Confesso que quando o técnico Roberto Fernandes foi demitido do Figueirense, o nome de Márcio Araújo como substituto não me passou pela cabeça. Não lembrava que ele havia trabalhado na campanha do acesso do Barueri em 2008 e o profissional nunca me chamou a atenção. A não ser pelo gel no cabelo e pelo perfil de pastor evangélico.
Quando ele chegou, muitos comentaram que ele poderia trazer calma e tranquilidade para um elenco muito jovem e com a confiança abalada pelos maus resultados, pela cobrança da torcida e pelo estilo explosivo e belicoso de Roberto Fernandes.
Certo. Seria uma boa coisa pacificar o ambiente. Eu sempre disse que o Figueira tinha um dos melhores elencos da série B, mas precisava de ajustes para render mais. Um técnico mais aglutinador e que fizesse um feijão com arroz sem enfeite poderia ser o que o time precisava.
Só que daí, Márcio Araújo subiu no meu conceito na entrevista coletiva depois da partida contra o Atlético-GO no Scarpelli. O time começou mal, sofreu o gol, mas reagiu, teve bons momentos, conseguiu a virada e obteve um resultado importantíssimo.
Na coletiva, Araújo elogiou o empenho dos jogadores, mas destacou que havia muito o que melhorar. Mais do que isso. Disse algo que este modesto blogueiro vinha dizendo desde antes o início da série B: é sempre a qualidade que ganha campeonatos. Seja em que competição for, ainda mais por pontos corridos.
O novo técnico alvinegro ressaltou que a série B tem seu estilo, exige pegada, força, mas também exige qualidade para vencer jogos. E é o que ele vem pondo em prática desde que chegou. O time começou a querer jogar, a botar a bola no chão, a mostrar mais qualidade, mais talento, mais criatividade.
Claro que Márcio Araújo não inventou todas essas virtudes. É óbvio também que alguns jogadores importantes chegaram junto com ele, como Roberto Brum, além do retorno de outros vindos de contusão, como Schwenck. As virtudes, no entanto, estavam lá e o treinador conseguiu montar um esquema de jogo capaz de aproveitá-las.

Uma pesquisa nos arquivos deste blog vai revelar que elogiei bastante Roberto Fernandes. De fato, ele começou bem, principalmente quando tinha poucas opções. Depois foi se perdendo e cometendo equívocos.
O principal foi convencer o elenco e dirigentes do Figueira de que a série B se resumia à pegada, balão para frente e correria. Ou, ao menos, de que com os jogadores que o Figueirense tinha o time só podia jogar desse jeito.
Márcio Araújo mudou isso. É o melhor técnico que o Figueira já teve? Está acima da média? Não e não. Já cometeu erros, inclusive. Viu, porém, que o elenco possuía jogadores para ter um desempenho bem melhor e está trabalhando para isso. Os números comprovam que está funcionando.
Alvinegras
- Rafael Coelho viajou e deve começar no banco. João Filipe continua afastado por problemas familiares. Jeovânio pode ser mantido como titular. O que Márcio Araújo vai querer manter, acreditamos, é a estrutura tática do time, começando no 3-6-1.
- Os times de Goiânia buscam apoio entre si. O Vila Nova faz promoção de ingressos para esta noite que até torcedor do Atlético-GO uniformizado vai ter desconto (clique aqui).
- O técnico Zé Roberto – acredito que seja o ex-jogador que foi campeão da Copa do Brasil com o Criciúma em 1991 – vai mudar o esquema e armar o time num 4-4-2, com três volantes. A provável formação deve contar com Max; Dida, Leonardo, Edson Borges e Zé Rodolpho; Claudinho Baiano, Alisson, Otacílio e Ricardinho; Alex Dias e Nena.
- Será que finalmente Roberto Fernandes vai fazer algo de útil? Na segunda-feira, o artilheiro Luiz Carlos foi afastado do elenco. Uma decisão controversa (leia aqui e aqui). Hoje, o Fortaleza pega o Atlético-GO e uma vitória ajuda o Figueira. Fernandes já atrapalhou o o Furacão Alvinegro ao perder para o Ceará e ao vencer o próprio Figueira.
- O Atlético-GO não ganha uma partida fora de casa desde julho, quando derrotou o Guarani em Campinas. De lá para cá, foram seis derrotas e um empate. Também não havia perdido em casa e perdeu no sábado. Pode continuar descendo a ladeira fora de casa também. Quem contrata Arthur Neto não merece melhor sorte.
Fotos: Carlos Amorim/Figueirense