Ataque bom, defesa ruim

Com Márcio Goiano no comando, o time do Figueirense começou a jogar bola. Foram 10 gols marcados em três partidas. Em contrapartida, a equipe sofreu seis gols nestes mesmos jogos, uma média também alta.

Mesmo oscilando demais dentro dos jogos, coisa típica de time em formação, o Figueirense, nestas três partidas, teve ótimos momentos. Foram vários os lances de trocas de passes rápidos que envolveram os times adversários e culminaram em grandes oportunidades de gol.

Por outro lado, a defesa continua fazendo água. Os zagueiros permanecem desprotegidos, erram constantemente no posicionamento e o time bate cabeça quando é atacado. Contra o Avaí, o desempenho foi bem melhor, mesmo sofrendo dois gols, talvez porque na percepção do torcedor a referência era o desastre dos jogos anteriores. Já contra Juventus e Chapecoense os erros se avolumaram e se repetiram.

Como vivemos um fim de feira, que vai durar até a saída da Figueirense Participações, não acredito que o time seja reforçado da maneira que precisa até o final do campeonato catarinense.

Talvez Márcio Goiano possa contar com os argentinos (o zagueiro Agustin Cattâneo já saiu no BID), com Marcelo Nicácio e com algum outro jogador que se recupere de contusão para ter mais opções para o returno, mas não acredito que o time atual irá muito longe.

Pode chegar até as semifinais do returno, mas daí para frente vai depender de fatores quase espirituais como mística, força da camisa, apoio da torcida, para ir mais longe.

O curioso é que a campanha deste ano é exatamente igual a do ano passado. Como a tabela é igual, só trocando Tubarão e Marcílio Dias por Imbituba e Juventus, é fácil de comparar e os resultados são absolutamente quase iguais. Vitória, derrota, derrota, empate, derrota (empate no ano passado – correção no dia 12/o2, 16h02), empate, vitória, vitória.

Será que o script será diferente daqui para a frente?

Vencer para confirmar a reação

A partida contra a Chapecoense na noite desta quinta-feira quarta-feira no estádio Orlando Scarpelli representa um bom teste para o Figueira confirmar sua reação no campeonato.

A primeira partida sob o comando de Márcio Goiano foi o Clássico, cujo significado por si só já representa uma injeção cavalar de ânimo. Ao longo da história, vimos times modestíssimos patrolarem inapelavelmente a agremiação do Sul da Ilha. Goiano foi importante, mas contou com circunstâncias especiais para motivar o grupo.

Contra o Juventus, o Figueira contou com as limitações evidentes do adversário para golear. Foi bem em alguns momentos, mas oscilou muito durante o jogo. Além disso, o calor infernal de 40 graus também serve de atenuante para uma apresentação irregular.

Já contra a Chapecoense, as condições de temperatura e pressão prometem ser normais. Em campo, o Figueira vai pegar uma equipe possivelmente remotivada pela troca de treinador e que tem boa qualidade técnica para os padrões do campeonato, embora venha fazendo uma campanha muito ruim.

O Verdão do Oeste, até pelo momento que vive, deve se resguardar na defesa, procurando explorar o contra-ataque, diferente dos jogos contra Avaí e Juventus, que foram abertos.

Assim, o Figueira vai ter que paciência para furar o bloqueio, além de inteligência para criar chances e evitar erros que permitam à Chapecoense ameaçar em contra-ataques.

Por tudo isso, o jogo será um bom teste para o Figueira. O objetivo neste momento nem deve ser a quase impossível classificação para as semifinais do turno, mas dar um padrão de jogo mais definido à equipe, além de ganhar confiança através de vitórias e boas apresentações.

Por mais que haja discordâncias a respeito do futuro do Figueira fora de campo, na hora de jogo é o momento de se torcer junto.

Para voltar a ser do povo

A Figueirense Participações Sociedade Anônima (FPSA) só fica no comando do Figueirense Futebol Clube depois de 21 de março se entrar com uma liminar na Justiça. Essa possibilidade é justamente a maior ameaça ao futuro do clube e, infelizmente, a notificação judicial entregue ao presidente em exercício do Figueira, Carlos Aragão, na quinta-feira, dia 4, sinaliza para este cenário.

A empresa parece ter esquecido ou deliberadamente ignorado que faz negócios com um clube social, que nada mais é que uma associação de pessoas que lhe dão sustentação e viabilizam sua existência. O Figueirense pode ser uma entidade de direito privado, mas tem relevância pública e deve explicações, satisfações e informações a seus sócios e seus torcedores.

Nesse sentido, não tem cabimento, por exemplo, a empresa reclamar de que o contrato é sigiloso. Aliás, estar no contrato que seus termos são sigilosos é demonstração inequívoca de quanto ele já é vantajoso à FPSA e desigual para o clube.

É tão desigual que a empresa, e só ela, pode fazer uso de uma cláusula que lhe garante o direito de encerrar o contrato sem multa ou ônus de qualquer espécie, bastando comunicar o fato ao clube com seis meses de antecedência, a tal denúncia do contrato,como a empresa fez em 22 de setembro e tentou consertar e desmentir depois.

O clube, por sua vez, além de ter que pagar uma multa de mais de um milhão de reais tem que provar que a empresa não cumpriu suas obrigações e, portanto, quebrou o contrato. Como algumas das obrigações da FPSA previstas no contrato são extremamente vagas – como, por exemplo, ter que montar um time “competitivo” –, seria praticamente impossível ao Figueirense FC rompê-lo.

A empresa fez uso desta cláusula de sair sem pagar. Pôs a faca no pescoço do clube e comunicou lá no longínquo 22 de setembro que sairia em 21 de março se as mudanças no contrato não fossem aprovadas. As propostas foram rejeitadas por unanimidade pelo Conselho Deliberativo e assim se consumou o início do fim da era FPSA.

Clube é uma associação

Enquanto clube, o Figueirense tem suas determinações estatutárias e suas instâncias de decisão. A maior delas é a Assembléia Geral, que se manifestou três vezes a pedido da FPSA. A primeira em setembro, quando PPP entregou a carta denunciando o contrato. A segunda em dezembro, quando rejeitou o novo contrato. A terceira quando, por ampla maioria, rejeitou o pedido de retratação.

Este é o maior patrimônio do Figueirense

Do ponto de vista estatutário, o clube cumpriu suas normas e não há como questionar as decisões tomadas. É mais ou menos como se seu sindicato aprovasse um acordo salarial e você fosse contra ou se o seu condomínio decidisse fazer uma obra de emergência e você também se opusesse, mas em ambos os casos fossem derrotado pela vontade da maioria.

Se todos os trâmites foram seguidos,não há muito o que fazer a não ser aceitar a derrota. Você pode até contestar judicialmente as decisões aprovadas por estes fóruns de deliberação, pode até conseguir uma liminar suspendendo os efeitos destas decisões, mas só vai causar prejuízos à coletividade. E numa associação, de qualquer natureza, é o bem da coletividade e o respeito à decisão do maioria que tem que ser o norte de todas as ações.

Durante a entrevista coletiva de sexta-feira, o presidente do Conselho Deliberativo, Nestor Lodetti, afirmou que o plano de trabalho para ser executado a partir de 22 de março está “80% encaminhado”. Os 20% restantes dependem justamente da posição definitiva da FPSA de que não vai contestar judicialmente as legítimas decisões do Conselho Deliberativo do Figueirense.

Da minha parte, acho importante o clube buscar várias fontes de receita e diversos parceiros para fortalecer seu projeto de voltar à série A e de crescer ainda mais nos próximos anos.

Entendo, porém, que, bem gerido, o Figueirense tem condições de fazer um bom time para a série B com seus próprios recursos. Desde 2004, o clube caminha com suas próprias pernas, gerando receitas para se manter (receita com sócios, patrocínios, cotas de tv, vendas de jogadores, etc.), sem nenhuma injeção de recursos da FPSA ou de quem quer que seja.

Num primeiro momento, ainda mais na série B, isso é mais que suficiente para fazer um time capaz de conquistar o acesso, basta ter gente com bom conhecimento de futebol para formar o elenco par a competição, o que vem faltando à FPSA nos últimos tempos.

Para crescer além disso, aí sim, vai precisar de parcerias e de criatividade para buscar mais recursos. E aí será um projeto em construção permanente, como foi o da FPSA, que, na frieza dos números, mesmo se tratando das mesmas pessoas, foi mais bem sucedida antes da formação da empresa, quando quem comandava o clube era o Conselho de Gestão, do que depois.

Pensando até no pior, com o futebol voltando a ser controlado pelo clube, vai ser até mais fácil mudar o rumo das coisas quando elas não estiveram indo bem. Bem mais fácil do que se o Figueirense continuasse amarrado a um contrato dacroniano.

Uma associação do povo e para o povo

O maior patrimônio do Figueirense, no entanto, é seu torcedor. O clube precisa voltar urgentemente a se identificar como o Time do Povo. Quem viu o Scarpelli no Clássico, com cerca de 10 mil alvinegros fazendo uma belíssima festa, sabe do que estou falando.

Estes 10 mil torcedores apaixonados estavam lá mesmo sendo desencorajados de todos os jeitos de ir ao estádio. Foram e reafirmaram sua paixão. Qualquer projeto só será bem sucedido, portanto, se estiver permanentemente conectado com a massa alvinegra, conexão que a empresa FPSA perdeu há muito tempo.

Fotos: Carlos Amorim/Figueirense

Recuperando o tempo perdido

Depois de perder um mês e meio de trabalho com Renê Weber, o Figueirense tenta recuperar o tempo perdido com aquele que merecia ser a aposta desde o começo.

A despeito das limitações evidentes da equipe, Márcio Goiano já mostrou em 180 minutos que entende muito mais do riscado do que seu antecessor. Conseguiu dar uma consertada na defesa – mais no Clássico do que no jogo deste domingo –, posicionou melhor o time, renovou o astral e fez o time jogar, criar oportunidades e convertê-las em gol.

Debaixo do um calor criminoso, o Figueirense poderia ter resolvido o jogo contra o Juventus antes dos 20 minutos de partida, mas desperdiçou chances demais e cedeu o empate. No segundo tempo, no entanto, o time foi mais eficiente e liquidou a fatura, fechando o placar em 4 a 1. Fez o que devia fazer, em suma.

Ainda é cedo para dizer se Márcio Goiano é o cara certo para a função. O certo mesmo é que Renê Weber nunca foi. A Goiano sobra o respeito do torcedor, a identificação dele com as cores alvinegras e o perfil vitorioso de liderança, o que já é um bom começo.

Também é evidente que o elenco é limitado para querer o título do campeonato estadual e limitadíssimo para brigar pelo acesso na série B.

E aí é que mora a primeira grave dificuldade. O prazo para inscrição no campeonato termina em 26 de março e a gestão da Figueirense Participações acaba cinco dias antes. É muito pouco tempo para grandes mudanças.

Isso porque as últimas atitudes da empresa não indicam que a preocupação maior seja resolver os problemas do Departamento de Futebol. A contratação de Renê Weber, a formação do elenco, a demora para regularizar os argentinos, e de definir a contratação de Marcelo Nicácio, as dúvidas para efetivar Marcio Goiano, a nota paga nos jornais justo no dia do Clássico e os mil ingressos a mais para a torcida do Avaí reforçam a nítida sensação de que o futebol vai do jeito que der.

Assim, o negócio é Márcio Goiano aproveitar os dois jogos finais do turno, contra a Chapecoense na quarta-feira e Criciúma no sábado, e as duas semanas de folga depois disso – não acredito na classificação para as semifinais – para acertar a equipe tática e fisicamente.

A continuidade da reação que começou no clássico passa por um grande empenho dos jogadores, um grande trabalho de Márcio Goiano e de um grande apoio dos torcedores. O que se quer da Figueirense Participações é que atrapalhe o menos possível, que respeite os fóruns de decisão do clube, aceite que está saindo por sua própria vontade, negocie o que considera seus direitos sem paralisar o Figueirense através de uma briga judicial e saía quando disse que ia sair: 22 de março.

Este é um tema que pretendo voltar a abordar nos próximos dias. Sei que estou devendo um post sobre a coletiva da comissão de transição realizada na última sexta-feira. O blog do Tainha e o Meu Figueira já fizeram seus relatos. Em breve darei meu pitaco a respeito.

A força da tradição e da camisa

No clássico desta quinta-feira, o Figueirense fez uma partidaça no primeiro tempo. Saiu atrás logo no início de jogo, conseguiu manter os nervos no lugar e depois amassou o Avaí durante praticamente todo o primeiro tempo. Virou o placar e se fosse para o intervalo com um placar de 5 a 1 a seu favor, apenas seria o espelho do que foi o jogo.

No segundo tempo, o time sentiu o esforço e não conseguiu mais agredir o adversário. O time do Sul da Ilha dominou o jogo e conseguiu o empate no fim. Não deixou de ser justo, embora o Avaí, mesmo tão incensado, tenha mostrado um repertório muito mais pobre do que o Figueira na etapa em que teve controle da partida. As jogadas variavam em bolas esticadas para Roberto ou em chuveirinhos para a área nas incontáveis faltas que o árbitro Célio Amorim assinalou nas imediações da meta alvinegra.

Mesmo assim, só chegaram ao empate num pênalti cometido por Diego Paulista e que, no fim das contas, retrata as mazelas alvinegras: a falta de experiência para administrar a vantagem no fim da partida; os buracos na montagem do elenco, no qual não há reserva para Lucas e é preciso recorrer à improvisação; e à própria ansiedade fruto do momento conturbado dentro e fora do campo.

Como dissemos no post anterior (clique aqui), era o Figueirense que estaria em campo e devia ser respeitado. Mostrou sua tradição e camisa, mas o cansaço vindo das noites mal dormidas por conta deste calor insanamente insuportável me impede de aprofundar a avaliação sobre a belíssima estréia do capitão Marcio Goiano no comando técnico alvinegro, além da magnífica festa feita pela maior e mais fiel torcida de Santa Catarina.

Fico devendo um post mais detalhado sobre o jogo e prometo que ele virá ainda nesta sexta-feira, inclusive com o relato do que rolou na entrevista coletiva convocada pelo Conselho Deliberativo para esta tarde, a partir das 15 horas, no Orlando Scarpelli. O papo é aberto aos torcedores. É só aparecer.

Enquanto isso, sugiro a leitura do post Prova de real grandeza, escrito depois dos dois clássicos do estadual do ano passado. Trocando uma vírgula aqui e outra ali, a conversa continua praticamente a mesma.

Atualizando as estatísticas da primeira década dos anos 2000 com a inclusão dos dois clássicos dos times B na Copa Santa Catarina do ano passado e o empate de ontem, os avaianos só comemoraram cinco vitórias (duas delas sem quase ninguém no estádio na Copa SC, típicos jogos que só contam para as estatísticas) em 29 clássicos. O Figueirense ganhou 13 e ocorreram 11 empates. Ou seja, a diferença continua abissal.

É o Figueirense, não esqueçam

Fazia tempo que o Figueirense não ia para um clássico tão desacreditado, tão para baixo, tão questionado, achincalhado até mesmo por sua própria diretoria, que, inexplicavelmente, aumentou o número de ingressos oferecidos à torcida do outro time.

É nesse clima melancólico que o torcedor alvinegro vai ter que tirar forças de algum lugar para ir ao estádio Orlando Scarpelli na noite desta quinta-feira. O horário não ajuda, o time não ajuda, a diretoria não ajuda. Mas é o Figueira, com suas glórias, sua tradição, sua camisa, seu costume de vencer clássicos, que entra em campo mais uma vez.

É por isso que nós, torcedores alvinegros, precisamos lembrar que é o Figueirense que joga hoje. O Furacão Alvinegro capaz de vitórias inesperadas quando não passa de um menosprezado azarão, capaz de feitos incríveis em clássicos em que estava cotado para ser goleado.

Esse lembrete vale sim para nós, torcedores alvinegros, mas também vale para os torcedores adversários, para os jogadores alvinegros e do outro time, para as comissões técnicas, para as direções dos clubes, para a imprensa em geral.

Não esqueçam, é o Figuerense em campo. Há que se respeitar.

O outro time é favorito? Pode ser. Vive um momento muito melhor? Sim. Só que não está jogando tanto assim. E num clássico, com a motivação, o empenho e a dedicação na medida certa,o equilíbrio é maior ainda.

Então é ir para o Scarpelli amanhã e calar a torcida do outro lado.

É ir para o Scarpelli e mostrar que o amor ao Figueira é muito maior do que todo o estrago que a Figueirense Participações possa fazer antes de sair.

É ir ao Scarpelli e mostrar a todo mundo: Esse é o Figueirense. Há que se respeitar.

A ida de quem não deveria ter vindo

Quando Renê Weber foi contratado houve quem o comparasse a Adilson Batista. Um mês e meio depois, com apenas cinco jogos no comando, Weber confirmou o que este blogueiro, praticamente todos os outros e 80% da torcida do Figueira já sabiam: não era o cara para comandar o Furacão Alvinegro.

Adilson Batista, antes de passar pelo Figueirense, já havia, em sua curta carreira, vencido a série C com o Mogi Mirim, conquistado o campeonato potiguar com o América e salvado Paysandu e Grêmio do rebaixamento à segunda divisão.

Como se confirmou, a diferença entre os dois profissionais é abissal e Renê Weber está mais para Pintado, Heron Ferreira, Paulo Comelli e outros menos votados, que tiveram passagens meteóricas pelo Scarpelli e partiram sem deixar saudade.

O velho filósofo Juarez Soares dizia que “de onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo”. Em 98% dos casos é assim mesmo, mas a FPSA, nos últimos anos, resolveu achar que pode ganhar na megasena toda hora.

Agora é Márcio Goiano relembrar seu passado glorioso no Figueirense e explicar para os jogadores o que é e como se joga e se vence um clássico.

É ele lembrar dos tempos de zagueiro que não deixava ninguém fazer festa em sua área  e acertar minimamente o posicionamento defensivo, porque o Avaí pouco tem mostrado além de uma boa bola parada.

No mais é muita motivação, muito apoio, muita luta. Isso sempre pesou em clássico e dessa vez não será diferente. Agora é hora de apoiar. As críticas podem esperar até sexta-feira.