Quando escrevi o post As sombras no futuro alvinegro, em 22 de setembro passado, comentando as incertezas sobre o futuro do clube provocadas pelo anúncio feito por Paulo Prisco Paraíso que poderia deixar o Figueirense, afirmei:
“o Figueira, é certo, vai sobreviver. Como sobreviveu há 31 anos sem título estadual. Depois há mais 20. Como superou 23 anos longe da primeira divisão. Como passou por uma temporada na segunda divisão estadual. É um time de grande torcida, com quase 90 anos e profundamente arraigado nos usos e costumes da comunidade à qual deve a existência”.
Reconhecer este fato, não me impede de reconhecer o trabalhor realizado nos últimos 10 anos pela Figueirense Participações (FP). Títulos estaduais em profusão, excelente trabalho nas categorias de base, final de Copa do Brasil, sete anos de série A, etc.
Dito isso, é preciso deixar claro que considero inaceitáveis as mudanças propostas pela Figueirense Participações no contrato entre a empresa e o clube (clique aqui para ler as informações que o Tainha trouxe a respeito). Já seriam difíceis de aceitar se a FP explicasse os motivos destas alterações e apresentasse as contrapartidas que estivesse oferecendo ao clube. Sem saber nem isso, não há como discutir nesses termos.
A alternativa pura e simples de mandar a FP embora não me parece a mais adequada no momento. Não dá para cair no simplismo das bravatas numa hora como essa. Torcedor, convenhamos, é ingrato, tem memória curta e um bocado de hipocrisia.
Do lado de lá, apagaram sete ou oito anos de lambanças e besteiras e alçaram o Zuzu à condição de gênio da gestão esportiva, o homem mais apaixonado por seu clube que já existiu na face da Terra.
Aqui, o caminho é inverso, caminha-se a passos largos para a satanização de todos os integrantes da Figueirense Participações, inclusive Paulo Prisco Paraíso, o mais respeitado de todos eles.
É claro que a FP não facilita a melhoria de sua imagem quando faz uma proposta que mais parece uma faca no pescoço do clube, sem se preocupar em explicar, esclarecer e até mesmo convencer os torcedores das vantagens que ela pode trazer. Soa como uma postura imperial, no estilo “se qués, qués, se não qués, diz”. Só serve para atrair ainda mais ira do torcedor, num momento muito ruim vivido pela gestão do Figueira.
Assim, fica difícil entender porque uma das mudanças representa uma ingerência tão grande no clube, como exigir que ele simplesmente elimine a figura do presidente. Ou por que a exigência da cessão completa da área do CFT é apresentada ao Conselho Deliberativo quando ela pertence à Asfig, uma entidade à parte, que o cedeu em comodato ao Figueirense.
Mesmo assim, me inclino pela opção de negociar alternativas que também preservem os interesses do Figueira. Se a Figueirense Participações quer que o clube assuma a responsabilidade conjunta pela gestão do patrimônio e pelas dívidas fiscais, tem que oferecer também a co-gestão ou a gestão compartilhada, chame como quiser, como alternativa. Não há sentido em o clube assumir os ônus da administração sem pode ter ingerência sobre ela.
No meu mundo ideal do futebol, o Figueira não venderia jogadores para fechar o caixa. Manteria uma base que ficaria cada vez mais forte a cada ano. Teria 18 mil sócios e 18 mil pagantes de média no Scarpelli. Não precisaria fazer parcerias para ter capacidade de competir outros clubes. Só que o futebol real não é assim.
É inegável que a FP construiu uma bela estrutura administrativa, um sistema bem organizado de trabalho de base e conhece todos os meandros do negócio do futebol. O melhor seria que ela se abrisse mais ao clube, permitisse que mais gente contribuisse como o processo de gestão e superasse os erros cometidos nos últimos dois anos.
O ideal seria contar com gente da FP que acumulou experiência nestes últimos anos e com pessoas que arejem e renovem a administração do Figueira, recuperando o tempo perdido dentro de campo e reaproximando clube e torcida. Por isso me inclino pela negociação.
Negociação, no entanto, só acontece se houver disposição das duas partes. Pelo que pude perceber depois de algumas conversas, é que há essa disposição no Conselho Deliberativo. Gostaria de saber se a Figueirense Participações pensa do mesmo jeito.
Edital publicado
O jornal Notícias do Dia de 28 e 29/11 traz o edital de convocação da Assembléia Geral do Conselho Deliberativo do Figueira, marcada para quarta-feira, dia 2, com a primeira convocação às 19 horas e a terceira e última às 20 horas, na sede do clube.
Na pauta, a apresentação das mudanças propostas no contrato de gestão pela Figueirense Participações. A decisão, portanto, será tomada em outra assembléia. Nesta, a comissão encarregada pelo conselho vai apresentar sua análise da proposta.
A participação de torcedores e imprensa depende da autorização do presidente do Conselho, Nestor Lodetti, ou do próprio Conselho.


