Outro dia, o Diego Tainha fez quase um tratado sobre o uso das estatísticas no futebol. Elas apontam uma tendência, com base no que aconteceu antes e apoiadas em alguns fatores utilizados para sustentar a análise. Só que, no futebol, as tendências podem ser revertidas.
Quais eram as chances de Geraldo perder aquele pênalti no sábado passado, considerando-se que ele havia convertido todas as seis cobranças que fez nesta série B? 15%, 30%, 5%?
Então não dá para entregar os pontos, jogar a toalha, ou seja lá o que for, com 14 jogos para disputar, com 42 pontos na mesa.
Ano passado, a entrega das toalhas por parte de boa parte da torcida começou cedo demais também. Contra o Náutico, na antepenúltima rodada, debaixo de muita chuva, foram quatro mil alucinados que apoiaram a equipe naquele jogo épico. Naquela ocasião, este blogueiro escreveu:
Há de se exaltar o espírito de quem foi ao Scarpelli. Estavam lá os que se recusam a jogar a toalha antes da hora. Os que estão com o time para o que der vier. O que se viu foi uma torcida apaixonada, que assim como o time, não se dobrou a todas as dificuldades que surgiram durante a partida. Apoiou, cantou, vibrou e festejou a vitória como há muito não se via. Nesta quinta-feira, o Figueira voltou a ser Figueira. Um time que não se rende, não se entrega. É esse espírito que a torcida quer ver nos últimos dois jogos do campeonato.
Depois, um bando de malucos foi ao Rio de Janeiro dar seu apoio e voltar comemorando a vitória sobre o Botafogo no Engenhão. Na última rodada, todo mundo embarcou na onda e 18 mil torcedores foram ao Scarpelli na vitória contra o Inter. Talvez se essa comunhão entre time e torcida, esse “Eu acredito” puxado então pelo Ziggy no Meu Figueira, tivessem ocorrido antes o pontinho salvador também teria vindo. Ninguém nessa hora esqueceu os erros cometidos durante o ano, as trocas de técnicos, as contratações equivocadas e tudo mais. Só que, apesar de tudo isso, todo mundo resolveu pegar junto.
Está certo. Você que está me lendo pode pensar: “lá vem esse mala com esse discurso de novo. Torcedor não ganha jogo”. Mas o que é torcer, além disso?
Torcer é não arredar pé do estádio na esperança que Caçapava faça um gol de canela. É ir ao estádio num sábado de calor insuportável na esperança de que o Figueira ganhe do Marcílio Dias por três gols de diferença ou mais e que o Criciúma vença o Blumenau fora de casa quando o empate classifica os dois.
Torcer é ter a confiança inabalável de que Abimael vai substituir o mesmo jogador durante a partida em dois jogos seguidos, entrar em campo e dois minutos depois fazer dois gols absolutamente iguais. É acreditar que o goleiro do Botafogo vai comer um frango inigualável quando o Cleiton Xavier chutar lá do meio da rua em pleno Maracanã. É saber no fundo da alma que o Figueira vai eliminar o Corinthians galáctico da Copa do Brasil nos pênaltis depois de vencer por 2 a 0 no tempo normal com gols de Rodrigo Poste e Bilu, depois de dois lançamentos absolutamente primorosos de Rudinei Buiú.
Como dizia o velho H. L. Mencken, “a fé é a crença ilógica na ocorrência do improvável”. Para quem já acreditou em tantas improbabilidades, milagres ou quase isto, não é esforço pensar que é possível alcançar a sequência que o JB Martins expôs num comentário no post anterior:
Temos 7 jogos em casa na sequência são:
ATL GO – BAHIA – JUVENTUDE – P PRETA – CAMPINENSE – BRAGANTINO – D CAXIAS , acho que tem 2 jogos ai complicados mas temos que vencer ATL GO e P PRETA, vencendo as 7 são 21 pts.
Temos fora de casa na sequência: PARANA – VASCO – FORTALEZA – V NOVA – BRASILIENSE – AMERICA e S CAETANO , se vencer 2 e empatar 1 são 7 pts no total 28 pontos com 36 pts. Total: 64 pontos. é o objetivo do FIGUEIRA acho que acertando o time e a torcida ir pra cima apoiando, tem uma vaga ai que vai ser nossa. Para termos uma ideia Serie B 2008, subiu Barueri na 4ª posição com 63 pts, em 2007 Vitória em 4º com 59 pts e 2006 foi o América com 61 pts.
Tudo está difícil. Nada está perdido. Que venha o Atlético.


