Nas conversas com gente que está trabalhando para construir uma alternativa efetiva para substituir a Figueirense Participações na gestão de futebol do clube, nota-se a nítida intenção em se estabelecer algo novo, que vá além do que foi feito até agora, mas tendo como norte os interesses do clube, acima de tudo.
Não se trata, portanto, de uma volta ao passado, como é preocupação de alguns, entre eles o Campos, blogueiro que admiro muito (leia aqui), e tem externado seus receios em termos o Conselho Deliberativo do Figueira no controle de tudo. ![381px-back_to_the_future[1] 381px-back_to_the_future[1]](http://ney.meufigueira.com.br/wp-content/uploads/2010/01/381px-back_to_the_future1.jpg)
É uma preocupação justa, mas que resvala no maniqueísmo. Tudo de bom que aconteceu no Figueira é por causa da Figueirense Participações, tudo de ruim se debita ao Conselho.
Não é por aí. A FPSA merece ser elogiada – e este espaço fez isso várias vezes – por tudo que fez de bom, mas até os melhores modelos se esgotam, ficam ultrapassados. O modelo implantado por Paulo Prisco foi excelente enquanto os interesses e objetivos de clube e empresa caminharam juntos.
Em determinado momento, eles começaram a se separar e aí é simples: o modelo não serve mais ao clube. A FPSA teve seus méritos, obteve seus resultados, mas o risco de se pôr a gestão do futebol inteiramente nas mãos de um terceiro começa a ser melhor avaliada e sentida agora, até porque era algo inteiramente novo quando foi implantado, com alvinegros nas duas pontas do processo, e lá atrás ainda não havia como saber exatamente no que ia dar.
Agora há. E o rescrudescimento do poder da Figueirense Participações a partir das alterações contratuais propostas pela empresa serviu de mote para uma reação vigorosa da torcida e do Conselho Deliberativo.
Não se trata de uma volta pura e simples aos tempos dos abnegados, apaixonados e amadores dirigentes, das bombonas nas portas do Scarpelli, das dificuldades de todo tipo.
O que as pessoas envolvidas no processo de construção de um novo modelo de gestão – do CD e de fora dele, não estou autorizado a dizer os nomes – querem é manter o clube como centro de tudo, com comando na gestão, estabelecendo parcerias em todas as áreas conforme interesses do Figueirense FC.
O que eles querem é resgatar a paixão e a autonomia do Figueirense Futebol Clube, mas sem abrir mão de paradigmas empresariais, profissionais, de eficiência, competência e qualidade (leia mais sobre o assunto no blog do Tainha).
Ressalta-se, porém, que tudo isso só está acontecendo porque a FPSA manifestou claramente sua vontade de deixar o Figueirense, ao por a faca no peito do clube, exigindo mudanças no contrato. Se a FPSA vai sair é por sua livre espontânea vontade, quando imperialmente quis impor sua posição a ferro e fogo, avaliando de forma arrogante ser maior que o clube.
O Figueirense, enquanto clube, é uma construção coletiva. Não é propriedade de um indivíduo. Já abordei aqui propostas de democratização da instituição, mas desconheço um episódio em que o Conselho Deliberativo tenha se portado com tanta firmeza quanto no momento atual.
Ninguém tem bola de cristal para cravar que tudo vai dar certo. O Figueirense voltar a ser dono de seu destino, porém, parece ser um bom ponto de partida. É desse pressuposto básico que se quer dar um passo à frente, tendo como referência o que de bom e de ruim já aconteceu na belíssima história de quase 89 anos do Figueirense Futebol Clube.
Notas alvinegras
- Estou de férias, sem acesso fácil à internet. Nesta transição entre férias e trabalho, me perdi um pouco para organizar uma nova rotina. Peço desculpas aos meus caros leitores e informo que pretendo voltar a atualizar o blog com frequência.
- Nesta segunda-feira, o programa Campo Crítico, que vai ao ar pela rádio Guarujá às 13 horas, passa a ser transmitido também pela TV Record News. Vale conferir.