Uma vitória exemplar

Contra o líder e melhor time da série B, o Figueira fez sua melhor apresentação no campeonato e obteve uma justíssima vitória por 2 a 1 sobre o Vasco em São Januário na noite desta terça.

Foi uma exibição para não deixar mais dúvidas: o Furacão Alvinegro está definitivamente na briga pelo acesso, para voltar à série A um ano depois da queda.

Foi uma aula de futebol. O primeiro tempo foi primoroso. Marcação por pressão na saída de jogo do Vasco, posse de bola, movimentação, toque de bola, erro de passe perto de zero – até os 19 minutos do primeiro tempo, o Figueira tinha errado míseros dois passes, mesmo com 60% de controle da pelota.

Assim, sem pressa, com inteligência e qualidade, o Figueira foi envolvendo o Vasco, criando chances de gol até fazer o primeiro numa cobrança de falta primorosa de Schwenck (quem diria…).

1 a 0 no placar e o time alvinegro continuou mandando no jogo. Criou chances de fazer o segundo até Fernandes assinalar mais um golaço. Gol de força, de raça, de talento, de técnica. Gol de Fernan10.

No segundo tempo, o Vasco veio para cima. No abafa, que é o jeito que a equipe sabe jogar. Muita bola parada, muito chuveirinho, muito tranco e .muito barranco. O Figueira se resguardou. Não tinha mais posse de bola, mas se defendia bem, sem deixar o Vasco criar muita coisa.

Tá na hora de Scarpelli cheio. Tá na hora da massa alvinegra mostrar seu valor

Tá na hora de Scarpelli cheio. Tá na hora da massa alvinegra mostrar seu valor

Até que, aos 38 minutos, o árbitro Leandro Vuaden inventou a falta mais mal inventada da história do futebol. No chuveirinho, o Vasco chegou ao seu gol, num dos raros momentos em que a defesa do Figueira deu bobeira, talvez até pelo inusitado da coisa: o juiz dá um escanteio sem a bola sair de campo, volta atrás e inventa uma falta no lance em que antes ele havia assinalado escanteio.

Menos mal, que o Figueira soube continuar bem postado, sem desespero, e manteve a vantagem no placar. Uma vitória merecida para uma exibição de gala.

Quem inventar desculpa para não ir ao Scarpelli no sábado merece apanhar de relho.

É jogo para casa cheia. Para recorde de público em Florianópolis em 2009. É jogo para empurrar o Figueira rumo à quarta vitória consecutiva.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Hora boa para cometer um crime

O Figueirense pega o Vasco nesta terça-feira em São Januário e, logicamente, o que vier é lucro. Não dá para cravar três pontos ganhos garantidamente, mas a derrota também não é certa. O Furacão Alvinegro tem sim condições de trazer uma vitória do Rio de Janeiro.

É fato que o adversário é o melhor time da série B e está não só com o acesso, mas com a mão na taça. Só que é consenso (clique aqui e aqui) que o time carioca não está jogando bem. Vence, mas não enche os olhos de ninguém.

O Vasco é um time fisicamente forte, que joga duro, marca com vigor, não dá espaço para o adversário. O ponto forte da equipe é a defesa. É o time menos vazado da série B, sete gols sofridos a menos que São Caetano e Ceará (16 a 23). Já o ataque é o quarto melhor, com 41 gols marcados, dois a menos que o Figueirense, que tem a segunda melhor artilharia da competição.

Então o jogo promete ser truncado. Coincidentemente, Leandro Pedro Vuaden volta a arbitrar o jogo, a exemplo do que ocorreu no primeiro turno no Scarpelli. Ele vai deixar o pau cantar? Se deixar, quem se beneficia?

O Figueira tem que fazer seu jogo. Por um lado, tem que acertar melhor o sistema defensivo que, apesar de não ter sofrido gol em Curitiba, passou por alguns maus bocados até se ajustar, jogando com três zagueiros novamente.

Por outro, tem que insistir no que fez bem contra o Paraná durante boa parte do jogo: botar a bola no chão, explorar os lados do campo com Lucas e Egídio, aproveitar a boa qualidade técnica de Fernandes e Maicon.

Pensando bem, este jogo, apesar de importante, é um respiro nesta sequência encrencada que o Figueira vem enfrentando. Perder não será um drama. Não estamos com a faca no pescoço, principalmente pelas vitórias sobre Ceará, Atlético-GO e Paraná.

Só que não dá para não ambicionar uma vitória. Um crime como o do ano passado em São Januário (vídeo abaixo), pode representar a entrada G4 ao final desta rodada. Não pegaremos uma baba de defesa toda arreganhada como o presente dado por Renato Gaúcho da última vez, mas ninguém ficará triste se o Figueira vencer de pouco…

Noite de San Jacques

O Meu Figueira realizada mais um Na Torcida com o Meu Figueira, no bar San Jaques, com sorteio de vários brindes. Confira os detalhes aqui e apareça.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=qzhtRyZnuqQ[/youtube]

Festa, show e passeio no Paraná

Festa da torcida, show do time e um passeio, tanto no sentido figurado como no literal, no e pelo Paraná.

O Tainha já contou como foi a viagem, que fizemos em muito boa companhia. E valeu ter ido ver um jogo do Figueira fora de Florianópolis depois de um bom tempo. A equipe deu provas que quer muito conquistar a vaga do acesso e que tem condições para tal. Foi uma vitória daquelas para mostrar para os concorrentes que o Furacão Alvinegro não esta aí para brincadeira.

Sempre comentamos neste blog que o Figueira tinha um dos melhores elencos da série B. Faltava tranquilidade, mais entrosamento, um ajuste no elenco aqui e ali, um pouco mais de experiência dentro de campo.

Lucas comemorar o terceiro gol e a fatura liquidada no Durival de Brito

Lucas comemorar o terceiro gol e a fatura liquidada no Durival de Brito

Com a chegada de Roberto Brum e Maicon, por exemplo, o Figueira ganhou mais qualidade no meio-campo. Brum está sendo muito importante para a equipe e Maicon fez uma boa estréia no jogo de sábado. Com Márcio Araújo no comando ganhou a tranquilidade que faltava e mais coerência na armação da equipe.

Jogo a jogo, o Figueirense encorpa, ganha confiança, reduz a quantidade de erros, joga melhor.

Contra o Paraná Clube, o time começou muito bem. Manteve a posse de bola, tomou iniciativa, rodou de um lado para o outro, mesmo sem conseguir ser muito incisivo.

Depois o Paraná equilibrou a partida e o Figueira, com dois zagueiros e três volantes, sofreu para conter as jogadas pelos lados de sua defesa. Só que o ataque do Paraná é limitado e o Figueirense tem um baita goleiro.

O gol de pênalti, ao fim de uma jogada belíssima entre Fernandes e Maicon e depois a entrada de João Filipe no lugar do contundido Diego Paulista deram uma consertada na postura da equipe.

No intervalo, Márcio Araújo deu uma corrigida no posicionamento, ajustou as linhas para matar o jogo no contra-ataque e a estratégia foi muito bem sucedida. O Figueira liquidou a partida antes dos 15 minutos do 2º tempo, com os gols de Egídio e Lucas. Depois o time se poupou, já pensando na partida contra o Vasco nesta terça-feira.

Foi uma tarde inesquecível. O Figueira parece estar finalmente entrando nos trilhos, pegando o caminho de volta à Série A.

A partida contra o Vasco não será fácil, mas o Figueira pode trazer um bom resultado de São Januário.

Estamos no páreo. É o que interessa.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Para quem não sabe como é (V)

Ganhar no Raulino de Oliveira, no Engenhão, em São Januário, no Luso Brasileiro não é para qualquer um. Ganhar no Maracanã, então, nem se fala.

O Figueira continua sendo o único time catarinense a vencer no Maracanã.

Outros, nem quando enfrentam a versão 2009 do América de Natal escapam da derrota.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=9IwDQN2-DOg[/youtube] [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=SkmZMJSZpEo[/youtube]

Pra cima, Figueira!

Vamos a Curitiba. A rodada começou boa para o Figueira, com a derrota da Portuguesa para o Brasiliense por 3 a 2 e o empate em zero a zero entre São Caetano e Ceará.

Agora, com uma vitória sobre o Paraná Clube neste sábado na Vila Capanema, o Figueira assume o 5º lugar e fica a dois pontos do quarto colocado, o Ceará.

Não vai ser fácil. A torcida, no entanto, promete estar presente em grande número no Durival de Brito para apoiar o time. Se dentro de campo o time mostrar o mesmo empenho e a mesma qualidade de jogo exibidos na vitória sobre o Atlético-GO, a vitória é bem possível.

E para fazer o esquenta, sugiro ouvirem o programa Campo Crítico na Rádio Guarujá a partir do meio-dia deste sábado. Este vos escreve vai estar lá dando seus pitacos sobre a situação do Figueira, junto com Tainha, Klaus Raupp, Polidoro Jr. e Paulo Branchi.

Pra cima, Figueira!

pracima

Notícias, delírios e participações

  • Ainda não se sabe qual formação e qual esquema de jogo o Figueira irá adotar na partida contra o Paraná Club e neste sábado. Rafael Coelho voltou ao DM. Jean Coral sentiu a coxa. Paulo Sérgio ou Marcelo são cogitados para fazer dupla com Schwenck. Eu, particularmente, preferia Vinícius Pacheco deslocado no setor e revezando com Fernandes na chegada ao ataque.
  • O velho conhecido e freguês Roberto Cavalo, que recém assumiu o comando técnico do Paraná Clube, tenta inflamar a torcida tricolor e a convoca para o jogo de sábado. O clube quer botar 10 mil na Vila Capanema no jogo contra o Figueira. Até agora o melhor público do Paraná foram os 8.766 torcedores presentes no jogo contra o Vasco. A média, no campeonato, é de 3.872 pagantes. Nesse sentido, vale a pena conferir a troca de figurinha do Gigante Alvinegro com um blog paranista para saber como eles estão encarando a partida.
  • O Paraná não deve contar com o meia Davi, emprestado pelo Avaí, que sentiu uma contusão e deve ser poupado. Na quinta-feira, o time treinou com Zé Carlos; Murilo, Élton, Montoya e Márcio Goiano; Adoniran, Luiz Henrique Camargo, João Paulo e Elvis (Luís Henrique Silveira); Rafinha e Wellington Silva. Zé Carlos é o goleiro ex-Criciúma. Márcio Goiano é aquele lateral que passou por aqui em 2006 sem deixar saudade.
  • Sinceramente, eu não consigo entender de onde saem balões tão ridículos como este da possível convocação de um jogador do Avaí para a Seleção Brasileira. Tem hora que a imprensa de Florianópolis parece seguir aquela orientação dada a parentes de uma pessoa que passou por um sério distúrbio emocional ou tem mesmo os parafusos frouxos: “o médico falou que é melhor não contrariar”.
  • Sabe quando um jogador em atividade num clube catarinense vai ser convocado para a seleção principal? Quando o Sargento Garcia pegar o Zorro. Por melhor que seja, o jogador só será convocado quando mostrar seu valor fora daqui, “num centro maior”, como dizem. Ou não é isso que está acontecendo com Filipe, André Santos e Cleiton Xavier?
  • Para que ignorar este fato, conhecido de qualquer um que acompanha futebol? E para que repercutir a possibilidade de se convocar jogadores que já ultrapassaram a idade de serem revelações há muitos anos, passando, inclusive, por clubes grandes sem nada fazer de relevante?
  • Hoje é a noite de secar a Portuguesa, que pega o Brasiliense fora de casa. E também torcer por um empate entre São Caetano e Ceará. Na pior das hipóteses, uma vitória do Sanca. Depois, é a vez do Figueira fazer a sua parte, como na rodada passada.
  • Como o Tainha já informou, tive o prazer de participar da gravação do programa Campo Crítico na Rádio Guarujá. Também participaram o conselheiro alvinegro e advogado Klaus Raupp e os radialistas Paulo Branchi e Polidoro Jr. O programa vai ao ar neste sábado ao meio-dia. Na pauta, a possibilidade de mudanças no modelo de gestão do Figueirense e o futuro do clube.
  • Eu vou a Curitiba. E você?

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Onde o Figueira gosta de jogar

Tirando o Scarpelli, Curitiba deve ser o lugar onde o Figueira obtem seus melhores resultados. Claro que estou excluindo a Ressacada,o salão de festas alvinegro, desta conta, porque, além de ficar na mesma cidade, o costume de ganhar dos avaianos já começa na juventude.

Em Curitiba, o Figueira venceu o Coritiba, Atlético-PR e Paraná Clube, sem preferência. Já obteve grandes resultados desde a primeira vez que esteve lá por uma competição nacional.

A pesquisa foi rápida, mas deve estar correta. A estréia do Figueirense em Curitiba por campeonatos nacionais ocorreu em 1975. No dia 8 de outubro daquele ano, o Figueira foi ao Couto Pereira (denominado então Belfort Duarte) e derrotou o Coxa por 2 a 1, gols do ponta esquerda Volmir e do volante Sérgio Lopes, vulgo Fita Métrica.

Depois de um bom período sem confrontos diretos, o Figueira voltou a Curitiba para enfrentar o recém criado Paraná Clube, fruto da junção de Colorado e Pinheiros, pela segunda divisão nacional de 1991. No dia 6 de fevereiro, nova vitória alvinegra, desta vez por 1 a 0.

A partir daí, o Figueira viveu mais um período de seca, quando peregrinou pela terceira divisão e em vez de enfrentar os grandes da capital paranaense pegava os pequenos do interior, como União Bandeirante, Rio Branco de Paranaguá e Batel de Guarapuava.

Mesmo assim, Curitiba estava no caminho do Figueira. Com a perda do mando de campo por três jogos, consequência das confusões no jogo contra a Francana, pela série C de 1996, o Furacão Alvinegro teve que mandar o primeiro jogo da semifinal da competição no segundo estádio do Paraná Clube, o Erton Coelho de Queiroz. A história já foi lembrada pelo Rafael Petry, do Máquina Alvinegra, e até merece um comentário mais detalhado em outro post. No dia 17 de novembro, seguido por centenas de alvinegros que saíram em caravana de Floripa, o Figueira derrotou o Botafogo, de Ribeirão Preto, por 2 a 0.

O hiato sem confonto com os grandes de Curitiba por campeonatos brasileiros acabou no início dos anos 2000. Em 2002, mais um confronto para ficar na história. Desta vez contra o Coxa.

Depois de ser condenado ao rebaixamento logo no início de seu retorno à série A depois de 23 anos de ausência, o Figueira iniciou uma grande recuperação sob o comando de Muricy Ramalho. Só que, uma sequência de quatro derrotas consecutivas (Juventude, São Caetano, Paysandu e Grêmio) fez a ameaça de queda ressurgir.

Na penúltima rodada da primeira fase, o Figueira foi ao Couto Pereira numa quarta-feira, para pegar um Coritiba motivado, que lutava por uma vaga entre os oito classificados para a segunda fase. Com menos de 30 segundos, no entanto, o Furacão Alvinegro abriu o placar. A equipe deu a saída, lançou o meia William pela direita e este deu um cruzamento primoroso para Thiago Gentil empurrar para o fundo das redes. Ainda no primeiro tempo, o meia Lúcio Flávio empatou, mas no segundo tempo, o Figueirense conquistou a vitória. Depois de uma cobrança de escanteio, o zagueiro Carlinhos marcou o segundo gol, num lance que é equivocadamente creditado a Thiago Gentil. Vitória histórica e permanência na primeira divisão assegurada com uma rodada de antecedência.

O Atlético Paranaense é o maior freguês alvinegro no estado vizinho. Em 2007, quebrou o tabu de nunca vencer o Figueira por competições nacionais. O curioso é que a escrita foi quebrada no Scarpelli, mas em Curitiba, o Atlético continua sem saber o que é vencer o Furacão Alvinegro.

Pelo campeonato brasileiro da série A, o Figueira conquistou grandes vitórias contra o rubronegro em Curitiba. Como os 2 a 1 em 20 de agosto de 2003, com gols de Luciano Sorriso e Felipe Oliveira, num jogo que o Figueira disputou com um atleta a menos por mais de 40 minutos por causa da expulsão do lateral direito Pedro.

No ano seguinte, nova vitória. Em 25 de abril de 2003, o Figueira foi à Arena da Baixada e passou o trator em cima do Atlético-PR. 3 a 0 com gols de Fernandes, Sérgio Manoel e Márcio Martins.

Outra grande vitória sobre o Atlético-PR ocorreu em 26 de novembro de 2006. O jogo foi no mesmo estádio da partida deste sábado, o Durival de Brito, já que o adversário cumpria punição e teve que jogar de portões fechados. No campo, mais uma aula alvinegra, 4 a 1 com gols do Chicão, Schwenck, Tucho e Fernandes.

Mais uma boa lembrança: a última vez que o Figueira enfrentou o Paraná Clube em Curitiba também foi marcada pela vitória. 2 a 1 em 12 de julho de 2007, pela série A, com gols de Henrique e Felipe Santana.

É mais um bom motivo para ir a Curitiba. Além de Floripa, não há outro lugar onde o Figueira costume se dar melhor. Vencer com uma grande presença da torcida alvinegra terá um gosto ainda mais especial.

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As sombras no futuro alvinegro

O anúncio feito na reunião do Conselho Deliberativo de que Paulo Prisco Paraíso e a Figueirense Participações deixam de comandar o futebol do clube no final do ano lança uma sombra pesadamente escura sobre o futuro do Furacão Alvinegro.

O Figueira, é certo, vai sobreviver. Como sobreviveu há 31 anos sem título estadual. Depois há mais 20. Como superou 23 anos longe da primeira divisão. Como passou por uma temporada na segunda divisão estadual. É um time de grande torcida, com quase 90 anos e profundamente arraigado nos usos e costumes da comunidade à qual deve a existência.

Como o Campos já escreveu no Blog dos Figueirenses, apesar dos erros do último ano e meio, esta gestão é a responsável pelo período mais ganhador da história do clube. A lista de conquistas é grande e de amplo conhecimento de todos.

Neste sentido, a saída me preocupa muito. Boa parte da torcida, num comportamento típico do torcedor alvinegro e do mané da Ilha, menospreza e minimiza essas conquistas. Trata de questioná-las e dizer que, no fim das contas, não foi nada tão grande assim.

Da minha parte, só queria saber: se era tão simples, por que ninguém conseguiu antes?

Espero então que surja outro grupo capaz de dar continuidade e ir além. A alternância de poder é saudável na maioria dos casos. A falta de renovação pode causar acomodação, gerar vícios na gestão e impedir a oxigenação das idéias e posturas. O problema é quando o debate a respeito destas mudanças, os questionamentos à determinada administração se dá com acusações levianas, irresponsáveis e de baixo nível.

Essas mudanças podem e devem ser implementadas de forma gradativa e inteligente. Uma das medidas para oxigenar o clube e permitir que se amplie a democracia e a transparência é garantir ao sócio-torcedor o direito a voto, como já abordou o Tainha. O que muda se tudo ficar nas mãos dos mesmos cinqüenta?

Por outro lado, me incomoda também que muitos daqueles torcedores profundamente indignados e furiosos que, inclusive, baixaram o porrete neste blogueiro quando postei o texto Os 90 minutos são sagrados, vão achar coisa melhor e mais recompensadora para fazer se o Figueira descer a ladeira.

Enquanto isso, o Degas aqui e mais um punhado de malucos irão penar nas arquibancadas em copas Santa Catarina e palpitantes competições do mesmo naipe.

Quem acompanha o Figueirense há 30 anos, do fundo do poço ao topo da montanha, não tem como não ter uma profunda dívida de gratidão com Paulo Prisco Paraíso e outros que o auxiliaram nesta empreitada. Não são perfeitos, não são deuses, não são infalíveis, mas me proporcionaram, como torcedor, momentos de alegria, orgulho e satisfação indescritíveis. Para a história é isso que fica. E este reconhecimento eles fazem por merecer.

Com mais calma e com a cabeça mais fria iremos retomar o assunto em breve.

No caminho de Curitiba

Dessa vez, tudo conspirou a favor. O Figueira fez sua parte na sexta-feira e os resultados lhe ajudaram no sábado.

O Furacão Alvinegro diminuiu a diferença para o Atlético-GO no confronto direto, o Vasco ganhou do Guarani e o Paraná derrotou o Ceará com um golaço de mão que vai dar pano para a manga. Além desses, outro resultado altamente favorável e inesperado foi a derrota da Lusa, como mandante, para o Ipatinga, em jogo em que o time vermelho e verde perdeu até pênalti.

O único que não ajudou foi o São Caetano, que venceu a Ponte Preta em Campinas. Só que o Sanca pega o Ceará na próxima rodada. Aí vai ajudar ganhando ou perdendo. Se empatar é melhor, mas se for para ter vencedor, é melhor ser o time do ABC, de quem o Figueira pode tirar pronto no confronto direto na última rodada.

O Rodrigo fez um excelente comentário no post sobre o jogo de sexta-feira. Nós, alvinegros, estamos fazendo contas e nos desanimando só de ver os resultados, a pontuação necessária e a sequência de jogos do Figueirense. Estamos ignorando os jogos dos outros e os confrontos diretos entre eles. Mais, estamos considerando que vai ser fácil para todo mundo, menos para nós.

Os resultados desta rodada mostraram que não. Portuguesa e Ceará perderam jogos absolutamente inesperados em casa. No caso do Ceará, o erro da arbitragem não explica tudo. O “Vovô” estava jogando mal antes de tomar o gol e se perdeu completamente depois, mesmo tendo 45 minutos para virar o resultado. Um time com tantos jogadores experientes não pode se descontrolar tão profundamente.

Vamos então ao que disse o Rodrigo, cheio de razão:

Ultimamente tenho visto na blogosfera certo pessimismo em relação ao acesso a serie A. Creio que isto seja decorrente dos 64 pontos estimados pelos campeonatos passados e tal. E quando se faz os cálculos para atingir essa pontuação a coisa realmente aperta. Teríamos que ganhar todas as partidas em casa e arrancar alguns pontos fora. Sabendo disso, parte da torcida fica descrente e já começa a amarelar.

A minha conta é um pouco mais simples, mas acho que ajuda a turma a se animar e provar que não é um bicho de sete cabeças nos conseguirmos o acesso. E claro que tudo passa pela apresentação de um bom futebol, tático e tecnicamente.

Se nosso objetivo é o acesso (eu sou um que não penso no titulo da Serie B), nossa meta é ficar com uma pontuação melhor que o atual 4º colocado (e não podemos esquecer que para isso nem precisamos ter 1 ponto a mais, basta uma vitória).

Atualmente essa equipe seria o Ceará, com quatro pontos de margem. Não é um absurdo imaginar um tropeço do Ceará contra Guarani, Atlético-GO, Portuguesa, São Caetano. Se analisarmos a tabela, Ceará, Atlético-GO e São Caetano têm os jogos pedreiras e ainda jogam entre eles mesmos. De jogo pedreira (olhando apenas a pontuação atual) temos apenas Vasco e São Caetano.

E enquanto digito este comentário, vejo que o Ipatinga ganhou da Lusa. Show de bola!!

Talvez a maneira de se pensar no acesso focando os 64 pontos seja um desestímulo ao torcedor. E daqui para frente nossa sequência de jogos “tende” a ser mais fácil que nossos concorrentes diretos.

Ainda tem muito jogos para acontecer.

Raro momento: Time e torcida em perfeita comunhão. Vamos repetir?

Raro momento nos últimos tempos: Time e torcida em perfeita comunhão. Vamos repetir?

É por isso que o Figueira tem que pensar jogo a jogo. Não vamos chegar aos 64 pontos (ou 66 ou 63 ou 60…) num jogo só. O negócio é pontuar no próximo.

E o próximo é pertinho, contra o Paraná. É em Curitiba onde o Figueira já obteve grandes resultados. É a oportunidade de darmos todo apoio ao Furacão Alvinegro e mostrar a força da maior torcida de Santa Catarina.

O Diego Tainha já divulgou os contatos para reservar vaga nos ônibus. O Meu Figueira também vai falar sobre o assunto. Reserve o seu lugar, organize a ida com amigos, faça o que puder para ir a Curitiba. É a hora de apoiar.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Ô, a torcida do Figueira voltou!

Foi uma vitória da raça, da superação, mas também do futebol bem jogado. Com o apoio incessante da torcida, o Figueirense superou as dificuldades iniciais da partida, virou o jogo e obteve uma grande vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-GO na noite desta sexta-feira.

Sim, o começo da partida foi de assustar. Um time perdido em campo, completamente bagunçado, que foi dominado pelo ajustadíssimo time do Atlético-GO, que fez um a zero e poderia ter feito mais.

Depois, no entanto, de algumas conferências e assembléias entre o técnico Márcio Araújo, o zagueiro Roger Carvalho e os volantes Roberto Brum, Diego Paulista e Paulinho, o time começou a se ajustar. A marcação melhorou e o Figueira foi empurrando o Atlético para trás.

Assim, Schwenck desperdiçou duas boas chances dentro da área, uma por cima e outra por baixo. Rafael botou uma bola na trave, no que seria um golaço depois de um grande passe de Fernandes. Egídio acertou uma falta no travessão. O Figueira tanto criou que chegou ao empate numa cobrança magnífica de falta por Schwenck.

No segundo tempo, o jogo foi mais truncado. O Atlético apelou para as faltas para parar o Figueira, sob a complacência do árbitro Cláudio Mercante. O Figueirense continuou insistindo. Rafael Coelho, Fernandes e Egídio poderiam ter marcado. Só aos 32 minutos, o time goiano criou uma chance de gol, com Wilson saindo muito bem nos pés do atacante.

De tanto insistir, o Figueira foi premiado novamente. Outra vez através de uma cobrança de faltas com Schwenck. A vitória veio, a torcida fez a festa e o Figueira mostrou virtudes que devem ser aprimoradas para as próximas rodadas.

No post de quinta-feira, lembrei os quatro mil alucinados que foram ao Scarpelli nos 4 a 3 sobre o Náutico no ano passado. Pois eles voltaram ao estádio nesta sexta-feira.  Sem vaias para o Figueira nem quando o momento era muito difícil e parecíamos caminhar para um desastre. Depois, vaiando incessantemente o time do Atlético.  Em vários outros momentos cantando e vibrando.  Foi bonito, foi emocionante e foi recompensador.

Na noite em que a torcida do Figueira voltou a ser a torcida do Figueira, coincidentemente o time alvinegro fez uma de suas melhores partidas no campeonato diante de uma das melhores equipes da Série B. E de virada ainda por cima, outra façanha para um time que não conseguia controlar seus nervos.

Tem que ser daqui para cima. Continua difícil, mas nada está perdido.