O comentário acima é motivado pelos inúmeros exemplos de jogadores que mudaram de time açodadamente, por vontade própria ou incentivados e até pressionados pelo desejo de empresários e clubes de fazer dinheiro rapidamente. Aí mudam diante da primeira proposta que aparece, não importando para onde, só importando o ganho imediato.
Um exemplo que me vem à cabeça é o do lateral esquerdo Filipe, uma das maiores revelações do Figueira nos últimos anos. Alçado ao time principal com 17 anos, em 2003, Filipe foi convocado para as seleções brasileiras de base e disputou um mundial sub-20.
Em 2003, quando apareceu bem no campeonato brasileiro, foi logo negociado com o empresário Juan Figger, que já estragou a carreira de diversos bons jogadores, fazendo-os vagar por uma infinidade de clubes, sem nunca se fixar e na maioria das vezes sem deixar nenhuma marca, tendo uma carreira muito menos efetiva do que poderiam.
E se os clubes brasileiros, e o Figueirense não é exceção, querem ou precisam fazer dinheiro logo, o jogador tem o poder de vetar uma transferência. Tudo depende da concordância dele. Filipe, que poderia ainda estar no Figueirense, ou então ter ficado mais tempo no clube e depois sair em melhores condições, preferiu passar por um longo desterro nos times B de Ajax e Real Madrid. Hoje joga finalmente numa grande liga européia, a espanhola, mas num time que não é nem sombra de seu passado recente. O Deportivo La Coruña, que já conquistou títulos e fez grandes campanhas, passa por uma grave crise e seu único objetivo no momento é não ser rebaixado.
Por conta de suas escolhas, Filipe sumiu do radar. Poderia hoje ter uma carreira muito mais sólida e ser um dos candidatos a disputar os Jogos Olímpicos de Pequim, mas a essa altura ninguém se lembra dele. De certo, ganhou um bom dinheiro, mas pensando no longo prazo, na parte financeira e pessoal, valeu a pena?