O Figueirense inicia o returno enfrentando o Imbituba no Sul do Estado no próximo sábado. Na sequência, faz duas partidas no Orlando Scarpelli, contra Brusque e Joinville.
Arrancar bem é importante para ganhar confiança, ganhar mais apoio da torcida e, principalmente, evitar o que ocorreu nas últimas competições, quando o time teve que enfrentar uma grande pressão para se recuperar dos maus resultados iniciais e ficou sem qualquer margem de erro.
É óbvio que é importante manter a regularidade, mas o fato de fazer dois jogos em casa e o primeiro ser em Imbituba e ser alvo de uma grande mobilização da torcida, é um incentivo para arrancar com três vitórias.
Até porque no returno o Figueirense faz seis jogos em Florianópolis (Brusque, Joinville, Metropolitano, Juventus e Criciúma no Scarpelli, e Avaí na Ressacada) e sai para pegar Imbituba, Atlético de Ibirama e Chapecoense.
Se vencer um jogo fora e todas em casa, o Figueira faz 18 pontos, o mesmo que o segundo colocado fez no primeiro turno. Como se viu que o mando de campo e a vantagem do empate foram fundamentais para garantir o título ao JEC, o esforço para pontuar o máximo que puder e garantir o primeiro lugar na classificação final do returno terá que ser redobrado.
O desempenho na primeira fase serve de referência, mas o segundo turno promete ser mais disputado, já que é a última chamada para a decisão. O Joinville, de sangue doce, pode até se dar o luxo de se dedicar a atrapalhar a vida dos adversários que ele considera mais complicados de enfrentar na decisão.
Outros postulantes ao título, vão ter que recuperar o prejuízo. Alguns times vão brigar para escapar da zona de rebaixamento. Os jogos prometem ser mais tensos e mais duros. O Figueira precisa mostrar que continua em evolução sob o comando de Márcio Goiano e o apoio da torcida pode ajudar nisso.
Time do povo
Parece que dizer que o Figueirense precisa voltar a ser o time do povo incomoda alguns. A questão básica é de relacionamento. Sob a gestão da FPSA, o clube perdeu essa conexão com o torcedor. Isso é óbvio e evidente, comprovado pela reduzidíssimo apoio que a empresa tem para continuar no clube, mesmo sendo responsável pelo período mais vitorioso da história.
O problema é que a empatia entre empresa e torcedor foi se apagando ao longo do tempo. O torcedor se sentiu alijado, desprezado e posto de lado, enquanto, na sua percepção, o clube virava um balcão de negócios no qual os resultados de campo eram só um detalhe.
Enquanto isso, a FPSA se isolava. O torcedor começou a ser visto como um ser ingrato, chato, que só reclama, só cobra, não entende as filigranas do futebol e não reconhece tudo que se fez de bom.
Há sim muita cobrança no futebol, mas é preciso também saber lidar com isso. Não é tarefa fácil, mas deve ser um exercício permanente pois o que seria do clube sem seu torcedor?
É nesse sentido que falamos em voltar a ser o time do povo. A cumplicidade de quem tem o apoio da torcida para lidar com as dificuldades. De quem tem uma torcida capaz de botar 10 mil pessoas no Scarpelli num jogo qualquer contra o penúltimo colocado do campeonato, numa quarta-feira à noite debaixo de chuva, só porque venceu o último colocado fora de casa na rodada anterior.
É este sentimento de ser considerado importante para o clube é que precisa ser resgatado. O torcedor precisa se achar parte integrante da história do Figueira, sem a qual o time não vai a lugar algum. Na minha visão, esta distância entre clube e torcida é o maior desafio a ser enfrentado no momento. E rápido.
Dois anos esta noite
Não sou muito bom marqueteiro de mim mesmo. Só agora fui perceber que passei dos mil posts desde que comecei o blog, em 2008. Este aqui já é o 1012º.
Lembrei, no entanto, que neste dia 23 de fevereiro, o blog completa dois anos (clique aqui para ver o primeiro post). Comecei a escrever no sábado que precedeu a última rodada do 1º turno do estadual de 2008, quando o Figueira derrotou o Atlético de Ibirama por 4 a 2 no Scarpelli e garantiu a vaga na decisão do campeonato daquele ano.
Em julho de 2009, nos juntamos ao Meu Figueira, com uma entrevista com José Carlos Lages – sei que estou devendo mais entrevistas e vou me esforçar pra suprir a lacuna em 2010.
O que começou como um meio despretensioso de expor minhas idéias, tomou uma dimensão muito maior e completamente inesperada.
Agradeço a leitura, a participação, o apoio, as discordâncias e que continuemos juntos na luta por um Figueira mais forte e vencedor.