A tua glória é lutar

Outro dia, o Diego Tainha fez quase um tratado sobre o uso das estatísticas no futebol. Elas apontam uma tendência, com base no que aconteceu antes e apoiadas em alguns fatores utilizados para sustentar a análise. Só que, no futebol, as tendências podem ser revertidas.

Quais eram as chances de Geraldo perder aquele pênalti no sábado passado, considerando-se que ele havia convertido todas as seis cobranças que fez nesta série B? 15%, 30%, 5%?

Então não dá para entregar os pontos, jogar a toalha, ou seja lá o que for, com 14 jogos para disputar, com 42 pontos na mesa.

Ano passado, a entrega das toalhas por parte de boa parte da torcida começou cedo demais também. Contra o Náutico, na antepenúltima rodada, debaixo de muita chuva, foram quatro mil alucinados que apoiaram a equipe naquele jogo épico. Naquela ocasião, este blogueiro escreveu:

Há de se exaltar o espírito de quem foi ao Scarpelli. Estavam lá os que se recusam a jogar a toalha antes da hora. Os que estão com o time para o que der vier. O que se viu foi uma torcida apaixonada, que assim como o time, não se dobrou a todas as dificuldades que surgiram durante a partida. Apoiou, cantou, vibrou e festejou a vitória como há muito não se via. Nesta quinta-feira, o Figueira voltou a ser Figueira. Um time que não se rende, não se entrega. É esse espírito que a torcida quer ver nos últimos dois jogos do campeonato.

Depois, um bando de malucos foi ao Rio de Janeiro dar seu apoio e voltar comemorando a vitória sobre o Botafogo no Engenhão. Na última rodada, todo mundo embarcou na onda e 18 mil torcedores foram ao Scarpelli na vitória contra o Inter. Talvez se essa comunhão entre time e torcida, esse “Eu acredito” puxado então pelo Ziggy no Meu Figueira, tivessem ocorrido antes o pontinho salvador também teria vindo. Ninguém nessa hora esqueceu os erros cometidos durante o ano, as trocas de técnicos, as contratações equivocadas e tudo mais. Só que, apesar de tudo isso, todo mundo resolveu pegar junto.

Está certo. Você que está me lendo pode pensar: “lá vem esse mala com esse discurso de novo. Torcedor não ganha jogo”. Mas o que é torcer, além disso?

Torcer é não arredar pé do estádio na esperança que Caçapava faça um gol de canela. É ir ao estádio num sábado de calor insuportável na esperança de que o Figueira ganhe do Marcílio Dias por três gols de diferença ou mais e que o Criciúma vença o Blumenau fora de casa quando o empate classifica os dois.

Torcer é ter a confiança inabalável de que Abimael vai substituir o mesmo jogador durante a partida em dois jogos seguidos, entrar em campo e dois minutos depois fazer dois gols absolutamente iguais. É acreditar que o goleiro do Botafogo vai comer um frango inigualável quando o Cleiton Xavier chutar lá do meio da rua em pleno Maracanã. É saber no fundo da alma que o Figueira vai eliminar o Corinthians galáctico da Copa do Brasil nos pênaltis depois de vencer por 2 a 0 no tempo normal com gols de Rodrigo Poste e Bilu, depois de dois lançamentos absolutamente primorosos de Rudinei Buiú.

Como dizia o velho H. L. Mencken, “a fé é a crença ilógica na ocorrência do improvável”. Para quem já acreditou em tantas improbabilidades, milagres ou quase isto, não é esforço pensar que é possível alcançar a sequência que o JB Martins expôs num comentário no post anterior:

Temos 7 jogos em casa na sequência são:
ATL GO – BAHIA – JUVENTUDE – P PRETA – CAMPINENSE – BRAGANTINO – D CAXIAS , acho que tem 2 jogos ai complicados mas temos que vencer ATL GO e P PRETA, vencendo as 7 são 21 pts.
Temos fora de casa na sequência: PARANA – VASCO – FORTALEZA – V NOVA – BRASILIENSE – AMERICA e S CAETANO , se vencer 2 e empatar 1 são 7 pts no total 28 pontos com 36 pts. Total: 64 pontos. é o objetivo do FIGUEIRA acho que acertando o time e a torcida ir pra cima apoiando, tem uma vaga ai que vai ser nossa. Para termos uma ideia Serie B 2008, subiu Barueri na 4ª posição com 63 pts, em 2007 Vitória em 4º com 59 pts e 2006 foi o América com 61 pts.

Tudo está difícil. Nada está perdido. Que venha o Atlético.

eu_acredito_fernandes

Ainda é possível

Pode ser meu espírito renitente de torcedor, mas não consigo cravar que o Figueira não tem mais chances de subir para a série A. O tempo passa, o time não engrena, a distância aumenta, mas eu continuo acreditando que ainda dá, que é possível.

Claro que está difícil, que o time não inspira confiança, que em determinados momentos das partidas dá vontade de entregar os pontos. O time oscila demais, erra além da conta, toma gols idiotas, irrita para valer qualquer torcedor. Mas, no mesmo jogo, mostra lampejos de bom futebol, de qualidade, que poderiam durar bem mais com mais entrosamento, com um esquema de jogo bem definido, com os nervos no lugar.

Se eu fosse o técnico Márcio Araújo pegava o teipe do jogo e passava para os jogadores a partir do lance do gol do Lucas, o empate em 1 a 1, até o fim do primeiro tempo. É aquele futebol ali que o time tem que jogar. Fala para eles, Márcio: “rapazes, olha o que acontece quando vocês botam a bola no chão, jogam coletivamente, trabalham os lances. Saem umas jogadinhas bem legais, acontece até gol”.

Não temos um time definido, entrosado, corremos contra o tempo, mas ainda dá. A vitória contra o Atlético-GO na sexta-feira é fundamental, como havia sido contra o Ceará.

O Figueira merecia melhor sorte contra o Guarani. Não deu. Esse negócio, no entanto, só termina quando acaba.

E está longe de acabar.

Jogo curto

  • Fernandes fez outra exibição magnífica. Fez grandes jogadas, botou um belíssimo chute na trave, deu um passe de bicicleta para Lucas que foi uma coisa de cinema. Até uma furada inesquecível conseguiu dar num lance na entrada na área que poderia resultar no segundo gol. Se tivesse parceiros mais qualificados, o Figueira estaria nas cabeças. De qualquer forma, Fernandes melhora a cada jogo. Pelo menos isso.
  • Mais uma arbitragem medonha. Não marcou um pênalti descarado em Schwenck cometido por Bruno Aguiar num escanteio, um ippon que merece constar em manuais da modalidade. Depois descolou para o Guarani mais um daqueles pênaltis sem vergonha que povoam os jogos de futebol no Brasil, geralmente em benefício dos times da casa.
  • Carlinhos não desarma, comete faltas em excesso, erra passes aos montes. Jeovânio e Roberto Brum têm que entrar logo nesse time. Se não der, é melhor deixar Diego Paulista na posição.
  • De todos os zagueiros que o Figueirense têm, só João Filipe e Roger Carvalho têm velocidade. E só eles não fazem tanta lambança quanto Edson, Toninho e Régis.
  • Lucas, Egídio e Paulinho são jovens e precisam aprender que não dá para jogar o tempo todo do mesmo jeito. Tem hora para jogar a 100 por hora e hora para cadenciar o jogo. Tem momento para carregar a bola, tem momento para tocar de primeira. Alternar o ritmo é fundamental.

Jogo para pontuar

O Figueira vai a Campinas para encarar sua terceira parada indigesta em uma seqüência mais indigesta ainda.

Depois de perder para a Portuguesa, poucos dias depois de Márcio Araújo assumir o comando técnico, e de derrotar o Ceará, já com mais tempo de trabalho do novo técnico e apresentando um futebol de melhor qualidade, o Figueira pega o Guarani nesta noite de terça-feira.

É jogo para buscar ponto, melhorar a fase e se manter na briga pelo acesso. Não vai ser fácil, mas time por time, o Furacão Alvinegro não deve nada ao seu adversário. Só precisa se manter organizado, segurar os nervos no lugar e jogar com inteligência.

A vitória seria excelente. Reduzia a diferença com relação ao próprio Guarani, evitava que outros se distanciassem, aumentava a confiança e encaminhava um grande jogo contra o Atlético-GO na próxima sexta. Um empate, no entanto, não pode ser descartado. O fundamental é pontuar.

Ao vivo no San Jacques

natorcida

O Meu Figueira promove outra vez o encontro de torcedores no San Jacques, com sorteio de camisas e outros badulaques. Estaremos lá.

Fernandes é 10. É Fernandes e mais 10

A explosão não é mais a mesma, às vezes falta força ou velocidade para completar a jogada como a cabeça pensou, mas mesmo assim, depois de um ano afastado dos gramados, Fernandes é hoje o jogador mais importante do Figueira nesta série B.

Ele voltou e não se contundiu mais. Tem jogado seguidamente, 90 minutos quase sempre, em gramados pesados, sem se poupar. Além de fazer sua parte na armação e na conclusão das jogadas – já é o vice-artilheiro da equipe com seis gols –, ainda dá combate, ajuda na marcação, desarma e faz faltas quando preciso.

O Léo Estrella notou que Fernandes mudou e incorporou uma raça incomum ao seu repertório. E é verdade. As informações de dentro do clube dizem que o grande ídolo alvinegro tem trabalhado fora do campo para unir o grupo de jogadores, aparar as arestas e passar tranquilidade diante das dificuldades enfrentadas pelo elenco.

Dentro de campo, Fernandes já foi até suspenso por três cartões amarelos. Muitos interpretaram a pancada num adversário na partida contra o ABC como sinal do destempero que havia tomado conta dos jogadores e do clube.

Minha avaliação foi diferente. Depois de duas faltas a favor do Figueira não marcadas no mesmo lance, Fernandes deu a porrada e peitou o árbitro, que até ali deixava o time potiguar baixar o sarrafo sem medo. Depois da bronca, a torcida se inflamou, os jogadores começaram a reclamar e logo em seguida, o juizão sentiu a pressão e botou um jogador do ABC para fora.

Mas não é só na conversa e na malícia que o capitão alvinegro se destaca, com a bola no pé também faz a diferença. É fantástico vê-lo jogar com toques de primeira, virando o jogo, encontrando um companheiro completamente livre, dando sequência à jogada com inteligência e talentos incomuns.

A campanha do Figueira não está á altura das expectativas da torcida, mas, ouso dizer, que sem Fernandes a situação seria muito pior. A esperança e as chances de subir seriam bem menores.

Fernandes está fazendo tudo que pode e um mais um pouco para ajudar o Figueira a voltar à série A. Se o barco ainda não afundou é muito pelo esforço do 10 alvinegro. Se seus companheiros de equipe se espelharem em seu esforço, sua dedicação e no amor que ele demonstra ter ao que faz, o acesso ficará mais perto. Será um sonho muito mais possível.

Para fechar, veja a entrevista que Fernandes concedeu depois da vitória sobre o Ceará no último sábado (disponibilizada pelo site Infoesporte). Vale a pena.

Foto: Carlos Amorim/Figueirense

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=x_RDdoZssdI[/youtube]

“Que a chuva traga alívio imediato”

Em post anterior, o alvinegro Fernando deixou um comentário com um levantamento animador antes do jogo, que foi confirmado, mesmo com muito sofrimento, depois da partida.

Dizia o Fernando:
“Sábado é dia de jogo, de Scarpelli, de vencer” …e de chuva. minha capa já tá até indo sozinha.

Jogos do Figueira com chuva:
Figueirense 3×0 Ipatinga
Figueirense 1×1 Vasco
Figueirense 3×1 Fortaleza
Figueirense 3×1 Vila Nova
Figueirense 3×1 Brasiliense

Jogos sem chuva:
Figueirense 1×2 Portuguesa
Figueirense 0×1 Guarani
Figueirense 1×0 Paraná
Figueirense 0×1 América-RN
Figueirense 0×2 São Caetano
Figueirense 1×0 ABC

Com chuva: 4 vitorias e 1 empate

Depois da vitória sofrida, molhada e suada desta tarde de sábado, são cinco vitórias, com bem lembrou o próprio Fernando em comentário ao final da partida. Então que venha chuva até o final da série B. Só não precisa chover todo dia, como agora. Pode chover só no dia do jogo, para evitar que Santa Catarina vá por água abaixo.

O jogo da virada?

O torcedor alvinegro aguarda por aquele jogo que represente o ponto de virada, o divisor de águas.

Por toda a carga de dramaticidade que marcou a vitória sobre o Ceará, este sim pode ser o jogo da virada, da reação definitiva na série B.

Na estréia de Márcio Araújo no Scarpelli, o Figueira começou bem a partida e dominou todo o primeiro tempo. Diego Paulista e Paulinho dominavam o meio-campo, o time buscava o jogo. Mesmo a péssima atuação de Régis na zaga ameaçava o domínio alvinegro. O Ceará pouco ameaçava e o Figueira rondava a área adversária o tempo todo.

O empenho foi premiado com o gol de Schwenck ao final do primeiro tempo, num lance de bola parada finalmente bem executado pela equipe.

PC Gusmão fez duas substituições no intervalo, mas antes de se ver o que ele queria, Fernandes fez 2 a 0. O Figueira continuava mandando no jogo. Logo em seguida, Paulo Sérgio perdeu a oportunidade de fazer o terceiro num lance cara-a-cara com o goleiro.

Só que o Ceará, time experiente, foi se assentando em campo e para começar a dominar de vez o jogo teve a ajuda de Márcio Araújo, que substituiu o contundido Paulinho por Anderson Pico. Assim, Lucas foi para o meio-campo e o Figueira abriu um vão na intermediária, onde apenas Diego Paulista dava combate.

Aí foi bola na trave, defesas e mais defesas de Wilson, até o gol de Geraldo. O sufoco parecia que ia aumentar, mas o Ceará teve dois jogadores expulsos em um curto intervalo e tudo poderia ficar mais tranqüilo.

Poderia. Porque o Figueira ainda não tem controle de seus próprios nervos. Mesmo com dois a mais, o time nem resolveu o jogo fazendo o terceiro nem tocou a bola para fazer o tempo passar.

Aí o Ceará descolou um escanteio e Régis cometeu um pênalti para coroar uma das piores atuações de um jogador alvinegro que me recordo de ter visto no Scarpelli.

Quando tudo parecia ir para o espaço e este blogueiro pensava em como contar o jogo em que o Figueira deu adeus ao acesso de uma forma absolutamente bizarra e bisonha, eis que Geraldo resolve dar aquela força e bater o pênalti para fora, com Wilson já caído no canto oposto.

Delírio no Scarpelli. Estamos na parada. Quem sobreviveu ao jogo de hoje, está com a saúde em dia. E vamos para Campinas, que essa briga só começou.

Sábado é dia de jogo, de Scarpelli, de vencer

Sábado é dia de jogo. De jogo para vencer. Para mostrar que os 10 dias de trabalho em Águas Mornas foram produtivos, que o técnico Márcio Araújo já conseguiu implantar um pouco de sua filosofia.

Sábado é dia de vencer o jogo. É dia de o time puxar o apoio a torcida, mostrar a ela que tem condições de brigar pelo acesso, que erra quem diz que vai jogar a toalha.

Sábado é de dos jogadores começarem a injetar confiança de volta no torcedor, mostrar a ele do que os atletas são feitos, de que vale a pena acreditar no Figueira.

Sábado é dia de vencer o jogo. De fazer expirar a validade de PC “Leite de Caixinha” Gusmão, nosso conhecido do fatídico ano passado. De fazer o Ceará começar a entrar em parafuso e sair da nossa frente.

Sábado é dia de ganhar a partida. De mostrar que se um time que tem Lopes de goleiro, Fábio Vidal na lateral e Wellington Amorim no ataque está no G4, o Figueira também é capaz.

Sábado é dia de reagir no campeonato, de voltar a vencer, de começar uma nova fase, reviver grandes momentos, mostrar a força da tradição e da garra alvinegras.

Sábado é dia de não se importar com tempo ruim. É dia de ir ao Scarpelli. De torcer pelo Figueira. Sábado é dia de vencer.

Time vai ter que ficar mais casca grossa

Nos comentários aqui e em outros blogs alvinegros, volta e meia os torcedores questionam a qualidade do time do Figueirense.

O time, de fato, não é nenhuma Brastemp, mas tem qualidade técnica suficiente para conquistar o acesso. Não há nenhuma grande equipe nesta série B e o Figueirense não fica a dever a nenhuma.

Alguns erros, obviamente, complicaram a campanha, como a insistência por tempo além do recomendado em Roberto Fernandes e a demora para suprir algumas carências do elenco, numa montagem de grupo que ainda não acabou, por incrível que pareça.

O problema maior, no entanto, reside na baixa média de idade do elenco, como bem lembrou meu amigo Tadeu Meyer, já citado pelo Tainha em seu blog (clique aqui).

A situação foi agravada pelas contusões de vários jogadores mais rodados, como Régis, Jeovânio, Schwenck e Clodoaldo, entre outros.

Assim, num momento crítico, o Figueira entrou na derrota contra o São Caetano com apenas três jogadores com mais de 22 anos entre os 11 que começaram o jogo: Toninho (28 anos), Carlinhos (25) e Fernandes (31). Durante o jogo, Marcelo (26) também foi a campo.

Na partida seguinte, o empate contra o Ipatinga, fora de casa, a situação até piorou. Toninho foi substituído por João Filipe, de 20 anos. Só Carlinhos e Fernandes começaram o jogo.

No auge da crise, com o clima pesadíssimo que cercou o jogo contra o ABC, o mesmo problema. No time titular, Toninho, Carlinhos e Fernandes. Marcelo entrou durante o jogo e fez o gol da vitória. Assim como na partida contra o São Caetano, Egídio, com apenas 23 anos, mas bem mais rodado, foi substituído por Massari, 19 anos, e que estreava no time titular numa fogueira danada.

Disputando uma competição recheada de times formados por diversos veteranos e tendo que enfrentar uma pressão grande dentro de casa, precisando conquistar a confiança de uma torcida que anda pouco tolerante e paciente, essa juventude está cobrando um preço muito alto.

Em outros tempos, mais tranqüilos, quando os jogadores ficavam mais tempo no clube, era possível ir formando um bom time ao longo de dois ou três anos. Num ano puxava dois ou três dos juniores, no ano seguinte mais um ou dois, trazia dois ou três de outros times, somava os que já estavam na casa e aí entrosando até ter um time que se conhecia de olhos fechados. Agora, não há tempo para isso. O time é montado e às vezes remontado no mesmo ano.

A garotada do Figueira vai ter que ficar com a casca grossa mais rapidamente. Os mais experientes vão ter que parar de fazer bobagem como fez Jeovânio no último jogo. A torcida vai ter que deixar as broncas para mais tarde e apoiar.

Este jogo de sábado, contra o Ceará, é o primeiro de uma sequência complicada e decisiva. A vitória vai ter que vir.

Os plantadores de Coelho

O Figueirense e o atacante Rafael Coelho conseguiram belas parcerias ao se juntarem à empresa Energy Sports e ao empresário Marcos Paulo, respectivamente, em negócios e gerenciamento de carreira.

A Energy Sports se superou na plantação de notícias, tentando empurrar, literalmente, o jogador para qualquer clube europeu. O Campos, do Blog dos Figueirenses, já havia tratado bem da questão (clique aqui), embora tenha centrado as críticas ao empresário. Além dele, a Energy, detentora de 40% dos direitos econômicos do atleta, forçou a barra e expôs o jogador à desagradável rejeição pública, ao ser divulgado, pelo meia-boca Gronigen do atualmente meia-boca futebol holandês, que Coelho “não era bom o suficiente” para jogar naquele clube.

Curioso ainda notar que diversos meios de comunicação embarcaram alegremente na onda da Energy e noticiaram que, contra o Ipatinga, o artilheiro alvinegro fazia sua última partida pelo Figueirense. Ele jogou mais duas vezes depois daquela partida, mas não li retratação em lugar algum.

Foi a vez, então, do empresário Marcos Paulo entrar em cena. Primeiro no que me pareceu uma tentativa de limpar a barra do jogo jogador, com uma ladainha sobre o desejo de Rafael Coelho permanecer no Figueirense. Até aí tudo bem. Se era para ajudar o atleta e evitar arestas com a torcida, ótimo.

Rafael Coelho: ué, sua última partida contra o Figueira não era contra o Ipatinga?

Treino de sexta-feira no CT: ué, última partida de Rafael Coelho não era contra o Ipatinga?

Só que Marcos Paulo não soube ficar quieto e voltou à tona pra dizer que é hora de Rafael Coelho sair. Foi assim que manchetearam alguns sites (clique aqui). Ao ler o texto, percebe-se que o empresário fala em saída no final do ano, depois da série B.

Se é para o fim de 2009, por que falar nisso agora e fazer mais marola? O jogador já parou de fazer gol e claramente tanta especulação e exposição mexeram com sua cabeça. Para que voltar a falar em transferência e tocar num assunto que só se resolverá no final do ano?

Por outro lado, é preciso ser justo. Tudo que este blog conseguiu de informação junto à diretoria do Figueirense (clique aqui) se confirmou nas semanas seguintes.

Em nenhum momento, a direção do clube afirmou taxativamente que não venderia Rafael Coelho. No post que publicamos no dia 24 de agosto, foi dito que:

1. Não havia proposta oficial por Rafael Coelho, o que foi confirmado na sequência do noticiário.

2. O clube não tinha interesse em negociar o jogador agora. Entendia que ele tinha mais importância técnica do que financeira no momento.

3. Mesmo não querendo se desfazer do atleta, o clube seria obrigado a aceitar uma proposta de 3 milhões de euros, dos quais 1,8 milhão (60%) caberiam ao Figueirense. Na nota do FutebolSC, o empresário afirma que o clube pediu 3 milhões de euros, mas o máximo oferecido foi 1,8 milhão, o que renderia pouco mais de um milhão de euros para o clube.

4. O Figueirense também estudava uma alternativa para fazer caixa para o resto do ano, vendendo mais uma parte dos direitos do jogador, mas mantendo-o no Scarpelli até o fim da temporada. A notícia da negociação com a Traffic também confirmou esta informação.

O registro está feito. Modestamente, tudo que aconteceu você ficou sabendo antes aqui. Além disso, a diretoria do clube jogou absolutamente limpo quando prestou as informações ao blog.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Para quem não sabe como é (IV)

Já estava com saudade de nossa série preferida. Como, no entanto, certas coisas são para poucos, ela está de volta.

Bater o Inter, coisa inédita para o time do Sul da Ilha, é algo comum para o Figueira. Até com time prestes a ser rebaixado, o Furacão Alvinegro bate o Colorado gaúcho. Aliás até com o time da série B, o Figueira ganha do Inter.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=6vrymg-hCJw[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=TaXRXt1Plcg[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Aa5tIKySBsc[/youtube]

O catálogo completo de erros

Se o técnico Márcio Araújo queria uma oportunidade de observar in loco todos os problemas que afetam o time do Figueirense a teve na derrota por 3 a 1 para a Portuguesa na Arena Barueri na noite desta terça-feira.

Logo de cara, uma falta na intermediária do ataque a favor do Figueira que vira um contra-ataque para o adversário, pegando a defesa mal posicionada e resultando em gol com menos de um minuto de jogo.

Depois disso, Araújo viu um time apático, estático, que mesmo jogando com três zagueiros e dois volantes, permitia amplos espaços à frente da área para o adversário concluir de média e longa distância.

Pode observar ainda uma equipe que só saía jogando no chutão, deixando os atacantes à míngua. No quesito criatividade, quase nota zero. O time dependia exclusivamente dos lampejos de Lucas e Egídio em jogadas individuais. E dá-lhe carregar a bola por metros e metros sem contar com a aproximação de nenhum companheiro ou sair driblando a esmo até ser desarmado ou, na melhor das hipóteses, descolar uma falta.

Quando o Figueira conseguiu finalmente fazer sua primeira jogada trabalhada e concluir pela primeira vez em gol, já lá pelos 26 minutos de jogo, chegou ao empate com Egídio, aproveitando a avenida aberta na defesa da Portuguesa.

A partir daí, o jogo entrou numa fase estranha, com as duas equipes fazendo um esforço danado para não vencê-lo. Primeiro Lucas entrou na cara do goleiro e não concluiu em gol, preferiu passar para Paulo Sérgio. Só que errou na força e esticou a bola demais. Aí foi a vez do bandeirinha completar a lambança, assinalando um impedimento inexistente, já que o atacante alvinegro estava atrás da linha da bola no momento do passe. Assim, o gol da virada foi desperdiçado da maneira mais bisonha possível.

Em seguida, foi a vez de Jeovânio ser expulso infantilmente depois de tomar um cartão amarelo também infantil. É inadmissível que um jogador experiente como ele cometa um erro indigno até de um juvenil.

Assim, em menos de três minutos, o Figueira conseguiu botar suas chances de vencer o jogo no lixo. Três minutos depois, o caseiro árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, que fazia sua terceira partida na série B – é proibido para o Figueirense ter árbitro que não esteja em fase de experiência – descolou um pênalti mandrake para a Lusa num lance em que a bola bateu no braço do zagueiro Toninho.

Wilson fez mais um de seus milagres e pegou o pênalti, mas a exemplo do ano passado, os milagres da muralha alvinegra são insuficientes para tirar o time do atoleiro.

No segundo tempo, mais um gol sofrido logo de cara sepultou as chances do Figueira na partida. Uma defesa insegura com jogadores muito mal individualmente, falta de criatividade no meio-campo e sem opções para mudar o jeito do time jogar, completaram o desempenho do Figueira no segundo tempo.

No fim, o juizão – onde a CBF consegue arrumar essas criaturas? – conseguiu não dar um pênalti absurdamente claro em Rafael Coelho. Foi praticamente um golpe de capoeira na linha da pequena área. Não ia mudar muita coisa, só diminuir o placar, mas mostra como a arbitragem brasileira é ruim e covarde. Sem comentar a diferença descabida nos critérios de distribuição de cartões.

Márcio Araújo vai ter trabalho. Vai ter que usar muito bem estes 11 dias até o jogo contra o Ceará para injetar litros de confiança nos jogadores, para fazer o time começar a jogar finalmente como um time, preparar alguma jogada ensaiada, obrigar a equipe a defender e atacar em bloco, sem dois quilômetros separando o ataque da defesa.

A diretoria, por sua vez, vai ter que fechar este elenco de uma vez por todas, o mais rápido possível. Um lateral, um meia e um atacante são fundamentais. Também tem que dar um trompaço na CBF, fazer a torcida saber que deu um trompaço, e cobrar que os jogos do Figueira sejam dirigidos por árbitros dignos do nome.

Dentro e fora de campo, esta é a oportunidade de consertar, enfim, uma boa parte do que está errado e preparar o elenco, o clube e a torcida para fazerem uma campanha de recuperação. É a única maneira do Figueira voltar à série A em 2009.