Oito jogos do ano

No boxe, brincam que a cada ano há pelo menos 10 lutas do século. No futebol, volta e meia a expressão “jogo do ano” aparece para designar uma partida especialmente importante.

Pois o Figueirense tem uma sequencia de oito jogos do ano desta terça-feira até o final da série B. Agora, que entrou no G4, o Furacão Alvinegro depende só de si e vai ter que saber lidar com a pressão de deixar de ser o caçador e virar a caça.

Serão quatro jogos em casa e quatro fora. O primeiro deles nesta terça-feira, em Goiânia, contra o Vila Nova.

Nesta partida, o Figueira vai ter que impor sua melhor qualidade técnica buscando exemplo no que fez contra o Vasco da Gama. Tem que ter cuidados defensivos sim, mas tem que procurar jogar, manter as linhas próximas, botar a bola no chão e trabalhá-la com consciência e tranquilidade.

Por outro lado, o exemplo negativo é o jogo contra o Fortaleza. O gramado do Serra Dourada é bem melhor do que o do Castelão, mas as dimensões do campo são ainda maiores do que as do estádio cearense.

Assim, o Figueira não pode jogar com aquela distância toda entre defesa, meio-campo e ataque e tentar progredir só carregando a bola. Tem que saber ocupar os espaços e evoluir de forma organizada.

Se jogar o que sabe, com o mesmo empenho e dedicação dos últimos jogos em casa e das vitórias sobre o Paraná e o Vasco, o Figueira traz a vitória de Goiânia e continua no G4 ao final da rodada.

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Uma vitória descomplicada

O Figueira não fez uma grande exibição na vitória de ontem por 3 a 1 sobre o Juventude no estádio Orlando Scarpelli mas teve um mérito fundamental: descomplicou o jogo. Sempre que a situação ameaçava ficar mais difícil, o Furacão Alvinegro simplificava, mantendo o confronto sob controle e garantindo os três pontos com tranquilidade.

Foi assim que o Figueirense abriu o placar logo aos sete minutos de jogo. No toque de bola, virando o jogo de um lado para o outro e com intensa movimentação dos alas e dos meias, a equipe fez 1 a 0 depois de Egídio abrir pelo lado direito e cruzar na cabeça de um Schwenck completamente livre para concluir em gol.

Depois, o time caiu um pouco de produção e encontrou algumas dificuldades pela falta de entrosamento de um trio de zagueiros que nunca havia jogado junto. O Juventude ameaçou um pouco, mas aí o Figueira descomplicou de novo, com uma belíssima assistência de Fernandes para Schwenck fazer 2 a 0.

Outra vez o Juventude veio. Agora aproveitando a única falha de Jeovânio no jogo e diminuiu o placar. Não deu tempo nem de se sentir ameaçado. Em seguida, Fernandes fez o seu e decretou o 3 a 1, antes ainda do final do primeiro tempo.

No intervalo, Márcio Araújo consertou o posicionamento defensivo e aí o jogo descomplicou de vez. O time acertou a marcação, transferiu ao Juventude a responsabilidade de querer jogar e administrou a partida com absoluta tranquilidade durante todo o segundo tempo.

Mesmo sem forçar, criou três ou quatro chances claras de fazer o quarto gol e terminou a partida dando olé. Foi uma exibição confiante e consciente de um time que mostra saber o que quer.

Agora é secar um goiano hoje e ganhar de outro goiano na terça.

Pra cima, Figueira!

Alvinegras

  • Aquele som que toca alto antes da partida começar podia, ao menos, ser interrompido quando a equipe entra em campo. A torcida precisa competir com aquilo na hora de saudar os jogadores, transformando tudo numa maçaroca barulhenta e desagradável. Para o som, o time entra, a torcida faz a festa e o barulho e o som volta depois para trocar o hino. É muito difícil coordenar a idéia?
  • Jeovanio bobeou no gol de Marcos Denner, mas, mesmo improvisado na zaga, fez uma grande partida. Deu gosto voltar a ver seus passes corretos e seus desarmes perfeitos. Em forma, é titular do time.
  • Maicon e Paulinho, por seu turno, fizeram uma partida muito ruim. Erraram passes demais e em vários momentos propiciaram contra-ataques ao Juventude. Por sorte, o time gaúcho é muito limitado e pouco ameaçou.
  • A festa para Fernandes foi bonita. Parabéns ao pessoal da Cofes. Pena que a chuva e o frio tiraram muita gente do estádio.

Para iluminar a festa

A idéia é do Tainha, mas estamos apoiando:

Uma ideia de última hora para a nação alvinegra. Para completar ainda mais a festa do Fernandes hoje, acho que podemos todos fazer algo para dar um brilho a mais para homenagem do nosso grande ídolo.

Com muita gente não vai ter piscas, bandeirinhas, ou mesmo sinalizador, o torcedor comum (eu, você e tantos outros) poderia ligar seu celular e agitar ele quando Fernandes entrar. Assim todo mundo pode participar da festa e deixar a festa ainda mais bonita.

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Vencer, vencer, vencer

Com previsão de chuva, promoção de ingressos e homenagem da torcida a Fernandes, o Figueira faz mais um jogo decisivo hoje à noite no estádio Orlando Scarpelli.

Rafael Coelho ainda não está em condições plenas de jogo e não foi relacionado para a partida. Há dúvida a respeito da participação de João Filipe, provavelmente o substituto de Edson, suspenso.

Por outro lado, Egídio e Paulinho voltam e isso pode dar a qualidade e a consistência que o Figueirense mostrou nos jogos anteriores à partida contra o Fortaleza.

O Furacão Alvinegro venceu seus quatro últimos jogos no Scarpelli, que, pouco a pouco, volta a ser o caldeirão de outros tempos. A perspectiva é que o bom astral das últimas partidas impere também nesta noite.

A vitória é fundamental. Talvez com ela, a vaga no G4 se confirme no sábado, com tropeço do Atlético-GO. O mais importante, no entanto, é o Figueira fazer a sua parte e derrotar o Juventude.

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Mais um ferrolho pela frente

A preparação do Juventude desenha mais uma retranca na vida do Figueirense na partida desta sexta-feira no estádio Orlando Scarpelli.

O técnico Ivo Wortmann treinou o time num 3-5-2 com três zagueiros e três volantes. Além disso, declarou que não pretende escalar Marcos Denner e Mendes juntos no ataque. “Não dá para jogar fora de casa com o Mendes marcando o volante adversário no meio. Fora de casa, precisamos de um ataque rápido”, justificou o treinador ao ClicRBS.

Como se vê vai ser marcação, pegada e contra-ataque, se e quando der. O time que treinou na quarta-feira foi o seguinte: Juninho; Douglas, Nenê e Irineu; Bruno, Walker, Gustavo, Tiago Renz e Bruno Teles; Diego Rosa e Marcos Denner.

Cabe ao Figueirense tomar a iniciativa e sufocar o ferrolho até estufar as redes. O Juventude vem especular e, para quem está perto da zona da degola para a terceira divisão, um ponto em Florianópolis será motivo de festa.

Como aconteceu na partida contra o Bahia, a paciência dentro de campo e o apoio vindo das arquibancadas vão fazer a diferença e encaminhar a vitória alvinegra.

No vídeo abaixo, a vitória do Figueira na última partida entre as duas equipes no Scarpelli, pela série A de 2007:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PN2EwBXFX5M[/youtube]

É fundamental ou não?

Rafael Coelho se prepara para voltar à equipe. É o artilheiro do Figueira no campeonato e foi decisivo em várias ocasiões.

O atacante também é o exemplo mais acabado da esquizofrenia que se abateu sobre boa parte da torcida do Figueira desde o ano passado.

Até começar a série B, Coelho dividia as opiniões. Alguns gostavam de seu futebol, outros não. Quando começou o campeonato, ele desandou a fazer gols e começaram as especulações sobre o interesse de outros clubes, a possibilidade de negociá-lo prometia causar uma revolta capaz de botar o Scarpelli abaixo, com os mercenários dirigentes alvinegros enforcados em postes ao redor do estádio.

Rafael Coelho se prepara para voltar

Rafael Coelho se prepara para voltar

Agora – e aqui a esquizofrenia completa a volta – muita gente pergunta se há lugar para ele no time, que se acertou justamente enquanto Coelho esteve fora.

Ora, se Rafael Coelho era fundamental quando o time estava mal e a única jogada era a bola esticada para que ele resolvesse a parada, seu retorno só pode significar mais qualidade e mais poder de fogo justamente quando o time encontrou um jeito melhor de jogar.

Se seu retorno agora suscita dúvidas é porque então ele não era tão fundamental assim. Ou não?

Alvinegras

  • Se Rafael Coelho estiver completamente recuperado, eu optaria pela saída de Maicon, com o time passando a jogar com dois atacantes.
  • O time subiu de produção com Maicon, mas, na minha opinião, mais porque Fernandes passou a ter com alguém revezar na recomposição do meio-campo, do que pelo desempenho do meia recém contratado. Com isso, o capitão alvinegro pode dosar suas energias e também jogar mais perto da área adversária.
  • Como o jogo é em casa, contra um adversário que deve jogar na defesa o tempo todo, dois atacantes no lugar de um pode tornar o time mais incisivo, sem alterar tanto a estrutura defensiva.
  • Casoa avaliação seja de que Rafael Coelho deve voltar aos poucos, então se mantém a estrutura tática do time, no 3-6-1, com os retornos de Paulinho e Egídio e a entrada de João Filipe no lugar de Edson.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Todo apoio é decisivo

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Um dos aspectos fundamentais nesta reta final, nove jogos a disputar, sendo cinco no Scarpelli, é manter o apoio da torcida em alta. Uma derrota como a de sábado não pode por abaixo a interação que finalmente voltou a existir entre time e torcida.

Pelas contas de muitos, 67 pontos garantem o acesso. O Figueira tem 49 e, portanto, precisaria de mais 18. São seis vitórias, sendo que cinco podem ser obtidas nos jogos em casa, onde o Furacão Alvinegro tem 100% de aproveitamento no returno.

Os números já mostram, por si, como o apoio é fundamental nesta altura da competição. O time está fazendo por merecer e mostrou que tem condições de conquistar uma vaga na série A de 2010.

Não será, porém, sem sofrimento. Temos repetido esse mantra desde o início do ano. Só não podemos é cair no erro, desejado e até insuflado por alguns, de detonar uma crise a qualquer derrota.

Contra o Juventude será outra história, bem diferente da de sábado no Castelão, onde historicamente o Figueira não joga bem.

Com aquela atmosfera do jogo contra o Atlético, amplificada pela presença de mais de 12 mil torcedores na partida contra o Bahia, o Figueira é capaz de bater qualquer adversário no Scarpelli. Na sexta-feira, é hora de repetir a dose.

Para quem não sabe como é (VII)

Lamentável. Nem do Botafogo eles conseguem ganhar. Nem do Botafogo.

Do Botafogo, o Figueira ganha até quando perde.

Tudo indica que nossa série favorita, nos reserva ainda muitos outros capítulos divertidos.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=stkLGa6V7dI[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=SkmZMJSZpEo[/youtube]

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=j1US8_0oQCA[/youtube]

Ainda não chegou a hora

No reencontro com o técnico Roberto Fernandes, agora dirigindo o Fortaleza, o Furacão Alvinegro fez uma partida digna dos tempos em que era comandado por Roberto Fernandes. Um time confuso, mal posicionado em campo, sem posse de bola, com condução de bola em excesso e completamente intranquilo.

Assim, a derrota por 3 a 1 foi justa. O time equilibrou a partida até sofrer o primeiro gol, convertido depois de falhas individuais de Edson e Roberto Brum. Se perdeu depois disto. Chegou ao empate mesmo mal em campo. Mas não conseguiu virar para o 2º tempo segurando ao menos o empate. Tomou o segundo aos 40 minutos da 1ª etapa.

No intervalo, Márcio Araújo tirou Bóvio e botou Anderson Pico, tirou Maicon e pôs Paulo Sérgio. Nem deu pra fazer efeito. Pico, que, aliás, deixou claro porque não foi escalado de início, foi driblado sem opor nenhuma resistência e na sequencia, com dois minutos do 2º tempo, o Fortaleza fez o terceiro gol. Depois, o Fortaleza esteve mais perto do quarto do que o Figueira do segundo, apesar de duas belas defesas do goleiro tricolor em conclusões de Schwenck e Paulo Sérgio.

Nem vamos entrar muito na análise do jogo. É certo que essa lacuna causada pela ausência de reservas para as laterais cobra um preço caro, mas agora já era. Será assim que subiremos.

É certo também que é difícil conter a ansiedade e a irritação quando o Figueira desperdiça a chance de entrar no G4. Só que agora o time tem crédito sim. A má jornada de hoje pode ser vista como um acidente, uma pausa na grande reação alvinegra.

O importante é entrar no G4 na hora certa, pra não sair mais. E tem momento em que vale a pena ser fatalista: se não entrou no G4 agora é porque não chegou a hora.

S’embora preparar a festa pro Fernandes e lotar o Scarpelli na sexta-feira. Vamos retormar o bom caminho. Podem apostar.

Muito obrigado por tudo, Fernandes

Dos 19 jogos que o Figueira disputou no estádio Orlando Scarpelli na vitoriosa campanha do título estadual de 1999, por um sério problema familiar só não fui a um: a vitória por 3 a 1 sobre a Kindermann, de Caçador, no dia 23 de março.

Não vou, no entanto, afirmar que lembro exatamente da estréia de Fernandes no Scarpelli (quartas-de-final do returno, 2 a 1 no Joinville no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação, em 27 de junho).

Lembro sim que Fernandes começou a se firmar nestes jogos de mata-mata do segundo turno, quando o Furacão Alvinegro disputou e perdeu a decisão para o Criciúma – o Figueira já havia vencido o 1º turno.

Lembro que ele começou a mostrar sua qualidade e foi assumindo importância cada vez maior para o time, culminando com o belo gol de empate marcado nas semifinais contra o Joinville no Scarpelli (1 a 1 em 18 de julho) que garantiu a vaga na decisão contra o Avaí, depois da vitória por 1 a 0 no Ernestão na primeira partida.fernandes_gol_PA

Lembro ainda que o carniceiro volante avaiano Régis deu uma pegada que tirou Fernandes da primeira partida da decisão do campeonato, na Ressacada e do segundo jogo, além de iniciar seu primeiro grande drama. Um problema sério no ombro, que saía do lugar (ou algo parecido) pelo impacto causado por quedas violentas. O grande craque só conseguiu superar este problema grave ao fazer uma cirurgia em 2001.

Em 1999, ano que começou o período mais glorioso e vencedor de sua história, o Figueirense montou um elenco experiente para brigar pelo título estadual. Foram contratados jogadores como Sílvio e Maurício para o gol, Carlinhos, Polaco e Alexandre Rosa para a zaga; Edinho, Pedro Aruba e Denys para as laterais; Valdeir, Perivaldo e Daniel Frasson para a cabeça de área; Genilson, Aldrovani, Gilson Cabeção, Claudiomir e Toninho para o ataque. O jovem e desconhecido Fernandes chegou com o campeonato em andamento.

A meia, porém, se revelou uma posição problemática. A equipe começou o campeonato com Fabinho Fontes, revelado pela base do Corinthians, mas logo ele foi dispensado por indisciplina. Os outros meias contratados foram Zé Renato, ex-Santos, e Júlio Cesar, o Imperador, campeão brasileiro pelo Flamengo em 1992. Só que nenhum deles conseguia apresentar um futebol regular e assim Fernandes foi ganhando espaço e importância.

Importância que aumentou ao longo do tempo. Durante esses 10 anos, Fernandes saiu, voltou, teve contusões graves. Deu, no entanto, contribuições fundamentais para o Figueira.

Suas grandes exibições e gols nos clássicos, sua participação fundamental no acesso em 2001, seu toque refinado, seu reiterado amor ao clube. Tudo isso o credencia como um dos jogadores mais importantes da história do Figueirense.

Depois de Edmundo, Fernandes é o maior jogador que vi com a camisa do Figueirense. Edmundo foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e brilhou intensamente no pouco mais de seis meses em que passou pelo Figueira.

Fernandes, além da qualidade de futebol, ganhou importância por sua longa relação com o clube, por seu empenho, sua dedicação e capacidade de superação.

Não interessa como termine o ano. Ver Fernandes de volta, jogando um jogo depois de outro, com seu costumeiro talento, é algo que não tem preço. Tanto esforço merece sim ser recompensado com o acesso para a primeira divisão.

Ter Fernandes em campo, entretanto, transcende qualquer resultado de momento. É algo para ficar gravado na memória de quem ama o futebol e de quem tem o privilégio de torcer pelo Figueira.

Por isso, Fernandes, obrigado, muito obrigado por tudo.

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Foto: Carlos Amorim/Figueirense

Vídeo: Figueirense