A diferença foi embora

Observando o desempenho do Figueira nas competições nacionais de base, podemos concluir que era Rogério Micale que fazia a diferença nos resultados conquistados (satisfeito, Ian?).

O clube continua tendo o melhor trabalho de base de Santa Catarina e a estrutura montada permite com que domine as competições locais em todas as categorias. Só que, levando em conta os resultados obtidos desde a saída de Micale no final de 2008, era o treinador vindo de Londrina que conseguiu fazer o time se superar e render mais que a soma da capacidade técnica indvidual de seus jogadores.

A prova da qualidade do trabalho de Rogério Micale (foto ao lado) é que em um ano de Atlético-MG, a equipe mineira venceu a Taça Belo Horizonte e chegou à final do campeonato brasileiro sub-20, perdendo a decisão para o Grêmio.

Hoje o Figueira foi eliminado na segunda fase da Copa SP de Juniores, perdendo para o Pão de Açucar, o mesmo clube que o havia derrotado em 2008. A diferença naquele ano é que a derrota aconteceu na fase de grupos e o Figueira foi campeão mesmo assim. No ano passado, quando defendia o título, o time havia caído na terceira fase.

Na época da demissão, o Figueira alegou contenção de custos. Resta saber se a perda da projeção nas competições nacionais compensou a economia.

Notas alvinegras

  • O atacante William foi apresentado nesta quarta-feira e o noticiário diz que o clube procura um lateral direito e mais um atacante.
  • Nesta quinta-feira, às 11 horas, estaremos numa reunião agendada pela direção do Figueirense com os blogueiros alvinegros. Amanhã mesmo vamos informar o que rolou no encontro.

O melhor campeonato de todos os tempos deste ano

Tinha um jornalista que costumava dizer que o boxe tinha pelo menos três “lutas do século” por ano. Assim também é o campeonato catarinense, segundo a RBS, que voltou a deter os direitos de transmissão, e, na maior parte do tempo, parece uma empresa promotora de eventos que tem meios de comunicação para divulgá-los e não uma empresa jornalística que cobre os eventos que acontecem. Essa semana, por exemplo, o conglomerado gaúcho não falará de outra coisa que não do Planeta Atlântida e do campeonato catarinense.

Mas isso é outra história. O fundamental é que o campeonato catarinense de 2010 não está com cara de ser o melhor nem da década, que dirá dos últimos tempos. De todos os tempos então só pode ser piada.

O Figueirense está montando um time sub-23 – tipo seleção olímpica, que pode ter três jogadores acima desta idade. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Avaí desmanchou o time quase todo e está montando um novo. Tem alguns jogadores de qualidade, mas a maioria vem de longo tempo sem jogar. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Criciúma não tem dinheiro pra nada. Contratou o velho Murilo, ex-Avaí, e tem o Itamar Schulle tentando fazer um time decente com os remendos que dispõe. Aliás, se o Criciúma tivesse dinheiro, certamente seu técnico não seria o Itamar. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

O Joinville ganhou a Copa Santa Catarina. E daí? Só jogou contra time B e/ou contra time ruim. Marcílio Dias e Brusque ganharam as copinhas anteriores e não passaram de um traque no campeonato estadual seguinte. Pode até dar certo, mas é uma aposta arriscada.

A Chapecoense manteve o técnico Mauro Ovelha, boa parte da base e trabalha para fazer novamente uma grande campanha. Como os times dirigidos pelo Ovelha costumam fazer, deve ganhar de quase todo mundo em casa e perder de quase todo mundo fora. É a aposta menos arriscada, mas não vai apresentar um futebol capaz de encantar alguém. O resto vai fazer a figuração de costume.

Estaremos no Scarpelli porque somos fanáticos, torcendo pelo Figueira, mas provavelmente seremos brindados novamente com quase cinco meses de jogos tecnicamente ruins e com arbitragens horrorosas como costuma ser o padrão do quadro da FCF.

Além do fanatismo habitual, nada nos motiva ou nos faz morder os cotovelos de ansiedade aguardando pelo início da primeira rodada. Viola, Sávio, o time que o Figueira está armando e o goleiro que participou do BBB são muito pouco para motivar qualquer campeonato.

Ainda desequilibrado

O Figueirense começa mais uma temporada com um elenco novamente desequilibrado. Dos 30 jogadores listados pelo site do clube (clique aqui), três são laterais esquerdos e só um joga pela direita. O grupo começa a temporada com apenas quatro zagueiros, mas tem oito meias (sem contar Roberto Firmino, jogando a copinha, e Talheti, machucado).

Por outro lado, Roger Carvalho pode se juntar aos defensores. A situação do jogador seria definida ontem à noite. Cuca, técnico do Fluminense, pediu sua contratação, mas Leandro Euzébio, do Góias, pode estar ganhando a parada. Seria um acréscimo significativo à linha de defesa, setor que sofre com constantes ausências por cartões.

30 jogadores é um número mais do que suficiente para encarar a temporada, o clube, no entanto, não pode incorrer nos erros dos últimos dois anos: ter jogadores demais para a mesma posição, o que gera descontentamento entre os que não são aproveitados, e de menos para outros setores, tendo que improvisar constantemente, como vimos acontecer nas duas laterais e até na meia no ano passado.

E se outros jogadores serão contratados para suprir carências na lateral direita e no ataque, alguns precisarão sair, já que ter um elenco inchado é outra coisa que o Figueira não pode repetir em 2010.

Não se trata de má vontade deste blogueiro, de pegação de pé ou de torcer contra. É simples constatação. Se o elenco já começa sendo mal formado, fica bem mais complicado consertar depois. Temos as duas últimas temporadas como exemplo.

Oldoni foi oferecido

Apesar do desmentido de Léo Rabello ao Infoesporte, o atacante Pedro Oldoni foi sim oferecido pelo escritório do empresário ao parceiro do Figueirense, Eduardo Uram.

O jogador, inclusive, teria gostado da possibilidade de jogar no Furacão Alvinegro, mas na noite de ontem, um time de Portugal fez uma sondagem sobre o atacante. A situação deve ser resolvida nos próximos dias.

Figueira negocia com Pedro Oldoni

Este blog recebeu a informação de que o Figueirense negocia a contratação do atacante Pedro Oldoni, formado nas categorias de base do Atlético-PR e que disputou o campeonato brasileiro de 2009 pelo Atlético-MG, clube no qual foi pouco aproveitado. Oldoni, que tem contrato com o Atlético-PR até 2012, está emprestado ao Galo até maio de 2010. pedrooldoni

O nome de Oldoni surgiu a partir das dificuldades encontradas para fechar negócio com Marcelo Nicácio. O procurador do atleta, que não é representado por Eduardo Uram, empresário da maioria dos jogadores contratados pelo Figueirense neste início de ano, teria pedido um salário perto dos 50 mil reais, cifra que obviamente inviabilizaria o negócio.

Assim, Pedro Oldoni é o atacante da vez para reforçar o Figueirense.

Notas alvinegras

  • O empate desta tarde com o Ceará em 1 a 1 complicou a situação do Figueira na Copa São Paulo de Juniores. O Furacão Alvinegro foi a quatro pontos e agora enfrenta o Desportivo Brasil, o time da Traffic, que tem seis, precisando a vitória para garantir sua vaga para a segunda fase sem depender de ninguém. Isso porque apenas o primeiro colocado da cada grupo tem vaga assegurada para a etapa seguinte. Se não vencer, o Figueira vai depender de outros resultados para ver se pega um lugar entre os nove melhores segundos colocados.
  • Nã-na-ni-não, Sávio não é Edmundo. Nunca foi. Nunca será. Mas a mania de tentar imitar não acaba.
  • O atacante William, que disputou a série B pelo Vila Nova, mas pertence ao Atlético-PR, está bem perto de fechar com o Figueirense.

Juventude demais, experiência de menos

Procuro dar tempo para fazer uma avaliação mais rigorosa de uma equipe recém formada, como é o caso do Figueira neste início de temporada. O que tenho lido, visto e ouvido, no entanto, não me deixa muito otimista.

Primeiro pelo técnico, René Weber. Não fez nenhum trabalho interessante até agora. Era melhor ter apostado unicamente no Márcio Goiano, que tem perfil para se tornar um bom treinador, e tem credibilidade por conta de sua belíssima história no Figueirense. Ou então ter trazido alguém com resultados mais consistentes para ser o primeiro, enquanto Goiano servia de auxiliar.

A formação do elenco também não me agrada porque parece recair no mesmo erro do ano passado. De novo se aposta num time jovem demais para aguentar o tranco da cobrança pelos resultados – foram seis derrotas no Scarpelli em 19 jogos na série B, o que custou o acesso ao clube.

De experientes, o Figueira só contará com Fernandes e Jeovânio. Wilson é jovem para um goleiro, apesar de já conhecer todos os atalhos do clube. Dos novos contratados, apenas Marquinhos é o mais rodado, com 27 anos e passagens por times como PSV Eindhoven (Holanda), Fluminense, Atlético-MG, Vasco da Gama e Botafogo. O detalhe é que o jogador rodou por todos esses times e eu simplesmente não consigo  me lembrar do futebol dele. Deve ser um dos atletas mais discretos do futebol brasileiro.

Novamente se aposta em jovens vindos de uma fonte só: Eduardo Uram, tirando inclusive o lugar de jogadores da base do clube. E se o comportamento dos jovens vindos da Brazil Soccer esse ano for igual aos do ano passado, teremos problemas, porque eles parecem ter compromisso apenas com o próprio Uram, seu verdadeiro empregador. Tanto faz jogar aqui ou acolá, porque Uram sempre vai descolar um time para eles, seja o Figueira, o Atlético Morélia, o Volendam ou o Albirex Nigata.

Vamos aguardar a pré-temporada, curtíssima como sempre, e estaremos no Scarpelli no dia 18 torcendo por uma vitória, mas até agora não há motivo para empolgação.

Notas alvinegras

  • Alguém me ajude: o zagueiro Kadu é aquele que castigou a bola naquela vitória de virada do Figueira no Scarpelli, chegando a ser substituído no segundo tempo? A julgar por aquela partida, não agrada.
  • Da lista apresentada na chegada de René Weber e Márcio Goiano, o melhor nome era o do atacante Marcelo Nicácio, cuja contratação até agora não foi confirmada. Um meio-campo formado por Jeovanio, Diego Paulista, Roberto Firmino e Fernandes, por exemplo, pode render muito bem. Para ataque, por enquanto as opções são muito reduzidas.
  • E não é que o Zuzu resolveu arrancar o couro da pijamada, aumentanto espetacularmente a mensalidade do moquifo? Tem que recuperar os tais 11 “milhão”, rapazi…

De volta para o futuro

 Nas conversas com gente que está trabalhando para construir uma alternativa efetiva para substituir a Figueirense Participações na gestão de futebol do clube, nota-se a nítida intenção em se estabelecer algo novo, que vá além do que foi feito até agora, mas tendo como norte os interesses do clube, acima de tudo.

Não se trata, portanto, de uma volta ao passado, como é preocupação de alguns, entre eles o Campos, blogueiro que admiro muito (leia aqui), e tem externado seus receios em termos o Conselho Deliberativo do Figueira no controle de tudo. 381px-back_to_the_future[1]

É uma preocupação justa, mas que resvala no maniqueísmo. Tudo de bom que aconteceu no Figueira é por causa da Figueirense Participações, tudo de ruim se debita ao Conselho.

Não é por aí. A FPSA merece ser elogiada – e este espaço fez isso várias vezes – por tudo que fez de bom, mas até os melhores modelos se esgotam, ficam ultrapassados. O modelo implantado por Paulo Prisco foi excelente enquanto os interesses e objetivos de clube e empresa caminharam juntos.

Em determinado momento, eles começaram a se separar e aí é simples: o modelo não serve mais ao clube. A FPSA teve seus méritos, obteve seus resultados, mas o risco de se pôr a gestão do futebol inteiramente nas mãos de um terceiro começa a ser melhor avaliada e sentida agora, até porque era algo inteiramente novo quando foi implantado, com alvinegros nas duas pontas do processo, e lá atrás ainda não havia como saber exatamente no que ia dar.

Agora há. E o rescrudescimento do poder da Figueirense Participações a partir das alterações contratuais propostas pela empresa serviu de mote para uma reação vigorosa da torcida e do Conselho Deliberativo.

Não se trata de uma volta pura e simples aos tempos dos abnegados, apaixonados e amadores dirigentes, das bombonas nas portas do Scarpelli, das dificuldades de todo tipo.

O que as pessoas envolvidas no processo de construção de um novo modelo de gestão – do CD e de fora dele, não estou autorizado a dizer os nomes – querem é manter o clube como centro de tudo, com comando na gestão, estabelecendo parcerias em todas as áreas conforme interesses do Figueirense FC.

O que eles querem é resgatar a paixão e a autonomia do Figueirense Futebol Clube, mas sem abrir mão de paradigmas empresariais, profissionais, de eficiência, competência e qualidade (leia mais sobre o assunto no blog do Tainha).

Ressalta-se, porém, que tudo isso só está acontecendo porque a FPSA manifestou claramente sua vontade de deixar o Figueirense, ao por a faca no peito do clube, exigindo mudanças no contrato. Se a FPSA vai sair é por sua livre espontânea vontade, quando imperialmente quis impor sua posição a ferro e fogo, avaliando de forma arrogante ser maior que o clube.

O Figueirense, enquanto clube, é uma construção coletiva. Não é propriedade de um indivíduo. Já abordei aqui propostas de democratização da instituição, mas desconheço um episódio em que o Conselho Deliberativo tenha se portado com tanta firmeza quanto no momento atual.

Ninguém tem bola de cristal para cravar que tudo vai dar certo. O Figueirense voltar a ser dono de seu destino, porém, parece ser um bom ponto de partida. É desse pressuposto básico que se quer dar um passo à frente, tendo como referência o que de bom e de ruim já aconteceu na belíssima história de quase 89 anos do Figueirense Futebol Clube.

Notas alvinegras

  • Estou de férias, sem acesso fácil à internet. Nesta transição entre férias e trabalho, me perdi um pouco para organizar uma nova rotina. Peço desculpas aos meus caros leitores e informo que pretendo voltar a atualizar o blog com frequência.
  • Nesta segunda-feira, o programa Campo Crítico, que vai ao ar pela rádio Guarujá às 13 horas, passa a ser transmitido também pela TV Record News. Vale conferir.