Seis milhões em seis meses?

Na metade do ano passado, quando sequer se cogitava a saída da Participações do comando do futebol do Figueirense, obtive a informação de que até aquele momento a empresa estava honrando seus compromissos por conta do dinheiro que havia entrado com as negociações de jogadores em 2008. E não foram poucos os atletas negociados. Chicão, André Santos e Felipe Santana, por exemplo, estavam entre eles.

Quando fico sabendo que o balanço de 2009 apresentado pela FPSA traz um déficit de quase seis milhões de reais, só posso ficar surpreso. Se a até a metade do ano, o clube estava no zero a zero, como conseguiu terminar com um rombo de quase seis milhões, ou seja, operou num negativo médio de um milhão mensal entre julho e dezembro. Como foi possível? Será que Roberto Brum e Bóvio foram contratados a peso de um ouro tão pesado assim?

O Figueirense Futebol Clube deve então auditar bem as contas da gestão passada e verificar para onde foi cada centavo. Até porque o distrato garante que a responsabilidade pelas dívidas contraídas no período em que o futebol foi terceirizado é da FPSA. E se a empresa ficou devendo, que pague, pois as condições para a sua saída, incluindo a rescisão de contrato dos jogadores mais valiosos do elenco, já foram muito vantajosas para ela.

Se por um lado, esses números servem para mostrar que a herança deixada pela FPSA não é aquela maravilha apregoada em verso, prosa e páginas coloridas, por outro, os números não são lá tão assustadores. Um clube como o Figueirense tem como superar esses problemas. Se subir este ano para a série A, por exemplo, já garante quase 10 vezes mais de verba da TV em 2011.

Os fatos também reforçam a necessidade de aumentar a transparência. Desde 2008, em meus primeiros contatos com a direção do clube, eu reforço a importância de se utilizar o site do clube para divulgar dados prosaicos como a relação de conselheiros, os balanços anuais,convocatórias e atas das reuniões do conselho, o Estatuto do clube e coisas do tipo. Não significam nada em termos de custo e dão trabalho quase mínimo. E permitiriam que a grande maioria da torcida tivesse acesso a estas informações. Quem sabe agora, que a gestão mudou, mudem também os hábitos. É o que se espera.

Notas Alvinegras

  • O zagueiro Aislan, cogitado entre os possíveis jogadores do São Paulo que poderiam vir para o Figueirense, foi anunciado como reforço do Paraná. E o São Paulo não poderia emprestá-lo para o Figueira mesmo que quisesse, já que ele rescindiu o contrato com o Tricolor paulista no começo de fevereiro (clique aqui e aqui).
  • A pedido do alvinegro Zeca, faço o registro que o Avaí teve 11 pênaltis marcados a seu favor no campeonato e nenhum marcado contra. Alguém gritou “alô, doutor”?
  • Bruno Formigoni vem mesmo? Quem mais vem? Quem sai? Aguardamos novidades.

Semana de mudanças

Hoje, segunda-feira, o Figueira está a 13 dias de sua estréia na série B de 2010, que acontece no dia 8 de maio, sábado, em São Caetano. É a semana, portanto, de botar o carro para andar nesta direção.

Se a semana foi de uma grande polêmica em torno da permanência ou não de Márcio Goiano – cuja continuidade foi antecipada pelo Meu Figueira –, também foi de conversas, negociações e encaminhamentos que ainda não estão completamente claros.

Depois da confirmação de Goiano no comando da equipe para a série B e do anúncio da vinda de dois jogadores de Eduardo Uram que estavam no Juventude – Jorge Felipe e Bruno, o momento é de detalhar como vai funcionar esta parceria com o São Paulo, se e quais jogadores virão de lá, e por em prática a reformulação do elenco, com dispensas e contratações.

A semana promete ser movimentada. Mais do que isso, precisa ser movimentada. O Figueirense tem que estar voltado exclusivamente para estrear bem no campeonato nacional.

Notas alvinegras

  • Não vejo um acordo com o São Paulo como algo negativo, uma “diminuição” do Figueirense. Faz parte do esforço para voltar à série A tendo que driblar as limitações de recursos.
  • Em 2001, por exemplo, tem muita gente que não lembra, mas o Figueirense foi buscar vários jogadores no Vitória-BA e no Atlético Paranaense para formar um elenco competitivo, mesmo tendo firmado uma parceria com a CSR um pouco antes de a série B começar.
  • Do time baiano vieram o lateral direito Marcel, o zagueiro Pedro Paulo, o volante Léo Mineiro e o atacante Felipe (depois do destaque do Náutico e agora no Goiás). Do Paraná, o Figueira trouxe o lateral esquerdo Vanin, os meias Marcelinho e William e o atacante Selmir, devolvido rapidamente porque se apresentou com uma grave lesão.
  • Marcel e Felipe tiveram contusões graves e ficaram de fora da metade da série B em diante. Os demais foram importantes na campanha do acesso.
  • Leitor assíduo do blog, o alvinegro Maiko informa sobre a longa entrevista concedida pelo diretor de marketing do Figueirense, Nelson Galvão Jr., ao site Máquina do Esporte. Clique aqui para conferir.
  • É sem nenhuma satisfação que afirmo que eles têm o melhor elenco do campeonato e mesmo sem jogar bem na grande maioria dos jogos, vão confirmar o favoritismo e erguer a taça. Mas, de qualquer forma, é sempre bom contar com um penaltizinho mandrake a favor quando a coisa ameaça engrossar.

Copa SC, maratona e a verdadeira face

Além de reformular o elenco e montar um time capaz de conquistar o acesso para a série A, o Figueira tem mais um problema para resolver nos próximos dias: como encarar a Copa Santa Catarina?

A oportuna lembrança é do Marcos Silva, em comentário no post anterior (clique aqui). É oportuna porque a edição deste ano da Copa SC define o segundo representante do estado na Copa do Brasil 2011, em mais uma excrecência aprovada pelos clubes no final do ano passado, quando definiram também a fórmula do campeonato que está terminando.

Seria fácil conciliar se a Copa SC acontecesse no período em que a série B para por causa da Copa do Mundo. Só que não é bem assim.

O regulamento da Copa Santa Catarina divide os 10 clubes participantes em dois grupos de cinco. Eles jogam entre si dentro do grupo e os dois primeiros se classificam para as semifinais, em dois jogos. Quem vencer, faz a final do turno, também em duas partidas. A mesma coisa acontece no returno. E aí teremos a final da copinha, que, a exemplo do brilhante regulamento do campeonato estadual, será disputada mesmo que o mesmo time vença os dois turnos.

A tabela prevê que o Figueirense joga contra Atlético de Ibirama (05/05, casa), Joinville (09/05, fora), Chapecoense (12/05, f) e Imbituba (19/05, c) pelo primeiro turno da competição. Se ficar entre os dois primeiros do seu grupo, joga pelas semifinais nos dias 23 e 26 de maio. Passando faz a final em 30/05 e 02/06.

No returno, o mando de campo é invertido na primeira fase, nos jogos dentro do grupo e o Figueira pega a mesma sequência exposta acima, nos dias 6, 9, 13 e 19 de junho. As semifinais acontecem em 23 e 27 de junho e as finais do 2º turno, em 30/06 e 04/07. A decisão da Copa SC está marcada para 7 e 10 de julho.

Ocorre que a tabela da série B marca os seguintes jogos antes da Copa do Mundo, que começa no 11 de junho: São Caetano (08/05,f), Portuguesa (14/05,f), América-MG (22/05,f), Náutico (25/05,c), ASA (01/06,c) Ponte Preta (05/06,f). Aí a competição dá um tempo para a Copa da África do Sul e só volta no dia 13 de julho, quando o Figueira recebe o Vila Nova no Scarpelli.

Nessa brincadeira, de 5 de maio a 6 de junho, o Figueira tem, no mínimo, 10 jogos programados e, no máximo, 14, se chegar à decisão do 1º turno da Copa SC.

Considerando que a situação financeira do clube não é grande coisa e já vai ser necessária uma boa engenharia para montar um bom elenco para a série B, vai ser muito difícil montar um time B bom o suficiente para vencer a Copa SC.

À primeira vista, a melhor saída é jogar mais peso no returno da copinha, podendo enxertar o time B com jogadores do elenco principal, já que entre o dia 9 de junho e o segundo jogo da decisão da competição regional, em 10 de julho, o Figueira não entra em campo pela série B.

Tudo isso, no entanto, tem que ser medido com frieza e competência, já que a prioridade absoluta do ano é a série B e o impacto de disputar a copinha com o elenco principal precisa ser bem avaliado, principalmente em termos de preparação física.

Transcendendo fronteiras

A truculência e o péssimo costume de fazer pressão extra-campo, características marcantes da personalidade avaiana, já começam a ser conhecidas fora de Santa Catarina.

Depois de voltar dos mortos para o cenário nacional no ano passado tentando vender a imagem de time simpático e que cuja torcida se confraterniza animada e pacificamente com os torcedores adversários antes dos jogos, a verdadeira face avaiana já é notada além fronteiras do estado.

E não precisou muito. Bastou um prosaico erro de juiz e a “traição” cometida por Silas, para o lado truculento da turma do Sul da Ilha aflorar com toda força.

Aliás, nem preciso comentar a respeito. É muito melhor ler a coluna de Wianey Carlet na Zero Hora de hoje, cujo trechos reproduzo abaixo:

Ameaça

O tenente-coronel Newton Ramlow, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento do Estádio da Ressacada, em Florianópolis, local do jogo de hoje entre Avaí e Grêmio, alertou:

– A Mancha Azul (torcida organizada do Avaí) é muito perigosa. Estamos em alerta total.

Irresponsabilidade – Não é uma palavra gremista, mas do oficial que buscará dar segurança aos torcedores dos dois times, no jogo desta noite. Ele é da aldeia, conhece a indiada. É neste ponto que se destaca a irresponsabilidade do presidente do Avaí, com as suas declarações belicosas e ameaçadoras, contra Silas e o próprio Grêmio. Um dirigente é, sempre, um líder da sua comunidade de torcedores. O que ele fala é lei para a parcela mais radical da torcida.

Omissão – Enquanto estiver atuando na imprensa esportiva, combaterei, sempre, os línguas de trapo, que, em vez de incentivar a paz nas arquibancadas, estimulam a guerra entre as torcidas. Abaixo os incendiários, estejam aonde estiverem. A Justiça Desportiva deveria punir, severamente, quem usa microfones para incrementar a violência. Infelizmente, os procuradores dos tribunais se omitem, não denunciam os predadores dos bons costumes. Se eu fosse procurador do TJD ou STJD, enquadraria todos que contribuem para perturbar o futebol, dentro e fora do campo. Todo o rigor da lei para quem estimula a violência.

Reformulação necessária

A partir de 8 de maio, quando estréia contra o São Caetano, o Figueira vai encarar uma competição bem mais difícil do que o campeonato catarinense. A série B de 2010 não tem favorito destacado, como edições anteriores, que contaram com Atlético-MG, Corinthians e Vasco.

Em contrapartida, tem várias equipes em condições de brigar pelo acesso. Os quatro que caíram (Náutico, Santo André, Coritiba e Sport), mais times paulistas como Lusa, Ponte Preta e São Caetano, além de Bahia, Figueirense e uma ou outra surpresa que costuma aparecer todo ano na segunda divisão. Continue reading

Vitória, vitória, vitória

Chegamos finalmente ao dia decisivo. Neste domingo, O Figueira vai ao Sul da Ilha para buscar mais uma vitória na casa do adversário, também conhecida como playground ou salão de festas alvinegro.

Na Ressacada, o Figueira venceu 17 vezes desde a inauguração do estádio em 1983, com 14 derrotas e 19 empates. Sim, o Furacão Alvinegro leva ampla vantagem nos clássicos realizados no Orlando Scarpelli e também manda na casa alheia. O único lugar onde eles deram bem foi no antigo Pasto do Bode, mas foi o Figueira que venceu o último jogo realizado lá (leia mais aqui).

Para o jogo de hoje, o Figueira tem a ausência de Lucas como desfalque importante, mas pode contar com reforços de qualidade como Fernandes e Marcelo Nicácio, mesmo sem ritmo de jogo.

Mesmo com times tecnicamente inferiores nos últimos anos, o Figueira tem se superado e feito o Avaí sofrer com uma sequência de empates. Só que hoje, o empate é deles. Assim, a dose de superação tem que ser ainda maior.

Em termos individuais, o time do Sul da Ilha é mais equilibrado e inegavelmente mais bem qualificado. Só que, coletivamente o Figueira tem se saído melhor, mostrando mais conjunto e jogando mais que o seu rival.

E nesse esforço coletivo que o Alvinegro pode se sobressair. Sim, o time tem alguns bons valores individuais, que podem decidir o Clássico a seu favor, como William, Roberto Firmino, Nicácio e Fernandes.

O Figueira vai lá e para ganhar. Não tem nada melhor que ouvir o chororô avaiano depois de uma vitória alvinegra.

Notas alvinegras

  • Como não dá para criticar antecipadamente a escalação de Sálvio Espíndola para ser o árbitro do Clássico, tem avaiano apontando suas baterias para os auxiliares catarinenses Marco Antônio Martins e Luís Alberto Kallemberger, qualificando-os de alvinegros.
  • É um discurso cinicamente calculado e oportunista. Por um lado, continua fazendo pressão sobre a arbitragem. Por outro, já prepara a desculpa em caso de derrota.
  • Nos últimos 30 ou 40 anos, o Figueira não só descontou a grande vantagem que o Avaí tinha no número de vitórias nos confrontos entre as duas equipes, como ainda abriu 12 triunfos de frente.
  • Foi o suficiente para aparecer um avaiano para descobrir mais uns cinco clássicos e fazer uma recontagem que diminui a vantagem alvinegra de 12 para três vitórias, computando supostos triunfos por WO, em prorrogações, disputas de pênaltis e jogos de festivais, com menos de 90 minutos. É um bocado de cara-de-pau.
  • Pois eu quero avisar ao “estatístico” avaiano que ontem, na praça em frente onde eu moro, um garoto com a camisa do Avaí jogava contra outro com a camisa do Figueira. A peleja estava quatro a quatro quando o alvinegrinho foi chamado pela mãe para o almoço. Foi o suficiente para o avaiano aproveitar e empurrar a bola para o gol vazio. Pode contabilizar mais uma vitória para o Avaí então. Só esculhambando mesmo…
  • Tremei, pijamada, Fernandes vem aí…

Uma década alvinegra

Independente do resultado do clássico deste domingo, o último de 2010 e, portanto, o último da década, os primeiros 10 anos do século 21 foram de amplo predomínio alvinegro.

No balanço dos confrontos entre 2001 e 2010, foram 30 partidas, com 13 vitórias alvinegras, 12 empates e cinco derrotas, 46 gols pró, 30 contra, saldo de 16. É uma vantagem considerável. Uma vitória a cada seis jogos do lado de lá, uma vitória a cada dois clássicos, praticamente, do lado de cá.

A década foi ainda marcada por um longo tabu, iniciado ainda no ano 2000. No dia 9 de abril daquele ano, o Figueira perdeu para o Avaí por 2 a 1 na Ressacada (dia que prometi não por mais os pés no moquifo, história que conto outra hora).

Depois disso, o Alvinegro enfileirou uma sequência de 15 jogos sem perder, com sete vitórias e oito empates, até 2005, quando foi derrotado por um a zero na Ressacada.

Mesmo com o Figueira na série B e eles na série A, os avaianos não conseguem dar o troco. São quatro empates consecutivos pelo campeonato estadual. Na Ressacada, o Figueira não perde pela competição desde 2006.

A coisa ficaria mais feia para a turma azulejenta sem os clássicos da copinha SC disputados no fim do ano passado com os times B. Eles quase dobraram o número de vitórias na década (de três para cinco), com os dois triunfos que obtiveram. O primeiro no Scarpelli, num sábado de manhã, para pouco mais de mil testemunhas, e o segundo, na Ressacada, num domingo de manhã para aproximadamente 400 pagantes.

A supremacia alvinegra na primeira década do novo milênio é flagrante e indiscutível. O Figueirense mandou no Clássico, seja em casa, seja no Sul da Ilha. Fechar 2010 com mais uma vitória só confirmaria o que aconteceu com frequência nos últimos 10 anos.

Confira a lista dos Clássicos realizados nos últimos 10 anos.

Antes da década, início do tabu:

21/05/2000 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense

10/09/2000 –1×1 – Ressacada – Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro Série B)

Os resultados da década de 2010

10/03/2001 – 3×1 – Ressacada – Catarinense

29/04/2001 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

09/09/2001 – 2×0 – Scarpelli – Série B

27/10/2001 – 1×1 – Ressacada – Série B

07/12/2001 – 2×0 – Scarpelli – Quadrangular final da Série B (show de bola alvinegro)

18/12/2001 – 2×2 – Ressacada – Quadrangular final da Série B (Abimael marca gol igual ao que fez na partida seguinte, contra o Caxias)

12/05/2002 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

13/06/2002 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense

03/07/2002 – 3×1 – Ressacada – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Renato Martins marca o gol mil da história dos clássicos)

10/07/2002 – 0 x 0 – Scarpelli – 1º jogo da final do 2º turno do Catarinense (Figueira conquista os dois turnos e se consagra campeão estadual)

26/01/2003 – 1×1 – Ressacada – Catarinense

16/02/2003 – 1×0 – Scarpelli – Catarinense

02/02/2005 – 1×1 – Scarpelli – Catarinense

13/02/2005 – 0×1 – Ressacada – Catarinense (fim do tabu)

22/01/2006 – 2×1 – Ressacada – Catarinense

01/02/2006 – 2×1 – Lages – Catarinense (jogo em Lages por causa da reforma no gramado do Scarpelli)

19/02/2006 – 2×3 – Ressacada – Catarinense

19/03/2006 – 4×1 – Scarpelli – Catarinense (revoltados com o banho de bola, avaianos incendeiam as cadeiras do Scarpelli)

14/02/2007 – 3×0 – Scarpelli – Catarinense (Ramon faz barba, cabelo e bigode)

13/04/2007 – 1×0 – Ressacada – Catarinense (Ramon completa o serviço e elimina o Avaí com o gol aos 47 do 2º tempo)

12/10/2007 – 1 x 1 – Ressacada – Copa Santa Catarina

06/11/2007 – 2 x 2 –Scarpelli – Copa Santa Catarina

10/02/2008 – 3×0 – Ressacada – Catarinense (Até Bruno Perone jogou bem, Fernandes fez o seu e o Avaí apaga as luzes do estádio quando Alexandre faz o terceiro)

30/03/2008 – 0×2 – Scarpelli – Catarinense (O técnico Gallo escala Elton, que não fazia um jogo há nove meses e é expulso com 15 minutos de jogo)

05/02/2009 – 1×1 – Scarpelli –Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

15/03/2009 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

31/10/2009 – 0×2 – Scarpelli – Copa Santa Catarina

22/11/2009 – 0×3 – Ressacada – Copa Santa Catarina (jogos com o time B diminuem o vexame azulejento)

04/02/2010 – 2×2 – Scarpelli – Catarinense (Eles pensavam que o time de série A ia patrolar o Figueira, mas suaram para empatar)

24/03/2010 – 1×1 – Ressacada – Catarinense (amareletion, empate alvinegro no fim e show de selvageria do outro time)

Notas alvinegras

  • O árbitro para o Clássico não será de Santa Catarina, mas também não virá de algum estado vizinho. Virá de mais de cima do mapa.
  • O Figueira chama a torcida para comparecer ao treino no sábado pela manhã. É hora de dar todo o apoio para os jogadores e passar aquela energia positiva para uma grande vitória no domingo.
  • Fernandes está com fome de bola. Isso é muito bom.
  • Renê, Coutinho, João Filipe, Bilu. Faça sua aposta para quem joga na lateral direita no Clássico.
  • Miguelinho diz no Debate Diário que se vier árbitro de fora tem que fechar o departamento de árbitros da FCF.
  • Os árbitros daqui são mesmo ruins, mas quem piora tudo e queima praticamente todos é o Avaí e os avaianos com sua política de terra arrasada quando perdem um jogo. Como é fato comum, não sobra árbitro algum no fim da temporada.

O conteúdo e o método

As informações divulgadas pelo Meu Figueira (clique aqui) sobre a reunião do Conselho Deliberativo do Figueirense, realizada na noite desta terça-feira, apontam para sentimentos divergentes. De um lado, o conteúdo pode até estar correto. De outro, o método não agrada.

Apesar de ser necessário saber mais sobre o contrato de parceria que será assinado com a Prosul, a proposta parece trazer alguns aspectos interessantes para o clube. Essas questões serão abordadas mais detalhadamente quando este blog obtiver mais informações sobre o teor do acordo.

Quem defendeu ardentemente a continuidade da parceria com a Participações, empresa de Paulo Prisco Paraíso, mesmo com aquelas mudanças draconianas propostas no fim do ano passado, não tem do que reclamar, pois sua preocupação nunca foi com a transparência e com a democracia.

Também não pode continuar com o discurso de que o pessoal que tirou a Participações estava blefando e ia conduzir o clube para o abismo. A parceria que se encaminha com um pré-contrato já assinado é com uma empresa que tem bala na agulha.

Este blog não pode se furtar, no entanto, a questionar o método empregado para finalizar o processo.

A reunião de ontem do Conselho Deliberativo não foi anunciada no site oficial do clube. Os os torcedores e blogueiros não foram convidados para acompanhar ao menos a abertura da reunião, como aconteceu em todas as outras desde daquela que rejeitou as mudanças propostas por PPP, em novembro do ano passado.

Durante este período de transição houve várias reuniões abertas, com a preocupação de esclarecer as dúvidas de torcedores e de conselheiros. É questionável, portanto, que o ápice deste processo, com eleição de uma nova diretoria e que a apresentação do pré-contrato com a parceria, se dê a portas fechadas, só entre os conselheiros.

Até porque além da parceria, houve uma mudança radical com relação ao que se anunciava como um dos passos seguintes. O comitê de transição informou antes que o presidente do Conselho Deliberativo, Nestor Lodetti, assumiria o comando do clube depois da renúncia do Conselho Administrativo e teria até 30 dias para convocar eleição, que elegeria a direção do clube para terminar o mandato do Norton Boppré, que iria até setembro de 2010.

A reunião desta terça-feira, no entanto, elegeu Lodetti para um mandato que vai até dezembro de 2014. Uma alteração desta magnitude, em minha opinião, deveria ter sido anunciada com antecedência. O Figueirense não é um condomínio com 30 moradores. É um clube com uma grande torcida. E ela sempre deve ser informada sobre o que está acontecendo.

Nas informações que obtive sobre o processo de aprovação do contrato com a ex-Figueirense Participações S.A., em 2004, me chamou a atenção o fato de que muita gente do Conselho Deliberativo não tinha lido o contrato. Foi na base da confiança, do “somos todos alvinegros”, que a proposta foi apresentada e aprovada, na esteira do sucesso de então, com o retorno à série A em 2002 e o tricampeonato estadual de 2002, 2003 e 2004. Cinco anos depois foi um “Deus nos acuda” para desfazer o nó.

No post Figueira sempre acima de tudo, de 20 de janeiro passado, escrevi que:

Também não iremos reclamar se o novo projeto de gestão do futebol trouxer aplicadores que queiram retorno de seus investimentos. Não veremos mal nenhum nisso desde que os interesses do clube sejam preservados e respeitados, que a relação entre as partes seja justa e equilibrada, que o clube também tenha sua cota de lucros financeiros e, principalmente, esportivos, e que esta relação se dê de forma clara e transparente.

No post Ensinamentos para uma nova era, de 25 de fevereiro, avalio que:

O papel do Conselho Deliberativo do Figueirense daqui para frente é o de zelar para que as novas parcerias, os novos contratos, os novos mandatos não tornem o clube refém de interesses que podem deixar de ser mútuos em algum ponto futuro.

O momento então é de olhar para frente, com base no que se aprendeu nos últimos anos. Queremos sim um clube vencedor, mas não a qualquer preço. Queremos, acima de tudo, um time que não se entregue jamais, que respeite sua torcida, um clube que valorize suas ligações com as arquibancadas, seus torcedores apaixonados e fiéis.

Não será nada fácil fazer tudo isso, mas é o ideal a ser perseguido.

Espero que as decisões tomadas nesta terça-feira tragam, de fato, consequências positivas para o Figueira. Não quero uma nova FPSA no Figueirense. Não quero que essa sensação de déjà vu permaneça. Espero que tudo seja mesmo diferente.

Notas Alvinegras

  • Depois de eleita a musa alvinegra, Natália Dias pede apoio à torcida para ser eleita musa do campeonato catarinense. Para votar nela, vocês tem que mandar uma mensagem de texto com o número 7 para 49233.
  • Patric mandou a torcida o JEC calar a boca. Foi absolvido. Alguém acreditava que ele seria punido?
  • Esperamos que a diretoria alvinegra esteja trabalhando nos bastidores para garantir uma arbitragem isenta no jogo de domingo. Não vejo no quadro da FCF com seja capaz de assumir a responsabilidade.
  • E o Silas já ama mais o Grêmio. Nem precisou muito, menos de cinco meses. A turma do mangue é bem menos especial do que acredita ser.

O resultado que interessa

Há uma questão básica envolvendo jogos decisivos. É a que tens que conseguir o resultado que te interessa do jeito que for possível.

Isso o Figueirense fez. Não jogou bem. Não reeditou as atuações anteriores, precisou de Wilson muito mais do que nos jogos anteriores, mas conseguiu o empate que lhe interessava pelo regulamento.

Talvez por sua juventude, a maioria dos jogadores se ressentiu do fato de ser um jogo decisivo e não repetiu suas boas atuações anteriores. Além disso, jogadores experientes que poderiam dar mais equilíbrio à equipe, como Bilu e Jeovânio, não fizeram uma boa partida.

Márcio Goiano tem agora uma semana para quebrar a cabeça e encontrar substituto para Lucas, bem como preparar o time para enfrentar uma guerra na Ressacada e ser capaz de vencer.

Não vai ser fácil. Até porque no jogo de domingo, o Figueira vai enfrentar a sua já conhecida limitação de elenco. Não há substituto para Lucas no grupo de jogadores e o técnico vai ter recorrer à improvisação para um atleta hoje que é um dos mais importantes do time, principalmente na criação ofensiva.

A suspensão de Jeovânio não será tão sentida porque ele não está jogando tão bem e Ygor pode quebrar o galho por ali sem problemas.

O retorno de Maicon é uma boa notícia. Depois de tudo que vi durante o campeonato, acredito que o melhor meio campo que o Figueira tem no momento é composto por Ygor, Maicon, Juninho e Roberto Firmino.

Bilu precisa recuperar o ritmo de jogo e Jeovânio tem oscilado bastante, embora tenha sido muito importante no 2º tempo de hoje, destruindo várias jogadas do JEC.

O Figueirense tem uma semana pra se preparar. Fernandes e Marcelo Nicácio podem, inclusive, aprimorar sua forma. Ter o atacante como titular, no lugar do desligado Junior Negão, seria um grande ganho de qualidade. Fernandes, por sua vez, poderia ficar para o segundo tempo, já que o melhor setor do Figueira é aquele meio campo já escalado nos parágrafos anteriores.

O campo é deles, a vantagem do empate é deles. Porém, já ganhamos deles em situações mais adversas. É bom não duvidar.

Notas Alvinegras

  • O fanático alvinegro e árbitro Paulo Henrique Bezerra tirou do Clássico dois (Lucas e Jeovânio) dos quatro pendurados do Figueira. Não satisfeito, tirou Lucas de campo na metade do segundo tempo, deixando o JEC com um jogador a mais por quase 25 minutos.
  • Já no moquifo, o dócil João Fernando da Silva, o Dadá, só amarelou um dos sete avaianos que entraram em campo com dois cartões. É a pressão desenfreada pós-clássico fazendo efeito? Vão querer árbitro de fora ou o afável Dadá serve?
  • Quase 12 mil pessoas no Scarpelli no domingo. Sete mil na Ressacada no sábado. E insistem em comparar.
  • Sinceramente não gostei da insistência da CBN com a história do JEC entregar o jogo. Esse papo já veio de um avaiano na coluna do Cacau Menezes no sábado. Triste mania azulejenta de sempre botar defeito nas vitórias e conquistas do Figueira.
  • Os dois times procuraram o gol, os dois goleiros trabalharam, houve bola na trave, grandes defesas e o JEC tentou sim vencer o jogo. Talvez o problema seja que os avaianos tenham tanto medo do Figueirense que vejam conspiração e fantasmas em todo lugar.
  • Se você ainda não viu, vale conferir o jornal Alvinegro, iniciativa do Meu Figueira que conta com minha colaboração. Clique aqui para saber mais.

Foto: Carlos Amorim/FFC

Uma nova sequência vitoriosa?

A vitória por 3 a 0 sobre o Joinville no estádio Orlando Scarpelli no dia 6 de março interrompeu uma sequência de três derrotas seguidas do Figueira pelo campeonato estadual (1 a 2 pelo primeiro turno deste ano, 0 a 3 e 2 a 4 em 2009).

A derrota por 3 a 0 na Arena no ano passado, por sua vez, interrompeu uma sequência de cinco vitórias consecutivas do Figueira sobre o Joinville (3 a 0 no segundo jogo da final do campeonato de 2006, 5 a 2 e 2 a 1 em 2007, 1 a 0 e 4 a 0 em 2008).

A expectativa é que o jogo deste domingo contra o JEC represente a confirmação de uma nova sequência de vitórias alvinegras, apesar do empate servir para garantir o Figueira na decisão do segundo turno.

A partida deste domingo também representa mais um confronto decisivo entre dois dos maiores adversários de Santa Catarina.

Depois de penar na mão do time do Norte do Estado nos anos 80, o Figueirense deu o troco nos últimos tempos, culminando com a conquista do título estadual de 2006 em cima do rival tricolor.

Agora, o Furacão Alvinegro entra em campo para se confirmar na decisão do returno. Se conseguir ser campeão desta segunda fase, o Figueira vai novamente decidir um título estadual contra o JEC.

Pelo retrospecto dos últimos anos, com o Joinville na fila desde 2001, sou mais Figueira, mesmo que o segundo jogo da decisão seja lá na terra do balé Bolshoi.
Mas nada de botar o carro na frente dos bois. O negócio é garantir a classificação afinal neste domingo. Para isso, o Figueirense precisa manter o ritmo avassalador do segundo turno no Scarpelli.

Foram cinco vitórias em cinco jogos. 20 gols marcados e só três sofridos, todos nos 5 a 3 em cima do Brusque, na primeira partida em casa no 2º turno. Depois disso, o Figueira bateu JEC e Metropolitano por 3 a 0 e Juventus e Criciúma por 5 a 0.

É continuar fazendo o que vem fazendo, e o domingo será de muita alegria.