Tempo é o que não falta

Até agora, a campanha do Figueirense é rigorosamente igual a de 2009. Duas vitórias nas duas primeiras rodadas e depois um empate e duas derrotas, com sete pontos ganhos. Assim como no ano passado, o futebol também não convence.

O lado positivo dessa engronha toda é que, em 2009, mesmo sem parada para a Copa do Mundo, deu tempo para melhorar o time e reagir na competição. Não foi o suficiente para subir, mas se não fosse aquele joguinho pífio contra o Duque de Caxias na penúltima rodada, o Figueirense chegaria ao último jogo com chances de ficar entre os quatro primeiros da segundona. Continue reading

As agruras de um time ciscador

Tem hora que o Figueirense parece um time de exibição. Antigamente se denominava esse estilo como “tico-tico no fubá” ou “time de armandinho”. Ou seja, uma equipe que toca, cisca, vai, volta, roda para um lado para outro, “está comigo”, “não está mais comigo”, esse tipo de coisa e não leva perigo ao adversário.

Foi assim durante os 30 primeiros minutos da partida de hoje contra o Brasiliense. O Figueirense dominou, teve posse de bola, impressionou o narrador e o comentarista do Sportv, deve ter fornecido boas imagens para a produção de DVDs dos jogadores, mas chance de gol mesmo, nada.

O goleiro Eduardo, que já tomou gol de joelho do Bruno Perone, simplesmente não foi acionado. Firmino, Fernandes e Willian foram nulos. Lucas chegou ao fundo algumas vezes, mas nada aconteceu. João Paulo justificou pela enésima vez que não merece ser titular do Figueirense.

Particularmente, penso que João Felipe comete erros no posicionamento defensivo, às vezes dá espaço demais para o atacante adversário, falhas comuns de um zagueiro ainda jovem. Maicon, por sua vez, erra alguns passes, prende demais a bola em determinados momentos.

Esses dois, no entanto, junto com Wilson, foram os únicos que merecem elogios num jogo como o de hoje. Correram, tentaram, lutaram e no caso dos dois jogadores de linha, foram premiados com a jogada que resultou no gol de empate do Figueirense.

Só que isso é muito pouco para um time que quer subir para a série A. Era jogo para vencer. Se a posse de bola do primeiro tempo fosse conjugada com poder de conclusão, a partida estaria resolvida em 25 minutos. Não foi e o Figueirense não goleado no 2º tempo porque Wilson é seu goleiro e o ataque do Brasiliense é Bebeto e Jean (e depois Vanderlei Pezão).

Márcio Goiano já deu crédito suficiente para o time que fez bons jogos no estadual. É hora de dar vez a outros. Novos contratados como Bruno, Jorge Felipe, Pedro Carmona e Formigoni precisam ser testados. Jogadores experientes como Jeovânio e Bilu também. Muito jogador hoje titular precisa pegar um banco para botar a cabeça em ordem e ter tempo de pensar onde deixou o bom futebol que estava jogando.

Antes do clássico do 1º turno, no Scarpelli, fiz um post comentando que estava na hora de dar um sacolejo geral. Naquele momento, isso passava também pela mudança de técnico, diferente da avaliação que faço agora. No mais, é hora de dar uma boa sacudida em tudo.

Alvinegras

  • Roberto Firmino é uma das maiores revelações do Figueira nos últimos tempos. Só que está jogando mal e tem uma responsabilidade pesada para um garoto de 18 anos. Tem hora que é melhor preservar o guri, mas parece que tem um decreto que o proíbe de ser substituído.
  • O péssimo começo de Willian serve para explicar porque ele foi reserva do Vila Nova, time que brigou para não cair, na série B do ano passado.
  • O Figueirense tem muito a agradecer a Bebeto pelo resultado deste sábado. Além de não saber finalizar, o atacante de quase 30 anos de idade ainda não aprendeu como funciona a regra do impedimento.
  • Às vezes dá pena do Wilson.

Para voltar a vencer

Depois de duas derrotas consecutivas, o Figueira entre em campo pressionado por uma vitória. Nestas horas, é até vantagem jogar fora de casa. Ainda mais em Brasília, onde o Figueira costuma se dar bem, embora nos últimos tempos tenha preferido arranhar todas as estatísticas que lhes são favoráveis. Continue reading

Mudanças para o jogo de sábado

O noticiário diz que Márcio Goiano deve fazer duas alterações no time titular para a partida deste sábado contra o Brasiliense.

Fernandes deve entrar no lugar de Nicácio e Coutinho deve ocupar a vaga de João Paulo, com Juninho passando para a lateral esquerda.

Pode dar certo, mas as mudanças entram naquela decantada deficiência de elenco que já foi abordada neste blog.

Para mim, Juninho sempre jogou melhor no meio do que na lateral, mesmo que esta seja sua posição de origem. Como, no entanto, João Paulo não ata nem desata, lá vai Juninho para o lugar dele.

Jogar de centroavante, fixo entre os beques, também não é o melhor lugar para Fernandes. Só que Marcelo Nicácio ainda não pegou no breu e a outra opção é Jr. Negão, ou seja, é melhor botar Fernandes, ou Firmino, ou Willian por ali. Ou então bota os três se movimentando e mudando de posição, até porque o jogo é fora de casa e o contra-ataque pode ser uma boa arma.

De qualquer forma é uma tentativa válida de melhorar o futebol da equipe e de trazer a vitória de Brasília, onde não lembro do Figueirense ter sido derrotado, seja pelo Jacaré, seja pelo Gama.

Como a fase não anda muito boa é melhor nem perder muito tempo com reminiscências, mesmo que boas. Vamos ao jogo de sábado.

Furação da Baixada

Ainda não entendi o forrobodó causado pelos comentários de uma figura que nunca ouvi falar, o tal de JJ. No meu antigo blog, Furacão Alvinegro (http://furacaofigueira.blogspot.com/), volta e meia aparecia um arrogante torcedor atleticano para dizer que furacão só tinha um.

Que eu saiba, o Figueirense é conhecido como Furacão antes do Atlético, que só passou a usar o termo depois de vencer o campeonato estadual de 1949. Vou pesquisar direitinho e volto ao assunto em breve.

O pior de tudo é ver a genialidade da direção do time paranaense, que registrou a marca Furação da Baixada, como mostrou o diretor de Marketing do Figueira, Nelson Galvão Jr. pelo twitter (clique aqui).

Força para Márcio Goiano

A perspectiva do Figueirense fazer mais uma série B irregular assusta muita gente, inclusive eu. Velhos fantasmas voltaram a rondar no Scarpelli com as duas derrotas recentes, ajudados também por uma nova gestão que ainda tenta se situar e está dando mais topadas do que se esperava.

Há muita coisa que já devia ter saído do papel e ter sido colocada em prática (contratações, enxugamento de elenco, etc), mas não considero que a mudança de técnico seja uma delas.

Desde que o bochicho sobre a possível saída de Márcio Goiano começou a circular, a situação ficou mal parada e se somou mais um fator de pressão e estresse sobre um grupo que já tem um bocado de problemas para resolver.

Aliás, foi a imprensa que começou o bochicho ao dizer que o trabalho de Márcio Goiano estava sendo “avaliado” pela diretoria, não foi nenhum blogueiro alvinegro boca grande que deu asas para a história, como muitos andaram comentando por aí.

Na avaliação geral, Goiano está fazendo um ótimo trabalho. É um técnico jovem, com pouca experiência e que vai cometer seus erros. É inegável, porém, que fez o time jogar muito melhor do que qualquer expectativa mais otimista podia fazer supor depois do péssimo comando sob o comando de Renê Weber.

Sua manutenção também está associada à avaliação que faço que a alternativa para o atual momento do Figueira seria então contratar um treinador experiente, competente e de personalidade forte, capaz de centralizar todo o trabalho do departamento futebol, superar as mumunhas apontadas muito bem pelo Tainha (clique aqui), rechaçar qualquer pressão para escalar jogador de A, B ou C e fazer o elenco fechar em torno de si. Além é claro, de ser bom o bastante para fazer o time jogar bem.

O Figueira precisa então de um profissional raro e, obviamente, caro. Tem cacife para trazer um cara desses? Está disposta a contratá-lo?

Se não, é hora de dar força a Márcio Goiano, acalmar o ambiente e não complicar o que já promete ser bem complicado mesmo que todo mundo reme na mesma direção.

O que o Figueira menos precisa agora é de gente fazendo marola. Dentro e fora do clube.

Está faltando alguma coisa

No ano passado, a certa altura da Série B, alguém comentou aqui no blog que o Figueirense tinha time para ficar entre 5º e 8º lugar. Faltava algo mais para garantir o acesso.

Não recordo quem comentou isso, e tampouco vou assumir a autoria do raciocínio, mas depois da partida desta terça-feira, o comentário me veio à lembrança. Continue reading

A primeira derrota

A campanha está boa. Duas vitórias em três jogos, dois fora de casa, 66% de aproveitamento. A derrota veio contra um time que não é melhor que o Figueira, mas que soube aproveitar melhor a chance num primeiro tempo equilibrado, em que o Furacão Alvinegro criou oportunidades de abrir o placar.

Não abriu e foi para o intervalo perdendo de um a zero. E aí veio o problema. O banco alvinegro tinha jogadores de bom nível para segurar o resultado, fosse vitória ou empate. Não tinha ninguém capaz de fazer mudar o jeito do time jogar. Continue reading

Em busca da liderança

Com os empates de Náutico e Bahia na noite desta sexta-feira, o Figueira pode assumir a liderança isolada da série B se vencer o América no Mineirão na tarde deste sábado.

Seria um ótimo resultado e extremamente positivo se isolar na liderança tendo feito dois jogos fora de casa e somente um no Scarpelli. Um empate, porém, não pode ser considerado mau resultado.

A ausência de Fernandes da relação dos jogadores que viajaram causou alguma polêmica, mas ao que parece o jogador foi poupado por ter sentido “um desconforto” durante a semana (clique aqui para saber mais).

O mais importante, no entanto, é que o Figueira esteja preparado para jogar num campo de grandes dimensões e que exige uma forma diferente de se posicionar. Pressionar a saída de bola do adversário, por exemplo, além de exigir um grande esforço físico, precisa ser algo muito bem feito para não dar chance do adversário explorar espaços vazios quando o time adiantar a marcação.

Por outro lado, se o América, que empatou os seus dois jogos até agora, se lançar ao ataque, pode dar campo para o Figueira explorar a velocidade de seu contra-ataque.

O time deve ser o mesmo que começou as duas primeiras partidas no campeonato. É uma boa formação e que pode trazer um bom resultado de Belo Horizonte, ainda mais se alguns jogadores importantes como Firmino e, principalmente, Willian e Nicácio subirem de produção. Aí, vai ficar mais fácil.

Com esse time, Copa SC já era

Estive no Scarpelli ontem à noite e assisti à derrota por 3 a 1 para a Chapecoense. Jogo fraco e que deixou evidente que, jogando praticamente com um time C, o Figueira não tem chance de conquistar a copinha.

Descontando o fato de estar em campo uma formação pouco entrosada e da observação se restringir a um jogo somente, poucos jogadores se destacaram positivamente.

No primeiro tempo, com a Chapecoense posicionada na defesa para explorar o erro do Figueirense, o time alvinegro teve enormes dificuldades em criar um lance de perigo. A bola rolava de um lado para o outro burocraticamente, sem nenhuma jogada individual, triangulações ultrapassagens. Assim, o time do Oeste aproveitou um rebote e um escanteio para abrir 2 a 0. Nesta etapa, apenas Bruno Formigoni se mostrou um pouco melhor que os outros, com bons passes e poucos erros.

No intervalo, o técnico Hemerson Maria trocou Luan, improvisado na lateral esquerda, por Heber, atacante dos juniores. E aí o time melhorou. O garoto foi a melhor coisa do jogo. Finalizou duas ou três vezes com perigo, fez o gol alvinegro e foi grande destaque individual do fraco time alvinegro.

Alguns jogadores como Pedro Carmona, Renê e Rafhael merecem observados com mais atenção. Outros já mostraram, mais ou menos vezes, que não servem, como Anderson Luís, Luan, Cattaneo e Marcinho.

Heber foi o destaque alvinegro na derrota para a Chapecoense

Heber foi o destaque alvinegro na derrota para a Chapecoense

Com o resultado, o Figueira não se classificou para as semifinais do turno da copinha. Se quiser se classificar no returno vai ter que reforçar o time com jogadores do elenco principal que estão trabalhando com Márcio Goiano. Com a equipe que entrou em campo ontem, nada feito.

Como a segunda fase da Copa SC acontece no período de recesso da série B por causa da Copa do Mundo, a comissão técnica e a direção do clube têm que avaliar se vale a pena arriscar escalar um mistão quente para tentar ganhar a competição ou se isso pode prejudicar o planejamento para a série B, prioridade absoluta da temporada.

Fotos: Carlos Amorim/FFC