O Conselho Deliberativo do Figueirense tomou uma decisão histórica na noite de ontem ao reafirmar o propósito do clube retomar o controle de seu departamento de futebol.
Foi uma decisão amadurecida ao longo dos últimos meses, debatida com setores da torcida alvinegra e do Conselho Deliberativo, com empresários da cidade e com gente do futebol nacional.
Uma decisão fruto da insatisfação crescente de todos os setores da vida alvinegro com os rumos tomados pela Figueirense Participações nos últimos anos.
Uma decisão provocada pela iniciativa da própria FPSA de enviar uma carta botando uma faca no pescoço do Conselho Deliberativo ao exigir mudanças em um contrato que já lhe era absoluta e extremamente favorável.
Tudo isso precisa ser lembrado neste momento. Como sempre deverão ser lembrados os títulos conquistados, o acesso para a série A, o trabalho de base, a recuperação do clube e tudo mais que a FPSA fez.
Só que tudo deve ser de mão dupla na vida. Paulo Prisco Paraíso e sua equipe recuperaram sim o Furacão Alvinegro, mas também tiveram neste período poder e autonomia para gerir todas as receitas do clube, inclusive os 20% que caberiam ao Figueirense, mas que por força de contrato eram todos reinvestidos no futebol, ou seja, voltam para serem geridos pela FPSA .
É irrelevante se a FPSA obteve lucro, ficou no prejuízo ou não saiu do zero a zero no período em que geriu o futebol do clube. Este blogueiro nunca caiu na histeria hipócrita de reclamar do fato da FPSA poder lucrar com negócios feitos na gestão do futebol. Se o Figueirense se mantivesse na série A, alcançasse a classificação para a Libertadores e continuasse montando boas equipes, a FPSA poderia ter lucrado 50 milhões de reais que não veríamos problema algum.
Também não iremos reclamar se o novo projeto de gestão do futebol trouxer aplicadores que queiram retorno de seus investimentos. Não veremos mal nenhum nisso desde que os interesses do clube sejam preservados e respeitados, que a relação entre as partes seja justa e equilibrada, que o clube também tenha sua cota de lucros financeiros e, principalmente, esportivos, e que esta relação se dê de forma clara e transparente.
Dois bicudos não se beijam
No auge da crise, quando o Conselho Deliberativo rejeitou por unanimidade as mudanças propostas pela FPSA, este blog sugeriu o caminho do meio, a negociação para manter a parceria, mas em condições mais favoraveis ao clube, sem abrir mão da contribuição de PPP.
Este, no entanto, nunca quis de fato negociar. Durante todas as conversações entre Comissão do CD e representantes da FPSA, ficou claro que Paulo Prisco não abre mão do controle absoluto da gestão. Não é possível, como se sabe, negociar se uma das partes não quer.
Quem hoje lamenta a saída de Paulo Prisco e reclama de uma eventual injustiça, se esquece, intencionalmente ou não, que tudo isso só está acontecendo por obra da arrogância, empáfia e incapacidade de fazer autocrítica que tomou conta da Figueirense Participações nos últimos tempos.
O longo tempo no poder pode causar mal a qualquer um. Há risco de isolamento, “encastelamento”, autocomplacência e soberba para quem se acostuma a mandar. A leitura da realidade passa a ficar prejudicada. Paulo Prisco e a FPSA foram incapazes de avaliar o momento que o clube vivia, o grau de insatisfação de torcedores e conselheiros.
Quando você perde o apoio de gente que estava ao seu lado desde a primeira hora ou você passa a acreditar que eles eram “bonzinhos” e agora viraram “bandidos” ou reavalia seu comportamento. A FPSA só conseguiu mensurar seu grau de isolamento quando era tarde demais, pondo tudo na conta da ingratidão alheia.
Não há, portanto, injustiça alguma. Trata-se de recuperar o que é do Figueirense por direito: o controle de seu próprio destino. Errando e acertando, é o clube que deve gerir seu futebol, seus negócios, seu relacionamento com seu maior patrimônio: a torcida.
Paulo Prisco Paraíso tem seu lugar na história com um dos maiores dirigentes que o Figueirense já teve. Cabe a ele decidir se o clube está de fato acima de tudo e tratar de negociar a transição para a nova gestão ou manchar indelevelmente sua reputação levando o Figueira às barras dos tribunais.
Se for coerente com seu discurso, PPP irá refletir e deixar qualquer disputa judicial de lado, pois sim, o Figueirense deve estar sempre acima de tudo.
Notas Alvinegras
- Este blog saúda quem saiu de um longo silêncio para lamentar o fim da era PPP. É de se perguntar por que não expôs seu legítimo ponto de vista antes. Falar de futebol sem comentar as decisões, objetivos e postura de quem dirige os clubes e portanto deixar de lado o comportamento de quem toma efetivamente as decisões e traça os objetivos do clube é entregar ao leitor uma visão parcial e incompleta da realidade.
- Tem gente que apela para nicks fakes em chats de programa de rádio e comentários na internet para defender a Figueirense Participações. É vergonha? Por quê?
- O jogo nos bastidores foi pesado e muitas vezes sujo. Sobraram acusações, insinuações e calúnias para blogueiros, conselheiros e empresários, como se não estar ao lado da Figueirense Participações fosse coisa de canalhas, maus intencionados e bandidos.
- Até hoje este blogueiro não sabe quais benefícios o Figueirense teria se as mudanças no contrato propostas pela FPSA fossem aprovadas. Até hoje ninguém da empresa se deu ao trabalho de apresentar e explicar tais vantagens.
- O melhor da estréia do Figueirense no campeonato catarinense foi a surpreendente presença da torcida, com quase 7 mil pagantes. A segunda melhor foi o resultado. Já o futebol demonstrado não animou muito. Como foi apenas o primeiro jogo e ainda há muita gente para estrear, iremos dar o devido tempo para depois fazer uma avaliação mais rigorosa.
- Estou sem acesso à internet, o carro está na oficina e só agora estou me recuperando plenamente de uma gripe que me ataca desde sexta-feira passada. Tudo isso complicou a atualização do blog. A partir deste final de semana, a situação se normaliza.