O caminho do meio

Quando escrevi o post As sombras no futuro alvinegro, em 22 de setembro passado, comentando as incertezas sobre o futuro do clube provocadas pelo anúncio feito por Paulo Prisco Paraíso que poderia deixar o Figueirense, afirmei:

“o Figueira, é certo, vai sobreviver. Como sobreviveu há 31 anos sem título estadual. Depois há mais 20. Como superou 23 anos longe da primeira divisão. Como passou por uma temporada na segunda divisão estadual. É um time de grande torcida, com quase 90 anos e profundamente arraigado nos usos e costumes da comunidade à qual deve a existência”.

Reconhecer este fato, não me impede de reconhecer o trabalhor realizado nos últimos 10 anos pela Figueirense Participações (FP). Títulos estaduais em profusão, excelente trabalho nas categorias de base, final de Copa do Brasil, sete anos de série A, etc.

Dito isso, é preciso deixar claro que considero inaceitáveis as mudanças propostas pela Figueirense Participações no contrato entre a empresa e o clube (clique aqui para ler as informações que o Tainha trouxe a respeito). Já seriam difíceis de aceitar se a FP explicasse os motivos destas alterações e apresentasse as contrapartidas que estivesse oferecendo ao clube. Sem saber nem isso, não há como discutir nesses termos.

A alternativa pura e simples de mandar a FP embora não me parece a mais adequada no momento. Não dá para cair no simplismo das bravatas numa hora como essa. Torcedor, convenhamos, é ingrato, tem memória curta e um bocado de hipocrisia.

Do lado de lá, apagaram sete ou oito anos de lambanças e besteiras e alçaram o Zuzu à condição de gênio da gestão esportiva, o homem mais apaixonado por seu clube que já existiu na face da Terra.

Aqui, o caminho é inverso, caminha-se a passos largos para a satanização de todos os integrantes da Figueirense Participações, inclusive Paulo Prisco Paraíso, o mais respeitado de todos eles.

É claro que a FP não facilita a melhoria de sua imagem quando faz uma proposta que mais parece uma faca no pescoço do clube, sem se preocupar em explicar, esclarecer e até mesmo convencer os torcedores das vantagens que ela pode trazer. Soa como uma postura imperial, no estilo “se qués, qués, se não qués, diz”. Só serve para atrair ainda mais ira do torcedor, num momento muito ruim vivido pela gestão do Figueira.

Assim, fica difícil entender porque uma das mudanças representa uma ingerência tão grande no clube, como exigir que ele simplesmente elimine a figura do presidente. Ou por que a exigência da cessão completa da área do CFT é apresentada ao Conselho Deliberativo quando ela pertence à Asfig, uma entidade à parte, que o cedeu em comodato ao Figueirense.

Mesmo assim, me inclino pela opção de negociar alternativas que também preservem os interesses do Figueira. Se a Figueirense Participações quer que o clube assuma a responsabilidade conjunta pela gestão do patrimônio e pelas dívidas fiscais, tem que oferecer também a co-gestão ou a gestão compartilhada, chame como quiser, como alternativa. Não há sentido em o clube assumir os ônus da administração sem pode ter ingerência sobre ela.

No meu mundo ideal do futebol, o Figueira não venderia jogadores para fechar o caixa. Manteria uma base que ficaria cada vez mais forte a cada ano. Teria 18 mil sócios e 18 mil pagantes de média no Scarpelli. Não precisaria fazer parcerias para ter capacidade de competir outros clubes. Só que o futebol real não é assim.

É inegável que a FP construiu uma bela estrutura administrativa, um sistema bem organizado de trabalho de base e conhece todos os meandros do negócio do futebol. O melhor seria que ela se abrisse mais ao clube, permitisse que mais gente contribuisse como o processo de gestão e superasse os erros cometidos nos últimos dois anos.

O ideal seria contar com gente da FP que acumulou experiência nestes últimos anos e com pessoas que arejem e renovem a administração do Figueira, recuperando o tempo perdido dentro de campo e reaproximando clube e torcida. Por isso me inclino pela negociação.

Negociação, no entanto, só acontece se houver disposição das duas partes. Pelo que pude perceber depois de algumas conversas, é que há essa disposição no Conselho Deliberativo. Gostaria de saber se a Figueirense Participações pensa do mesmo jeito.

Edital publicado

O jornal Notícias do Dia de 28 e 29/11 traz o edital de convocação da Assembléia Geral do Conselho Deliberativo do Figueira, marcada para quarta-feira, dia 2, com a primeira convocação às 19 horas e a terceira e última às 20 horas, na sede do clube.

Na pauta, a apresentação das mudanças propostas no contrato de gestão pela Figueirense Participações. A decisão, portanto, será tomada em outra assembléia. Nesta, a comissão encarregada pelo conselho vai apresentar sua análise da proposta.

A participação de torcedores e imprensa depende da autorização do presidente do Conselho, Nestor Lodetti, ou do próprio Conselho.

De alvinegro para alvinegros

Ao escrever o post anterior (clique aqui), sabia que corria o risco de despertar a ira da avaianada. Não era o objetivo principal. Seria mais um bônus, por assim dizer.

O foco central do texto era alertar os torcedores alvinegros que visitam este blog sobre a gravidade do momento qe o Figueirense vive. Qual melhor maneira? Dizer o que disse, comparar o Figueira com o Avaí. Qualquer torcedor alvinegro que se preze pode querer qualquer coisa, menos que o Figueira fique igual ao time do Sul da Ilha.

Imagino que a recíproca seja verdadeira. A turma de lá quer distância do que se faz no Scarpelli. Só tem uma coisa: com todo respeito que blogueiros como o Gérson, dos Avaixonados, merecem, pouco me importa o que os avaianos pensam de mim e do Figueirense.

Escrevo um blog do ponto de vista alvinegro para alvinegros lerem. Não estou aqui para fazer média com avaiano. Aliás, não estou aqui nem para fazer média com torcedor do Figueira. Não ganho nada para fazer esse trem e escrevo o que penso. Se muitos concordarem, ótimo. Se poucos concordarem, tudo bem. Se ninguém concordar, aí sim talvez seja a hora de rever meus conceitos.

Tenho amigos avaianos, tenho alguns poucos familiares avaianos. Gosto muito deles. Só que como alvinegro típico, não gosto do Avaí. Quero que o time do Sul da Ilha vá para o décimo dos infernos. É simples assim.

E sim, vou usar este espaço pra criticar o time azulejento sempre que julgar necessário e importante, inclusive, para dizer coisas que a imprensa local não tem coragem de dizer.

Só alerto para um detalhe fundamental. Não apelei para ilações, suposições, insinuações e maledicências. Listei fatos que são de amplo conhecimento público e que, na minha opinião, caracterizam a bagunça que é o Avaí. Poderia listar vários outros, mas o principal do texto não era isso.

Foi por isso que liberei vários comentários de avaianos que em outras condições rejeitaria na hora, para mostrar o que habita o imaginário deles a respeito do Figueirense.

E diferente dos fatos que apontei, o que li foram ilações, suposições, insinuações e maledicências, reforçadas por muito tempo de forma velada ou descarada por muitas figurinhas carimbadas da imprensa de Florianópolis.

E o que é o Figueira para estes avaianos?

A parte suja da cidade. Aqueles que não têm mérito algum em suas conquistas esportivas, sempre fruto de alguma maracutaia ou jogada de bastidores, diferente deles que são limpos até quando ganham campeonato por WO (clique aqui para entender). O Figueira é a turma das letras, do dinheiro sujo e das bandalheiras.

Ainda bem que não apareceu nenhum infeliz para reclamar da final de 99 e do gol anulado – a esta altura da versão avaiana dos fatos o atacante deles deve estar atrás da linha do meio-campo (clique aqui para entender).

E agora voltarei ao que realmente interessa: as definições sobre o futuro do Figueirense e sobre a temporada 2010. Os avaianos que quiserem continuar visitando o blog, fiquem à vontade, só não esperem nenhum agrado. Aos que não voltarão, obrigado pela audiência e até nunca mais.

A “avaianização” do Figueirense

Me arrepia ter que apelar para um termo tão pejorativo, mas ver a entrevista dada por Jeovânio ao TVCOM Esportes (veja abaixo, vale a pena) ontem à noite foi a gota d’água para concluir que o Figueirense vive um processo acelerado de “avaianização”.

O que significa isso? Significa que o Figueira está virando uma bagunça, sem rumo, sem norte, sem convicção. Tudo aquilo que divertia a nós, torcedores alvinegros, quando acontecia com o time do Sul da Ilha, que era alvo de saborosas chacotas, agora acontece dentro do Furacão Alvinegro.

Lembra quando um jogador avaiano foi dispensado às vésperas de um jogo decisivo porque foi fazer uma sauna com outro jogador, também dispensado? Lembra quando alguns jogadores avaianos chamaram algumas moças de fino trato a um hotel depois do jogo e no fim não quiseram pagar o combinado, sobrando para o chefe da delegação quitar a conta para diminuir o escândalo? Lembra quando, em outro hotel, um hóspede/marido traído caçou um jogador avaiano que havia “brincado” com sua esposa? Lembra do presidente Zuzu, agora guindado à condição de guru da “jestão” esportiva, bancando o cozinheiro às vésperas de um jogo decisivo em Fortaleza?

Isso sem mencionar as revoluções e os novos “projetos” e parceiros anunciados a cada seis meses, os caminhões de reforços chegando periodicamente, a velha estratégia de culpar a imprensa por tudo, o afastamento gradativo entre clube e torcida.

Tudo isso acontecia lá. Agora anda acontecendo por aqui. Infelizmente, lá andaram aprendendo a fazer alguma coisa direito, mesmo que seja na base da imitação. Aqui tudo indica que estão esquecendo o que faziam de certo.

As contratações equivocadas e em excesso, que não resolvem as deficiências da equipe e só incham o grupo. Muita gente mandando e ninguém obedecendo. Decisões que devem ser, mas não são tomadas. Decisões que demoram para ser tomadas. Decisões que são tomadas e logo em seguida revertidas. Tudo isso aconteceu no Figueirense nesse ano.

Quando o fuxico se restringia a uma raposa felpuda qualquer, era passível de não merecer crédito. Podia-se questionar a intenção de quem publica o fuxico e a da quem fazia o fuxico. Agora não. As histórias pipocam de todos os lados. Não só na imprensa, mas nas conversas diretas com pessoas ligadas ao Figueira, inclusive.

No momento em que atletas como Jeovânio, cujo caráter não pode ser questionado, resolvem vir a público e criticar o que aconteceu é porque os erros excederam qualquer limite do razoável.

É preciso rever, reorganizar, fazer autocrítica, buscar apoio de quem ama o Figueira e está disposto a ajudar, retomar a ligação com a torcida, mudar tudo que precisa ser consertado, com serenidade e inteligência.

Reconheço tudo que foi feito pelo grupo que dirigiu o Figueira nos últimos 10 anos, o que inclui aqueles que já participaram da gestão e se afastaram. Só que não posso me furtar a criticar o que estou vendo de errado.

Ultimamente, o Figueira está está se desviando de sua rota, de seu percurso, tornando-se uma nau à deriva. É preciso, portanto, identificar claramente quando a mudança de curso se deu e retomar o caminho do sucesso e das vitórias.

Disso depende o futuro do clube de maior torcida em Santa Catarina. Torcida que sofre, vive e respira Figueirense todos os dias do ano. Torcida que, ao fim de tudo, é seu patrimônio maior e que dá razão à existência do Figueirense Futebol Clube.

Isso jamais pode ser esquecido.

Mauro Ovelha é um bom nome?

Para ser justo o primeiro a me dizer que gostaria de testar Mauro Ovelha no comando do Figueira foi o grande filósofo contemporâneo Diego Tainha Ratzki, lá por julho ou agosto, quando o técnico ainda era Roberto Fernandes. Não para aquele momento, fazia a ressalva o maior blogueiro alvinegro, mas para o campeonato estadual.

Para minha surpresa, alguns navegantes alvinegros que deixaram comentários no post de terça-feira, sugeriram o nome do atual treinador da Chapecoense para dirigir o Figueira a partir do ano que vem.

Confesso que tenho minhas dúvidas. Não por preconceito, mas pelo histórico negativo deste tipo de contratação no Figueira. Depois de Lauro Búrigo, que assumiu o Furacão Alvinegro pela primeira vez em 1974, conquistando o campeonato estadual de forma avalassadora e depois fez uma grande campanha no brasileirão de 1975, não recordo de algum outro técnico que tenha realizado um grande trabalho no Figueirense depois de ter se destacado em outro clube de Santa Catarina.

Abel Ribeiro foi campeão estadual em 1999 e teve outras passagens pelo clube, como técnico e gerente de futebol, mas nunca caiu nas graças da torcida. Sempre foi muito questionado, principalmente como treinador.

Alguns nomes, bons ou ruins, vieram para o Figueira nos tempos das vacas magras, quando as condições de trabalho ficavam muito aquém das atuais.Mesmo assim, geralmente eram melhores do que as condições oferecidas por seus clubes anteriores a esses técnicos (Rafaelle Granitti, Nazareno Silva, Picolé, Vicente Arenari, Luiz Carlos Cruz – que se destacou fora do estado para depois vir para o Figueira –, entre outros).

Se alguém lembrar de algum outro nome além de Lauro Búrigo, por favor, refresque a nossa memória.

Elogios a quem merece

Não sou muito de fazer média e jogar confete, mas sou obrigado a declarar publicamente que me sinto honrado ao constatar o nível e o conhecimento dos alvinegros que visitam este blog e deixam seus comentários.

Nos posts sobre o balanço da temporada e sobre o que faltou para o time voltar à série A, por exemplo, pude ler análises lúcidas e inteligentes. Mesmo vários daqueles que discordaram de mim em diversos aspectos, mostraram que entendem do riscado e embasaram suas opiniões com muita propriedade.

Fico feliz de ser agraciado com a visita de todos. O nível dos comentários reforça a percepção que estou escrevendo para gente que ama muito o Figueira e entende muito de futebol, o que só aumenta a minha responsabilidade.

Tenho que pensar bem no que dizer, pois não é qualquer argumento que vai convencer a rapaziada.

“No balanço de perdas e danos”

A definição sobre os detalhes formais da parceria da Figueirense Participações com a BIS, de José Carlos Lages, e a Brazil Soccer, de Eduardo Uram, traz uma série de questionamentos que precisarão ser respondidos nos próximos dias.

Como vários alvinegros apontaram nos comentários no post “Coesão, desejo e comprometimento”, entre eles o Jorge Alvinegro, preocupa o fato do clube mergulhar no vácuo caso não seja fechada a parceria nos termos propostos. O Figueira perderia tempo e teria que começar do zero, o que sempre dificulta as coisas. Os resultados deste ano estão aí para provar.

Por outro lado, também preocupa o aprofundamento da parceria com a dupla Lages e Uram. Vai ser mais do mesmo, quando o mesmo dos últimos dois anos representa resultados péssimos? Significa que a Brazil Soccer vai manter os jogadores que não mostraram comprometimento e/ou capacidade técnica para continuar no Figueirense e o clube vai ter que aceitar?

Outras perguntas terão que ser respondidas. Qual vai ser o grau de ingerência do clube no departamento de futebol? O Figueirense vai estar aberto a jogadores ligados a outros empresários ou só Lages e Uram vão dar as cartas? Tudo isso e mais precisa ficar bem esclarecido.

Caso a parceria se confirme em bons termos para o clube, é preciso ter a frieza para perceber que em termos de formação de grupo o Figueira termina 2009 melhor do que 2008. Até porque o quadro no final do ano passado era muito ruim e agora há uma base de razoável qualidade da onde partir para formar um time qualificado e vencedor para o próximo ano.

Na hora de irritação, dá vontade de chamar a barca e mandar todo mundo embora. Não dá para ser por aí, se não o drama de contratações às pencas vai continuar se repetindo a cada duas ou três derrotas.

Também não dá para ser complacente. Tem que interessar ao clube os jogadores que unem dedicação e qualidade técnica. Maicon, por exemplo, parece ter qualidade, mas não tem comprometimento. Anderson Luiz, por seu turno, é o contrário. Em resumo, nenhum dos dois serve.

Comentei anteriormente que ficaria com 12 ou 13 jogadores deste elenco. Nesta avaliação, não considero o fator financeiro, mas considerando que se deve trabalhar com no máximo 25 jogadores em vez de 40 ou 45, os custos caem significativamente.

Vamos fazer uma análise por setor e ver se a conta fecha:

Goleiros

Wilson felizmente manifestou seu interesse  em ficar (veja aqui) e tem contrato até 2011. Para mim, se daria uma oportunidade para Gustavo como segundo goleiro. Dalto está queimado com a torcida e poderia ser emprestado para ganhar rodagem.

Laterais

Lucas e Egídio precisam aprender a marcar e a jogar no 4-4-2. Eu, particularmente, já estou cansado de ver o Figueira com os três zagueiros de praxe como acontece desde 2007. Aquele negócio de zagueiro se mandando feito ala já encheu o saco e é muito pouco produtivo. Uma linha de quatro na defesa, por favor, com uma linha de quatro no meio, ou dois volantes e dois meias, ou três volantes e um meia, ou tres volantes  e dois meias, com um atacante só. Começa com o 4 na defesa e depois arma o resto. Lucas é jovem e é da casa. Egídio precisa resolver o que quer da vida e tomar tenência, porque se for verdade o que os torcedores falam de suas atividades extracampo é melhor ir embora. Massari pode compor o grupo.

Zagueiros

Só ficariam com os jovens: João Felipe, Roger Carvalho e Edson. Toninho, apesar de raçudo, é lento e tecnicamente limitado. Régis é ex-jogador ainda em atividade. Precisamos de jogadores experientes no setor para comandar a gurizada. Mas tem ser quem ainda tenha lenha para queimar.

Volantes

Aqui a profusão é em quantidade. Roberto Brum já se despediu do Figueira assim que o jogo acabou. Já comentei com amigos – e fui devidamente execrado – que Brum não compensa o custo-benefício. É caro demais e melhor fora do que dentro de campo. A função dele, Jeovanio, por exemplo, exerce melhor. Marca bem mais forte e tem a mesma qualidade no passe. Paulinho poderia ficar. É jovem, vai se tornar menos irregular com o tempo e tem velocidade para recompor o setor rapidamente. Diego Paulista ficaria para compor o grupo. O resto libera, empresta ou vende. Incluindo pratas da casa como Schmoller e Anderson Luiz que já passaram da idade para serem tratados como jovens promessas.

Meias

Fernandes, que também quer continuar no Figueira (veja aqui). Vinícius Pacheco tem qualidade pra ficar, se realmente estiver disposto. Talheti e Roberto Firmino são garotos da casa que podem ter condição de aproveitar bem uma oportunidade no time principal.

Atacantes

Rafael Coelho deve ir embora. Além dele, só Schwenck mostrou futebol e gols para ficar. Aos demais, um abraço e feliz ano novo.

A todos estes jogadores deve ser perguntado clara e reservadamente: tu queres ficar no Figueirense? É condição básica para começar bem 2010. Quem não quiser ficar, PT saudações.

No balanço final, são 16 atletas. Seriam 12 sem contar os recém vindos da base como Gustavo, Talheti, Firmino e Massari. Pode ser menos, já que alguns, como Egídio e Vinicius Pacheco, precisam se comprometer com o Figueirense e a própria carreira se quiserem ficar.

Este é o meu balanço. Fique à vontade para fazer o seu.

* “No balanço de perdas e danos”, trecho da letra de Desesperar jamais, de Ivan Lins

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=d5QWcGh9aPo[/youtube]

Coesão, desejo e comprometimento

Ao ser perguntado sobre os piores momentos de seu blog, o cruzeirense Jorge Santana, um blogueiro que admiro, respondeu: “São aquelas horas que passo escrevendo sobre as partidas que o Cruzeiro perde”.

É um fenômeno interessante. Desde que comecei este blog, há quase dois anos, começo a pensar no que escrever durante o jogo. Ainda mais quando o time está perdendo e/ou jogando mal, como acontecia na partida contra o Bragantino. E, claro, esta é a pior hora para escrever. É o momento em que você queria fazer qualquer outra coisa, mas assumiu um compromisso público com seus leitores, mesmo que poucos, e consigo mesmo. Então, numa hora dessa, é respirar fundo e tentar juntar “lé com cré”.

Por isso, durante o jogo contra o Bragantino pensei nas qualidades fundamentais para se formar um grupo vencedor e cheguei à tríade “coesão, desejo e comprometimento”. Para mim, seriam fatores essenciais para um clube atingir seus objetivos dentro de campo. Qualidade é condição básica, dentro, claro, de seus horizontes e condições, mas sem ela não se sobe, não se permanece, não se vence.

Só que, na bacia das almas, o Figueira conseguiu virar o jogo e o pensamento foi arquivado. Com a derrota do Atlético para o Ipatinga então, era hora de remar na mesma direção e tentar ajudar de alguma forma para que a esperança se tornasse realidade.

Qualidade para subir até o que o Figueirense tinha, tanto que mesmo com tantos erros durante a campanha, só foi perder de vez qualquer chance de acesso ao ser derrotado pelo Duque de Caxias no estádio Orlando Scarpelli na triste tarde deste sábado.

Mas faltou todo o resto. Alguns jogadores mostraram, dentro e fora de campo, todo seu comprometimento e seu desejo de fazer o time voltar à série A. Outros, não externaram nada além de indiferença.

Discordo de quem pinta um cenário catrastófico para o ano de 2010. Se há alguma vantagem em ser um clube de Santa Catarina que disputa a série B, é que fazer um time competitivo, capaz de ganhar o campeonato estadual e de conquistar o acesso para a série A, depende muito mais de conhecimento do mercado do futebol do que rios de dinheiro. Aí estão Ceará, Guarani e Atlético-GO para servir de exemplo.

Só que não há tempo a perder. O Figueira devia dar férias a seus jogadores a partir desta segunda-feira e mandar o time da Copa SC ou de juniores enfrentar o São Caetano pela última rodada da série B. Ganharia uma semana na preparação para o campeonato catarinense, com os jogadores que interessam ao clube que fiquem e que tenham interesse em ficar retornando antes – na minha opinião não passam de 12 ou 13 do elenco atual, sem incluir alguns que vieram das categorias de base. Também já podia dar o boné para o técnico Márcio Araújo. Veio para fazer o time subir. Não conseguiu, não serve.

O Figueirense tem que começar o ano de 2010 a mil por hora. Tem que formar uma boa base para começar o estadual e brigar desde o início pelo título. Tem que mostrar desde o primeiro dia do ano que tudo será diferente. Nada de elenco inchado e desequilibrado, com nove volantes e sem reservas para as laterais, montado a prestação. Nada de laboratório no estadual.

Isso não exige um elenco com mais de 40 jogadores. Exige um grupo enxuto e escolhido a dedo, dentro da realidade do clube, mas em condições de formar uma equipe competitiva, coesa e comprometida. Mais vale um jogador vindo do São Raimundo de Santarém, campeão da série D, que encare o Figueira como a grande chance de sua carreira, do que o ex-junior do Flamengo para quem o Furacão Alvinegro é considerado um atraso de vida.

Para mostrar que tudo vai ser diferente, o clube deve divulgar imediatamente a minuta de contrato entregue pela Figueirense Participações ao Conselho Deliberativo na semana passada, como já comentou o Tainha.

Torcida reconheceu esforço de Fernandes para levar clube de volta à série A

Torcida reconheceu esforço de Fernandes para levar clube de volta à série A

Para restabelecer a boa relação com os torcedores e sócios este é o primeiro passo. É preciso esclarecer direitinho como vai funcionar essa nova parceria, as obrigações e direitos de cada parte, as consequencias para o clube, os reflexos na gestão do futebol, as cláusulas de rescisão.

Tudo divulgado de forma transparente, até para evitar aquele diz-que-me-diz, as acusações levianas e as suspeitas infundadas que tanto fizeram mal ao clube nos últimos anos e envenenaram sua relação com a torcida.

A partir daí, mudanças profundas no comando do futebol. O Figueirense precisa de um gerente de futebol com boa experiência e grande conhecimento do mercado da bola. Precisa de um técnico que também tenha capacidade de montar um elenco e que consiga imprimir um padrão tático consistente e regular à equipe. A partir daí, vem o resto.

Durante esta semana, continuaremos avaliando o que precisa mudar no Figueirense. A dor é funda neste momento, mas não há tempo a perder. O Figueira é grande, já passou por momentos piores e sobreviveu.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

O preço que se paga

A qualidade, o empenho e o comprometimento de alguns jogadores, fizeram o Figueira chegar até a penúltima rodada da série B ainda com chances de conquistar o acesso.

Na tarde deste sábado, o time foi, no entanto, mais uma vez derrotado pelos equívocos na escalação, pela falta de variações táticas para furar um bloqueio defensivo razoavelmente organizado, pela absoluta incapacidade emocional de superar as adversidades durante o jogo.

O Figueirense começou e terminou a série B como um amontoado, sem organização tática, sem saber o que fazer além das iniciativas individuais, das tentativas de se resolver o jogo sozinho.

Muito se errou, muito já se falou, muito vai ter que ser dito ainda. Mesmo assim, o Figueira quase chegou. Não dá, no entanto, para reclamar da sorte ou clamar por justiça. O Figueirense não vai subir porque não mereceu subir.

No fim, o Figueira paga pelos erros nas contratações, no elenco inchado, na escolha dos técnicos. Mesmo que conquistasse o acesso, muito precisaria ser revisto e refeito.

Este blog deixou de entrar nesta seara porque era a hora de apoiar e reforçar o clima positivo em busca do acesso. Agora chegou o momento de se analisar o que se passou com o Figueira em 2009.

Durante esta semana, faremos isso. Neste domingo mesmo, um post mais consistente para iniciar a avaliação sobre o ano.

Não deu. É triste e doloroso. Bola pra frente. Ano que vem tem mais.

Para lembrar e repetir

O Figueirense deu grandes alegrias a sua torcida nos últimos anos. A maioria delas no estádio Orlando Scarpelli, palco de mais um jogo decisivo neste sábado.

Como quase tudo já foi dito, mais vale lembrar. Lembrar das festas e entrar no clima para a grande decisão, a primeira das duas que faltam para o Figueira voltar à série A.

Entre os vídeos, uma festa fora do Scarpelli, a do título estadual de 2008, em Criciúma, que, se tudo der certo, pode ser repetido em São Caetano no outro sábado.

Abimael – O Gol do Acesso

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=DgZoUOJLcJQ[/youtube]

Figueirense campeão de 1999

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=3bvdsBDWK6c[/youtube]

Figueirense bicampeão – 2003

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=zFCz8rSSCYc[/youtube]

Figueirense tricampeão – 2004

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=KQf_-7CpYOQ[/youtube]

Figueirense campeão 2006

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=xYjaqwpiHXI[/youtube]

Figueirense campeão 2008

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=L54BFzPBNrM[/youtube]

Mobilização total

LOTAReLUTAR - fatam 2 dias

A torcida alvinegra resolveu dar o ar da graça e quando ela faz isso não tem para mais ninguém.

A movimentação é grande. No Meu Figueira, a lista de presença contava com 242 confirmações no momento em que este blogueiro finalizava este post, batendo o recorde de comentários do site.

O pessoal da Cofes conseguiu um grande incentivo para quem contribuir para a compra de material para a festa de sábado: uma camisa autografada pelo Wilson.

Em todos os lugares e de todas as formas, os torcedores se movimentam, se preparam e aguardam ansiosos pela decisão do próximo sábado.

Depois de tantas dificuldades, crises e desconfianças vividas durante o ano, a Nação Alvinegra finalmente resolveu se unir e, em peso, apoiar o clube de seu coração.

Chegamos ao momento decisivo, à hora em que ninguém pode faltar, ao instante que não há nada a fazer a não ser apoiar, torcer, lotar o Scarpelli.

Tem sido um ano sofrido. Desde 2008, a torcida alvinegra passa por maus bocados. Algo de muito bom pode estar reservado para todos nós nesta reta final. E ela passa pelo Scarpelli cheio no sábado, em busca da vitória que deixará o Figueira ainda mais perto do retorno à série A.

Mais alvinegro

Este blogueiro estará mais uma vez no programa Mais Alvinegro para discutir as coisas do Figueira, junto com o Diego Tainha e o Maurício Locks. modelo final

O programa comandado pelo Fábio Machado vai ao ar partir do meio dia na rádio Mais Alegria, que pode ser ouvida pela internet (clique aqui) ou pelos 1470 da rádio AM.

Decisão nesta quinta-feira

Nesta quinta-feira, a partir das 17 horas, tem a decisão do campeonato estadual de juvenis no Scarpelli. O confronto é contra o time do Sul da Ilha. Na primeira partida, um empate em 1 a 1. Nova igualdade dá o título ao Figueira.

Quem puder comparecer e apoiar os garotos alvinegros, vale a pena. A entrada é gratuita.

Nunca antes na história da série B…

Outro dia não fui claro ao comentar porque o Figueira chegava, mesmo enfrentando tantas dificuldades, com chances de acesso na penúltima rodada da série B.

Escrevi que um dos motivos talvez fosse o baixo nível da competição. Deu a impressão que me referia especificamente à disputa deste ano, como fazem pejorativamente os avaianos, quando a referência era em termos gerais. Por razões óbvias, A Série B tem um nível técnico inferior à primeira divisão, que também não anda lá essas coisas.

Isso posto, podemos afirmar que esta edição da série B tem alguns ineditismos e peculiaridades com relação aos campeonatos anteriores que põem por terra o discurso despeitado avaiano de que esta é a pior segundona da história.

Por exemplo, pela primeira vez desde que a competição passou a ser disputada em pontos corridos, franqueando o acesso de quatro equipes à série A, uma equipe pode fazer 66 pontos e não subir.

Seria o caso do Figueira – bate na madeira aí rápido! – se vencer seus dois jogos e o Atlético também ganhar suas duas partidas. Mais: Ceará, Figueirense, Atlético ou até a Portuguesa podem fechar o campeonato com 64 pontos e não subir. Outro ineditismo.

Tem mais: nunca antes na história da série B três vagas para o acesso estiveram abertas depois do fechamento da 36ª rodada. lotarelutar

Em 2006, Atlético-MG e Sport Recife já haviam garantido o acesso antecipado. América-RN e Naútico estavam praticamente assegurados, pois tinham 60 pontos contra 55 de Coritiba e Paulista, mas ainda poderiam ser ultrapassados, já que havia seis pontos em disputa nas duas últimas rodadas.

No ano seguinte, os quatro já haviam sido definidos ao final da 36ª rodada. Coritiba, Ipatinga e Portuguesa não poderiam ser alcançados em pontos pelo 5º colocado Brasiliense, que tinha 52 pontos. O time do Distrito Federal poderia empatar em pontos com o Vitória, com 58, mas não igualaria o time baiano no número de vitórias (18 a 14), o que também garantia o acesso ao rubronegro.

Em 2008, na 37ª rodada, Corinthians, Avaí e Santo André entraram em campo para cumprir tabela. A luta ficava restrita a Barueri (60 pontos), Bragantino (57) e Vila Nova (55).

Não está fácil e por isso a luta será até o fim.

Não tem desculpa

A diretoria do Figueira atendeu aos apelos e baixou os preços dos ingressos. 15 reais é pouco e pode ser menos ainda para estudantes e para quem comprar um bilhete da Timemania.

Agora é a torcida fazer a sua parte e lotar o Scarpelli.

Um só coração

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Em não esqueçam de levar um brinquedo para o Natal das crianças carentes. A campanha Um só coração vai arrecadar donativos antes do jogo de sábado. Vai ter um posto de coleta em cada setor do Scarpelli.