Não há mais tempo a perder

O Figueirense fez sua última partida do ano no dia 27 de novembro. Ficou sem chances de subir uma semana antes, na derrota para o Duque de Caxias em 21 de novembro.

Estamos em 7 de dezembro e até agora nada foi feito com vistas à temporada 2010. Não se sabe quem comandará o departamento de futebol, quem será o técnico e com quais jogadores o clube irá contar.

Está se perdendo um tempo que pode ser precioso para começar bem a próxima temporada. Mesmo com todas as indefinições a respeito da parceria do clube com a Figueirense Participações, é preciso acelerar o processo de definições sobre a temporada 2010.

O Figueirense tem um orçamento mínimo definido. Tem contratos de patrocínio do uniforme em vigor. Tem a contribuição dos sócios. Tem o contrato com a Fila. Tem fontes de renda como placas publicitárias, participação nas vendas da Figueira Store, além dos contratos de direito de transmissão do campeonato estadual e da Série B.

Pode não ser um orçamento milionário, mas dá para trabalhar no início da montagem da equipe para 2010. Para o campeonato catarinense é mais do que suficiente para montar um time para brigar pelo título.

Não se pode esperar simplesmente por uma decisão de Paulo Prisco Paraíso e de um eventual início de negociação sobre as mudanças de contrato para só depois começar a se mexer para formar o elenco, contratar técnico e gerente de futebol.

Mesmo que a Figueirense Participações decida deixar o clube, ela terá a responsabilidade de administrar o futebol até março, no mínimo – o entendimento do advogado Fabrycio Raupp, por exemplo, é outro. Para ele o prazo de seis meses começaria a contar mais para frente.

Assim, o melhor que a Figueirense Participações tem a fazer no momento é chamar a direção do clube, chamar o Conselho Deliberativo e procurar encaminhar definições mínimas de consenso, de comum acordo entre todas as partes. Uma espécie de governo de transição.

No momento, pode-se até não saber transição para quê, mas para o bem do clube, é a melhor forma de não paralisá-lo e não prejudicar o início da temporada.

Tirando a faca do pescoço

A reunião do Conselho Deliberativo (CD) realizada ontem decidiu, por unanimidade, que não aceita os termos propostos pela Figueirense Participações (FP) para um novo contrato e tampouco o prazo dado para resposta. O Conselho aceita discutir mudanças no contrato, mas sem prazo para fechar a negociação.

Essa negociação tem mão dupla, obviamente. O CD, através da comissão encarregada por ele para analisar as mudanças propostas pela Figueirense Participações, pode também propor alterações que fortaleçam o clube nesta relação.

Discutindo a relação

Não posso afirmar quais as intenções da Figueirense Participações ao propor mudanças em seu contrato com o clube da forma que fez, mas é fato que isto está trazendo um grande benefício à instituição.

É a sensação que tenho ao acompanhar a reação dos torcedores nos comentários nos blogs, no orkut e nas conversas pela cidade. Sensação que foi reforçada ontem ao acompanhar a reunião do Conselho Deliberativo que apresentou as propostas de mudanças no contrato com a FP.

O repúdio aos termos propostos é quase unânime. O que muda é a reação. Ou se manda a FP embora ou se negocia alterações que contemplem os dois lados do negócio é a variação que há na opinião de quem se manifesta sobre a proposta. Esse repúdio pode ser ouvido inclusive ontem na reação de alguns conselheiros que se pronunciaram durante a reunião.

Isso abriu espaço para debater o que se quer do Figueira, como se quer o Figueira, para onde o clube deve ir tanto entre os conselheiros quanto nos sócios como na torcida em geral.

É isso que deve se aproveitar agora. Fortalecer os canais de comunicação entre clube e torcida, ampliar os meios de participação, restabelecer a confiança entre dirigentes e torcedores.

O que podemos perceber ontem em contato com os conselheiros é que, de uma de forma ou de outra, o Figueira não ficará abandonado ou enfraquecido. O Figueirense é muito maior do que crises e discordâncias momentâneas. A reunião de ontem foi uma prova disso.

Programa Mais Alvinegro

Este que vos escrevem participa hoje do programa Mais Alvinegro, na rádio Mais Alegria, a partir do meio dia. O programa pode ser ouvido no AM1470 ou pela internet (clique aqui) e vai contar com a presença do Diego Tainha e do advogado Fabrycio Raupp, especializado em direito empresarial e que ontem apresentou e avaliou os termos do contrato com a FP para o Conselho Deliberativo. Você pode participar do programa através do chat, apresentando suas dúvidas e sugestões para o debate.

A espinha dorsal para 2010

A formação de um time competitivo do Figueirense passa pela manutenção de uma base formada por jogadores que aliem experiência, comprometimento, qualidade e desejo de vencer.

Nesse perfil, do atual elenco se encaixam Wilson, Jeovânio, Fernandes e Schwenck. São jogadores que já provaram seu respeito às cores do clube, tem qualidade técnica para jogar em bom nível e podem servir de esteio para a adição de atletas mais jovens e inexperientes.

No aspecto técnico, Schwenck  pode ser o mais contestado. A favor, ele tem, no entanto, a dedicação extrema, o fato de fazer gols com a camisa do Figueira, e, por que não?, a dificuldade de encontrar grandes atacantes no mercado dentro do orçamento alvinegro para disputar o estadual e a série B.

Talvez mais um xerifão na zaga, estilo Márcio Goiano, e o Figueira pode ter uma base experiente e que dê suporte emocional para jogadores mais jovens mostrarem seu futebol. É um bom ponto de partida para um time que teve um grande adversário em seus próprios nervos.

Fora de cogitação

Um leitor do blog pediu uma comparação entre Márcio Araújo e Roberto Fernandes. Em termos de desempenho, enquanto Fernandes obteve 33 pontos em 21 jogos, com 52,4%, com 10 vitórias, três empates e oito derrotas, Araújo conseguiu 27 pontos em 17 partidas, 52,9% de aproveitamento, com nove vitórias e oito derrotas.

Apesar de ter uma personalidade diametralmente oposta a de Roberto Fernandes, Márcio Araújo seguiu os passos de seu antecessor. Começou bem e foi se perdendo no caminho.

É certo que o Figueira teve problemas demais este ano, mas nenhum dos dois conseguiu mostrar capacidade para superar estas adversidades. Claro que muitas complicações fugiam de sua alçada, mas se Roberto Fernandes mais semeou confusão do que apaziguou, Márcio, por seu turno, fez as escolhas erradas, como deixar Edson e Jeovanio e optar por jogadores sem comprometimento e futebol para se manterem como titulares.

A questão central é que Márcio Araújo é um treinador absolutamente mediano, medíocre na correta acepção da palavra. Diante do caos deixado por Roberto Fernandes, sua postura mais tranquila até funcionou por um tempo. Na hora em que o caldo engrossou, não teve competência para administrar as crises.

Nos dois últimos jogos dois exemplos desta mediocridade. Contra o Duque de Caxias, com o time perdendo por 2 a 0 aos 16 minutos do segundo tempo, Araújo levou uma eternidade para mexer no time. A justificativa foi a mesma usada em seu primeiro jogo, a derrota para a Portuguesa por 3 a 1. Com um jogador expulso e perdendo a partida, o técnico argumentou que não poderia abrir o time para não ser goleado e depois ficar uma situação difícil de administrar.

Naquela partida tudo bem. Era sua estréia, o Figueira tinha mais 16 jogos para fazer. Uma goleada poderia dificultar ainda mais a recuperação da moral do grupo de jogadores.

Só que contra o Duque de Caxias era a última carroça. Era vencer ou morrer. Márcio Araújo optou pela morte lenta e inexorável em vez de arriscar vencer. Ou seja, com ele nunca levaríamos uma goleada como a sofrida para o Grêmio no ano passado. Em contrapartida, o Figueira viraria um jogo em 30 minutos.

O outro exemplo é mais prosaico. A partida contra o São Caetano não valia nada e seguia morna. 1 a 1 no placar. Wilson faz lambança, comete pênalti e é expulso. São 43 minutos do segundo tempo. O que Márcio Araújo faz? Tira Douglas, o único atacante em campo, e bota o goleiro reserva Gustavo.

Ora, as chances de tomar o segundo gol eram enormes. Por que não deixar Douglas, que já havia marcado um gol, e tirar o inútil Maicon e tentar um abafa nos últimos minutos para tentar empatar a partida? Márcio Araújo jogou no seguro e perdeu, de novo.

Eu já teria dúvidas na sua manutenção se tivesse conquistado o acesso. Como não conseguiu, não há nada que justifique sua permanência.

Só informação, sem boato

Posso garantir que este blog, o blog do Tainha e o site Meu Figueira estão se baseando somente em informações para noticiar e comentar a proposta de mudanças no contrato entre Figueirense FC e Figueirense Participações.

São informações obtidas em contato com pessoas que tiveram o acesso ao contrato. Sem fuxico ou especulação.

Se há vantagens na aprovação da proposta pelo Conselho Deliberativo, cabe à Figueirense Participações apresentá-las. O espaço está aberto neste e em outros blogs. Por enquanto, só se conhece o que a FP exige do clube, mas se desconhece as contrapartidas que oferece. E se isso acontece, é porque o silêncio impera do lado da FP.