só cabem em teoria, precisam de comprovação prática. Só saberemos, portanto, se vai funcionar no final do campeonato.

Ao conferir os números dos campeonatos disputados em pontos corridos, veremos que em 2008, o quarto colocado, Barueri, garantiu o acesso com 63 pontos. Na 15ª rodada, os quatro primeiros eram Corinthians (32 pontos), Barueri (27), Avaí (27) e Ponte Preta (26). O quinto colocado era o Juventude com 25 pontos e a situação era, portanto, muito parecida com a série B deste ano na mesma altura. Na classificação final, o Santo André garantiu o acesso no lugar da Ponte.

Em 2007, o quarto promovido para a série A foi o Vitória, que terminou a segundona com 59 pontos, bem abaixo dos 64 projetados pelo Figueira garantir o acesso. Na 15ª rodada daquele ano, o líder era o Criciúma com 33 pontos (terminou em 7º com 53 pontos), Marília vinha em segundo, com 26, o terceiro era o Coritiba, também com 26 e o Brasiliense estava em quarto lugar, com 25. Ao final, Criciúma, Marília e Brasiliense dançaram, cedendo suas vagas para Ipatinga e Portuguesa, além do já citado Vitória.

A primeira edição da série B em turno e returno aconteceu em 2006. O América-RN garantiu a promoção ao terminar com 61 pontos ao lado do Paulista, mas com mais vitórias (19 contra 17). Na 15ª rodada, o líder era o Avaí (27 pontos). Coritiba (26), Náutico (25) e Sport (23) completavam o G4. Avaí e Coritiba foram para as cucuias e Atlético-MG e Mecão tomaram suas vagas.

A princípio, portanto, a projeção é mais do que suficiente. A questão principal é analisar o desnível entre os primeiros classificados e os últimos. Considerando sempre a 15ª rodada, em 2006 a diferença entre o quarto e o 11º colocado era de apenas três pontos. Em 2007, era de cinco pontos. Em 2008, sete pontos separavam o quarto do 11º lugar. Em 2009, esta diferença aumentou para oito pontos.

O corte da classificação em dois grupos de 10 é aleatório, mas é uma boa referência. Se os times debaixo não conseguirem tirar pontos dos de cima, o aproveitamento para subir para a série A vai aumentar. Se, a exemplo desta rodada, Campinense, ABC e outros conseguirem vencer mais jogos, a projeção pode ser a atual.

O que é certo é que o Figueira não pode entregar jogos como fez contra Juventude e Campinense. Não há nada que obrigue a equipe a conquistar seu 64º ponto na última rodada do campeonato. É melhor atingir a meta três ou quatro rodadas antes e aí ou ir para a festa ou dar o sprint final.

Poderia ter sido pior

O prejuízo da derrota para o Campinense foi menor do que poderia. Neste sábado, a Ponte Preta tomou 3 a 0 do Brasiliense na Boca do Jacaré e o Ceará empatou com o Brasiliense Bragantino, também fora de casa. Só o Vasco venceu, com a ajuda de um pênalti para lá de Mandrake marcado no início da partida pelo árbitro Wilson Luiz Seneme – aliás, é simbólico: os jogos do Figueira são arbitrados por figuras da periferia do futebol brasileiro, que fazem sua primeira ou segunda aparição na série B. Já o Vasco tem a garantia de árbitros Fifa, principalmente quando joga fora de São Januário.

Voltando ao ponto do post. Como só o Vasco venceu, o Figueira perdeu apenas uma posição, caindo de quarto para quinto lugar. Se na rodada passada, dos sete primeiros classificados, só o Guarani não havia vencido – perdeu para a Lusa –, nesta rodada, só Atlético-GO e Vasco venceram.

O Figueira pode voltar ao G4 na próxima rodada, mas destes sete primeiros (Atlético-GO, Vasco, Guarani, Portuguesa, Figueirense, Ceará e Ponte Preta), Bugre – em Ipatinga – e o time de Goiânia jogam fora de casa. Este último no único confronto direto entre os sete, contra o Ceará, em Fortaleza. Todos os outros jogam em casa contra adversários classificados na parte debaixo da tabela.

O que interessa é vencer o América-RN. Se alguém mais tropeçar, ótimo. O que não pode acontecer é o Figueira dar outra bobeira.