A mística, o esquema e o sacolejo geral

Na derrota de hoje para o Metropolitano por 1 a 0, em Blumenau, o Figueirense conseguiu a proeza de jogar ainda pior do que na partida de domingo passado contra o Joinville.

Naquele jogo, o Figueria levou um banho de bola no primeiro tempo e saiu perdendo por 2 a 0. No segundo tempo, no entanto, conseguiu criar oportunidades e pressionar o JEC.

Hoje a coisa foi pior. O time tomou um a zero com 30 segundos do primeiro tempo e só não foi goleado porque Wilson é um goleiraço e o ataque do Metropolitano é formado por Tripodis, Kanus e quetais.

Eis a amarga ironia de tudo isso, O Figueira consegue ser dominado por times absolutamente comuns e sem brilho como Brusque, Atlético de Ibirama e Metropolitano. No Furacão Alvinegro, não há um lampejo de talento individual, de organização tática, de jogada ensaiada. Nada vezes nada.

Como o tal do planejamento vendeu suas cotas na Figueirense Participações há pelo menos dois anos, é hora de debelar mais uma crise, fazer mais uma revolução, chacoalhar tudo de novo.

Às vésperas do clássico, é preciso mexer no comando técnico, na escalação, no esquema tático e no ânimo de jogadores e torcedores. Também é hora de acreditar nas escritas e na mística.

A saída de René Weber e sua substitução por Márcio Goiano já é um motivo para motivação. O ex-capitão alvinegro nunca perdeu um clássico com a camisa alvinegra.

Depois é voltar o esquema tático (o Campos, dos Figueirenses, foi mais rápido e comentou primeiro, por isso merece o crédito) para o 3-5-2. Eu particularmente já cansei desse jeito de jogar, mas diante das limitações técnicas evidentes do Figueirense, é melhor tentar botar um cadeado na defesa e ver se melhora.

Aproveita tudo isso e promove a estréia de Bilu e Marcelo Nicácio para ver se esse futebolzinho horroroso que o Figueira está jogando fica menos ruim.

Tudo mostra que, ao menos nesse turno, talvez no campeonato todo, nossa missão seja apenas obter bons resultados em clássicos e atrapalhar a vida do time do Sul da Ilha.

Assim, o negócio é dar um sacolejo geral, motivar todo mundo, do jogador à torcida, promover estréias, mudar o esquema.

Clássico é empenho, dedicação, raça, camisa, tradição. Isso o Figueira tem. É dar um jeito de fazer com que tudo isso ressurja até quinta-feira.

Que tal vencer?

O empate da última quinta-feira com o Atlético de Ibirama complicou ainda mais o Figueirense, que entra em campo neste domingo contra o Metropolitano pressionado pela necessidade imperiosa de vitória.

Outra vez, numa repetição do que vem ocorrendo nos últimos dois anos, a esperança em uma equipe mais forte vem de quem ainda não entrou em campo. Agora, o reforço que cria a expectativa de conseguir fazer o time melhorar é o atacante William, que pode estrear na partida deste domingo em Blumenau.

Depois dele temos por estrear os argentinos Cataneo e Ada e o veterano Bilu. A direção do clube acena ainda com a possibililidade de mais uma novidade na segunda-feira, talvez Marcelo Nicácio (o melhor reforço daquela lista apresentada em dezembro e um dos poucos, se não o único, que não foi contratado).

Por um costume distorcido que existe no Brasil, os regulamentos permitem a inscrição de jogadores por 70% ou 80% do tempo de duração da competição. Assim, os clubes podem trazer caminhões de jogadores e ir tentando o milagre, além de aplacar a ira da torcida. Mas isso é assunto, prometo, para um post específico.

O que interessa no momento é que o Figueirense traga a vitória de Blumenau, se recoloque como candidato a uma das vagas à semifinal e ganhe mais ânimo para o clássico de quinta-feira. Aqui, apesar do realismo e até da decepção e impaciência, ninguém torce contra não.

Que William entre e arrebente, que Bilu conserte o meio-campo, que os gringos mostrem as velhas habilidade e picardia portenhas. E que o Figueirense nos volte a dar um pouco de alegria.

À vitória e ao bom futebol, Figueira.

Cortejo fúnebre

É, meus amigos, estamos presenciando o velório mais longo da história do futebol de Santa Catarina. A Figueirense Participações morreu, mas seguirá insepulta até o dia 21 de março. Como despedida, nos brindou com o time que estamos tendo o desprazer de ver jogar.

A FPSA poderia ter optado por ter montado um bom time, capaz de liderar o campeonato e brigar pelo título. Seria uma forma de mostrar sua competência e comprovar como seria imprescíndivel ao clube. Mas não. Preferiu fazer um time que não é melhor do que o do ano passado. E olha que aquele time era recheado de jogadores das categorias de base, além de reforços do nível de Rafael Ueta e Juninho.

Depois de apenas quatro rodadas, a sensação que passa é que o Figueirense está cumprindo tabela, esperando o campeonato acabar, a Figueirense Participações sair, alguma coisa mudar.

Ao ver esse time jogar é quase impossível ver alguma concepção de equipe evidenciada na construção do elenco. É um time de imposição física, que não vai deixar o adversário jogar e ganhar os jogos na força e na bola parada? É um time de toque de bola, que vai controlar o jogo, mantendo a posse de bola? É uma equipe de velocidade, que vai jogar de primeira, com muita movimentação para confundir o posicionamento adversário?

Não há como ver qualquer idéia por trás da formação do elenco alvinegro, a não ser que a grande maioria pertence a Eduardo Uram.

É difícil entender, como lembrou Balduíno ontem durante a transmissão da Rádio Guarujá, por que o modesto Atlético de Ibirama consegue fazer uma marcação forte e eficiente, consegue trocar passes, consegue jogar de primeira, enquanto o Figueirense pena para fazer o básico, o beabá do futebol.

Em 2008, escrevi sobre o time daquele funesto ano, que era uma equipe que tinha que fazer um esforço descomunal para jogar bem. Se aquele time, que tinha alguns bons jogadores como Cleiton Xavier e Marquinho, já penava tanto, o que dizer do atual?

Então vamos acompanhando o ferétro. Os sete mil do primeiro jogo já viraram quatro mil na segunda partida. Para diminuir o clima de enterro, a comissão do Conselho Deliberativo poderia começar a explicar e detalhar ao torcedor o que pretende fazer de novo na gestão do futebol. Seria uma forma de aliviar a marcha fúnebre, de mostrar que há vida depois da morte.

Notas alvinegras

  • Diego Paulista fez sua pior partida no Figueirense. Errou tudo que podia e ainda se envolveu no lance do pênalti. Coutinho, por sua vez, melhorou. Vai ter que melhorar mais para ter vaga no time.
  • Junior Negrão teve companhia e foi outro que teve uma atuação completamente apagada, fora de sintonia.
  • Sem entrar no mérito técnico, Maicon merece elogios. Mudou completamente de comportamento na comparação com ano passado. Corre, dá combate, busca jogo, se esforça.
  • O zagueiro Kadu fez uma estréia discreta, manchada por uma expulsão boba, pois tomou o primeiro amarelo quando botou a mão na bola num lance de ataque. Este cartão poderia ser evitado.
  • Renê Weber ressaltou que o Atlético de Ibirama está com um preparo físico acima do que poderia se esperar para a quarta rodada do campeonato. Por que então o Figueira não fez uma pré-temporada decente com o time que poderia ser titular, enquanto uma equipe B começava a competição? Medo de maus resultados? Eles estão acontecendo mesmo assim.
  • Mais uma arbitragem ruim. Deixou o zagueiro e capitão Souza baixar o porrete e escapar só com um cartão amarelo. Pipocou ao dar o segundo amarelo para mais um jogador do Atlético e dois minutos deu cartão para outro, que ainda não havia levado nenhum, por uma falta idêntica ao do primeiro. Não hesitou em dar o segundo amarelo para Kadu, parecia estar agoniado para deixar o jogo 10 contra 10. Amarelou ao não dar vermelho para o garoto Alexandre numa entrada duríssima em Maurício no fim do jogo. Deu um pênalti pra lá de discutível. Pode ser considerada boa uma arbitragem como essa?
  • A campanha segue rigorosamente igual a do ano passado. Vitória no primeiro jogo, derrota nos dois seguintes, empate com o Atlético em 1 a 1 na quarta rodada. Na sequência, em 2009, o Figueira empatou com o Metrô, em Blumenau, e com o Avaí, no Scarpelli.

Para entrar na briga e embolar tudo

O Figueirense precisa vencer o Atlético de Ibirama hoje para entrar no bolo daqueles que brigam pela classificação para as semifinais do turno.

Com a vitória, o Figueira chega a seis pontos ganhos e se iguala a quatro outras equipes. Também diminui a diferença para os líderes – o próprio Atlético e o Joinville – para três pontos, com cinco jogos ainda para disputar.

Diante da necessidade de jogar melhor e de vencer, o técnico Renê Weber finalmente deixa Ernani e Marquinho de fora do time. É um avanço, que precisa ser complementado com a escolha dos substitutos certos e com mudanças no esquema para deixar a equipe mais incisiva.

Vamos ao Scarpelli. Apesar dos problemas, é dia de jogo, é de torcedor ir ao estádio.

Notas alvinegras

  • O campeonato está tão meia boca que até o vovô Viola vai se fartar.
  • O apito amigo não deu dois pênaltis para o Criciúma no empate de ontem contra o Avaí. Nessa hora não aparece ninguém na mídia para berrar: ALÔ, DOTÔ!!!!!
  • Tem gente insistindo em querer comparar Sávio com Edmundo. Tem hora que discutir com avaiano é testemunhar a insanidade em estado bruto. Seguinte: faz duas coluninhas, bota  o nome de Sávio no topo de uma, o do Animal no topo da outra e aí anota quantos jogos importantes, quantos clássicos e quantos campeonatos cada um decidiu.
  • Mais um zarpa do Sul da Ilha. Só ficou quem ninguém quis levar. Isso que o presidente bravateiro deles disse que a base seria mantida.
  • Vale ver a pena ver a entrevista de Carlos Aragão, presidente em exercício do Figueirense. Ele deixa claro que vai cuidar da transição e da saída da Figueirense Participações e que respeita totalmente a decisão do Conselho Deliberativo. É a melhor postura para o clube. A conversa com Rodrigo Faraco e Renato Semensati está aí embaixo.

Contusões, licenças e mudanças

A contusão de Fernandes é mais um duro golpe para as pretensões do Figueirense no campeonato catarinense. O grande craque alvinegro fraturou a clavícula e vai ficar no mínimo dois meses fora da equipe.

Sem aquele que poderia liderar tecnicamente a reação da equipe e a melhoria sensível da qualidade do futebol apresentado nos três primeiros jogos, Renê Weber vai ter que se virar para fazer o time jogar o que não jogou até agora.

Sem poder contar com a estréia de Fernandes e também sem Jeovanio, suspenso, eu gostaria de ver Diego Paulista e Roberto Firmino iniciando um jogo.

Para dar um descanso ao trio Coutinho, Marquinhos e Ernani, o técnico podia escalar Diego Paulista, Roberto Firmino e mais um atacante. Para a vaga de Jeovanio, suspenso, poderia testar Marcinho ou mesmo Robertinho, dos juniores. O meio poderia ficar então com Marcinho (Robertinho), Diego Paulista, Firmino e Maicon.

No ataque, Alex Junio poderia fazer dupla com Junior Negrão. Se uma das alternativas para o Figueira atacar atualmente é sair em disparada com a bola, Alex ao menos consegue cavar umas faltas. Outra alternativa seria botar Jean Carioca, que, quando entrou, pareceu menos inoperante que o trio citado no parágrafo anterior. Só não sei se jogar com cinco no meio-campo é a melhor alternativa para um jogo em casa contra o Atlético de Ibirama em que a vitória é fundamental para não desandar de vez a maionese.

Sim, porque se o Figueira quiser se classificar para as semifinais do turno tem que fechar o turno com, no mínimo, 15 pontos ganhos (55% de aproveitamento).

Para tanto, tem que vencer os três jogos que tem no Scarpelli (Atlético, Avaí e Chapecoense) e buscar mais uma vitória fora contra Metropolitano, Juventus ou Criciúma.

Para se garantir sem sustos mesmo,o bom seria chegar nos 17 pontos, o que exigiria vencer quatro partidas e empatar duas.

Tudo, no entanto, passa por conseguir primeiro uma vitória sobre o Atlético. Se não, o Figueira já começa a entrar naquele terreno de ter que vencer todas e ainda depender dos outros, situação que já nos causou muita decepção nos últimos tempos.

Notas alvinegras

  • O Tainha lembrou bem: Roberto Alves virou interlocutor privilegiado da Figueirense Participações. Recebe as informações em primeira mão. É interessante ver como as coisas mudam.
  • Duvido muito que Norton Boppré retorne de sua licença, que terminaria poucos dias antes de acabar a gestão da Figueirense Participações. Também não sei que importância isso teria, diante do reduzido papel que o presidente do Conselho Administrativo do clube passou a ter em seu mandato na definição dos rumos do clube e do departamento de futebol.

Madrugadão da bola

Na próxima quinta-feira, quando enfrenta o Atlético de Ibirama no Scarpelli, o Figueirense começa uma sequência de jogos em casa no indigesto horário das 21h50 que só termina na terceira rodada do returno, em 6 de março.

Nesse período, oito rodadas se passarão – sem contar as semifinais e finais do turno – e o Figueira irá fazer quatro partidas em casa até o dia 3 de março. Além do Atlético na próxima quinta-feira, pega Avaí (04/02), Chapecoense (10/02) e Brusque (03/03) no magnífico horário das 21h50.

Só no dia 6 de março o Figueirense faz um jogo num horário decente. Às quatro da tarde pega o Joinville no Scarpelli. Só não se anime muito. 6 de março é sábado, não domingo. Depois, no dia 20 de março, outro sábado, o Figueira pega o Metropolitano em casa às 18h30. No dia 27, o sábado seguinte, a partida contra o Juventus. Só que o horário é mais tarde ainda: 20h30.

Em resumo, se o Figueirense não chegar à decisão do campeonato, provavelmente não fará uma única partida no domingo no Scarpelli durante todo o ano, já que a série B não tem jogo nesse dia.

Você pode xingar a Federação Catarinense à vontade, já que a incompetência por ali também não é pequena. É difícil, porém, entender porque a direção do Figueirense aceitou a repetição de uma tabela tão ruim, igual a do ano passado.

Não é só ruim por não marcar jogos aos domingos no Scarpelli, ou por programar os clássicos em duas quartas-feiras, como se os dois clubes da capital estivessem rasgando dinheiro e repercussão na mídia.

Também é ruim porque nos dois últimos anos, o Figueirense foi o único time a fazer duas partidas seguidas fora de casa nas três primeiras rodadas. Não bastassem todas as dificuldades na montagem do time no ano passado e agora, a direção do clube aceita passivamente repetir essa desvantagem mesmo sabendo que o fator casa em Santa Catarina tem muito mais peso do que em outros estados.

Para completar, o Figueirense aceita também silenciosamente os horários e dias definidos pela RBS.

Além da formação de um time que não atrai o torcedor, a direção do clube, pelo jeito, não está fazendo muita questão da presença da torcida no estádio.

Porque a conjunção de derrotas seguidas, futebol ruim, dias poucos usuais e horários desagradáveis é óbvia e certeira: estádio vazio.

Notas alvinegras

  • René Weber está tentando repetir no Figueira o esquema vitorioso usado por Mano Menezes no primeiro semestre do ano passado no Corinthians, quando a equipe paulista ganhou o campeonato estadual e a Copa do Brasil.
  • Lá, muita gente qualificava o esquema de 4-3-3, porque Mano utilizava os atacantes Dentinho e Jorge Henrique pelos lados do canto. Só que os dois voltavam para fechar a marcação e o esquema na prática era um 4-2-3-1.
  • O problema é que num time a formação tinha Christian, Elias, Dentinho, Douglas, Jorge Henrique e Ronaldo. Aqui tem Maicon, Marquinhos e Ernani, além de Coutinho. Fica difícil qualquer esquema funcionar assim, principalmente com os três últimos.
  • Não se fala mais na contratação de lateral direito no Scarpelli. O assunto morreu. Lucas deve valer por dois.

2010 ainda não chegou. Estamos em 2008c

Replay, flashback, deja vu. Chame como quiser. Mas essa foi a sensação que tive ao ver a derrota do Figueirense por 2 a 1 para o Joinville na tarde deste domingo.

Pelo terceiro ano consecutivo, o Figueirense começa a temporada com um time formado por vários jogadores de qualidade questionável, com uma marcação frouxa, sem criatividade, sem posse de bola. Um time que leva sufoco até o adversário cansar de dar sufoco, cuja defesa perde a maioria dos lances pelo alto e que só tem duas alternativas para ir para o ataque: o chutão para frente ou a corrida desenfreada de alguém com a bola, tentando furar o bloqueio adversário sozinho.

São três anos de uma pobreza técnica exasperante, de uma indigência tática repetitiva e tediosa. Sinceramente, se eu não tivesse um blog pra tocar, mudaria de canal e me distrairia com outra coisa.

O blog, no entanto, me obriga a assistir os 90 minutos de jogo. E pior, a prestar atenção. Aí, a gente nota que já passaram 10 técnicos e mais de 100 jogadores pelo Figueirense desde 2008 e esse futebol mequetrefe persiste.

Até os gerentes de futebol foram trocados nesse período, mas os problemas continuam sendo os mesmos. Não posso botar tudo na conta da incompetência ou da má intenção. Só pode haver algo mais para se montar um time que consegue jogar mal absolutamente do mesmo jeito mesmo trocando quase todos os seus jogadores e o técnico. feitico-do-tempo (1)

Sim, porque há várias maneiras de se jogar mal. Há várias maneiras de se contratar errado. Há várias maneiras de se perder jogos e campeonatos. O Figueirense, no entanto, joga absolutamente do mesmo e paupérrimo jeito desde 2008, cometendo sempre os mesmos erros.Chame de flashback, deja vu ou replay.

Tenha o nome que tiver, é um pé no saco.

Notas alvinegras

  • Marquinhos; 27 anos, Coutinho; 25 anos e Ernani; 24 anos. Três jogadores que ajudam a elevar a média de idade do time titular do Figueira. Três jogadores que já rodaram um bocado. Três jogadores que até agora não mostraram ter condição de vestir a camisa do Furacão Alvinegro.
  • Provavelmente é má vontade, pegação de pé deste blogueiro, mas quando o Maicon vira o jogador mais importante do time é porque o negócio está muito feio.
  • O cara fez quatro gols em três jogos e é artilheiro do campeonato. Junior Negrão é um dos poucos que se salvaram até agora, mas já mostrou que vai provocar fortes emoções na torcida alvinegra. Fazer gol fácil não é com ele.
  • Um defeito o Figueirense tem há mais tempo, além de 2008: o hábito de não pressionar a saída de bola adversária. Até o debutante Imbituba vem ao Scarpelli e aperta a defesa alvinegra. O Figueira não. Fica todo mundo pra trás da linha do meio campo. Quando o time ataca, os atacantes, meias e laterais avançam. Os zagueiros ficam na risca da grande área alvinegra e os volantes três passos adiante, dando um latifúndio para o adversário puxar o contra-ataque. Compactação é um conceito futebolístico desconhecido para o Figueirense há muito tempo.
  • São só três partidas, tem jogador para estrear, etc. Só que é irritante demais ver exatamente o mesmo filme se repetir mais uma vez.
  • Podem dizer que o time melhorou no segundo tempo. Para mim, essa melhora se deve à postura do Joinville, que recuou demais, se acomodou com a vantagem de dois gols e depois morreu em campo, desgastado fisicamente. A questão é justamente essa. Nos últimos tempos, o Figueirense é quase sempre um time a mercê do adversário. E não há nada mais desanimador para um torcedor do que isso.

Semelhanças e diferenças

Não sei se foi por preguiça ou por falta de imaginação, mas a tabela dos turnos do campeonato catarinense 2010 é exatamente igual a de 2009. Só se deram ao trabalho de botar o Imbituba onde ano passado era o Tubarão e trocar Marcílio Dias por Juventus.

A repetição pode ajudar a tornar o campeonato mais monótono, mas permite uma comparação mais direta entre os desempenhos dos dois anos.

Assim, o Figueira começa, em termos de resultados, rigorosamente igual: uma vitória em casa na primeira rodada e uma derrota fora na segunda partida.

No ano passado, goleou o Tubarão por 4 a 0. Ainda não sabíamos, mas o time do Sul do estado seria o saco de pancadas da competição. Neste ano, o time voltou a não fazer uma grande exibição, mas venceu o Imbituba, que revelou-se um time melhor do que a equipe da Cidade Azul.

Ontem, o Figueira foi derrotado outra vez pelo Brusque, a exemplo de 2009. Agora, faz outro jogo fora do Scarpelli, contra o Joinville, de quem levou 3 a 0 no ano passado. O JEC vem de derrota para o CFZ Imbituba e vai querer se recuperar em cima do Figueira. Casa cheia, rivalidade e um rival de mais qualidade esperam pelo Furacão Alvinegro, que vai precisar mostrar mais do que mostrou até agora se não quiser sair com mais uma derrota.

Notas alvinegras

  • Não vou aprofundar a análise do jogo contra o Brusque porque fiquei limitado a acompanhar pelo rádio, mas sempre cabe um pitaco.
  • O primeiro é sobre Jeovânio, que ainda não mostrou seu futebol habitual. É preciso paciência com ele. É o tipo do jogador que precisa estar muito bem preparado para mostrar sua capacidade de proteger a defesa e ainda por cima demora bastante para chegar ao ápice. Como vem de um longo período em que jogou muito pouco, vai precisar de tempo.Foi assim quandor retornou contundido de empréstimo ao Palmeiras. Além disso, é primeiro volante. Não tem característica de sair para o jogo. É fazer o desarme e fazer o passe curto. Sem invenções.
  • Renê Weber reclamou que os três gols sofridos pelo Figueira no campeonato foram de bola parada. Ora, dos quatro que o time fez, três também foram de bola parada. Tem que corrigir o posicionamento da defesa sim, mas também tem que ter mais capacidade de criar jogadas ofensivas e convertê-las em gol.
  • Não sei se é muito válido insistir na mesma formação se tem jogador melhor de fora, como Fernandes e Diego Paulista, para ficar naqueles que eu conheço.
  • Dois jogos, duas arbitragens horrorosas. Alguma novidade?
  • Faz uns dois anos que se conta nos dedos as boas exibições do Figueirense. Estão virando exceção e raridade. Vamos ver se o terceiro jogo da temporada traz algo melhor.

Figueira sempre acima de tudo

O Conselho Deliberativo do Figueirense tomou uma decisão histórica na noite de ontem ao reafirmar o propósito do clube retomar o controle de seu departamento de futebol.

Foi uma decisão amadurecida ao longo dos últimos meses, debatida com setores da torcida alvinegra e do Conselho Deliberativo, com empresários da cidade e com gente do futebol nacional.

Uma decisão fruto da insatisfação crescente de todos os setores da vida alvinegro com os rumos tomados pela Figueirense Participações nos últimos anos.

Uma decisão provocada pela iniciativa da própria FPSA de enviar uma carta botando uma faca no pescoço do Conselho Deliberativo ao exigir mudanças em um contrato que já lhe era absoluta e extremamente favorável.

Tudo isso precisa ser lembrado neste momento. Como sempre deverão ser lembrados os títulos conquistados, o acesso para a série A, o trabalho de base, a recuperação do clube e tudo mais que a FPSA fez.

Só que tudo deve ser de mão dupla na vida. Paulo Prisco Paraíso e sua equipe recuperaram sim o Furacão Alvinegro, mas também tiveram neste período poder e autonomia para gerir todas as receitas do clube, inclusive os 20% que caberiam ao Figueirense, mas que por força de contrato eram todos reinvestidos no futebol, ou seja, voltam para serem geridos pela FPSA .

É irrelevante se a FPSA obteve lucro, ficou no prejuízo ou não saiu do zero a zero no período em que geriu o futebol do clube. Este blogueiro nunca caiu na histeria hipócrita de reclamar do fato da FPSA poder lucrar com negócios feitos na gestão do futebol. Se o Figueirense se mantivesse na série A, alcançasse a classificação para a Libertadores e continuasse montando boas equipes, a FPSA poderia ter lucrado 50 milhões de reais que não veríamos problema algum.

Também não iremos reclamar se o novo projeto de gestão do futebol trouxer aplicadores que queiram retorno de seus investimentos. Não veremos mal nenhum nisso desde que os interesses do clube sejam preservados e respeitados, que a relação entre as partes seja justa e equilibrada, que o clube também tenha sua cota de lucros financeiros e, principalmente, esportivos, e que esta relação se dê de forma clara e transparente.

Dois bicudos não se beijam

No auge da crise, quando o Conselho Deliberativo rejeitou por unanimidade as mudanças propostas pela FPSA, este blog sugeriu o caminho do meio, a negociação para manter a parceria, mas em condições mais favoraveis ao clube, sem abrir mão da contribuição de PPP.

Este, no entanto, nunca quis de fato negociar. Durante todas as conversações entre Comissão do CD e representantes da FPSA, ficou claro que Paulo Prisco não abre mão do controle absoluto da gestão. Não é possível, como se sabe, negociar se uma das partes não quer.

Quem hoje lamenta a saída de Paulo Prisco e reclama de uma eventual injustiça, se esquece, intencionalmente ou não, que tudo isso só está acontecendo por obra da arrogância, empáfia e incapacidade de fazer autocrítica que tomou conta da Figueirense Participações nos últimos tempos.

O longo tempo no poder pode causar mal a qualquer um. Há risco de isolamento, “encastelamento”, autocomplacência e soberba para quem se acostuma a mandar. A leitura da realidade passa a ficar prejudicada. Paulo Prisco e a FPSA foram incapazes de avaliar o momento que o clube vivia, o grau de insatisfação de torcedores e conselheiros.

Quando você perde o apoio de gente que estava ao seu lado desde a primeira hora ou você passa a acreditar que eles eram “bonzinhos” e agora viraram “bandidos” ou reavalia seu comportamento. A FPSA só conseguiu mensurar seu grau de isolamento quando era tarde demais, pondo tudo na conta da ingratidão alheia.

Não há, portanto, injustiça alguma. Trata-se de recuperar o que é do Figueirense por direito: o controle de seu próprio destino. Errando e acertando, é o clube que deve gerir seu futebol, seus negócios, seu relacionamento com seu maior patrimônio: a torcida.

Paulo Prisco Paraíso tem seu lugar na história com um dos maiores dirigentes que o Figueirense já teve. Cabe a ele decidir se o clube está de fato acima de tudo e tratar de negociar a transição para a nova gestão ou manchar indelevelmente sua reputação levando o Figueira às barras dos tribunais.

Se for coerente com seu discurso, PPP irá refletir e deixar qualquer disputa judicial de lado, pois sim, o Figueirense deve estar sempre acima de tudo.

Notas Alvinegras

  • Este blog saúda quem saiu de um longo silêncio para lamentar o fim da era PPP. É de se perguntar por que não expôs seu legítimo ponto de vista antes. Falar de futebol sem comentar as decisões, objetivos e postura de quem dirige os clubes e portanto deixar de lado o comportamento de quem toma efetivamente as decisões e traça os objetivos do clube é entregar ao leitor uma visão parcial e incompleta da realidade.
  • Tem gente que apela para nicks fakes em chats de programa de rádio e comentários na internet para defender a Figueirense Participações. É vergonha? Por quê?
  • O jogo nos bastidores foi pesado e muitas vezes sujo. Sobraram acusações, insinuações e calúnias para blogueiros, conselheiros e empresários, como se não estar ao lado da Figueirense Participações fosse coisa de canalhas, maus intencionados e bandidos.
  • Até hoje este blogueiro não sabe quais benefícios o Figueirense teria se as mudanças no contrato propostas  pela FPSA fossem aprovadas. Até hoje ninguém da empresa se deu ao trabalho de apresentar e explicar tais vantagens.
  • O melhor da estréia do Figueirense no campeonato catarinense foi a surpreendente presença da torcida, com quase 7 mil pagantes. A segunda melhor foi o resultado. Já o futebol demonstrado não animou muito. Como foi apenas o primeiro jogo e ainda há muita gente para estrear, iremos dar o devido tempo para depois fazer uma avaliação mais rigorosa.
  • Estou sem acesso à internet, o carro está na oficina e só agora estou me recuperando plenamente de uma gripe que me ataca desde sexta-feira passada. Tudo isso complicou a atualização do blog. A partir deste final de semana, a situação se normaliza.

Vem briga por aí

O que mais chamou a atenção no bate-papo entre dirigentes do Figueirense e blogueiros, ocorrido na manhã desta quinta-feira no estádio Orlando Scarpelli, foi a afirmação feita por Paulo Prisco Paraíso de que a Figueirense Participações não deixará a gestão do clube em 21 de março e que a disputa pelo controle do futebol alvinegro pode se arrastar por meses na Justiça.

Como a comissão do Conselho Deliberativo anunciou oficialmente o fim das negociações  com a FPSA (leia aqui) e pretende apresentar seu plano alternativo de gestão na reunião extraordinária do Conselho que está sendo convocada para a próxima terça-feira,desenha-se uma briga judicial que pode prejudicar em muito o Figueirense.

Paulo Prisco antecipou um pouco da estratégia da FPSA para continuar à frente do clube ao procurar minimizar e retirar o caráter formal e oficial das comunicados que enviou ao Conselho Deliberativo, principalmente aquele em que informava que deixaria a gestão do futebol caso a minuta de novo contrato não fosse aceita pelos conselheiros.

O presidente da FPSA também destacou que uma prova de que teria havido um recuo na questão da “denúncia” do contrato feita pela FPSA era o fato de estar ocorrendo negociações entre as duas partes até aquele momento. O dirigente ressaltou que o Figueirense está acima de tudo, mas que a disputa poderá ir para o campo judicial.

Como a comissão e o próprio Conselho já externaram entendimento diametralmente oposto, a postura da FPSA pode levar o clube a uma situação extremamente complicada nos próximos meses. O melhor seria resolver tudo dentro dos fóruns do clube, acatando inclusive decisões tomadas pelo Conselho Deliberativo, que, quer queiram ou não, é estatutariamente o poder maior da instituição.

A tentativa de desqualificar seus próprios atos, no caso a denúncia do contrato, é, a meu ver, uma estratégia questionável. Não se pode tomar um documento oficial como um lapso, principalmente quando ele só vira engano depois de que a repercussão não foi a esperada.

De qualquer forma, a iniciativa de conversar com os blogueiros merece ser elogiada e deveriam ser mais constante. Além de Paulo Prisco, estiveram presentes o presidente Norton Boppré; o vice de futebol, Edison Pereira de Lima; o vice de marketing, Sérgio Schütz, além do pessoal da comunicação e do marketing do clube. O gerente de futebol, Erasmo Damiani, chegou com a conversa já em andamento.

Confira o que os outros blogueiros presentes comentaram, inclusive sobre o início da temporada 2010: Tainha, Meu Figueira e Nosso Figueira.